Quinta-feira, Julho 24, 2008

Dromaeosaurus

Como tenho estado em trabalho de campo, o post de hoje é apenas uma foto de um crânio de Dromaeosaurus, disparada no Museu do Jurássico das Astúrias.



Boas férias para todos!

Quinta-feira, Julho 17, 2008

Livro sobre Pegadas de Dinossauros


Novo livro: 'Pegadas de Dinossáurios em Portugal', da paleontóloga Vanda Santos.

Felicitações à autora!

Terça-feira, Julho 15, 2008

Evolução: história e argumentos

Vai sair, em breve, um novo livro sobre evolução. A não perder!



Evolução: História e Argumentos


Esfera das Ciências / 3
200 pp

Formato: 16cm x 23,50cm
ISBN: 978-989-8025-55-5
Data de Publicação: Julho de 2008
PVP: 17,30 euros
Ed. Esfera do Caos
NAS LIVRARIAS: 15 DE JULHO


"Nada em Biologia faz sentido excepto à luz da evolução" (T. Dobzhansky, 1973). Se aceitarmos que esta afirmação é válida para a prática científica da Biologia, será então igualmente válido afirmar-se que nada no ensino da Biologia faz sentido excepto à luz da evolução. Acontece, porém, que estas afirmações não são consensuais fora dos contextos científico e académico. Podemos aliás colocá-las no cerne de uma complexa e já antiga polémica ― aquela que opõe os criacionis­tas aos evolucionistas.
Os livros da série «Fundamentos e Desafios do Evolucionismo», que a colecção «Esfera das Ciências» agora acolhe, querem contribuir para a clarificação e difusão do conhecimento sobre a evolução biológica, situando a análise das diversas questões que ele suscita no território que lhe é próprio: o da ciência e da filosofia da ciência.

Sobre o livro:
Como explicar que animais tão diferentes como a baleia e o morcego partilhem estruturas ósseas tão semelhantes? Que durante o desenvolvimento embrionário humano surjam estruturas semelhantes a guelras de peixes? Que todos os seres vivos apresentem o mesmo mecanismo de hereditariedade? Que nos últimos cinquenta anos tenham surgido bactérias resistentes a todos os antibióticos desenvolvidos pela indústria farmacêutica?
Em 1859, Charles Darwin publica A Origem das Espécies. Nesta obra monumental, de forma estruturada e consistente, lança os alicerces da biologia evolutiva. Para entendermos o sentido e o significado do mundo vivo, desde a bactéria até ao homem, precisamos de compreender os fenómenos que nele têm lugar e os mecanismos que os regem. O conhecimento da história evolutiva das espécies é crucial para compreendermos a unidade, a diversidade e o dinamismo dos seres vivos, assim como o passado e o presente da vida na Terra.
Os trabalhos que compõem este livro ― textos seminais inéditos e textos originais que abordam a história da teoria evolutiva e apresentam a contribuição de várias áreas científicas para o estudo da evolução ― constituem um contributo importante para que o leitor adquira as ferramentas adequadas à compreensão e descodificação de um dos maiores enigmas de todos os tempos: a vida.

Inclui textos inéditos de Charles Darwin e Alfred Wallace (Capítulo 1) e de Theodosius Dobzhansky (Capítulo 4). São documentos históricos e científicos de primeira grandeza, nunca antes publicados em Portugal.

Os Autores
:
Charles Darwin, Alfred Wallace, Carlos Almaça, Dora Batista, Theodosius Dobzhansky, Octávio Mateus, Nuno Ferrand, Helena Gonçalves, António Afonso, Pedro Patraquim, Élio Sucena, Maria M. Romeiras, Maria S. Pais, André Levy

Série Fundamentos e Desafios do Evolucionismo
Direcção Científica:
André Levy, Francisco Carrapiço, Helena Abreu, Marco Pina

Volume 1 Evolução: História e Argumentos
No prelo:
Volume 2 Evolução: Conceitos e Debates
Volume 3 Evolução Química e Origem da Vida
Volume 4 Origem e Evolução do Homem

As obras desta série são publicadas no âmbito de uma parceria com o CFCUL Centro de Filosofia das Ciências da Universidade de Lisboa, e com o apoio da Fundação para a Ciência e a Tecnologia e da Fundação Calouste Gulbenkian.



Segunda-feira, Julho 14, 2008

Mestrados em Geociências - UC


CURSO DE MESTRADO EM GEOCIÊNCIAS

(DE ACORDO COM O MODELO DE BOLONHA, QUE VISA A ACREDITAÇÃO DE COMPETÊNCIAS NO ESPAÇO COMUM EUROPEU)



O 2.º Ciclo em Geociências forma mestres em temas essenciais das Ciências da Terra. Pretende-se fornecer uma formação teórica e prática sólida em áreas de grande relevância para a ciência e para o desenvolvimento económico e social do país. As três áreas de especialização propostas reflectem a diversidade de recursos humanos existentes no Departamento de Ciências da Terra da Faculdade de Ciências e Tecnologia da Universidade de Coimbra, os seus interesses científicos e a sua interacção com a comunidade científica internacional e a comunidade empresarial.

PERFIL GENÉRICO DE FORMAÇÃO EM GEOCIÊNCIAS

O Mestre em Geociências será um profissional capaz de realizar autonomamente:
  • Trabalhos de cartografia geológica, geral e temática;
  • Trabalhos de prospecção geológica e de recursos naturais;
  • Colaborar em estudos e trabalhos nas áreas do ambiente, planeamento e ordenamento do território;
  • Trabalhos de investigação em áreas específicas das Geociências e de recolher,
  • analisar, interpretar e comunicar eficientemente a informação geológica, não só para especialistas mas também para outros públicos.

ÁREA CIENTÍFICA DO CURSO: Ciências da Terra
NÚMERO DE VAGAS: 30
DURAÇÃO DO CURSO: 4 semestres
NÚMERO DE CRÉDITOS PARA OBTENÇÃO DO GRAU DE MESTRE: 120 ECTS
PRAZOS DE CANDIDATURA - ANO LECTIVO 2008-2009
  • 1ª Fase: 30 de Abril a 18 de Maio
  • 2ª Fase: 2 a 20 de Julho
  • 3ª Fase: 22 a 30 de Setembro
Candidaturas através do site: http://www.blogger.com/www.fct.uc.pt


ÁREA DE ESPECIALIZAÇÃO EM GEOLOGIA OPERACIONAL

O Mestre em Geociências, na área de especialização em Geologia Operacional, será um profissional especializado nas aplicações da Geologia à prospecção e aproveitamento de recursos geológicos, à Geologia de Engenharia e na cartografia geológica.

PLANO CURRICULAR

1º ANO 1º Semestre
  • Detecção Remota e SIG
  • Avaliação e Gestão de Recursos Geológicos
  • Hidrogeologia Operacional
  • Geofísica Aplicada
  • ou Seminário de Aquisição e Interpretação de Dados
  • Avaliação de Impactes e Requalificação Ambiental
1º ANO 2º Semestre
  • Cartografia Temática
  • Tectónica Complementar
  • Geotecnia
  • Prospecção Geoquímica
  • ou Recursos Hídricos
  • Prospecção e Sondagens
2º ANO
  • Dissertação em Geologia Operacional

ÁREA DE ESPECIALIZAÇÃO EM AMBIENTE E ORDENAMENTO

O Mestre em Geociências, na área de especialização em Ambiente e Ordenamento, será um profissional especializado nas aplicações da Geologia aos estudos de avaliação de impactes, monitorização e gestão ambientais e ao ordenamento do território.

PLANO CURRICULAR

1º ANO 1º Semestre
  • Detecção Remota e SIG
  • Avaliação de Impactes e Requalificação Ambiental
  • Mudanças Globais
  • Seminário de Geologia Ambiental ou Geofísica Aplicada
  • Análise e Gestão de Recursos Naturais
1º ANO 2º Semestre
  • Cartografia Temática
  • Recursos Hídricos
  • Geoquímica Ambiental
  • Seminário de Geologia e Ordenamento
  • ou Geoconservação
  • Bacias Fluviais e Sistemas Costeiros
2º ANO
  • Dissertação em Ambiente e Ordenamento

ÁREA DE ESPECIALIZAÇÃO EM GEOLOGIA DO PETRÓLEO

O Mestre em Geociências, na área de especialização em Geologia do Petróleo, será um profissional especializado nas aplicações da Geologia à prospecção e acompanhamento da prospecção de hidrocarbonetos.

PLANO CURRICULAR

1º ANO 1º Semestre
  • Detecção Remota e SIG
  • Análise de Bacias Sedimentares
  • Seminário de Geologia de Bacias Atlânticas I
  • Seminário de Aquisição e Interpretação de Dados
  • ou Geofísica Aplicada
  • Avaliação de Impactes e Requalificação Ambiental
1º ANO 2º Semestre
  • Cartografia Temática
  • Petrologia e Análise de Diagénese
  • Estruturas Geológicas e Interpretação Geofísica
  • Micropaleontologia
  • ou Seminário de Geologia de Bacias Atlânticas II
  • Organização e Comunicação Institucional
2º ANO
  • Dissertação em Geologia do Petróleo

Domingo, Julho 13, 2008

Cursos em Engenharia Geológica (UNL)




Estão abertas inscrições para cursos em Engenharia Geológica da FCT-UNL (2008/2009):


> Licenciatura (1º ciclo de Bolonha – 3 anos) em Engenharia Geológica (35 vagas):

http://www.fct.unl.pt/candidato/cursos/1_ciclo/geologia/intro

A esta licenciatura podem candidatar-se alunos com nota superior a 9,5 na prova específica de Matemática, do 12º ano.



> Mestrado (2º ciclo de Bolonha – 2 anos) em Engenharia Geológica (georrecursos) - 15 vagas:

http://www.fct.unl.pt/candidato/cursos/2_ciclo/georrecursos/mestrado-eng-geologica-georrecursos


> Mestrado (2º ciclo de Bolonha – 2 anos) em Engenharia Geológica (geotécnia) - 15 vagas:

http://www.fct.unl.pt/candidato/cursos/2_ciclo/geotecnia/mestrado-eng-geologica-geotecnia


Aos Mestrados em Engenharia Geológica da UNL podem candidatar-se detentores de um certificado de conclusão de uma das seguintes licenciaturas: Engenharia Geológica, Engenharia Geológica e Mineira, Engenharia de Georrecursos, Geoengenharia, Engenharia Geoambiental, Engenharia de Minas, Geologia e outras de universidades de países subscritores da Declaração de Bolonha e consideradas afins tendo em atenção a respectiva estrutura curricular.

Candidaturas online: https://clip.unl.pt/candidatura/segundo_ciclo









Quinta-feira, Julho 10, 2008

MUJA


O Museu Jurásico de Asturias é um Museu exemplar sob vários pontos de vista. Não só promove a investigação de um dos espólios mais impressionantes (principalemente pela diversidade) de pegadas do Jurássico superior, como também está vocacionado para o público em geral. Os conteúdos do museu são apresentados de forma muito didática e fácil de apreender. Isto explica-se possivelmente pelo recurso a informação visual e ideias-chave, como formas de transmissão de informação.
Queria deixar uma lista dos espécimes de réplicas em exibição, pois poderá servir como ferramenta a qualquer outro paleontólogo que precise:

Osteichthyes
Lepidotes

Dinosauria
Saurischia
Prosauropoda
Plateosaurus

Sauropoda
Camarasaurus
Diplodocus

Theropoda
Allosaurus
Giganotosaurus
Dromeosaurus
Herrerasaurus
Tyrannosaurus
Deinonychus
Ornithischia
Ornithopoda
Hypsilophodon
Marginocephalia
Ankylosaurus
Triceratops

Therapsida
Estemmenosuchus
Lystrosaurus
Rauisuchia
Prestosuchus
Prolacertiformes
Tanystropheus
Plesiosauria
Thalassomedon
Crocodiliformes
Steneosaurus
Pterosaria
Dsungaripterus
Campylognathoides

Quarta-feira, Julho 02, 2008

Paleontólogos Pioneiros: Henri-Émile Sauvage (1842-1917)

O zoólogo francês Henri-Émile Sauvage (1842-1917) foi o primeiro a publicar um artigo científico citando a ocorrência de dinossauros em Portugal.



Embora tenha desenvolvido sobretudo trabalho na ictiologia, os peixes fósseis devem ter sido a ponte para o seu interesse na paleontologia e nos dinossauros.


Sauvage é autor de, pelo menos, 50 artigos científicos de 1873 a 1898, sobretudo concertantes peixes, mas também das duas obras sobre a paleontologia portuguesa:



H.E. Sauvage, Les crocodiliens et les dinosauriens des terrains Mésozoïques du Portugal, Bull. Soc. géol. France 24 (1896) 46–49.



H.E. Sauvage, Vertébrés Fossiles du Portugal, Contribution à l'étude des poissons et des reptiles du Jurassique et du Crétacé. Direction des Travaux Géologiques du Portugal, 1897–1898, pp. 1–46.



Agradeço à Natalie Bardet (http://www.mnhn.fr/) por ter disponibilizado estas imagens de Henri Sauvage.



Sexta-feira, Junho 27, 2008

Formação de Morrison

Este é uma das gravuras que melhor representam a fauna da Formação de Morrison. Inclui um
Apatosaurus, Saurophaganax (semelhante ao Allosaurus), Stegosaurus, Camptosaurus, Archaeopteryx e um mamífero Gobiconodon.

A pintura está no Sam Noble Oklahoma Museum of Natural History e foi realizada por Karen Carr (www.karencarr.com) que com ela ganhou o 1º Concurso Internacional de Ilustração de Dinossauros do Museu da Lourinhã.

Compare com este post.



Segunda-feira, Junho 23, 2008

O dinossauro carnívoro Allosaurus europaeus




O dinossauro carnívoro Allosaurus fragilis do Jurássico Superior (cerca de 150 milhões de anos) é um dos mais conhecidos na América do Norte, sendo considerado o inimigo natural do Apatosaurus, e provavelmente também de Diplodocus, Camarasaurus, Stegosaurus e Camptosaurus. Descrito inicialmente por Othniel Marsh em 1877, conhecem-se actualmente dezenas de espécimes, alguns dos quais atingem cerca de 12 metros de comprimento.
Sobretudo conhecido na Formação de Morrison, nos Estados Unidos, descobriram uns ossos na Tanzânia e em Portugal em meados e finais do século XX, respectivamente.
Contudo, um achado surpreendentemente bem conservado da Praia de Vale Frades, perto da Lourinhã, veio melhorar o conhecimento sobre este dinossauro pois compreende parte do crânio e vértebras cervicais que apresentam diferenças relativas ao Allosaurus fragilis, nomeadamente no tamanho e forma do osso jugal do crânio. Assim podemos compreender que não se trata de Allosaurus fragilis, mas de uma espécie parecida, mas distinta, à qual foi dado o nome Allosaurus europaeus.
O espécime que se encontra no Museu da Lourinhã e que recebeu o número de catálogo ML415 está tão bem conservado que até se podem ver os pequenos ossículos escleróticos que rodeavam o olho.
Allosaurus é um dos géneros de dinossauros que exista concomitantemente na América do Norte e na área que hoje é Portugal, conjuntamente com outros: Dryosaurus, Stegosaurus, Ceratosaurus, Torvosaurus e Apatosaurus. Este elenco faunístico faz-nos acreditar que, apesar do Atlântico Norte já existir durante o Jurássico Superior, os dinossauros ainda o podiam transpor.

Domingo, Junho 22, 2008

Clube dos desmembrados

Descobri no outro dia que não são só as serpentes os únicos indivíduos sem membros. Também existem anfíbios (e.g. o género extinto Ophiderpeton e actualmente os Sirenidae) que possuem a mesma condição, e isto surpreendeu-me. Fui investigar mais sobre o caso e fiquei a saber que ao longo da história da vida existiram diversos grupos que perderam ou reduziram à insignificância a função dos membros. Pondo isto noutros termos, a condição “não ter membros” evoluiu independentemente em diversas linhagens de vertebrados… primeiro em anfíbios lepospôndilos do Paleozóico, depois nos microssauros (na verdade não perderam por completo os membros), também em lissanfíbios (e.g. salamandras) e nos Squamata (no qual se incluem as serpentes e lagartos).

Isto levanta inevitavelmente algumas perguntas: porque será vantajoso não ter membros? De que maneira evoluiu esta forma de locomoção tão peculiar? A perda ou redução de membros nos vertebrados está geralmente relacionada com a adpatação a ambientes aquáticos ou subterrâneos… Ambas as hipóteses já foram sugeridas para explicar sob o ponto de vista ecológico a origem das serpentes. Desde alguns crocodilos (mais correctamente Crocodiliformes), e passando pelos mossassauros (répteis do mesmo grupo das serpentes). Contudo, os plesiossauros (o análogo ao monstro de Loch Ness), antes pelo contrário, aumentaram o tamanho relativo dos seus membros… É, ainda assim, espantoso animais com um percurso evolutivo tão diferente acabem por adquirir as mesmas inovações-chave no seu corpo. Existem algumas tendências, não leis, que são válidas para a perda de membros nos Squamata, se não repare-se que: (1) a redução dos membros anteriores (braços) é mais rápida que nos membros posteriores (pernas) - os cetáceos, por exemplo, não são Squamata e a tendência foi precisamente a inversa; (2) a redução dos membros é centrípta (a parte mais distal dos membros desaparece primeiro que a parte proximal, ou dito de outra forma, perde-se primeiro as mãos e depois o braço e ante-braço); (3) para a existência de um membro a cintura escapular ou pélvica tem de existir também (ou seja, os ossos da bacia e - o que corresponde nos humanos - a clavícula e omoplata têm que existir enquanto existirem braços ou pernas); (4) o diâmetro total do corpo tende a diminuir (olhe-se para as serpentes); (5) há uma tendência para o aumento do número de vértebras e repsectivo elongamento do corpo… etc. A isto chama-se evolução convergente! Todos os grupos que perderam por completo os seus membros são regidos por estas leis.

Quando começamos a olhar com atenção para, por exemplo, serpentes primitivas como a Pachyrachis isto começa a fazer mais sentido. A Pachyrachis tem por exemplo vestígios do um sacro (conjunto vértebras características da zona da bacia, intimamente ligadas à locomoção) que as serpentes mais desenvolvidas não têm… E, surpresa das surpresas, tem vestígios de membros… funcionalmente insignificantes. A Pachyrachis entre outros fósseis de serpentes primitivas dá-nos mais um exemplo paleontológico de que a evolução é um facto: as serpentes actuais tiveram um ancestral comum que tinha pernas!

Ironicamente, os ancestrais dos tetrápodes (organismos vertebrados com quatro membros) primitivos ‘esforçaram-se’ tanto por desenvolver membros que lhes permitissem locomoverem-se em terra firme e depois as serpentes fazem-lhes esta desfeita.



Sugestões de leitura:

Caldwell, M. (2003 ) "Without a leg to stand on": on the evolution and development of axial elongation and limblessness in tetrapods. Canadian Journal of Earth Sciences 40: 573–588.

Caldwell, M. & Lee, M. (1997) A snake with legs from the marine Cretaceous of the Middle East. Nature 386: 705-709.

Sábado, Junho 21, 2008

5 dinossauros... 5 fotografias

O post de hoje é composto por 5 fotografia originais de dinossauros: Othnielia, Archaeornithomimus, Afrovenator, Bambiraptor e Byronosaurus.








Réplica do pé de Othnielia rex, um ornitópode.




Crânio original de Byronosaurus, um dinossauro terópode (carnívoro).








Réplica do esqueleto de um Archaeornithomimus, um dinossauro terópode ornitomimossauro.

Bambiraptor (réplica de esqueleto), dinossauro terópode.


Afrovenator, réplica do membro posterior (perna). Dinossauro terópode.

Quarta-feira, Junho 18, 2008

24 anos de Museu da Lourinhã

Dia 24 o Museu da Lourinhã faz 24 anos. Nasceu a 24 de Junho de 1984. Venha visitar!



www.museulourinha.org

Domingo, Junho 15, 2008

Lenda da N. Sra. da Pedra da Mua

Reza a lenda que dois peregrinos viram Nossa Senhora a subir as arribas do Cabo Espichel montada numa mula gigante que deixou as suas pegadas bem marcadas na laje do Jurássico superior. Nesse local, construíram um enorme complexo religioso, o que inclui um convento, uma igreja e a pequena Ermida da Memória onde se encontra painéis de azulejos que relatam a lenda. Entre eles está o seguinte, onde se vê as pegadas.


Acontece que essas pegadas são de dinossauros saurópodes (ainda se podem ver actualmente no Cabo Espichel) e esta imagem acaba por ser uma das mais antigas ilustrações de pegadas de dinossauros que se conhecem.

Imagem publicada em: ANTUNES, M.T. & MATEUS, O. (2003). Dinosaurs of Portugal. C. R. Palevol, 2: 77-95.PDF

Veja também o blog Folklore De Los Fósiles Ibéricos em http://folklore-fosiles-ibericos.blogspot.com/ sobre outros temas de folclore paleontológico.

Talvez esta seja uma representação mais acertada?Fotografia por Karol Sabath.

Sábado, Junho 14, 2008

Morrison e Portugal

A Formação de Morrison (na América do Norte) é incrivelmente semelhante ao Jurássico Superior de Portugal.

Fotografias do Jurássico Superior de Portugal (Porto Dinheiro) e da localidade-tipo de Morrison.


Temos em comum os seguintes géneros de animais:
Ostracodos: Cetacella, Rhynocipris, Candona, Theriosynoecum, Bisulcocypris, Timiriasevia, and Darwinula
Squamatas: Paramacellodus, Dorsetisaurus
Coristodiros: Cteniogenys
Crocodilos: Goniopholis
Dinossauros: Ceratosaurus, Torvosaurus, Allosaurus, ?Apatosaurus, ?Aviatyrannis, Stegosaurus, Dryosaurus
Mamíferos: Dryolestes, Laolestes.

As áreas, contudo, são bem distintas. Veja o mapa da Formação de Morrison, do Jurássico Superior de Portugal e das Camadas de Tendaguru (Tanzânia), à mesma escala.



Imagens publicada em:
MATEUS, O. (2006). Late Jurassic dinosaurs from the Morrison Formation, the Lourinhã and Alcobaça Formations (Portugal), and the Tendaguru Beds (Tanzania): a comparison. in Foster, J.R. and Lucas, S. G. R.M., eds., 2006, Paleontology and Geology of the Upper Jurassic Morrison Formation. New Mexico Museum of Natural History and Science Bulletin 36: 223-231. PDF

Sexta-feira, Junho 13, 2008

Jurássico Superior de Portugal

Sobre a fauna do Jurássico Superior de Portugal, deixo aqui esta imagem pintada por Alan Lam e publicada em Mateus (2006):


(original no Museu da Lourinhã).

Elementos da imagem: Lusotitan, Dacentrurus, Draconyx, Dinheirosaurus, aves, Torvosaurus, Allosaurus, Dracopelta, Ramphorhynchus, Lourinhanosaurus, fabrossaurídeo, Goniopholis, mamífero e Ceratosaurus.


Referência:
MATEUS, O. (2006). Late Jurassic dinosaurs from the Morrison Formation, the Lourinhã and Alcobaça Formations (Portugal), and the Tendaguru Beds (Tanzania): a comparison. in Foster, J.R. and Lucas, S. G. R.M., eds., 2006, Paleontology and Geology of the Upper Jurassic Morrison Formation. New Mexico Museum of Natural History and Science Bulletin 36: 223-231. PDF

Seminário "Paisagens Geológicas"


Hoje assisti a excelentes palestras na Nazaré integradas no Seminário Paisagens Geológicas, organizado pela Câmara Municipal da Nazaré e pelo Museu Mineralógico e Geológico da Universidade de Coimbra 12 a 14 de Junho de 2008.

João Duarte (Inst. Hidrog.) “As cabeceiras do Canhão Submarino da Nazaré”
João Vitorino (IH), “Uma porta para o oceano profundo - o Canhão Submarino da
Nazaré”
Catarina Guerreiro (IH), “Nanoplâncton calcário: traçador da (paleo)ecologia e da dinâmica sedimentar do Canhão da Nazaré“
Luís Vítor Duarte (Univ. Coimbra) “Importância do Jurássico Inferior da Zona Costeira Ocidental Portuguesa”
Paulo Caetano (Univ. Nova de Lisboa), “Paisagens jurássicas na Bacia Lusitaniana”

A minha palestra foi:
Octávio Mateus (UNL e Museu Lourinhã), “Fauna de vertebrados do Jurássico Superior de Portugal”

Quem puder ir ao Cine-Teatro da Nazaré, aproveite.
Dia 12 e 13: Palestras; dia 14 saída de Campo.
Mais informações aqui.

Sábado, Junho 07, 2008

Saída campo a Alhadas

Texto por Bruno Pereira.

No passado dia 24 de Maio, eu, Ricardo araújo e o Octávio Mateus fomos fazer uma saída de campo na zona de Alhadas (ao Norte da Figueira da Foz).
Alhadas situa-se no flanco Sul do antiforma da Figueira da Foz, onde as rochas aflorantes são jurássicas.
No caminho deparámos com este magnífico afloramento, onde é evidente um paleoleito de rio a curtar uma sequência de depósitos lacustres. Como se vê na fotografia é bem visível essa intersecção pela diferença de tonalidades entre os sedimentos.

Chegados a Alhadas, os cortes recentes, feitos pela construção da auto-estrada, que pretendiamos prospectar estavam interditos. Infelizmente a auto-estrada já está em funcionamento pelo que não podêmos aceder a eles.

Tivemos então que nos contentar com explorar as zonas não vedadas pela cerca da autoestrada, o que se revelou produtivo para as amonites (bonitas e grandes).

Saídos deste local, fomos visitar uma pedreira ainda na zona de Alhadas. Aí estavam mais uma vez presentes as amonites, bem como belemnites e raros braquiópodes (Rhynconellas).

Com o dia no fim fomos dar um pulinho até Buarcos, à pedreira da Cimpor. Os buracos que vêem na foto não são pegadas, são sim marcas de explosões quando a cimenteira estava em laboração.

Domingo, Junho 01, 2008

Feiras de fósseis?

Será que promover feiras de fósseis será a forma certa de proteger o património?

Em Portugal várias instituições de ensino, investigação e museologia têm o hábito de promover feiras de fósseis e minerais (veja aqui um exemplo numa escola secundária).

Será esta a melhor forma de protegermos o nosso património? Será que as instituições públicas não deviam repudiar o comércio de fósseis em vez do promover?

No meio da arqueologia, por exemplo, é impensável (e obviamente proibido) os museus, universidades e escolas promoverem a venda de machados neolíticos ou vestígios humanos. Então, porque é que na geologia as instituições congéneres o fazem com ovos de dinossauro, amonites raras, e outros fósseis?

Será que o dinheiro que estas instituições recebem nestas feiras compensa este fomento ao comércio de fósseis e subsequente exploração comercial de jazidas porventura cientificamente importantes?

Pessoalmente, fico seriamente preocupado quando vejo fósseis de dinossauros da Lourinhã (ou qualquer outros fósseis de vertebrados portugueses) à venda em stands de vendas de fósseis.

Compreendo que existam empresas comerciais que o façam… mas as universidades?
Este é um tema em que a situação portuguesa sempre me deixou perplexo e não vejo os nossos colegas geólogos, biólogos e paleontólogos a debaterem.

Sábado, Maio 31, 2008

Evolução convergente vs. Evolução divergente


Se há tema que me atrai na paleontologia é a evolução convergente. Ou dito de outra forma, em linhagens diferentes é adquirida um aspecto morfológico (genético ou comportamental, na biologia) análogo. Exemplificando: o caso já gasto dos golfinhos e dos ictiossauros, ambos com um corpo fusiforme e hidrodinâmico. No entanto, os ictiossauros são Ichthyopteriygia (uma linhagem com afinidades com os lagartos – Lepidosauromorpha) e os golfinhos são mamíferos, como todos sabemos. Quer os ictiossauros, quer os golfinhos adquiriram a condição fusiforme e hidrodinâmica adaptada à vida aquática a partir de linhagens distintas que não possuíam a priori essa condição. O conceito biológico que aqui subjaz é a analogia, oposto à homologia. Uma característica homóloga é partilhada pelos animais do mesmo grupo (quando me refiro a grupo pode ser família, género, ordem, ou dito de outra forma: a todos os taxa supra-específicos). Por exemplo, os primatas possuem todos uma ‘estrutura social organizada’, característica, portanto, homóloga a todos os primatas. Que é também uma característica análoga às formigas, que não pertencem à mesma linhagem dos primatas.

Já agora, existe também a chamada evolução divergente… Exemplos clássicos são os tentilhões das Galápagos – que levaram Darwin a congeminar a teoria da evolução através da selecção natural – ou os peixes ciclídeos dos grandes lagos africanos. O exemplo dos peixes ciclídeos é verdadeiramente interessante! Estes peixes, agora em voga para os aquariofilistas, encerram em si uma das lições mais interessantes da evolução. Os grandes lagos africanos (Tanganika, Malawi e Victoria) se repararem, estão mais ou menos alinhados de norte para sul. Há cerca de 9-12 milhões de anos naquela região começou a acontecer algo semelhante ao que está relatado no romance “A Jangada de Pedra” e, África estava prestes a separar-se em duas…Mas bom, não é essa a história agora, aconteceu que com o início da separação do continente africano foram criadas depressões intervaladas temporalmente que rapidamente foram preenchidas por água, permitindo assim que algumas espécies de peixes as povoassem. O que aconteceu foi que de algumas espécies originais de ciclídeos, tornaram-se muitas… num curto espaço de tempo. Com tanto para fazer, os primeiros ciclídeos especializaram-se em cada vez tarefas mais diversas, desde alimentação de moluscos de concha dura a raspadores de algas. Em suma, as primeiras espécies de ciclídeos rapidamente divergiram em muitas outras. A maior evidência para que os grandes lagos tenham sido inicialmente colonizados por um pequeno número de espécies é que a diversidade genética num mesmo lago é muito menor do que de lago para lago. Ou seja, apesar de no mesmo lago coexistirem raspadores de algas e quebra-moluscos estes são mais semelhantes entre si do que os raspadores de algas e quebra-moluscos do lago vizinho!!

Leituras sugeridas:

Carroll R. 1997 Patterns and processes of vertebrate evolution. Cambridge university press, New York.

Benton M. 2000 Vertebrate Palaeontology 2nd edition. Blackwell science, London.

Segunda-feira, Maio 26, 2008

Fósseis de lagartos jurássicos regressam a Portugal

Os fósseis de Squamata (lagartos e afins) do Jurássico superior de Portugal estão de regresso ao seu país de origem. Estes fósseis foram recolhidos por uma expedição alemã liderada por Freidrich-Franz, Henkel, Krusat e Kühne ao longo de mais de dez anos nas Minas da Guimarota, Leiria e de Porto Dinheiro e Porto das Barcas, Lourinhã. Os lagartos do Jurássico superior de Portugal constituem uma colecção única e absolutamente rara em termos do número de formas e quantidade de espécimes. Entre os fósseis mais espetaculares encontram-se: Parviraptor, Saurillodon, Becklesius e Paramacellodus... com mandíbulas ou maxilares inteiramente preservados, apesar da escala diminuta, não passando muitas vezes dos 3mm. Os fósseis foram trazidos da Universidade Livre de Berlin por Michael Caldwell (University of Alberta) e Randall Nydam (Midwestern University), dois especialistas em Squamata.


Na fotografia: Miguel Ramalho, Randall Nydam, Octávio Mateus e Michael Caldwell.

Sábado, Maio 24, 2008

Jurassic Foundation dá prémio a dois portugueses





Reposição integral da notícia por FILOMENA NAVES em Diário de Notícias (http://dn.sapo.pt/2008/05/24/ciencia/jurassic_foundation_premio_a_dois_po.html)

Projecto visa estudar ovos de dinossauros
Rui Castanhinha veio da biologia. Ricardo Araújo acabou há pouco engenharia geológica. Mas é à paleontologia - "ciência a meio caminho entre as duas", diz o primeiro - que se dedicam. Agora estão a estudar ninhos de ovos de dinossauros descobertos na região da Lourinhã e foi exactamente com esse projecto (Dinosaur Eggs and Embryos of the Lourinhã Formation, Upper Jurassic, Portugal) que ganharam um prémio da Jurassic Foundation - uma fundação criada com os lucros dos filmes Jurassic Park de Spielberg para apoiar pesquisas de paleontologia em todo o mundo.


A par da satisfação do reconhecimento internacional, os 2100 dólares (cerca de 1900 euros) do prémio "são um estímulo para avançarmos com a investigação", explicou ao DN Rui Castanhinha.


O arranque do trabalho de campo que ainda há a fazer está agendado para a próxima semana. "Vamos escavar mais ovos e recolher mais fragmentos de cascas, porque sabemos que eles estão lá", adianta o mesmo jovem investigador que, aos 25 anos (Ricardo Araújo é ainda mais novo, tem apenas 22), não é nenhum principiante nestas lides.


Tanto Rui Castanhinha como Ricardo Araújo já desenvolvem há pelo menos três anos trabalho de investigação em paleontologia, em regime de voluntariado, no Museu da Lourinhã, sob a orientação do paleontólogo Octávio Mateus, da Universidade Nova.


O projecto apoiado pela Jurassic Foundation não é de agora. "Já o tínhamos submetido à FCT [Fundação para a Ciência e Tecnologia, o principal organismo financiador da investigação em Portugal], em 2006, mas foi chumbado", conta Rui Castanhinha, sublinhando a satisfação de o prémio ser "um reconhecimento internacional da importância deste estudo".


Com 150 milhões de anos, "estes são os ovos de carnívoros mais antigos do mundo, não os estudar seria pecado mortal", diz o investigador.


O material que os dois vão analisar (sob a orientação de Octávio Mateus), além do que conseguirem escavar durante os próximos meses, inclui cinco ninhos de ovos de dinossauro encontrados em 1998 em Paimogo, cinco quilómetros a norte da Lourinhã, e um outro descoberto em 2007, em Porto das Barcas (na mesma região) que ainda não está sequer descrito. E há muita informação - sobre as espécies em causa, a sua reprodução, desenvolvimento embrionário, etc. - que o estudo pode arrancar aos fósseis.


Encontrar ninhos de ovos de dinossauros, muitos deles intactos, com os pequenos embriões lá dentro e ossinhos minúsculos todos muito bem definidos, não é exactamente comum. Na região da Lourinhã, porém, há vários sítios onde existem estes fósseis e ao logo de toda costa, naquela zona, podem encontrar-se com alguma facilidade fragmentos de ovos daquela época remota e daqueles animais extintos há 65 milhões de anos. Fazer esta investigação poderá ajudar a esclarecer também porque razão aquela zona tem esta riqueza.


Um dos ninhos de Paimogo, que já está estudado e que pode ser visto na exposição do Museu da Lourinhã, já contou a sua história: uma cheia matou a ninhada. Mas, com os outros, o que aconteceu? Dentro de um ano, Rui Castanhinha e Ricardo Araújo poderão ter uma resposta.

Segunda-feira, Maio 19, 2008

Jurassic Foundation

Transcrevo (com pequenas correcções) a notícia da Lusa:

Portugueses ganham prémio internacional para estudar ninho de ovos de dinossauro da Lourinhã
Lourinhã, Lisboa, 16 Maio (Lusa)


A Fundação do Jurássico, criada com os lucros dos filmes da saga "Parque Jurássico" de Steven Spielberg, atribuiu um prémio a dois jovens paleontólogos portugueses para estudarem os ovos com embriões de dinossauros descobertos na Lourinhã.

O ninho, com uma centena de ovos de dinossauros, alguns dos quais contendo embriões, é um dos maiores do mundo e foi descoberto em 1993 por Isabel e Horácio Mateus, colaboradores do Museu da Lourinhã, tendo a descoberta sido divulgada quatro anos depois.

Rui Castanhinha e Ricardo Araújo, de 25 e 23 anos de idade (na foto à esquerda e direita respectivamente) são os segundos portugueses a serem galardoados pela Fundação do Jurássico, oito anos depois do paleontólogo Octávio Mateus, do Museu da Lourinhã, que investiu a verba atribuída nessa bolsa nas escavações de vestígios de um dinossauro saurópode no concelho.

O prémio vai dar azo a um ano de intenso trabalho para "perceber como é que os dinossauros com 150 milhões de anos (Jurássico Superior) se reproduziam, como cresciam, que hábitos e que comportamentos tinham", disse à agência Lusa Rui Castanhinha.

O trabalho dos dois investigadores agora premiados vai desenvolver-se durante um ano, sob a orientação de Miguel Telles Antunes e Octávio Mateus (à direita na foto), paleontólogos da Universidade Nova de Lisboa, incidindo em campanhas de escavações e trabalhos laboratoriais que vão culminar num estudo, que poderá vir a ser publicado numa revista científica internacional.

"Vamos passar algumas semanas no campo para localizar as zonas onde foram descobertos os ovos, enquadrando com a geologia que havia na época, e depois vamos analisar a textura das cascas dos ovos para perceber o tempo de gestação" e comparar os seus comportamentos com animais actuais, como crocodilos e aves.

Sabe-se que o ninho descoberto na década de 90 pertence a um dinossauro carnívoro bípede da família dos terópodes.

Os primeiros achados existentes em todo o mundo foram descobertos pela primeira vez na Lourinhã e o dinossauro veio a ser apelidado de "lourinhanosaurus antunesi".

Os fósseis e o ninho desde dinossauro fazem dele uma das principais atracções do museu.

Trata-se de um animal que atingiria um comprimento de 4,5 metros de comprimento e pesaria 160 quilos, sendo muito idêntico ao "tiranosaurus rex", figura maior dos filmes de Spielberg.



Publicado simultaneamente em www.conjurado.blogspot.com/


Retirado e corrigido daqui.

Steneosaurus: um crocodilo mesozóico marinho


O Steneosaurus foi um crocodilo marinho que viveu em águas pouco profundas durante os períodos Jurássico e o Cretácico (180 a 130 milhões de anos atrás). Era uma criatura fantástica com um longo focinho semelhante ao dos actuais gaviais. A maioria dos crocodilos vivem hoje em dia em ambientes de água doce, mas o Steneosaurus e outros crocodiliformes eram marinhos.

Existe ainda muito por saber em relação a este género, nomeadamente o número de espécies válidas, as suas relações taxonómicas, bem como o percurso evolutivo de adaptação à vida marinha. Mais acresce que, ainda não é claro porque é que os ancestrais comuns dos crocodiliformes haver-se-iam deslocado para ambientes marinhos.

As questões de validade taxonómica são muito interessantes. A maioria das espécies referentes ao género Steneosaurus foram erigidas há muito tempo atrás, baseado num conceito de espécie que é bem diferente do actual. Os cientistas victorianos levaram a taxonomia do Steneosaurus a um verdadeiro caos, erigindo quase uma espécie por cada espécime recolhido. Mais de sessenta espécies de Steneosaurus foram criadas, das quais a grande maioria são hoje sinónimos – ou por outras palavras consideradas a mesma espécie.

O nome Steneosaurus foi dado inicialmente em 1825 por E. Geoffroy Saint-Hilaire. Muitos cientistas famosos da época trabalharam em restos fossilizados de Steneosaurus, incluindo Richard Owen: o pai da paleontologia e o fundador do Museu de História Natural, Londres. Os espécimes de Steneosaurus haviam sido recolhidos de um barreiro de onde prvinha a chamada ‘Oxford Clay’ de Peterborough, e hoje em dia uma ampla porção dos fósseis aí recolhidos estão armazenados no Museu de História Natural, Londres. Contudo, alguns dos espécimes foram comprados pelo Museu de História Natural da Irlanda em Dublin em Novembro de 1893.

Estes pormenores históricos também têm a sua piada. Alfred Leeds era um ávido caçador de fósseis do século XIX que, durante mais de vinte anos juntou uma coleção de fósseis de vertebrados de valor científico inestimável. Os melhores espécimes acabariam por ser adquiridos pelo Museu da História Natural de Londres, mas a grande maioria foi comprada pelo Museu Hunteriano. Uma pequena, mas interessante fracção, foi comprada pelo Museu de História Natural da Irlanda. Alfred Leeds, para além de fósseis de Steneosaurus, encontrou ictiossauros, plesiossauros e até mesmo um grande peixe a que se chamou Leedsichthys. Alguns dos espécimes mais importantes foram publicados e descritos por especialistas como Andrews (1910, 1913). Apesar de tudo, ainda muito há a saber sobre os detalhes históricos da colecção de Alfred Leeds: a proveniência exacta dos espécimes, por exemplo.

Alguns factos interessantes sobre o género Steneosaurus:

Dieta: Inferir a dieta directamente a partir de fósseis é um evento raro, uma vez que os conteúdos estomacais são raramente preservados. Contudo, o aparato mastigatório pode dar-nos algumas pistas. O longo focinho, morfologicamente semelhante ao dos gaviais, serviria analogamente para capturar peixe.

Adaptações ao estilo de vida marinho

Glândulas excretoras de sal – adaptação que permitiria ao género Steneosaurus excretar o excesso de sal.

Membros posteriores (pernas) reduzidos – Permitiria uma maior eficácia hidrodinâmica.

Mãos serviram como remos – Tal como noutras espécies adaptadas ao estilo de vida aquático e, um exemplo de um tipo de adaptação comum é o elongamento dos carpos (ossos da mão).

Cauda como a dos peixes – O Steneosaurus aprendeu bem a lição com os peixes!

Afinidades do Steneosaurus

Quem é que eram os amigos do Steneosaurus? O grupo (infra-ordem) ao qual o Steneosaurus pertence é designado Thalattosuchia (etimologicamente ‘crocodilos de água salgada’), e à família Teleosauridae. São todos crocodiliformes extintos em que o seu ‘parente’ mais próximo seria o Teleosaurus. Outros taxa relacionados são: Metriorhynchus, Pelagosaurus, Machimosaurus.

Domingo, Maio 11, 2008

Sobre a natureza sexy da ciência


Parece-me um mito urbano considerar que todos os tópicos que a ciência aborda são igualmente interessantes, ou por outras palavras, despoletam em nós – consumidores de informação científica – o mesmo interesse. A ideia de que diferentes áreas do conhecimento despertam a mesma curiosidade é geralmente justificada pela ignorância: se não estudaste, não sabes quão interessante pode ser. Mas, ao que me posso aperceber, existe uma espécie de intuição que nos leva a preferir um assunto em detrimento de outro. Ou seja, conseguimos antever, quase que supresticiosamente, o quão interessante é uma dada linha de ideias. Posso afirmar que saber mais sobre a origem do universo me desperta um maior interesse do que a metalurgia. E, pelos vistos isto não se passa só comigo: o número de livros de ciência popular sobre cosmologia é esmagadoramente maior do que os livros sobre as propriedades do aço e ligas de carbono. Despoleta em nós inevitavelmente maior atenção! Da mesma forma que, mesmo dentro da minha área, paleontologia dos dinossauros desperta maior interesse que a paleontologia dos artiodáctilos. Ou, a estratigrafia atrai mais investigadores que a mecânica dos solos. Julgo que esta intuição está associada a tantas outras coisas que se passam connosco ao longo da vida: escolher uma pessoa para um dado emprego, escolher que curso tirar. E é nestes instantes cruciais de tomada de decisão que o nosso rumo fica traçado, por exemplo, ao comprar um livro sobre cosmologia em vez de metalurgia.

As razões/constrangimentos sejam eles culturais, históricos ou económicos para que tal discriminação intrínseca aconteça não me debaterei, o que é certo é que é um facto. E esse facto tem repercussões inevitáveis. A quem atribuir um prémio de mérito científico? A quem atribuir os fundos de investigação? À partida diríamos que independentemente das nossas intuições todos os tópicos da ciência têm a mesma legitimidade de serem explorados. Contudo, há áreas que têm um maior impacto directo na população, como a Medicina ou a Tecnologia. E são assim canalizados mais fundos para estas áreas, a Medicina tem mesmo fundos específicos paralelos aos meios tradicionais de financiamento. Mas por que não acontece o mesmo com a investigação em Engenharia Ambiental, que tem também um impacto directo nas populações não a curto, mas longo prazo? Acaba o argumento prático, dá início o argumento temporal, se assim quisermos chamar. Da mesma forma que estas pequenas incongruências se passam com o exemplo citado, muitas outras se poderiam esboçar.

No passado mês estive presente num encontro de biologia evolutiva e, tal como esperávamos, fomos os únicos paleontólogos num encontro dominado por biólogos moleculares. Mas o que há de ‘menos biologia evolutiva’ na paleontologia que exista na biologia molecular? Ambas as áreas deveriam igualmente contribuir para o desenvolvimento desta área maior. A assimetria de interesse numa e noutra área é reflectida pelo número desigual de investigadores. Cabe então às ‘minorias oprimidas’ espalhar a boa nova de quão sexy são as suas ideias, mesmo que estas sejam menos interessantes intrinsecamente. Este é o paradigma actual, e é assim muitas vezes que se consegue uma publicação na Nature. Mesmo que estes resultados pouco tenham de relevante, vamos lá pôr isto em termos sensuais para que os editores da revista apreciem. É a sensualidade não da ciência, mas sim de como as palavras estão escritas que acaba por falar mais alto. Dá ideia que para se fazer ciência tem de se ser um escritor de obras literárias best-sellers. Não desminto que pensar sexy em ciência não arrasta consigo uma postura positiva, nomeadamente o objecto de investigação tende a ser visto a uma escala maior, tende-se a comparar, a analisar implicações. Isso só por si já poderia justificar este tipo de abordagem.

Mas, em suma – e para não divagar mais – intuitivamente, por constrangimentos de variada ordem escolhemos tópicos que são pela sua natureza mais interessantes. Isto gera por si assimetrias na distribuição de oportunidades de investigação, à partida, independentes da intuição. No sentido de os investigadores contrariarem essa tendência ‘vendem o seu peixe’ tornando sexy as suas palavras em vez de insistirem na pertinência real, mesmo que cinzenta ou sem-graça, da investigação. Um vocabulário sexy faz-nos, apesar de tudo, pensar mais amplo.


Texto escrito em 5 de Janeiro de 2008.

Sexta-feira, Maio 09, 2008

Foto do dia: Oviraptor

Durante os passados 7 dias, coloquei uma selecção de fotografias que fiz de dinossauros.

Hoje, a última, é de um Oviraptor, um terópode ovirraptorídeo: