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sábado, março 28, 2015

Tartaruga Tropidemys em Portugal e pegadas de dinossauros em Cascais


Saíram recentemente dois artigos no Journal of Iberian Geology que tratam de vertebrados fósseis de Portugal: 1) a presença da tartaruga Tropidemys e 2) pegadas de dinossauros em Cascais


A. Pérez-García. 2015. Revision of the British record of Tropidemys (Testudines, Plesiochelyidae) and recognition of its presence in the Late Jurassic of Portugal. Journal of Iberian Geology.

Abstract
The record of coastal marine turtles belonging to Plesiochelyidae is abundant in the Late Jurassic of Portugal. The material analyzed thus far has been attributed to two taxa: Plesiochelys and Craspedochelys. A specimen is presented here that allows extending the known diversity of Portuguese Jurassic turtles. It is attributed to Tropidemys. Although this taxon is relatively well known in the Kimmeridgian record of Switzerland and Germany, no specific allocation performed outside these countries can be, so far, confirmed. The detailed study of the poorly known British taxon “Pelobatochelys” blakii allows its specific validity to be confirmed here, being recognized as a member of Tropidemys. The revision of this species and the analysis of the new Portuguese specimen allow extending the knowledge regarding the genus Tropidemys.


V.F. Santos, P.M. Callapez, D. Castanera, F. Barroso-Barcenilla, N.P.C. Rodrigues, C.A. Cupeto
2015. Dinosaur tracks from the Early Cretaceous (Albian) of Parede (Cascais, Portugal): new contributions for the sauropod palaeobiology of the Iberian Peninsula. Journal of Iberian Geology.

Abstract 
A recently discovered Early Cretaceous (early late Albian) dinosaur tracksite at Parede beach (Cascais, Portugal) reveals evidence of dinoturbation and at least two sauropod trackways. One of these trackways can be classified as narrow-gauge, which represents unique evidence in the Albian of the Iberian Peninsula and provides for the improvement of knowledge of this kind of trackway and its probable trackmaker, in an age when the sauropod record is scarce. These dinosaur tracks are preserved on the upper surface of a marly limestone bed that belongs to the Galé Formation (Água Doce Member, middle to lower upper Albian). The study of thin-sections of the beds C22/24 and C26 in the Parede section has revealed a microfacies composed of foraminifers, radiolarians, ostracods, corals, bivalves, gastropods, and echinoids in a mainly wackestone texture with biomicritic matrix. These assemblages match with the lithofacies, marine molluscs, echinids, and ichnofossils sampled from the section and indicate a shallow marine, inner shelf palaeoenvironment with a shallowing-upward trend. The biofacies and the sequence analysis are compatible with the early late Albian age attributed to the tracksite. These tracks and the moderate dinoturbation index indicate sauropod activity in this palaeoenvironment. Titanosaurs can be dismissed as possible trackmakers on the basis of the narrow-gauge trackway, and probably by the kidney-shaped manus morphology and the pes-dominated configuration of the trackway. Narrow-gauge sauropod trackways have been positively associated with coastal palaeoenvironments, and the Parede tracksite supports this interpretation. In addition, this tracksite adds new data about the presence of sauropod pes-dominated trackways in cohesive substrates. As the Portuguese Cretaceous sauropod osteological remains are very scarce, the Parede tracksite yields new and relevant evidence of these dinosaurs. Furthermore, the Parede tracksite is the youngest evidence of sauropods in the Portuguese record and some of the rare evidence of sauropods in Europe during the Albian. This discovery enhances the palaeobiological data for the Early Cretaceous Sauropoda of the Iberian Peninsula, where the osteological remains of these dinosaurs are relatively scarce in this region of southwestern Europe. Therefore, this occurrence is also of overall interest due to its impact on Cretaceous Sauropoda palaeobiogeography

quinta-feira, março 26, 2015

Metoposaurus algarvensis em artigo científico

O Metoposaurus algarvensis foi alvo de um artigo científico no Journal of Vertebrate Paleontology.

Stephen L. Brusatte, Richard J. Butler, Octávio Mateus & J. Sébastien Steyer (2015): A new species of Metoposaurus from the Late Triassic of Portugal and comments on the systematics and biogeography of metoposaurid temnospondyls, Journal of Vertebrate Paleontology, DOI: 10.1080/02724634.2014.912988 

Abstract: Metoposaurids are a group of temnospondyl amphibians that filled crocodile-like predatory niches in fluvial and lacustrine environments during the Late Triassic. Metoposaurids are common in the Upper Triassic sediments of North Africa, Europe, India, and North America, but many questions about their systematics and phylogeny remain unresolved. We here erect Metoposaurus algarvensis, sp. nov., the first Metoposaurus species from the Iberian Peninsula, based on several new specimens from a Late Triassic bonebed in Algarve, southern Portugal. We describe the cranial and pectoral anatomy of M. algarvensis and compare it with other metoposaurids (particularly other specimens of Metoposaurus from Germany and Poland). We provide a revised diagnosis and species-level taxonomy for the genus Metoposaurus, which is currently represented with certainty by three European species (M. diagnosticus, M. krasiejowensis, M. algarvensis). We also identify cranial characters that differentiate these three species, and may have phylogenetic significance. These include features of the braincase and mandible, which indicate that metoposaurid skulls are more variable than previously thought. The new Portuguese bonebed provides further evidence that metoposaurids congregated in fluvial and lacustrine settings across their geographic range and often succumbed to mass death events. We provide an updated paleogeographic map depicting all known metoposaurid occurrences, which shows that these temnospondyls were globally distributed in low latitudes during the Late Triassic and had a similar, but not identical, paleogeographic range as phytosaurs.

Crânio de Metoposaurus algarvensis em normas dorsais e ventrais.
 
   




quarta-feira, março 25, 2015

Temnospondyl superstar

É sempre interessante ver como os meios de comunicação social reagem a uma notícia sobre um fóssil de anfíbio do Algarve e como o Metoposaurus algarvensis se tornou uma celebridade.

Escavação de Metoposaurus algarvensis.
Aqui segue uma lista de links de notícias nacionais e internacionais, a qual vamos actualizando.

Portugal
http://zap.aeiou.pt/salamandra-pre-historica-gigante-encontrada-no-algarve-63037

International
https://news.google.com/news/story?ncl=dxVy2YsVB51BRrMFjIAWKoJnvUiFM&q=%22metoposaurus+algarvensis%22&lr=English&hl=en&sa=X&ei=hqwRVYXPEcrtUtHPgPAN&ved=0CCgQqgIwAA 

segunda-feira, março 23, 2015

Super salamandra do tempo dos dinossauros em Portugal

Paleontólogos descobrem "super salamandra" do tempo dos dinossauros em Portugal


Uma nova espécie de anfíbio descoberta em Portugal que viveu durante a ascensão dos dinossauros foi um dos maiores predadores da Terra há cerca de 228 milhões de anos, diz um novo estudo agora publicado. A equipa de paleontólogos identificou uma nova espécie de anfíbio que recebe o nome dedicado à região, Metoposaurus algarvensis, depois de escavar os ossos nas rochas de um antigo lago do tempo dos dinossauros, no concelho de Loulé, Algarve. Para o paleontólogo que participou na descoberta e estudo, Octávio Mateus "esta descoberta é o exemplo de um achado de uma época da qual conhecemos muito pouco em Portugal, o Triásico, há cerca de 200 milhões de anos, altura em que viveram alguns dos primeiros dinossauros".  Além deste paleontólogo da Faculdade de Ciências e Tecnologia da Universidade Nova de Lisboa e do colaborador do Museu da Lourinhã, o estudo inclui ainda investigadores das Universidades de Edinburgo, Birmingham e Museu de História Natural de Paris.


As criaturas assemelham-se a salamandras gigantes algumas com 2 metros de comprimento, que viveram em lagos e rios durante o Período Triásico, de forma semelhante aos crocodilos de hoje, dizem os investigadores. Estes anfíbios primitivos que pareciam salamandras gigantes, eram, contudo, parentes distantes das verdadeiras salamandras actuais. Os metopossauros faziam parte do grupo ancestral do qual anfíbios modernos - tais como sapos e salamandras - evoluíram, diz a equipa.


A descoberta revela que a distribuição geográfica deste grupo de animais era maior do que se pensava. Restos fósseis deste tipo de animais foram encontrados em África, Europa e América do Norte mas as diferenças na estrutura do crânio e mandíbula dos fósseis encontrados em Portugal revelaram que estes pertenciam a uma nova espécie. Esta espécie foi descoberta numa camada repleta de ossos onde dezenas de animais podem ter morrido quando o lago secou.
Apenas uma fração do local - cerca de 4 metros quadrados - foi escavado até agora, e a equipa irá prosseguir o trabalho para descobrir novos fósseis. A maioria deste tipo de grandes anfíbios foi exterminada durante uma extinção em massa que ocorreu há 201 milhões anos atrás, muito antes da morte dos dinossauros. Isto marcou o fim do Período Triásico, quando o supercontinente Pangeia, que incluiu todos os continentes do mundo, se começou a dividir. O estudo, publicado no Journal of Vertebrate Paleontology, foi financiado pela National Science Foundation, Fundação Alemã de Investigação, Jurassic Foundation, CNRS, Columbia University Climate Center e pelo Chevron Student Initiative Fund. Apoio adicional foi fornecido pela Câmara Municipal de Loulé, Câmara Municipal de Silves e Junta de Freguesia de Salir no Algarve. A escavação decorreu com estudantes de paleontologia da FCT- Universidade Nova de Lisboa sendo a preparação laboratorial dos fósseis feita no Museu da Lourinhã.
Dr Steve Brusatte, da Universidade de Edimburgo, o primeiro autor do estudo, refere: "Este novo anfíbio parece algo saído de um filme de monstros. Era tão comprido como um pequeno carro e tinha centenas de dentes afiados na sua grande cabeça chata, que se parece com uma tampa de sanita. Este era o tipo de predador feroz que os primeiros dinossauros tinham que enfrentar, muito antes dos dias de glória do T. rex e do Brachiosaurus.”



Metoposaurus algarvensis. Reconstituição por Joana Bruno.
Dois crânios de Metoposaurus algarvensis

Estudo de Metoposaurus algarvensis

Imagens disponíveis aqui: http://goo.gl/eqaQzk





Referência:
Brusatte, S, Butler, R, Mateus, O & Steyer, S. 2015. A new species of Metoposaurus from the Late Triassic of Portugal and comments on the systematics and biogeography of metoposaurid temnospondyls. Journal of Vertebrate Paleontology

Coming soon...



domingo, março 22, 2015

Master and PhD Programs in Paleontology

Do you want to study PALEONTOLOGY in Portugal? Master and PhD Programs available at Faculdade de Ciências e Tecnologia da Universidade Nova de Lisboa.
Master: www.dct.fct.unl.pt/en/msc-paleontology



For Vertebrate Paleontology, one may contact me directly [omateus(a)fct.unl.pt]. We are always looking for bright students!

segunda-feira, março 09, 2015

52 coisas fixes que devia saber sobre paleontologia


Saiu no final de Dezembro o livro com sugestão de 52 coisas que devia saber sobre paleontologia "52 Things You Should Know About Palaeontology" Ed. Agile Libre. na qual temos uma curta contribuição sobre predadores gigantes do Jurássico. Trata-se de um livro de divulgação de ciência com 52 contribuições sobre paleontologia: etologia, evolução, dinossauros, invertebrados, ecologia, etc.

52 Things You Should Know About Palaeontology. : Agile Libre
ed. Alex Cullum e Allard W. Martinius
http://www.amazon.com/Things-Should-Know-About-Palaeontology/dp/0987959441



Mateus, O. (2014).  Gigantic Jurassic predators. 52 Things You Should Know About Palaeontology. 56-57.: Agile Libre  PDF

quinta-feira, fevereiro 26, 2015

Evolução de dentes de dinossauros carnívoros em doutoramento de Christophe Hendrickx (FCT-UNL)

Realizaram-se as provas de doutoramento do Christophe Hendrickx, dia 25 de Fevereiro de 2015, na Faculdade de Ciências e Tecnologia da Universidade Nova de LisboaA tese intitulade “Evolution of teeth and quadrate in non-avian Theropoda (Dinosauria: Saurischia), with the description of Torvosaurus remains from Portugal” é integrada no Doutoramento em Geologia, especialidade em Paleontologia.
O Christophe defendeu a sua tese de forma brilhante e deixou-nos orgulhosos. O trabalho será uma referência sobre a evolução de dentes de dinossauros carnívoros.


Christophe Hendrick no centro, com os membros do júri: Profs Mª Paula Diogo, Miguel Telles Antunes , Octávio Mateus, e Steve Brustte. Prof. Martin Sander em video-conferência atrás.

Provas de Doutoramento do Mestre Christophe Marie Fabian HendrickxDissertação: "Evolution of teeth and quadrate in non-avian Theropoda (Dinosauria: Saurischia), with the description of Torvosaurus remains from Portugal"Constituição do Júri:
Presidente•  Doutora Maria Paula Pires dos Santos Diogo, Professora Catedrática da Faculdade de Ciências e Tecnologia da Universidade Nova de Lisboa
Vogais•  Doutor Miguel Carlos Ferreira Telles Antunes, Professor Catedrático Aposentado da Faculdade de Ciências e Tecnologia da Universidade Nova de Lisboa;•  Doutora Ausenda Cascalheira Assunção de Cáceres Balbino, Professora Catedrática da Universidade de Évora;•  Doutor Paul Martin Sander, Professor da Universidade de Bona (Rheinische Friedrich-Wilhelms-Universität Bonn) - Germany;•  Doutor Octávio João Madeira Mateus, Professor Auxiliar da Faculdade de Ciências e Tecnologia da Universidade Nova de Lisboa; (Orientador)•  Doutor Stephen Louis Brusatte, Reader in Palaeobioligy “School of GeoSciences”, University of Edinburgh – UK.Hora: 14H30
Local: Sala de Actos - Edifício IV

Publicações que resultaram directamente da dissertação de Christophe Hendrickx:
Agora Doutor Christophe Hendrickx

Hendrickx, C. and Mateus, O. 2014. Abelisauridae (Dinosauria: Theropoda) from the Late Jurassic of Portugal and dentition-based phylogeny as a contribution for the identification of isolated theropod teeth. Zootaxa 3759:1–74.
http://dx.doi.org/10.11646/zootaxa.3759.1.1Figures and data

Hendrickx, C. & Mateus, O. 2014. Torvosaurus gurneyi n. sp., the largest terrestrial predator from Europe, and a proposed terminology of the maxilla anatomy in nonavian theropods. PLoS ONE 9 (3): e88905. http://dx.doi.org/10.1371/journal.pone.0088905Figures

Hendrickx, C., Mateus, O. and Araújo, R. in press. A proposed terminology of theropod teeth (Saurischia: Dinosauria). Journal of Vertebrate Paleontology.

Hendrickx, C., Araújo, R. & Mateus, O. in review (accepted). The nonavian theropod quadrate I: standardized terminology and overview of the anatomy, function and ontogeny. PeerJ. PeerJ PrePrints 2:e379v1. http://dx.doi.org/10.7287/peerj.preprints.379v1

Hendrickx, C., Araújo, R. & Mateus, O. in review (accepted). The nonavian theropod quadrate II: systematic usefulness, major trends and cladistic and phylogenetic morphometrics analyses. PeerJ. PeerJ Preprints 2:e380v1.
http://dx.doi.org/10.7287/peerj.preprints.380v1

Hendrickx, C., Mateus, O. and Araújo, R. in press. The dentition of Megalosauridae (Theropoda: Dinosauria). Acta Palaeontologica Polonica. DOI: 10.4202/app.00056.2013 http://www.app.pan.pl/article/item/app000562013.html

Araújo, R., Castanhinha, R., Martins, R. M. S., Mateus, O., Hendrickx, C., Beckmann, F., Schell, N. and Alves, L. C. 2013. Filling the gaps of dinosaur eggshell phylogeny: Late Jurassic theropod clutch with embryos from Portugal. Scientific Reports 3 (1924): 1–8.
http://www.nature.com/srep/2013/130530/srep01924/full/srep01924.htmlFigures

Mais informação online sobre o Christophe Hendrickx: Personal website,  FCT Website

terça-feira, fevereiro 24, 2015

Os plesiossauros e o pedomorfismo



Os plesiossauros de Angola continuam a dar que falar. No estudo liderado por Ricardo Araújo, integrado no Projecto PaleoAngola, publicado no Netherlands Journal of Geosciences descrevem-se novos espécimes de plesiossauros elasmossaurídeos do Maastrictiano inferior de Angola. As análises filogenéticas colocam o táxone angolano como um elasmossaurídeo aristonectine e táxone-irmão de um plesiossauro da mesma idade da Nova Zelândia. Comparações também indicam uma estreita relação com uma forma não identificada anteriormente descrito da Patagónia. Todas estas amostras apresentam uma morfologia osteológica externa ostensivamente imatura, mas a análise histológica do material angolano sugere serem adultos com traços pedomórficos. Por extensão, a semelhança do angolano, o material da Nova Zelândia e Patagónia indica que estes espécimes representam táxones com pedomorfismo generalizado.
O pedomorfismo é um fenomeno de desenvolvimento evolutivo com a retenção de características juvenis em estado adulto.


Plesiossauros elasmossaurídeo de Angola (Araújo et al. 2015)

Ref.:
Araújo, R., Polcyn M. J., Lindgren J., Jacobs L. L., Schulp A. S., Mateus O., Gonçalves O. A., & Morais M. - L. (2015). New aristonectine elasmosaurid plesiosaur specimens from the Early Maastrichtian of Angola and comments on paedomorphism in plesiosaurs. Netherlands Journal of Geosciences. FirstView, 1–16., 2

Abstract
New elasmosaurid plesiosaur specimens are described from the Early Maastrichtian of Angola. Phylogenetic analyses reconstruct the Angolan taxon as an aristonectine elasmosaurid and the sister taxon of an unnamed form of similar age from New Zealand. Comparisons also indicate a close relationship with an unnamed form previously described from Patagonia. All of these specimens exhibit an ostensibly osteologically immature external morphology, but histological analysis of the Angolan material suggests an adult with paedomorphic traits. By extension, the similarity of the Angolan, New Zealand and Patagonian material indicates that these specimens represent a widespread paedomorphic yet unnamed taxon.

segunda-feira, fevereiro 23, 2015

Isótopos de oxigénio e os mosassauros de Angola


Os isótopos estáveis de oxigénio são excelentes indicadores de paleotemperaturas e por isso são usados como um paleotermómetro. Num novo estudo liderado por Chris Strganac usou precisamente estes isótopos para compreender o paleoambiente em que viveram os mosassauros.

Valores de isótopos estáveis de oxigénio em conchas de bivalves marinhos inoceramídeos recuperados em Bentiaba, Angola, são utilizados como um forma de indicar para paleotemperaturas durante o desenvolvimento da margem africana do Oceano Atlântico Sul durante o Cretácico. Os valores de δ18O derivados de inoceramídeos mostram um aumento a longo prazo a partir de -3,2 ‰ no Turoniano Superior para valores entre -0,8 e -1,8 ‰ no Campaniano Superior. Assumindo um valor δ18O oceânico constante, um aumento ‰ ~ 2 pode refletir uma redução da temperatura do ambiente marinho de baixa profundidade em Bentiaba de aproximadamente 10°C. Em Bentiaba os valores são compensados por cerca de + 1 ‰ a partir de registros publicados para Inoceramus em Walvis Ridge. Esta diferença em valores de δ18O sugere uma diferença de temperatura de ~ 5 ° entre as águas costeiras e mais profundas do offshore de Angola. Temperaturas mais baixas implícitas pela curva de δ18O em Bentiaba coincidem com a distribuição estratigráfica de diversos amniotas marinhos, incluindo mosassauros.

Geologia e geoquímica (curva de isótopos de oxigénio) no Atlântico sul (Strganac et al, 2015).
Referência:
Strganac, C., Jacobs L. L., Polcyn M. J., Ferguson K. M., Mateus O., Gonçalves O. A., Morais M. - L., & da Silva Tavares T.(2015).  Stable oxygen isotope chemostratigraphy and paleotemperature regime of mosasaurs at Bentiaba, Angola.Netherlands Journal of Geosciences. FirstView, 1–7., 2

Abstract
Stable oxygen isotope values of inoceramid marine bivalve shells recovered from Bentiaba, Angola, are utilised as a proxy for paleotemperatures during the Late Cretaceous development of the African margin of the South Atlantic Ocean. The δ18O values derived from inoceramids show a long-term increase from –3.2‰ in the Late Turonian to values between –0.8 and –1.8‰ in the Late Campanian. Assuming a constant oceanic δ18O value, an ∼2‰ increase may reflect cooling of the shallow marine environment at Bentiaba by approximately 10°. Bentiaba values are offset by about +1‰ from published records for bathyal Inoceramus at Walvis Ridge. This offset in δ18O values suggests a temperature difference of ∼5° between coastal and deeper water offshore Angola. Cooler temperatures implied by the δ18O curve at Bentiaba coincide with the stratigraphic distribution of diverse marine amniotes, including mosasaurs, at Bentiaba.

sexta-feira, fevereiro 20, 2015

Portugalophis, entre as primeiras serpentes

Numa reviravolta surpreendente no nosso conhecimento sobre a evolução das serpentes, que se julgava ter tido início no Cretácico superior (Cenomaniano ~100Ma), um novo estudo mostra que as primeiras serpentes apareceram 50 milhões de anos antes, no Jurássico Superior, e que Portugal tem uma das mais antigas, agora baptizada como Portugalophis.

Reproduz-se aqui o artigo da Teresa Firmino no Público:


Primeiras serpentes na perspectiva do artista JULIUS T. CSOTONYI


Fóssil de cobra portuguesa é dos mais antigos do mundo

Foi encontrada numa mina perto de Leiria nos anos 1970. Daí viajou para a Alemanha, onde esteve até regressar a Portugal em 2008. Desde então tem sido estudada pela equipa de um paleontólogo canadiano, que agora a incluiu na lista dos fósseis de cobras mais antigos que se conhecem.

Recorde dos países com as cobras mais antigas da Terra: o primeiro lugar vai para Inglaterra, com 167 milhões de anos; o segundo para Portugal, ex-aequocom os Estados Unidos, com 155 milhões de anos; e o terceiro, com cerca de 140 milhões de anos, vai de novo para Inglaterra. Podem arrumar-se assim os fósseis de quatro cobras revelados na última edição da revista Nature Communications, que de uma assentada fazem recuar os vestígios mais antigos destes em répteis em quase 70 milhões de anos. E os da cobra portuguesa remetem para a história de uma antiga mina de carvão na zona de Leiria, famosa entre os paleontólogos de todo o mundo, e para as preciosidades que os museus têm à espera de serem desvendadas.
Visitemos já o local onde se descobriram os fósseis da cobra portuguesa: a antiga mina da Guimarota. Há décadas que é referida em artigos de paleontologia por todo o lado, principalmente porque lá se encontraram fósseis de mamíferos primitivos, do período do Jurássico Superior, com cerca de 150 milhões de anos. Nesses tempos, os mamíferos eram muito pequenos, do tamanho de ratinhos e, os maiores, de ouriços.
Os primeiros mamíferos da Terra tinham aparecido muito antes, há cerca de 230 milhões de anos, tal como os dinossauros. Mas os mamíferos da Guimarota ajudaram a completar uma parte dessa história, mostrando como eram os mamíferos primitivos. A Guimarota forneceu, por exemplo, o primeiro esqueleto de um mamífero do Jurássico, descoberto em 1976: o Henkelotherium guimarotae, que vivia nos ramos das árvores e comia insectos.
Até 1961, extraiu-se lenhite (um carvão) desta mina, altura em que encerrou por falência. Por acaso, dois anos antes, um paleontólogo alemão da Universidade Livre de Berlim (Walter Kühne, acompanhado por um estudante de geologia) veio a Portugal em prospecção paleontológica, à procura de mamíferos em jazidas de dinossauros. Foi então que ouviu falar da última mina que ainda explorava os sedimentos jurássicos da Bacia Lusitânica, e onde talvez houvesse os fósseis que tanto desejava encontrar.
A Bacia Lusitânica formou-se há aproximadamente 150 milhões de anos, quando as massas continentais da Europa e da América do Norte se começaram a afastar e, no meio delas, ia nascendo o Atlântico Norte. A Bacia Lusitânica criou-se na faixa Oeste da Península Ibérica, compreendida entre o Norte de Aveiro e a Península de Setúbal. Eram águas pouco profundas e o Atlântico Norte no Jurássico Superior não era propriamente a vastidão de hoje.
A zona da mina da Guimarota era então um pântano. Num ambiente subtropical, a vegetação exuberante. Havia coníferas, cicas, fetos.
Nas primeiras visitas à mina, Walter Kühne detectou a presença de conchas de amêijoas, fragmentos de tartarugas, escamas de peixes e, a certa altura, o estudante de geologia apanhou um bocado de carvão com um fóssil incrustado e perguntou-lhe: “Professor, isto é aquilo que estamos à procura?” Era o crânio de um mamífero primitivo.
Logo em 1960, Walter Kühne veio para a primeira campanha de escavação e os trabalhos científicos prosseguiram nos dois anos seguintes, apesar de a mina já não ser explorada. Durante a década de 1960, os cientistas foram recolhendo mais material, mas só dos escombros. No entanto, por causa da importância dos fósseis encontrados, a mina foi reaberta entre 1973 e 1982 só para os cientistas. Estava submersa, como agora, e o Estado alemão pagou a operação de reabertura e as escavações.
Fósseis, não só de mamíferos, mas também de crocodilos, peixes, anfíbios, lagartos, dinossauros, pterossauros ou aves primitivas foram sendo levados para a Alemanha. Durante mais de 30 anos, uma única preparadora dedicou-se a tempo inteiro a removê-los do carvão e a deixá-los em condições de serem estudados — o que foi sendo feito por mais de duas dezenas de investigadores alemães ao longo destes anos, que resultaram em mais de cem artigos científicos.
Embora tenham sido os mamíferos a tornar a mina mundialmente conhecida, permitindo a descrição de cerca de uma dezena de mamíferos novos para a ciência, as novidades estenderam-se a crocodilos, peixes, anfíbios ou lagartos. E, agora, às cobras.
Eis a Portugalophis lignites
No artigo na Nature Communications, a equipa de Michael Caldwell, da Universidade de Alberta, no Canadá, classifica os fósseis da cobra da Guimarota como uma espécie e, mais ainda, um género novos para a ciência. O nome: Portugalophis lignites. O género Portugalophis significa “cobra de Portugal”, uma vez que ophis é “cobra” em grego, e lignites vem da palavralignum em latim, remetendo para a mina de lenhite da Guimarota.
Era a maior das quatro cobras descritas, estimando-se que tivesse 1,2 metros de comprimento e, segundo a agência Reuters, pode ter incluído na dieta os minúsculos mamíferos primitivos do Jurássico, bem como pequenos dinossauros, lagartos, aves ou rãs. Numa ilustração divulgada pela equipa, surge representada em cima de um gingko, árvores do Jurássico que ainda existem hoje e que fizeram parte da paisagem da Bacia Lusitânica.
Contemporânea da cobra de Portugal com os seus 155 milhões de anos é a Diablophis gilmorei, também nova para a ciência, encontrada em depósitos fluviais, afastados da costa, no Colorado, Estados Unidos. Mais nova evolutivamente do que a cobra portuguesa e a norte-americana é aParviraptor estesi, descoberta numa zona de arribas em Inglaterra e que tem os já mencionados 140 milhões de anos. De comprimento teria 60 centímetros.
A decana das cobras é, no entanto, a Eophis underwoodi: com 167 milhões de anos, estava nos sedimentos de uma pedreira perto de Oxford, Inglaterra, e o seu corpo teria à volta de 25 centímetros. Comeria peixes pequeninos, girinos e insectos.
Tirando a norte-americana Diablophis gilmorei, que vivia numa zona continental interior, todas as outras cobras tinham como habitat zonas costeiras pantanosas, como a Bacia Lusitânica por onde se passeava a Portugalophis lignites.
As quatro cobras — três novas para a ciência e a quarta, a Parviraptor estesi, uma reclassificação — são todas mais antigas do que os fósseis identificados até agora. Antes, só tínhamos fósseis de cobras com cerca de 100 milhões de anos, na transição do Cretácico Inferior para o Superior. Embora fragmentados, esses registos revelavam animais bastante diversos uns dos outros, indicando ter havido um caminho evolutivo já percorrido, e habitavam ecossistemas distintos em vários locais, como África e América do Norte e do Sul.
Mas as grandes questões na paleontologia das cobras mantinham-se em aberto. Pelos fósseis anteriores, via-se que a ordem dos escamados (Squamata), onde se incluem as cobras e os lagartos, se diversificou há mais de 100 milhões de anos, para ir dando origem a novas espécies. As cobras terão evoluído a partir dos lagartos. Mas exactamente quando, onde e como ocorreu essa diversificação dentro da ordem dos escamados eram questões em aberto.
O recuo do registo geológico em quase 70 milhões de anos, até aos 167 milhões de anos, graças às descobertas agora relatadas, aproxima os cientistas da origem das primeiras cobras. E mostra também que o aparecimento súbito de fósseis de cobras com 100 milhões de anos só reflecte uma lacuna nos registos e não a existência de uma explosão das espécies de cobras primitivas nessa altura, refere um comunicado da Universidade de Alberta. Assim, entre os 167 e os 100 milhões de anos, as cobras foram evoluindo em direcção a um corpo alongado e membros bastante reduzidos, como se pode observar nos fósseis de cobras com 100 milhões de anos da Cisjordânia, Líbano e Argentina. Embora pequenos, ainda tinham membros traseiros.
Para descrever as quatro cobras, a equipa não tinha esqueletos inteiros, mas, sendo elas tão velhas, pensa que todas conservavam ainda os membros tanto traseiros como dianteiros. O que não quer dizer que andassem: “É provável que deslizassem, embora os membros também possam ter sido usados para agarrar”, diz Michael Caldwell à Reuters.
Quando é que terão então aparecido as primeiras cobras? “É muito claro que as [quatro] cobras mais antigas não são as primeiras, por isso devem ter aparecido há muito mais de 167 milhões de anos”, responde-nos Michael Caldwell. “Diria que as primeiras cobras têm mais de 200 milhões de anos.”
Regresso a Lisboa
Perguntámos ainda ao paleontólogo canadiano como soube dos fósseis da cobra portuguesa? Conta então que esses exemplares faziam parte dos materiais levados para a Alemanha, na década de 1970, e que tinham sido erradamente classificados como lagartos. “Alguns materiais dos lagartos foram descritos por Annette Richter e Susan Evan na década de 1990, mas mantiveram-se em Berlim.” Em 2008, Michael Caldwell, contactou Miguel Ramalho, director do Museu Geológico, em Lisboa, para saber se os fósseis tinham entretanto voltado a Portugal. Não tinham.
Miguel Ramalho já andava há alguns anos a tentar que os fósseis da Guimarota viessem para o país de origem, como aliás tinha ficado acordado — os primeiros chegaram em 2007, incluindo os dos preciosos mamíferos primitivos. “Estão-se a descobrir coisas novas a partir de colecções antigas guardadas aqui no museu. Todos os anos, temos cerca de 50 investigadores nacionais e estrangeiros a estudar materiais”, frisa Miguel Ramalho.
Quanto aos fósseis de “lagarto”, Michael Caldwell também contribuiu para a sua devolução a Portugal e agora estão no Museu Geológico. Primeiro, localizou-os no laboratório de Annette Richter, em Berlim, e em seguida Miguel Ramalho pediu o seu regresso. “Eu e o meu colega Randy Nydam trouxemo-los para Lisboa em 2008. Estudámos os materiais aí, pedimo-los emprestados em 2012 e escrevemos o artigo”, diz o paleontólogo, que já os devolveu outra vez. “Desde então, tenho ido várias a Lisboa para ver os materiais.”


quinta-feira, fevereiro 19, 2015

Diversidade de ouriços-do-mar na Bacia Lusitânica durante o Mesozóico



Neste novo artigo liderado por Bruno Pereira (Univ. de Bristol + Univ. Nova de Lisboa) publicado na revista Palaeogeography, Palaeoclimatology, Palaeoecology, foi compilada a curva de diversidade de ouriços de mar (equinóide) para o Mesozóico da Bacia Lusitânica, Portugal. O sinal de diversidade foi testado tendo em consideração as rochas e factores ambientais. Entre as variáveis ​​testadas, a variação de fácies combinada com área de afloramento fornece a melhor correlação com a diversidade. Factores ambientais parecem ter tido qualquer influência na diversidade.


Equinoderme do Jurássico Superior de Portugal

Resumo
Várias análises sobre a evolução da diversidade ao longo do tempo geológico usam bases de dados sinóticos globais. Esta prática torna muitas vezes difícil distinguir verdadeiras mudanças na diversidade de artefactos de amostragem e/ou artefactos geológicos regionais. Aqui investigamos como a diversidade de equinóides mudou durante o Mesozóico da Bacia Lusitânica, em Portugal, com base numa base de dados abrangente e revista, e procurando distinguir o sinal biológico de constrangimentos geológicos ou ambientais. O padrão de diversidade observada está longe de ter uma tendência definida, mostrando muitas flutuações que parecem estar ligadas a lacunas no registo geológico. Este estudo revelou que, independentemente do método utilizado, se testes de correlação ou modelação linear, o sinal de diversidade não é totalmente explicado pelos métodos de amostragem estudados. Entre as diferentes aproximações, a variação das facies marinhas em combinação com área de afloramento melhor explicam a curva paleodiversidade.



Highlights

We compiled the Mesozoic echinoid diversity curve, from the Lusitanian Basin, Portugal.
The diversity signal was tested against rock and environmental proxies.
The facies variation combined with outcrop area provided the best approximation to diversity, between the variables tested.
Environmental proxies seem to have had no influence on diversity.
The results provide evidences for both the megabias and the common-cause hypotheses.

Abstract
Several analyses of diversity through geological time use global, synoptic databases, and this practice often makes it difficult to distinguish true signals in changing diversity from regional-scale sampling and/or geological artefacts. Here we investigate how echinoid diversity changed through the Mesozoic of the Lusitanian basin in Portugal based on a comprehensive, revised database, and seek to distinguish biological signal from geological or environmental constraints. The observed diversity pattern is far from having a defined trend, showing many fluctuations that appear to be linked with gaps in the geological record. This study revealed that, independently of the method used, whether correlation tests or model fitting, the diversity signal is not completely explained by the studied sampling proxies. Among the different proxies, marine facies variation in combination with outcrop area best explains the palaeodiversity curve.



Referência
Pereira, B. M. C., Benton M. J., Ruta M., & Mateus O. (2015). Mesozoic echinoid diversity in Portugal: investigating fossil record quality and environmental constraints on a regional scale. Palaeogeography, Palaeoclimatology, Palaeoecology.

A vida agitada e perigosa de Allosaurus fragilis


O novo artigo publicado no PeerJ reforça a vida agitada e perigosa do dinossauro carnívoro Allosaurus fragilis.

Esqueleto original de Allosaurus fragilis

Escápula de Allosaurus fragilis




Novas perspectivas sobre o estilo de vida de Allosaurus (Dinosauria: Theropoda) com base noutro espécime com múltiplas patologias

Os terópodes (dinossauros carnívoros) adultos de grande porte são frequentemente encontrados com numerosas patologias. Um grande e quase completo, espécime provavelmente adulto de Allosaurus do Howe Stephens Quarry, Formação Morrison, Wyoming, mostra várias patologias. Ossos patológicos incluem o dentário esquerdo, duas vértebras cervicais, uma cervical e várias costelas dorsais, a escápula esquerda, o úmero esquerdo, ísquio direito, e duas falanges do pé. Estas patologias podem ser classificadas da seguinte forma: a quinta vértebra cervical, escápula, várias costelas e ísquio estão traumátizadas, e um calo na falange II-2 é traumático-infecciosa. Traumaticamente elementos fraturados expostos ao movimento frequente (por exemplo, a escápula e as costelas) mostram uma tendência a desenvolver pseudartroses em vez de calo. As patologias na quarta cervical são mais susceptíveis de serem idiopática, e no úmero esquerdo é infecciosa ou idiopática, enquanto pedal esquerdo falange IV-1 é classificada como idiopática. Com excepção do ísquio, todos os elementos patológicos traumáticas / traumáticas infecciosa mostrar evidências inequívocas de cura, o que indica que as respectivas patologias não causou a morte desse indivíduo. Alinhamento das patologias na escápula e de costelas do lado esquerdo sugere que tudo pode ter sido causado por um único evento traumático. A fratura isquiática pode ter sido fatal. A ocorrência de múltiplas patologias traumáticas novamente sublinha que terópodes de grande porte experimentou lesões frequentes durante a vida, o que indica um estilo de vida predatório activo. Sinais de infecções são escassas e restringidas localmente, indicando o sucesso na prevenção da disseminação de agentes patogénicos, como é o caso nos répteis existentes (incluindo as aves).


New insights into the lifestyle of Allosaurus (Dinosauria: Theropoda) based on another specimen with multiple pathologies
Abstract:
Adult large-bodied theropods are often found with numerous pathologies. A large, almost complete, probably adult Allosaurus specimen from the Howe Stephens Quarry, Morrison Formation (Late Kimmeridgian–Early Tithonian), Wyoming, shows multiple pathologies. Pathologic bones include the left dentary, two cervical vertebrae, one cervical and several dorsal ribs, the left scapula, the left humerus, right ischium, and two left pedal phalanges. These pathologies can be classified as follows: the fifth cervical vertebra, the scapula, several ribs and the ischium are traumatic, and a callus on the shaft of the left pedal phalanx II-2 is traumatic-infectious. Traumatically fractured elements exposed to frequent movement (e.g. the scapula and the ribs) show a tendency to develop pseudarthroses instead of callus healing. The pathologies in the lower jaw and a reduced flexor tubercle of the left pedal phalanx II-2 are most likely traumatic or developmental in origin. The pathologies on the fourth cervical are most likely developmental in origin or idiopathic, that on the left humerus is infectious or idiopathic, whereas left pedal phalanx IV-1 is classified as idiopathic. With exception of the ischium, all traumatic / traumatic-infectious pathologic elements show unambiguous evidences of healing, indicating that the respective pathologies did not cause the death of this individual. Alignment of the scapula and rib pathologies from the left side suggests that all may have been caused by a single traumatic event. The ischial fracture may have been fatal. The occurrence of multiple traumatic pathologies again underlines that large-bodied theropods experienced frequent injuries during life, indicating an active predatory lifestyle, and their survival perhaps supports a gregarious behavior for Allosaurus. Signs of infections are scarce and locally restricted, indicating a successful prevention of the spread of pathogens, as it is the case in extant reptiles (including birds).




Foth C, Evers S, Pabst B, Mateus O, Flisch A, Patthey M, Rauhut OWM.(2015) New insights into the lifestyle of Allosaurus (Dinosauria: Theropoda) based on another specimen with multiple pathologies. PeerJ PrePrints3:e824v1 http://dx.doi.org/10.7287/peerj.preprints.824v1