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domingo, janeiro 25, 2015

Porque é que os dinossauros eram tão grandes?


O Jornal i e a Ciência Viva têm uma colaboração diária com uma pergunta científica e respondida por investigadores nacionais. 

Desta vez foi "Porque é que os dinossauros eram tão grandes?" e coube-me dar a resposta.




Os dinossauros eram tão grandes porque durante milhões de anos ocorreu uma “corrida evolutiva ao armamento” com vantagens em ser grande: os carnívoros cresceram para poderem caçar presas maiores e estas cresceram para escapar aos predadores. Numerosas linhagens de dinossauros, carnívoros e herbívoros, tornaram-se gigantes. Além disso os dinossauros tinham adaptações que facilitaram o gigantismo: uma respiração muito eficiente, ossos com sacos de ar, crescimento muito rápido e estruturas esqueléticas que suportavam muito peso.

O ambiente e o tempo também ajudaram porque havia abundância de oxigénio e longos períodos de estabilidade que permitem o crescimento da massa corporal nas linhagens (regra de Cope).

Alguns dinossauros foram os maiores animais que alguma vez caminharam sobre a terra. Alguns dos gigantes saurópodes herbívoros atingiam 40 metros de comprimento. Curiosamente, os maiores animais de sempre ainda vivem hoje: as baleias. A baleia-azul é o maior animal que alguma vez existiu e o cachalote o maior de todos os predadores de sempre. Nem todos os dinossauros eram gigantes e alguns atingiam o tamanho menor que um melro. Na verdade, como as aves são dinossauros, o menor de todos é o minúsculo colibri, como pouco mais de 2 cm de comprimento. Contudo, é verdade que a maioria dos dinossauros do Mesozóico eram de grande porte.

Relação entre poros de cascas de ovos e metabolismo dos dinossauros


O metabolismo e paleotemperatura corporal de animais extintos é um dos grandes mistérios na paleontologia. Fizeram-se muitas abordagem usando isótopos, histologia, anatomia comparada, etc. Numa nova abordagem mostra-se que o número, densidade e dimensão dos poros existentes nas cascas de ovos dos diferentes animais está correlacionado com o metabolismos.
No último congresso SVP foi apresentado um trabalho que mostrava exactamente isso. O trabalho foi assinado por Max Stockdale, Mike Benton e Octávio Mateus.





Abstract
The amniote eggshell functions as a respiratory structure adapted for the optimal transmission of respiratory gasses to and from the embryo according to its physiological requirements. Therefore amniotes with higher oxygen requirements, such as those that sustain higher metabolic rates, can be expected to have eggshells that can maintain a greater gas flux to and from the egg. Studies of extant amniotes have found that eggshells of reduced porosity impose a limit on the metabolic rate of the offspring. Here we show a highly significant relationship between metabolic rates and eggshell porosity in extant amniotes that predicts highly endothermic metabolic rates in dinosaurs. This study finds the eggshell porosity of extant endotherms to be significantly higher than that of extant ectotherms. Eggshell porosity values of dinosaurs are found to be significantly higher than that of extant ectotherms, but not extant endotherms. Dinosaur eggshells are commonly preserved in the fossil record, and porosity may be readily identified and measured. This provides a simple tool to identify metabolic rates in extinct egg-laying tetrapods whose eggs possessed a mineralized shell.

Stockdale, M., Benton M., & Mateus O. (2014).  Cracking dinosaur endothermy: paleophysiology unscrambled. Journal of Vertebrate Paleontology. Program and Abstracts, 2014, 235-236. PDF

Nova espécie de plesiossauro do Cretácico de Angola

Cardiocorax mukulu é o nome da nova espécie de plesiossauro escavada pelo Projecto PaleoAngola no Namibe, no sul de Angola. O artigo que saiu agora no Netherlands Journal of Geosciences é o resultado da dissertação de Ricardo Araújo (SMU) integrado no Projecto PaleoAngola e contou ainda com a participação de Mike Polcyn, Anne Schulp, Octávio Mateus, Louis Jacobs, Olímpio Gonçalves and Maria Luísa Morais, dos Estados Unidos, Holanda, Portugal e Angola.
Os ossos coracóides desta espécie criam um espaço em forma coração, o que dá o seu nome Cardio + corax, e mukulu significa ancestral/antigo em Bantu.
À semelhança dos outros elasmossauros, o Cardiocorax seria um animal marinho de pescoço longo, piscívoro.





Resumo:
Nós relatamos aqui um novo elasmossaurídeo do Maastrictiano inferior de Bentiaba, do sul de Angola. A análise filogenética coloca o novo taxon como irmão de Styxosaurus snowii, e esse clado como irmão de um clado composto por (Hydrotherosaurus alexandrae (Libonectes morgani + Elasmosaurus platyurus)). O novo táxon tem uma lâmina dorsal reduzida da escápula, uma característica única entre elasmossaurídeos, mas convergente com plesiossauros criptoclídeos, e indica um ciclo longitudinal de retração-protracção do membro, em estilo de remar, com a rotação simples na articulação glenoumeral. Análise filogenética morfométrica dos coracóide de 40 táxones de eossauropterígios sugere que houve uma ampla gama de estilos de natação dentro do clado.

Abstract: We report here a new elasmosaurid from the early Maastrichtian at Bentiaba, southern Angola. Phylogenetic analysis places the new taxon as the sister taxon to Styxosaurus snowii, and that clade as the sister of a clade composed of (Hydrotherosaurus alexandrae (Libonectes morgani + Elasmosaurus platyurus)). The new taxon has a reduced dorsal blade of the scapula, a feature unique amongst elasmosaurids, but convergent with cryptoclidid plesiosaurs, and indicates a longitudinal protraction-retraction limb cycle rowing style with simple pitch rotation at the glenohumeral articulation. Morphometric phylogenetic analysis of the coracoids of 40 eosauropterygian taxa suggests that there was a broad range of swimming styles within the clade.




Araújo, R., Polcyn M. J., Schulp A. S., Mateus O., Jacobs L. L., Gonçalves O. A., & Morais M. - L. (2015). A new elasmosaurid from the early Maastrichtian of Angola and the implications of girdle morphology on swimming style in plesiosaurs. Netherlands Journal of Geosciences. FirstView, 1–12., 1
Website  PDF

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sexta-feira, janeiro 23, 2015

Bolsas em Geociências 2014 com recuperação e distribuição mais justa

Após o descalabro do ano passado, com apenas 4 bolsas atribuídas em Geociências pela FCT e praticamente a uma só universidade, este ano assistimos a uma recuperação (9 bolsas) e a uma distribuição mais justa entre as universidades portuguesas, a julgar pela origem dos candidatos.


Número de bolsas no concurso nos últimos três anos:
2012: 16
2013: 4
2014 (anunciadas agora): 9

domingo, janeiro 18, 2015

Novo livro de estratigrafia: 'STRATI- At the Cutting Edge of Stratigraphy'

Foi lançado recentemente na Universidade Nova de Lisboa o livro "STRATI 2013 - First International Congress on Stratigraphy - At the Cutting Edge of Stratigraphy" publicado pela Springer.

O Departamento de Ciências da Terra da Faculdade de Ciências e Tecnologia da Universidade Nova de Lisboa teve uma participação de peso pois os editores foram Rogério Rocha, João Pais, José Carlos Kullberg e Stanley Finney.

Referência:
Rocha et al. (eds) (2014). STRATI 2013 - First International Congress on Stratigraphy
At the Cutting Edge of Stratigraphy. Springer Geology. ISBN 978-3-319-04363-0 ISBN 978-3-319-04364-7 (eBook). DOI 10.1007/978-3-319-04364-7.
Link para Springer
Capa e página 3 do livro Strati 2013


O livro de 1335 páginas é o resultado do I Congresso Internacional de Estratigrafia, que decorreu em Lisboa em 2013 e torna-se uma referência da estratigrafia mundial. Contém algumas referências a Portugal e dinossauros.Um dos trabalhos é referente à estratigrafia do Porto da Calada com a transição Jurássico/Cretácico em Portugal.

Salminen, J., Dinis J., & Mateus O. (2014). Preliminary Magnetostratigraphy for the Jurassic–Cretaceous Transition in Porto da Calada, Portugal. (Rogério Rocha, João Pais, José Carlos Kullberg, Stanley Finney, Ed.).STRATI 2013 First International Congress on Stratigraphy At the Cutting Edge of Stratigraphy. 873-877., Heidelberg New York Dordrecht London: Springer. PDF LINK 

Porto da Calada com a indicação da transição Jurássico / Cretácico (Mateus et al., in press). 


segunda-feira, janeiro 05, 2015

Jornal norte-americano escolhe dinossauro da Lourinhã entre as "15 descobertas mais magníficas de dinossauros de 2014"

O dinossauro carnívoro Torvosaurus gurneyi do Jurássico Superior da Formação da Lourinhã, foi considerada uma das "15 descobertas mais magníficas de dinossauros de 2014", sendo a única da Europa. A escolha foi feita pelo jornal de notícia online norte-americano Huffington Post, e incluiu ainda novas espécies ou novos achados. A lista total é:
  1. Aquilops americanus
  2. Tachiraptor admirabilis
  3. Rhinorex condrupus
  4. Rukwatitan bisepultus
  5. Dreadnoughtus schrani,
  6. Laquintasaura venezuelae
  7. Changyuraptor yangi
  8. Anzu wyliei
  9. Mercuriceratops gemini
  10. Qianzhousaurus sinensis
  11. Torvosaurus gurneyi
  12. Novo espécime de Microraptor
  13. Novo espécime de Spinosaurus aegyptiacus
  14. Novo espécime de Argentinosaurus 
  15. Novo espécime de Deinocheirus mirificus
O Torvosaurus gurneyi foi baptizado no início de 2014 pelos paleontólogos Christophe Hendrickx e Octávio Mateus da Faculdade de Ciências e Tecnologia da UNL e do Museu da Lourinhã.

sexta-feira, dezembro 26, 2014

Geologia de Bentiaba, Angola

A geologia e a riqueza faunística de Bentiaba em Angola sempre nos causou admiração. Um estudo do Projecto PaleoAngola, agora publicado, explica a geologia e paleoecologia da acumulação de ossos (bonebed) marinha do Cretácico Superior na camada 19 de Bentiaba.
O estudo fez parte da dissertação de doutoramento de Chris Strganac sendo publicado agora no Netherlands Journal of Geosciences.
Bentiaba com riqueza de achados

Resumo:
Esqueleto de Prognathodon com conteúdos estomacais.
A acumulação de ossos (bonebed) na camada 19 em Bentiaba, Angola, é uma concentração única de vertebrados marinhos preservando seis espécies de mosassauros em sedimentos correlacionadas por magneto-estratigrafia ao Chron C32n.1n entre 71,4 e 71,64 Ma. A bonebed formada numa paleolatitude perto de 24 ° S e com uma largura do Atlântico àquela latitude de 2700 km, que é cerca de metade da largura da actual. A localidade encontra-se numa plataforma continental estranhamente estreita perto das falhas transformantes que controlavam o contorno do litoral da África na formação do Oceano Atlântico Sul. Mudanças biostratigráficas através da seção de Bentiaba indicam que a acumulação ocorreu numa faixa de tempo de 240.000 de anos dentro da chron 32n.1n. A fauna ocorre numa unidade de 10 m areia na Formação Mocuio com ossos e esqueletos incompletos concentrados aos 1-2 m mais basais, mas não limitados a estes. O sedimento que cobre os fósseis é uma areia feldspática imatura demonstrado por zircões detríticos derivados das rochas graníticas. As amostras não parecem ter uma forte orientação preferencial e não é concentrada numa linha de costa. Análise de isótopos estáveis de oxigénio de conchas de bivalves associados indica uma temperatura de água de 18,5 ° C. A bonebed é claramente misturada com elementos de dinossauros e pterossauros dispersos num cortejo de fauna marinha. A associação de conteúdos estomacais e marcas de dentes de tubarão na Camada 19 indicam associação biológica devido às atividades de alimentação. A diversidade ecológica de espécies de mosassauros é mostrada pela disparidade de dente e tamanho do corpo e pela análise d13C do esmalte dos dentes, o que indica uma variedade de áreas de alimentação e nichos alimentares. A fauna da camada 19 viveu em latitudes áridas ao longo de um deserto costeiro semelhante ao da Namíbia moderna, numa plataforma continental estreita e tectonicamente controlada, em águas rasas abaixo base de ondas. A área foi usada como uma área de alimentação para diversas espécies, incluindo Globidens phosphaticus, pequenas espécies costeiras, abundante Prognathodon kianda, que alimentava de outros mosassauros na camada 19, e espécies que podem ter sido alimentadores oportunistas na área.


Geological setting and paleoecology of the Upper Cretaceous Bench 19 Marine Vertebrate Bonebed at Bentiaba, Angola

Abstract:
The Bench 19 Bonebed at Bentiaba, Angola, is a unique concentration of marine vertebrates preserving six species of mosasaurs in sediments best correlated by magnetostratigraphy to chron C32n.1n between 71.4 and 71.64 Ma. The bonebed formed at a paleolatitude near 24°S, with an Atlantic width at that latitude approximating 2700 km, roughly half that of the current width. The locality lies on an uncharacteristically narrow continental shelf near transform faults that controlled the coastal outline of Africa in the formation of the South Atlantic Ocean. Biostratigraphic change through the Bentiaba section indicates that the accumulation occurred in an ecological time dimension within the 240 ky bin delimited by chron 32n.1n. The fauna occurs in a 10 m sand unit in the Mocuio Formation with bones and partial skeletons concentrated in, but not limited to, the basal 1–2 m. The sediment entombing the fossils is an immature feldspathic sand shown by detrital zircon ages to be derived from nearby granitic shield rocks. Specimens do not appear to have a strong preferred orientation and they are not concentrated in a strand line. Stable oxygen isotope analysis of associated bivalve shells indicates a water temperature of 18.5°C. The bonebed is clearly mixed with scattered dinosaur and pterosaur elements in a marine assemblage. Gut contents, scavenging marks and associated shed shark teeth in the Bench 19 Fauna indicate biological association and attrition due to feeding activities. The ecological diversity of mosasaur species is shown by tooth and body-size disparity and by d13C analysis of tooth enamel, which indicate a variety of foraging areas and dietary niches. The Bench 19 Fauna was formed in arid latitudes along a coastal desert similar to that of modern Namibia on a narrow, tectonically controlled continental shelf, in shallow waters below wave base. The area was used as a foraging ground for diverse species, including molluscivorus Globidens phosphaticus, small species expected near the coast, abundant Prognathodon kianda, which fed on other mosasaurs at Bench 19, and species that may have been transient and opportunistic feeders in the area.


Referência:
Strganac, C., Jacobs L., Polcyn M., Mateus O., Myers T., Araújo R., Fergunson K. M., Gonçalves A. O., Morais M. L., Schulp A. S., da Tavares T. S., & Salminen J. (2014). Geological Setting and Paleoecology of the Upper Cretaceous Bench 19 Marine Vertebrate Bonebed at Bentiaba, Angola. Netherlands Journal of Geosciences. 1-16.
PDF

sábado, dezembro 20, 2014

Ooops natalício

O blog Lusodinos deseja Boas Festas e feliz 2015 a todos os seus leitores!

sábado, dezembro 06, 2014

Paleobotânica em Portugal


Ao estudo das plantas fósseis dá-se o nome de Paleobotânica. E o facto talvez desconhecido para muitosé que além de vertebrados e invertebrados, Portugal é extremamente rico em plantas fósseis. Para isso muito têm contribuído os trabalhos de João Pais, Mário Miguel Mendes, Else Marie Friis, Kaj Raunsgaard Pedersen, Peter R. Crane, Carlos Teixeira e muitos outros.

Destacam-se as plantas do Cretácico Inferior da Bacia Lusitânica, que incluem algumas das mais antigas evidências de angiospérmicas e uma espectacular diversidade de formas e táxones.

Feto (Pterodófita) fóssil do Paleozóico de Portugal (ML)
Alguns géneros e espécies na paleobotânica de Portugal
Esta é uma lista, longe de ser ou tentar ser exaustiva, de alguns táxones de plantas fósseis em Portugal: Acrostichopteris, Alethopteris, Alisporites, Annonxylon teixeirae, Araucarites, Asterophyllites, 
Baiera viannaeBicatia costata, Bicatia juncalensi, Biretisporites, Brachyphyllum lusitanicum
Calamites suckowii, Cicatricosisporites, Converrucosisporites, Cordaites, Cupressinocladus micromerum, Cyclopteris, Czekanowskia, 
Densoisporites, Desmiophyllum, Dicksonites, 
Erdtmanispermum juncalenseErdtmanitheca portucalensis, Elatides falcifolia, Equisetites, Equisetum, Frenelopsis, Ginkgo, Gleicheniidites, Ischyosporites teixeirae 
Kraeuselisporites, 
Marchantites archantiaeformis, Mariopteris, Myrica, Monetianthus mirus, 
Neuropteris, Nilsonia, Otozamites, 
Pagiophyllum lusitanicum, Pecopteris, Picea, Pinus fluvimajoricus, Podozamites, Pseudocycas, Pterophyllum, 
Quercus, Raunsgaardispermum lusitanicum
Salix, Schizoneura, Sequoia, Sparganium, Sphenophyllum, Sphenolepis sternbergiana, Sphenolepis choffati, Sphenopteris, Spheripollenites, 
Taeniopteris, Teixeiraea, Toddalia, Todites falciformis
Verrucosisporites, Vitis, Zamites




Referências de alguns artigos científicos:
Friis, E. M., Pedersen, K. R., & Crane, P. R. (2000). Reproductive structure and organization of basal angiosperms from the Early Cretaceous (Barremian or Aptian) of western Portugal. International Journal of Plant Sciences161(S6), S169-S182.
Friis, E. M., Pedersen, K. R., & Crane, P. R. (2004). Araceae from the Early Cretaceous of Portugal: evidence on the emergence of monocotyledons.Proceedings of the National Academy of Sciences of the United States of America101(47), 16565-16570.
Rydin, C., Pedersen, K. R., Crane, P. R., & Friis, E. M. (2006). Former diversity of Ephedra (Gnetales): evidence from Early Cretaceous seeds from Portugal and North America. Annals of Botany98(1), 123-140.
Heimhofer, U., Hochuli, P. A., Burla, S., & Weissert, H. (2007). New records of Early Cretaceous angiosperm pollen from Portuguese coastal deposits: Implications for the timing of the early angiosperm radiation. Review of Palaeobotany and Palynology144(1), 39-76.
Mendes, M. M., Friis, E. M., & Pais, J. (2008). < i> Erdtmanispermum juncalense
sp. nov., a new species of the extinct order Erdtmanithecales from the Early Cretaceous (probably Berriasian) of Portugal. Review of Palaeobotany and Palynology149(1), 50-56.Pais, J. (2009). Évolution de la végétation et du climat pendant le Miocène au Portugal. Ciências da Terra8.

quarta-feira, dezembro 03, 2014

Anatomia, Antropologia e Evolução Humana

"Anatomia, Antropologia e Evolução Humana" é o tema da palestra por Prof. Rui Diogo no dia 17 de Dezembro de 2014 na FCT- Universidade Nova de Lisboa enquadrado no Ciclo de Palestras "Geológicas às Quartas" do Departamento. de Ciências da Terra e com o apoio da FLAD, Fundação Luso Americana para o Desenvolvimento.
Apareça!


Data: 17 de Dezembro de 2014, Quarta-feira, pelas 14:30
Local: Biblioteca da Faculdade de Ciências e Tecnologia da Universidade Nova de Lisboa, (GPS: 38,66267, -9,20553)

Link da palestra para site DCT

Rui Boliqueime Martins Diogo é Professor na Universidade de Howard, e diretor e patrono do Rui Diogo Lab. Rui Diogo é um excelente anatomista pelo que recebeu muitos prémios, entre eles recebeu este ano o Award for Best Anatomical Paper.
Tem numerosos artigos e livros publicados, sobretudo sobre anatomia, desde peixes a primatas. A anatomia que estuda tem implicações para a compreensão da nossa origem como primatas.

Livro:
  • Morphological Evolution, Aptations, Homoplasies, Constraints and Evolutionary Trends: Catfishes as a case study on general phylogeny and macroevolution (p. 491). Enfield, New Hampshire: Science Publishers. 2005.
  • Comparative Anatomy and Phylogeny of Primate Muscles and Human Evolution
  • Muscles of Vertebrates
Exemplos de artigos:
Diogo, R., Abdala, V., Lonergan, N., & Wood, B. A. (2008). From fish to modern humans–comparative anatomy, homologies and evolution of the head and neck musculature. Journal of anatomy, 213(4), 391-424.

Diogo, R. (2007). The origin of higher clades: osteology, myology, phylogeny and evolution of bony fishes and the rise of tetrapods. Science Pub Incorporated.


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segunda-feira, novembro 17, 2014

Concurso Internacional de Ilustração de Dinossauros 2015

O Concurso Internacional de Ilustração de Dinossauros está de volta, com novo prazo de entrega de obras até dia 15 de Janeiro de 2015.
Concurso Internacional de Ilustração de Dinossauros
Ilustração por Fabio Pastori apresentada no último concurso
O regulamento disponível no site do Museu da Lourinhã (link)



  1. Organização: O Concurso Internacional de Ilustração de Dinossauros é organizado pelo Grupo de Etnologia e Arqueologia da Lourinhã (GEAL), entidade que tutela o Museu da Lourinhã.
  2. Tema: Dinossauros e outros animais extintos. As ilustrações podem representar reconstituição de vida dos animais, eventualmente no seu meio ambiente, ou fósseis encontrados.
  3. Prémios: Os prémios são monetários e pagos em Euros.

    1º Lugar - 1000 Euros
    2º Lugar -   500 Euros
    3º Lugar -   250 Euros
    5 Menções Honrosas - 50 Euros cada
  4. Júri: A composição do Júri será anunciada oportunamente.
    As decisões do Júri são finais e não admitem recurso. O Júri reserva-se o direito de não atribuir um ou mais dos prémios se a qualidade dos trabalhos assim o justificar. O concurso só s
  5. e realizará caso haja um mínimo de dez concorrentes com submissões válidas.
  6. Participação: Podem concorrer todas as pessoas, de nacionalidade Portuguesa ou estrangeiras, com mais de 15 anos.
  7. Identificação das obras: As obras devem ser acompanhadas da identificação clara e inequívoca do autor, incluindo obrigatoriamente o nome, idade, nacionalidade, e-mail, telefone e endereço postal completo, incluindo o país. No título da obra devem constar os nomes das espécies ilustradas.
  8. Número de obras: Cada participante pode concorrer com qualquer número de obras.
  9. Dimensões e técnicas: Não há restrições à dimensão das obras. Todas as técnicas de ilustração e materiais são aceites. Valoriza-se a entrega, junto com a obra, de CD com a digitalização da mesma.
  10. Imagens digitais: As imagens digitais devem ter a definição mínima de 300 dpi, tamanho real, não comprimido. Além do CD deve ser enviada uma cópia impressa com boa qualidade. Este material não será devolvido.
  11. Exclusão de admissibilidade: Não são admissíveis a concurso obras sem carácter científico, nomeadamente banda desenhada, cartoons e caricaturas, bem como obras submetidas a anteriores edições do CIID.
  12. Critérios de avaliação das obras: As obras são avaliadas pelo seu rigor científico e qualidade das técnicas utilizadas.
    Valoriza-se:
    • Ilustrações de espécies portuguesas.
    • Ilustrações de espécies representadas no Museu da Lourinhã, em particular dos seus holótipos, a saber: Lourinhanosaurus antunesiKuehneodon hahni,Dinheirosaurus lourinhanensisDraconyx loureiroiAllosaurus europæusMiragaia longicollumImocetus piscatusGlobicetus hiberusTorvosaurus gurneyi e Zby atlanticus .
    • Ilustrações de fósseis.
  13. Calendário:
    • Submissão das obras a concurso: até 15 de janeiro de 2015
  14. Envio das obras: As obras podem ser enviadas por correio, a expensas do autor, ou entregues por mão própria no Museu da Lourinhã. Não são aceites obras enviads por e-mail.

    Morada para envio:
    CIID - 2014 - Museu da Lourinhã
    Rua João Luís de Moura, 95
    2530-158 Lourinhã
    PORTUGAL
    Notas:
    • O GEAL - Museu da Lourinhã não se responsabiliza por danos ou extravio do material enviado ao concurso.
    • A organização do concurso não cobre seguro nem taxas alfandegárias.
  15. Devolução das obras: As obras serão devolvidas a partir de abril de 2015 e poderão ser levantadas na morada de entrega ou devolvidas por correio. Não são cobertos custos de devolução das obras superiores a 40,00 Euros (Quarenta Euros), despesas alfandegárias ou seguros.
  16. Direitos de reprodução: Ao submeter uma obra a concurso o autor está implicitamente a aceitar o presente Regulamento e a conferir ao GEAL - Museu da Lourinhã os direitos não exclusivos de reprodução da obra, e divulgação do concurso, incluindo mas não exclusivamente, em livros, Internet, material promocional, edições, publicações, apoio museológico e estudos científicos, comprometendo-se o GEAL a mencionar sempre o respectivo autor. Está igualmente a garantir ao GEAL que os direitos concedidos não colidem, por fora alguma, com quaisquer direitos de outrem.
  17. Contactos:

    GEAL - Museu da Lourinhã
    Rua João Luís de Moura, 95
    2530-158 Lourinhã
    PORTUGAL

    Tel.: [+351] 261 413 995 / [+351] 261 414 003
    E-mail: geral@museulourinha.org
    http://www.museulourinha.org

Rules in English at http://museulourinha.org/en/CIID.htm

sexta-feira, novembro 14, 2014

Paleontologia de Angola em Mestrado premiado pela Universidade de Évora



Realizou-se no passado dia 1 de Novembro a sessão comemorativa de mais um aniversário da Universidade de Évora, com a cerimonia de abertura solene do ano lectivo. Esta cerimónia, onde têm lugar os tradicionais discursos da Reitora, do Presidente do Conselho Geral e do Presidente da Associação Académica, é também marcada pela imposição das insígnias aos novos doutores e pela atribuição de bolsas de estudo e prémios de mérito aos alunos com o melhor desempenho académico do ano anterior.

A Joana Bruno, que desenvolveu o seu trabalho final de mestrado em Ilustração Científica no âmbito das actividades do Projecto PaleoAngola, diplomou-se com média final de 19 valores e foi distinguida como a melhor aluna de Mestrado da Universidade de Évora no ano 2013/2014, tendo recebido o prémio de excelência da Universidade de Évora/Novo Banco.

A Joana dedicou o seu trabalho final de mestrado à ilustração e reconstrução de espécies extintas de Angola. O trabalho final de mestrado, intitulado «Vertebrados fósseis do Cretácico e Cenozóico de Angola: a comunicação e divulgação de Ciência através da Ilustração Científica», orientado por Octávio Mateus e Pedro Salgado, foi aprovado com 20 valores em Janeiro passado.

terça-feira, novembro 11, 2014

Pegadas de dinossauros e mamíferos em minas de diamantes em África

Replicamos aqui a notícia no DN sobre pegadas de dinossauros e mamíferos em minas de diamantes na Catoca, Angola, que teve um enorme impacto mediático (ver links abaixo):

Pegadas de dinossauros em mina de diamantes em Angola

por Filomena Naves06 novembro 2014
Um dos trilhos
Um dos trilhosFotografia © Octávio Mateus
Paleontólogo português Octávio Mateus identificou e recolheu as pegadas. O estudo foi apresentado ontem em Berlim.
Foi uma descoberta inesperada e, diz o paleontólogo Octávio Mateus, "é a primeira do género no mundo, que eu conheça". O achado, um conjunto de pegadas de dois dinossauros, de um mamífero e de um crocodilo, foi feito no fundo da mina de diamantes da Catoca, na Lunda, em Angola, e o seu anúncio ontem, em Berlim, no congresso da Sociedade Internacional de Paleontologia de Vertebrados, gerou "surpresa e interesse", como o investigador português já esperava.
"Esta é uma história científica fascinante", sublinha Octávio Mateus, professor e investigador da Universidade Nova de Lisboa e responsável do Museu da Lourinhã, que integrou a equipa que fez o estudo das pegadas e que esteve ontem na capital alemã a falar disso.
Desde logo, "é surpreendente o local para uma descoberta destas, porque uma mina de diamantes, sendo de origem vulcânica resulta de uma subida muito rápida da rocha incandescente à superfície, o que deveria inviabilizar a existência de marcas de animais", diz Octávio Mateus. "Não podem caminhar sobre lava quente", esclarece. Mas há uma explicação geológica para o mistério.



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Links nos media em português:


em inglês:

http://stateschronicle.com/fossilized-tracks-trio-found-angola-diamond-mine-8905.html



O Triásico de Jameson Land revisitado: novos achados de vertebrados e o primeiro fitossauro da Gronelândia.

Um dos títulos apresentados pela nossa equipa no congresso da Sociedade de Paleontologia de Vertebrados no dia 5 de Novembro foi "O Triásico de Jameson Land revisitado: novos achados de vertebrados e o primeiro fitossauro da Gronelândia".


Escavação de prossaurópode Plateosaurus.


O Triásico de Jameson Land revisitado: novos achados de vertebrados e o primeiro fitossauro da Gronelândia.

Uma expedição a Jameson Land (leste da Gronelândia) foi realizada em julho de 2012, envolvendo doze pesquisadores e técnicos da Dinamarca, Alemanha e Portugal. O trabalho de campo foi concentrado em dois locais: Lepidopteris Elv e Macknight Bjerg, Noriano-Retiano dos membros Malmros Klint e Orsted Dal da Formação Fleming Fjord.

Um dos principais achados inclui esqueletos parciais de fitossauro em Lepidopteris Elv (Malmros Klint Mb, ~ 211-210 Ma, Norian), incluindo elementos cranianos e pós-cranianos bem preservados. Material craniano desarticulado inclui a mandíbula, jugais, postorbital, angular e quadrado. Muitos ossos axiais e apendiculares foram recolhidos. Considerando os intervalos de tamanho e duplicação de ossos, o material de fitossauro pertence a pelo menos quatro indivíduos de três tamanhos distintos. A maioria dos ossos são de tamanho adulto com um comprimento de corpo estimado de cerca de 3,8 m, incluindo três úmeros de idênticas dimensões (dois esquerdos e um direito, entre 255 e 264 milímetros) que indicam pelo menos dois indivíduos. Três arcos completo dorsais neurais e um corpo vertebral, todos com suturas neurocentrais não fundidas, e uma parte anterior de um dentário com cerca de 63 milímetros de comprimento mostram a presença adicional de um animal com 1-2 m de comprimento do corpo. A terceira e menor dimensão corporal é deduzida a partir de uma escápula esquerda completa com apenas 34 mm de comprimento, o que corresponde a um comprimento de corpo de 45 a 55 cm. Isso totaliza quatro indivíduos. Estes são os primeiros fitossauros bem documentados na Groenlândia porque os ossos de expedições anteriores pertencem temnospôndilos.
Poster apresentado no congresso SVP 2014.
Foi escavado o prossaurópode Plateosaurus encontrados na década de 1990 na Macknight Bjerg. O número de ossos e da sua dimensão relativa indicam que existem indivíduos de vários tamanhos.

Também foi recolhido em Macknight Bjerg (Ørsted Dal Mb) novos exemplares de Testudinata basais, muito fragmentados devido à soliflucção. O padrão de sutura da carapaça mostra uma condição basal e cf. Proganochelys foi documentada para a área.

Inúmeros trilhos de terópodes foram revisitados e jazidas adicionais descobertas: trilhosde queiroterideos na Lepidopteris Elv (Ørsted Dal Mb) e grandes trilhos de saurópodes e prossaurópode em afloramentos próximos a Macknight Bjerg.
Uma nova localidade, '' Burn Paper Shale'',  na base do retiano de Kap Stewart Fm forneceu numerosos coprólitos, tubarão e temnospôndilos.
O elenco faunístico é semelhante ao de localidades fósseis na Europa Central e pode indicar o conjunto típico de um ecossistema terrestre Triássico estável.


Mateus, O., Clemmensen L., Klein N., Wings O., Frobøse N., Milàn J., Adolfssen J., & Estrup E. (2014). The Late Triassic of Jameson Land revisited: new vertebrate findings and the first phytosaur from Greenland. Journal of Vertebrate Paleontology. Program and Abstracts, 2014, 182.
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Abstract:
An expedition to Jameson Land (East Greenland) was conducted in July of 2012, involving twelve researchers and technicians from Denmark, Germany, and Portugal. The fieldwork focused on two sites: Lepidopteris Elv and Macknight Bjerg, both within the Norian-Rhaetian Malmros Klint and Ørsted Dal Members of the Fleming Fjord Formation. One of the main findings include partial phytosaur skeletons at Lepidopteris Elv (middle Malmros Klint Mb, ~211-210 Ma, Norian), including well preserved cranial and postcranial elements. Disarticulated skull material includes the mandible, jugals, postorbital, angular and quadrate. Many axial and appendicular bones were collected. Considering size ranges and duplication of bones, the phytosaur material pertains to at least to four individuals and three size ranges. Most bones are adult size with an estimated body length of about 3.8 m, including three identical humeri of the same size (two left and one right side, between 255 and 264 mm) that provide evidence for at least two individuals. Three complete dorsal neural arches and one centrum, all with unfused open neurocentral sutures, and an anterior part of a dentary about 63 mm long show the additional presence of an animal with 1-2 m body length. The third and smallest body size is deduced from a complete left scapula only 34 mm in length, corresponding to a body length of 45 to 55 cm. This totals four individuals. These are the first well documented phytosaurs in Greenland because bones of previous expeditions belong to temnospondyls. The prosauropod Plateosaurus site found in the 1990s at Macknight Bjerg (top of Malmros Klint Mb) was excavated. The number of bones and their relative size indicate that more than one individual and body size is present. A new basal Testudinata specimen, very fragmented due to solifluction, was also collected at Macknight Bjerg (Ørsted Dal Mb). The suture pattern of the carapace shows a basal condition and cf. Proganochelys was previously documented to the area. Numerous theropod tracks were revisited and additional tracks were found: cheirotherid tracks at Lepidopteris Elv (Ørsted Dal Mb)and large sauropod and prosauropod tracks in outcrops near Macknight Bjerg. A new locality, ′′Burned Paper-Shale site′′, at the base of the Rhaetian Kap Stewart Fm yielded numerous coprolites, shark remains, and temnospondyls. The faunal list is similar to fossil localities in Central Europe and may indicate the typical assemblage in a stable Late Triassic terrestrial ecosystem.
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segunda-feira, novembro 10, 2014

Zooarqueologia de época islâmica


Hoje foi defendida com sucesso a dissertação de mestrado de Diogo Mota sobre "Estudo zooarqueológico de restos faunísticos de época islâmica (séculos XII/XIII) de um silo do castelo de Aljezur" integrado no Mestrado em Paleontologia da FCT-Universidade Nova de Lisboa + Universidade de Évora.
Parabéns ao Diogo que agora é Mestre com uma classificação de 18 valores, por unanimidade, e ao seu orientador Prof. João Luis Cardoso por mais um estudante de sucesso.

Provas de Mestrado em Paleontologia de Diogo Mota

Mestrado em Paleontologia

Provas de Mestrado de Diogo Miguel Machado Mota
Dissertação: "Estudo zooarqueológico de restos faunísticos de época islâmica (séculos XII/XIII) de um silo do castelo de Aljezur"
Constituição do Júri: 
Presidente
•  Doutor Paulo Alexandre Rodrigues Roque Legoinha, Professor Auxiliar da Faculdade de Ciências e Tecnologia da Universidade Nova de Lisboa
Vogais•  Doutora Cleia Detry Cardoso e Cunha, Investigadora Pós-doc do Centro de Arqueologia da Universidade de Lisboa;
•  Doutor João Luís Cardoso, Professor Catedrático da Universidade Aberta.

Congresso anual da Sociedade de Paleontologia de Vertebrados


O congresso internacional da Sociedade de Paleontologia de Vertebrados (74th Annual Meeting of the Society of Vertebrate Paleontology) que decorreu em Berlim de 4 a 8 de Novembro de 2014 teve uma grande participação do DCT - Faculdade de Ciências e Tecnologia da Universidade Nova de Lisboa, nomeadamente com vários estudantes do Mestrado de Paleontologia que apresentaram comunicações científicas. Na fotografia estão várias comunicações apresentadas de autoria ou co-autoria do DCT.

quinta-feira, novembro 06, 2014

Quantos Camarasaurus existem?


O dinossauro Camarasaurus é alegadamente um dos saurópodes mais bem conhecidos. Contudo, não se sabe exactamente se é apenas um género, quantas espécies estão neste género, nem sequer como as distinguir com rigor. Esta tem sido uma demanda a que se dedicou Emanuel Tschopp e colegas através de uma análise com base em espécimes em vez de espécies ou géneros.
O resultado é agora publicado preliminarmente no congresso 74th SVP, em Berlim.

Como principais conclusões: existe apenas um único género (o género Cathetosaurus afinal poderá não ser válido, ao contrário do que pensávamos), a família Camarasauridae é monofilética e tem um único género. Contudo, parece haver mais espécie do que as reconhecidas actualmente.



Tschopp, E., Mateus O., Kosma R., Sander M., Joger U., & Wings O. (2014). A specimen-level cladistic analysis of Camarasaurus (Dinosauria, Sauropoda) and a revision of camarasaurid taxonomy. Journal of Vertebrate Paleontology. Program and Abstracts, 2014, 241-242.
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quarta-feira, novembro 05, 2014

74º Congresso da Sociedade de Paleontologia de Vertebrados: recorde de apresentações portuguesas

Começa hoje, 5 de Novembro de 2014, o 74º Congresso da Sociedade de Paleontologia de Vertebrados (74th Annual Meeting of the Society of Vertebrate Paleontology) que é talvez o principal congresso mundial da especialidade. Este ano há 18 comunicações de paleontólogos portugueses ou de instituições portuguesas, o que é um número recorde. A variedade de temas também é impressionante: mamíferos, dinossauros, fitossauros, plesiossauros, crocodilos, etc.


Temos vários dos nossos estudantes do Mestrado de Paleontologia da FCTUNL+UÉ a fazer as suas primeiras apresentações num congresso SVP.

Aqui está a lista das referências:

Jacobs, L., Polcyn M., Mateus O., Scott M., Graf J., Kappelman J., Jacobs B., Schulp A., Morais M., & Goncalves O. (2014).  Cenozoic vertebrates of coastal Angola. Journal of Vertebrate Paleontology, Program and Abstracts, 2014. 153

Stockdale, M., Benton M., & Mateus O. (2014).  Cracking dinosaur endothermy: paleophysiology unscrambled. Journal of Vertebrate Paleontology. Program and Abstracts, 2014, 235-236.

Hendrickx, C., Mateus O., & Araújo R. (2014).  The distribution of dental features in non-avian theropods and a proposed terminology of theropod teeth. Journal of Vertebrate Paleontology. Program and Abstracts, 2014, 146.

Marzola, M., Mateus O., Schulp A., Jacobs L., Polcyn M., & Pervov V. (2014).  Early Cretaceous tracks of a large mammaliamorph, a crocodylomorph, and dinosaurs from an Angolan diamond mine. Journal of Vertebrate Paleontology, Program and Abstracts, 2014. 181.

Russo, J., Mateus O., Marzola M., & Balbino A. (2014).  Eggs and eggshells of crocodylomorpha from the Late Jurassic of Portugal. Journal of Vertebrate Paleontology. Program and Abstracts, 2014, 218.

Marinheiro, J., Mateus O., Alaoui A., Amani F., Nami M., & Ribeiro C. (2014).  Elephas and other vertebrate fossils near Taghrout, Morocco. Journal of Vertebrate Paleontology. Program and Abstracts, 2014, 178.

Mallison, H., Schwarz-Wings D., Tsai H., Holliday C., & Mateus O. (2014).  Fossil longbone cartilage preserved in stegosaurs?. Journal of Vertebrate Paleontology. Program and Abstracts, 2014, 176.

Polcyn, M., Jacobs L., Strganac C., Mateus O., Myers S., May S., Araujo R., Schulp A., & Morais M. (2014).  Geology and paleoecology of a marine vertebrate bonebed from the lower Maastrichtian of Angola. Journal of Vertebrate Paleontology. Program and Abstracts, 2014, 206.

Hayashi, S., Redelstorff R., Mateus O., Watabe M., & Carpenter K. (2014).  Gigantism of stegosaurian osteoderms. Journal of Vertebrate Paleontology. Program and Abstracts, 2014, 145.

Mateus, O., Clemmensen L., Klein N., Wings O., Frobøse N., Milàn J., Adolfssen J., & Estrup E. (2014).  The Late Triassic of Jameson Land revisited: new vertebrate findings and the first phytosaur from Greenland. Journal of Vertebrate Paleontology. Program and Abstracts, 2014, 182.

Tschopp, E., Mateus O., Kosma R., Sander M., Joger U., & Wings O. (2014).  A specimen-level cladistic analysis of Camarasaurus (Dinosauria, Sauropoda) and a revision of camarasaurid taxonomy. Journal of Vertebrate Paleontology. Program and Abstracts, 2014, 241-242

Malafaia et al. 2014 New cranial remains assigned to Megalosauridae (Dinosauria: Theropoda) from the Late Jurassic of Lusitanian Basin (Portugal).Journal of Vertebrate Paleontology. Program and Abstracts, 2014

Araújo e Correia 2014. Soft-tissue anatomy of the plesiosaur pectoral girdle inferred from basal eosauropterygian taxa and the extant phylogenetic bracket. Journal of Vertebrate Paleontology. Program and Abstracts, 2014

Araújo et al. 2014 Deep questions, explained easy: the example of the therapsid–mammal transition.
Castanhinha et al 2014. The frontal bone: problems and solutions in amniote skull homology. Journal of Vertebrate Paleontology. Program and Abstracts, 2014

Castaninha et al 2014. The Palniassa project: science, education, and outreach from Mozambique. Journal of Vertebrate Paleontology. Program and Abstracts, 2014

Delfino et al. 2014. Reappraisal of the morphology and phylogenetic relationships of the alligatoroid crocodilian Diplocynodon Hantoniensis from the Eocene of Hordwell, United Kingdom. Journal of Vertebrate Paleontology. Program and Abstracts, 2014

Ferreira-cardoso et al. 2014. The floccular complex: neuroanatomy as a tool to unveil paleoecology. Journal of Vertebrate Paleontology. Program and Abstracts, 2014, 

sábado, novembro 01, 2014

Dentes de dinossauros mostram a existência de terópodes abelissaurídeos no Jurássico de Portugal


Um estudo recente que se focou em quatro dentes de dinossauros terópodes do Jurássico Superior de Portugal mostra, pela primeira vez, a existência de terópodes abelissaurídeos em Portugal. Este grupo de dinossauros tornou-se abundante no Cretácico de Gonduana, pelo que a ocorrência no Jurássico de Portugal é, no mínimo, inesperada. Outro dos dentes, o maior, é atribuído a Torvosaurus gurneyi. Além disso, o estudo faz uma abordagem cladística aos dentes de dinossauros terópodes e mostra que podem ser úteis para uma identificação até a nível da família e por vezes até ao género.
O estudo publicado na revista Zootaxa é assinado por Christophe Hendrickx e Octávio Mateus e é um dos resultados do doutoramento do primeiro pela Faculdade de Ciências e Tecnologia da Universidade Nova de Lisboa.
Alguns destes dentes estão em exposição no Museu da Lourinhã.

Dente de dinossauro abelissaurídeo do Jurássico de Portugal (Hendrickx e Mateus, 2014)

Resumo:
Os dinossauros terópodes formam um clado altamente diversificado, e seus dentes são alguns dos elementos mais comuns do registo fóssil de dinossauros do Mesozóico. Este é o caso da Formação Lourinhã (Jurássico Superior, Kimmeridgian-Tithonian) de Portugal, onde os dentes de terópodes são particularmente abundantes e diversificadas. Quatro dentes de terópodes isolados são descritos e identificados com base em dados morfométricos e anatómicos. Eles são incluídos numa análise filogenética com base numa matriz de 141 caracteres de dentes e 60 taxa, bem como numa combinação deste conjunto de dados com seis de supermatrizes baseadas em todo o esqueleto de terópodes. A árvore de consenso resultante da matriz de dados com base na dentição revela que os dentes de terópodes fornecem dados confiáveis ​​para a identificação a nível familiar. Portanto, métodos filogenéticos ajudam a identificar os dentes de terópodes com mais confiança. Embora os caracteres dentários não indicam de forma confiável as relações entre os clados mais elevados de terópodes, eles demonstram padrões interessantes de homoplasia sugerindo convergência na dieta em (1), alvarezssauróides, terrizinossauros e troodontídeos; (2) celofisóides e espinossaurídeos; (3) compsognatídeos e dromeossaurídeos; e (4), ceratosaurídeos, alossaurídeos e megalossaurídeos.

Classificação dos dinossauros terópodes (Hendrickx e Mateus, 2014)
         Com base em análises morfométricas e cladísticas, o maior dente da Lourinhã é uma coroa mesial do megalossaurídeo Torvosaurus. O dente é menor identificado como Richardoestesia, e como um parente próximo do R. gilmorei com base na constrição entre a coroa e raiz, o contorno da base de coroa e, por carina distal "em forma de oito", a média de dez dentículos. Finalmente, os dois dentes de tamanho médio pertencem ao mesmo táxon e exibem pronunciada goteira interdenticular entre dentículos distais, dentículos distais em forma de gancho, uma textura de esmalte irregular, e uma margem distal recta, uma combinação de características observadas apenas em terópodes abelissaurídeos. Estes dentes fornecem o primeiro registo de Abelisauridae no Jurássico da Laurásia e um dos registros mais antigos deste clado no mundo, sugerindo uma possível radiação de Abelisauridae na Europa bem antes do Cretácico Superior.

Dentículos de dinossauros carnívoros (Hendrickx & Mateus, 2014)
Referências:
Hendrickx, C., & Mateus O. (2014). Abelisauridae (Dinosauria: Theropoda) from the Late Jurassic of Portugal and dentition-based phylogeny as a contribution for the identification of isolated theropod teeth. Zootaxa. 3759, 1-74. PDF
http://biotaxa.org/Zootaxa/article/view/zootaxa.3759.1.1

Abstract:


Theropod dinosaurs form a highly diversified clade, and their teeth are some of the most common components of the Mesozoic dinosaur fossil record. This is the case in the Lourinhã Formation (Late Jurassic, Kimmeridgian-Tithonian) of Portugal, where theropod teeth are particularly abundant and diverse. Four isolated theropod teeth are here described and identified based on morphometric and anatomical data. They are included in a cladistic analysis performed on a data matrix of 141 dentition-based characters coded in 60 taxa, as well as a supermatrix combining our dataset with six recent datamatrices based on the whole theropod skeleton. The consensus tree resulting from the dentition-based data matrix reveals that theropod teeth provide reliable data for identification at approximately family level. Therefore, phylogenetic methods will help identifying theropod teeth with more confidence in the future. Although dental characters do not reliably indicate relationships among higher clades of theropods, they demonstrate interesting patterns of homoplasy suggesting dietary convergence in (1) alvarezsauroids, therizinosaurs and troodontids; (2) coelophysoids and spinosaurids; (3) compsognathids and dromaeosaurids; and (4) ceratosaurids, allosauroids and megalosaurids.

Based on morphometric and cladistic analyses, the biggest tooth from Lourinhã is referred to a mesial crown of the megalosaurid Torvosaurus, due to the elliptical cross section of the crown base, the large size and elongation of the crown, medially positioned mesial and distal carinae, and the coarse denticles. The smallest tooth is identified as Richardoestesia, and as a close relative of R. gilmorei based on the weak constriction between crown and root, the “eight-shaped” outline of the base crown and, on the distal carina, the average of ten symmetrically rounded denticles per mm, as well as a subequal number of denticles basally and at mid-crown. Finally, the two medium-sized teeth belong to the same taxon and exhibit pronounced interdenticular sulci between distal denticles, hooked distal denticles for one of them, an irregular enamel texture, and a straight distal margin, a combination of features only observed in abelisaurids. They provide the first record of Abelisauridae in the Jurassic of Laurasia and one of the oldest records of this clade in the world, suggesting a possible radiation of Abelisauridae in Europe well before the Upper Cretaceous.