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quinta-feira, junho 04, 2015

Abertas Inscrições para Mestrado em Paleontologia


Abertas as inscrições para o MESTRADO EM PALEONTOLOGIA. Para candidatos estrangeiros, foi recentemente criado o estatuto de "ESTUDANTE INTERNACIONAL", ao abrigo do qual estudantes não portugueses poderão candidatar-se a mestrados em Portugal. Estão disponíveis 7 vagas no Mestrado em Paleontologia (FCT-UNL/UÉ). Candidaturas online: https://clip.unl.pt/candidatura/segundo_ciclo_internacional.

Veja mais informação aqui: http://www.fct.unl.pt/ensino/mestrados   e aqui http://www.studyinportugal.edu.pt/index.php/courses/2nd-cycle.

segunda-feira, maio 25, 2015

Projecto PaleoAngola faz 10 anos


O Projecto PaleoAngola faz 10 anos e precisamente hoje marca-se os 10 anos da descoberta do Angolatitan adamastor, o primeiro dinossauro de Angola, aos 25 de Maio de 2005, que coincidentemente é o dia de África.
Mosassauro Prognathodon kianda no terreno em 2005
O primeiro encontro dos membros estrangeiros do Projecto PaleoAngola tinha ocorrido antes, em Denver, Colorado, entre Louis Jacobs, Mike Polcyn, Octávio Mateus e Anne Schulp em Novembro de 2004, com a decisão de fazer uma visita preliminar a Angola no ano seguinte. Nessa visita de poucos dias, em Maio de 2005, participaram Louis Jacobs da Southern Methodist University e eu (OM) da FCT-Universidade Nova de Lisboa, com a tentativa de localizar antigas jazida e novos locais, assim como criar e nutrir as importantes parcerias institucionais, nomeadamente  com a Universidade Agostinho Neto (UAG), em Luanda. Munidos da obra de Miguel Telles Antunes (1964), com a descrição detalhada da geologia e paleontologia de vertebrados de Angola, a tarefa era desafiante pois o país tinha mudado muito em 40 anos.
Os contactos iniciais em Luanda foram feitos com Maria Luísa Morais, Professora de Geologia da UAG e partimos para o terreno assim que possível com o destino de revisitar a localidade tipo dos mosassauro Angolasaurus bocagei Antunes 1964 e Tylosaurus iembeensis (Antunes 1964), em Iembe, a norte de Luanda, Província do Bengo. O sítio exacto demorou a localizar nessa viagem de um só dia, mas uma vez feito, a abundância de vestígios de vertebrados era muito evidente. Nesse mesmo dia foi recolhido um crânio de Angolasaurus praticamente completo e muitos outros ossos mosassauros e dentes de tubarões.
Tartaruga Angolachelys mbaxi no terreno em 2005
A saída de campo seguinte já foi mais longa, para o sul do país, pois requereu um voo doméstico para o Namibe e uma longa viagem de carro até Bentiaba. Aí descobrimos de imediato uma enorme quantidade de ossos, sobretudo de mossassauro e plesiossauros.
Os dias passaram e Louis Jacobs teve de regressar aos Estados Unidos. Eu voltei a Bentiaba e foi feita a recolha do crânio de mosassauro que viria a ser o holótipo de Prognathodon kianda Schulp et al. 2008. Voltei a Luanda para voltar aos contactos e conversas institucionais, mas nessa quarta-feira era feriado, Dia de África, e as intituições estavam fechadas. De forma a optimizar o tempo, fui a Iembe de novo à procura de novas localidades. Nesse dia extraordinário foi feito o achado do primeiro dinossauro de Angola, o Angolatitan adamastor Mateus et al. 2011 e da tartaruga marinha Angolachelys mbaxi Mateus et al. 2009 além de numerosos outros ossos. 25 de Maio de 2005 foi um dia em cheio.
Ossos de dinossauro Angolatitan adamastor no
terreno em 25 de Maio de 2005
Desde então o Projecto PaleoAngola contou com muitas parcerias, descobertas e alegrias.


Principais artigo científicos:
Araújo et al. (2015). New aristonectine elasmosaurid plesiosaur specimens from the Early Maastrichtian of Angola and comments on paedomorphism in plesiosaurs. Netherlands Journal of Geosciences-Geologie en Mijnbouw, 94(01), 93-108.
Jacobs et al. (2006). The occurrence and geological setting of Cretaceous dinosaurs, mosasaurs, plesiosaurs, and turtles from Angola. Paleont. Soc. Korea, 22(1).
Jacobs et al (2009). Cretaceous paleogeography, paleoclimatology, and amniote biogeography of the low and mid-latitude South Atlantic Ocean. Bulletin de la Société géologique de France, 180(4), 333-341.
Mateus e al. (2009). The oldest African eucryptodiran turtle from the Cretaceous of Angola. Acta Palaeontologica Polonica, 54(4), 581-588.
Mateus et al  (2011). Angolatitan adamastor, a new sauropod dinosaur and the first record from Angola. Anais da Academia Brasileira de Ciências, 83(1), 221-233.
Mateus et al. (2012). Cretaceous amniotes from Angola: dinosaurs, pterosaurs, mosasaurs, plesiosaurs, and turtles. V Jornadas Internacionales sobre Paleontología de Dinosaurios y su Entorno.
Polcyn et al (2010). The North African Mosasaur Globidens phosphaticus from the Maastrichtian of Angola.Historical Biology, 22(1-3), 175-185.
Polcyn et al. (2014). Physical drivers of mosasaur evolution. Palaeogeography, Palaeoclimatology, Palaeoecology, 400, 17-27.
Schulp et al. (2013). Two rare mosasaurs from the Maastrichtian of Angola and the Netherlands. Netherlands Journal of Geosciences, 92(01), 3-10.
Schulp et al. (2008). A new species of Prognathodon (Squamata, Mosasauridae) from the Maastrichtian of Angola, and the affinities of the mosasaur genus Liodon. In Proceedings of the Second Mosasaur Meeting, Fort Hays Studies Special Issue (Vol. 3, pp. 1-12).

Strganac et al. (2015). Stable oxygen isotope chemostratigraphy and paleotemperature regime of mosasaurs at Bentiaba, Angola. Netherlands Journal of Geosciences-Geologie en Mijnbouw, 94(01), 137-143.



Mosassauro Angolasaurus bocagei no terreno em 2005

Octávio Mateus e Louis Jacobs (Maio de 2005)

quinta-feira, maio 21, 2015

Palestra em Loulé "Algarve no Tempo dos Dinossauros"

Em resultado das últimas descobertas no Triásico do Algarve a Câmara Municipal de Loulé organiza a palestra/conferência "Algarve no tempo dos dinossauros" no próximo sábado, dia 23 de Maio, pelas 16:00, no Museu Municipal de Loulé, no Algarve. Apareça!


Notícia na Região SUL e Sul Informação, conforme o site da C.M.Loulé:

Loulé: Conferência aborda descoberta de anfíbio que viveu há 200 milhões de anos
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O museu municipal de Loulé acolhe no sábado, 23, às 16:00 horas, a conferência «Algarve no tempo dos dinossauros», sobre a recente descoberta, em Salir, no concelho louletano, de um anfíbio que viveu há 200 milhões de anos. 

Na iniciativa, apresentada pelo paleontólogo Octávio Mateus, será abordado o estudo recentemente publicado sobre a descoberta dessa nova espécie de anfíbio (metoposaurus algarvensis) que viveu no Período Triásico, há cerca de 200 milhões de anos, altura em que viveram alguns dos primeiros dinossauros.
 

Além daquele paleontólogo da Faculdade de Ciências e Tecnologia da Universidade Nova de Lisboa e do colaborador do Museu da Lourinhã, o estudo inclui ainda investigadores das Universidades de Edimburgo, Birmingham e Museu de História Natural de Paris.
 

Octávio Mateus é professor no Departamento de Ciências da Terra, Faculdade de Ciências e Tecnologia, da Universidade Nova de Lisboa.
 
Entrada Livre.

domingo, maio 17, 2015

Portugal tem os mais antigos ovos de crocodilomorfos do mundo


Novo estudo confirma a existência em Portugal dos mais antigos ovos de crocodilomorfos no mundo. Assinado por João Russo, Octávio Mateus, Ausenda Balbino e Marco Marzola, este artigo é resultado da tese de Mestrado em Paleontologia FCT+UÉ de João Russo sobre ovos de crocodilomorfos, e publicado nas Comunicações Geológicas (saiu para o público esta semana embora a data indicada seja de 2014).

Ovos e cascas de crocodilomorfos de Portugal



Estes ovos das colecções do Museu da Lourinhã e da Universidade Nova (FCT-UNL), foram recolhidos nos afloramentos do Jurássico Superior (com cerca de 152 milhões de anos).
Apresentam-se cascas de ovos fósseis de Crocodylomorpha da Formação da Lourinhã do Jurássico Superior de Portugal, recolhidas em cinco locais: um ninho de Cambelas com 13 ovos, e três ovos parciais e vários fragmentos de Paimogo N (I), Paimogo S (II), Casal da Rola, e Peralta. Todos os espécimes excepto o ninho foram encontrados em associação com material de ovos de dinossauro. A nossa investigação revela que, numa análise micro- e ultraestrutural, todas as amostras apresentam caracteres típicos consistentes com o morfótipo crocodilóide de casca de ovo, como a forma das unidades de casca, a organização das camadas da casca, e a extinção triangular em blocos observável com nicóis cruzados. Atribuímos este material à oofamília Krokolithidae, sendo os ovos de crocodilomorfos mais antigos conhecidos até agora e também o melhor registo para ovos de crocodilomorfos não crocodilianos. Além disso, o nosso estudo indica que a estrutura básica da casca de ovos crocodilóides se mantém estável pelo menos desde o Jurássico Superior.

Russo, J., Mateus O., Balbino A., & Marzola M. (2014). Crocodylomorph eggs and eggshells from the Lourinhã Fm. (Upper Jurassic), Portugal. Comunicações Geológicas. 101, Especial I, 563-566.

Palavras-chave: Cascas de ovo, Crocodilóide, Crocodylomorpha; Jurássico Superior, Krokolithidae.

quinta-feira, maio 14, 2015

Elefantes fósseis de Marrocos escavados por equipa marroquino-portuguesa


No novo volume das Comunicações Geológicas é descrito parte do resultado do trabalho marroquino-português no Médio Atlas, e que foi tema da tese de mestrado de João Marinheiro integrado no Mestrado em Paleontologia FCT-UNL + UÉ. A descoberta mais importante são vários esqueletos de elefante fóssil e extinto, o Elephas recki.


Localização das jazidas e mapa geológico de Anchrif (no fundo à esquerda). Direita: Coluna estratigráfica de Anchrif., Marrocos (Marinheiro et al., 2014)

A riqueza paleontológica do Marrocos é conhecida pelo menos desde o início do século XX. A região do Médio Atlas, mais especificamente a área de Boulemane, foi todavia pouco estudada desde a década de 1960, quando foram descobertos fósseis de vertebrados do Jurássico Médio. Em Setembro de 2013, uma expedição marroquino-portuguesa a Taghrout, Boulemane, fez recolhas numa jazida fossilífera do Plistocénico que foi outrora uma pequena bacia sedimentar de elevada altitude, não cartografada em mapas geológicos anteriores. A escavação recolheu ossos e dentes de mamíferos de grande porte, sendo os achados mais comuns atribuídos a elefantes do género Elephas, tendo sido também recolhidos artiodáctilos, tartarugas e ferramentas acheulenses. Esta jazida representa um novo e importante sítio paleontológico e arqueológico. Além das descobertas em Taghrout, a expedição também recolheu vertebrados quaternários de uma gruta nas proximidades e encontrou novas localidades jurássicas, com ossos de arcossauros e pegadas de dinossauros, em El Mers.


A equipa portuguesa contou com Octávio Mateus. João Marinheiro, João Russo e Marco Marzola, da Universidade Nova (FCT-UNL) e do Museu da Lourinhã.

Marinheiro, J., Mateus O., Alaoui A., Amani F., Nami M., & Ribeiro C. (2014). New Quaternary fossil sites from the Middle Atlas of Morocco. Comunicações Geológicas. 101, Especial I, 485-488.

PDF: http://www.lneg.pt/download/9594/96_2911_ART_CG14_ESPECIAL_I.pdf 

Marinheiro, J., Mateus O., Alaoui A., Amani F., Nami M., & Ribeiro C. (2014). Elephas and other vertebrate fossils near Taghrout, Morocco. Journal of Vertebrate Paleontology. Program and Abstracts, 2014,178.

quarta-feira, maio 13, 2015

Dinossauros terópodes de Portugal em selos


Três dinossauros terópodes jurássicos de Portugal (Torvosaurus gurneyi, Ceratosaurus Allosaurus europaeus) são agora representados numa emissão filatélica dos CTT, com ilustrações das etiquetas, do biólogo e ilustrador científico Fernando Correia.
Ceratosaurus em selo e postal máximo

Esta emissão, em etiquetas autocolantes, pretende destacar os achados fósseis portugueses do Jurássico, visto serem de uma enorme importância científica, revelando uma grande riqueza e uma grande diversidade de espécies, em comparação com a maioria dos países europeus. Todos os achados podem ser vistos no Museu da Lourinhã.
Torvosaurus gurneyi é o maior predador terrestre que viveu em Portugal e em toda a Europa.  Apesar do seu tamanho colossal, entre 4 a 5 toneladas, conhecem-se também os seus embriões, raríssimos achados que podem ser vistos no Museu da Lourinhã.
Ceratosaurus, por sua vez, existiu há cerca de 150 milhões de anos, no Jurássico Superior, em Portugal e nos Estados Unidos. Era um dinossauro que teria cerca de 5 a 7 metros, no entanto, no nosso país, não se conhece nenhum elemento do seu crânio. Ainda assim, sabe-se que a anatomia de vários elementos dos membros são muito semelhantes aos conhecidos na América do Norte.
Por último, um dos grandes predadores mais conhecidos em Portugal: o Allosaurus europaeus. Conhece-se o crânio, dentes, vértebras e muitos outros elementos do seu esqueleto. 
Torvosaurus gurneyi em selo e postal máximo
Esta emissão filatélica é então uma excelente forma de divulgação internacional da ciência e arte científica lusas, projetando com qualidade o nome dos CTT, bem como o da paleontologia e da ilustração paleontológica que se fazem em Portugal.


Allosaurus europaeus em selo e postal máximo


Texto alterado e baseado no Jornal Público (13.5.2015) e CTT

segunda-feira, abril 27, 2015

Universidade Nova de Lisboa (FCT) com aulas práticas no Jurássico da Lourinhã

Três turmas de alunos da Faculdade de Ciências e Tecnologia da Universidade Nova de Lisboa (FCT-UNL) estiveram a aprender geologia e paleontologia este fim de semana com aulas práticas nas arribas do Jurássico da Formação da Lourinhã e Consolação. Além da visita ao Museu da Lourinhã, as atividades contaram com saídas ao campo a Paimogo, Porto Batel e Porto das Barcas. 
Estas turmas incluem alunos de licenciatura e mestrado, nomeadamente Licenciatura em Engenharia Geológica (disciplinas de Estratigrafia e Paleontologia), Mestrado em Paleontologia (disciplinas de Paleontologia e Vertebrados e Estratigrafia e Processos Sedimentares), e Mestrado em Educação (Complementos de Geologia para Ensino II). Todos os anos deslocam-se turmas da FCT-UNL e alguns estudantes de mestrado e doutoramento optaram mesmo por fixar residência na capital dos dinossauros.





quinta-feira, abril 23, 2015

Impressão 3D

Com o advento da tecnologia 3D, que inclui a digitalização com fotogrametria e impressão a três dimensões, a paleontologia pode dar grandes passos. Acabei de imprimir a estátua de Charles Darwin:

Estátua de Charles Darwin no Museu de História Natural de Inglaterra (foto: OM).

Modelo STL com base na digitalização da estátua de Darwin usando fotografia e fotogrametria (fonte: http://www.thingiverse.com/thing:456236)


Impressora 3D disponível na Faculdade de Ciências e Tecnologia da Universidade Nova de Lisboa (Foto: OM)

Impressão 3D em tamanho reduzido (6 cm) da estatueta de Charles Darwin  (Foto: OM)

quarta-feira, abril 22, 2015

Sobre o Planalto das Cesaredas


O Planalto das Cesaredas, também conhecido por Cezaredas, Cesareda e Cezareda, é uma área pouco conhecida. Trata-se de um maciço calcário jurássico da Região Oeste de Portugal. A topografia e geomorfologia forma um planalto, relevo de cume aplanado, em que a nivelação varia sobretudo entre os 130 e os 170 metros de altitude. A povoação de Cesaredas encontra-se a 150 m de altitude sendo o ponto mais alto o talefe das Castelhanas aos 201 metros acima do nível do mal. O Planalto tem uma área aproximada de 49 km², divididos por quatro concelhos (Lourinhã, Bombarral, Óbidos e Peniche), em que cerca de 80 %, com 40 km ², pertence ao concelho da Lourinhã.
Planalto das Cesaredas.bmp.jpg
Planalto das Cesaredas no Google Maps.
Neste planalto predominam as formações do período Jurássico Médio e Superior (170 a 150 milhões de anos), sendo o calcário predominante, aparecendo à superfície em afloramentos extensos. Do Planalto das Cesaredas provêem abundantes fósseis de amonites, corais, bivalves e braquiópodes  e equinodermes, alguns deles sendo espécies únicas que receberam o nome de epíteto específico do planalto, como a Cyathophora cesaredensis, Stomechinus cesaredensis  Loriol, Leptophyllia cesaredensis Koby, 1905 e Terebratula cesaredensis. Restos de vertebrados como dinossauros e crocodilomorfos são raros.

Lourinhã-Carta-militar-topográfica---Cesaredas.png.jpg
Planalto das Cesaredas em mapa topográfico das Cartas Militares de Portugal, com a indicação de isometria de 130 m (a vermelho) que delimita o planalto.
Conhecem-se cerca de 50 grutas, algares e cavidades no Planalto das Cesaredas, entre as quais Lapa da Feteira, Gruta dos Ralis, Algar da Columbeira, Lapa do Suão, Gruta dos Bolhos. Algumas destas grutas têm troglóbios.

Do planalto drena a água para quatro bacias hidrográficas: Rio Grande, Rio de Atouguia Ri Real e Ribeira de Benfeito, que fazem parte do sistema de pequenas bacias das ribeiras do Oeste litoral Português. Como maciço calcário, o planalto tem importância enquanto aquífero natural, responsável pela recarga de lençóis freáticos.
Estão identificadas mais de uma dezena de grutas no Planalto das Cesaredas como sítios arqueológicos classificados, do Paleolítico e Neolítico, como é o caso da Gruta da Feteira (estudado pelo arqueólogo João Zilhão, 1982, tendo sido uma escavação de instigou a criação do Museu da Lourinhã) ou Casa da Moura, abordada pelo pioneiro geólogo Nery Delgado em 1867.
Uma das povoações do planalto chama-se Cezaredas. Note-se que é também usada a grafia Cesaredas, Cesareda e Cezareda. O nome é tido como alusão a um acampamento das tropas de César na região (Nery Delgado, 1867). Na série “O Archeólogo Portugués” de 1920 pelo Prof. Leite de Vasconcelos escreve “na serra da Cezareda [...] em 1897 obtive em Olho Marinho alguns machados do pedra e de cobre achados perto das Cezaredas. Toda a região é rica de achados desta espécie, e de lá tenho trazido para o Museu muita cousa” (Vasconcelos, 1920: p.236). Vasconcelos, (1920: p.196) refere ainda a recolha de uma xorna de bronze e uma ponta de seta em bronze, de Moledo e Moita dos Ferreiros, respectivamente.
Na periferia do Planalto deu-se a Batalha da Roliça a 17 de Agosto de 1808, aquando das invasões napoleónicas com o confronto das forças francesas contra britânicas e portuguesas lideradas por Sir Arthur Wellesley.
De património construído destaca-se a Capela de São Domingos, no Reguengo Grande, do século. XVI. A arquitectura das casas tradicionais é de estilo rural, baixas, usando como principal material a pedra calcária que é abundante.
Combnação das carta geológica da área do Planalto das Cesaredas Fonte: Cartas Geológicas LNEG.

Actualmente, o Planalto das Cesaredas é zona de pastoreio de cabras e ovelhas, ocupação humana, agricultura, mato, e floresta. A vegetação é sobretudo rastejante, mato calcícola com giesta e carvalho cerquinho Quercus faginea e floresta (eucaliptos e pomares). Apesar de caça subsistem alguns mamíferos selvagens de médio porte como o coelho, texugo, lontra, gineta e sacarrabos.
No passado o cultivo de pomares de maça reineta era uma importante actividade económica de tal forma que era também dado a este fruto o nome "Maçã Reguengueira" por alusão à povoação de Reguengo, de onde provinham. Como actividades económica destaca-se hoje a agricultura, pastorícia, agro-florestal, pedreiras, e energia eléctrica por aerogeradoras. A aerogeradoras para produção eléctrica tornaram-se predominantes desde 2012, contabilizando-se já perto de trinta.
Vivem no planalto cerca de 7000 pessoas, em 20 povoações. Os principais aglomerados urbanos são Moledo, Reguengo Grande, Reguengo Pequeno, Olho Marinho, Feteira, Fontelas, Azambujeira dos Carros, Cesaredas, São Bartolomeu dos Galegos e Columbeira.
Como principais ameaças ambientais contam-se: 1) a proliferação da industria extractiva (o PDM do município da Lourinhã prevê 42 hectares destinados a esta actividade, mas apenas uma porção é efectiva), 2) proliferação de monocultura de eucalipto e 3) incêndios florestais (um incêndio de grandes proporções ocorreu em 2012).
Em 2015 foi criada a Associação do Amigos do Planalto das Cesaredas.
Alguma bibliografia científica:
Choffat, P. (1893). Description de la faune jurassique du Portugal: classe des Céphalopodes. Ammonites du Lusitanien de la contrée de Torres-Vedras. Première série. Imprimerie de l'Académie royale des sciences.
Delgado, J. F. N., (1867). Da existencia do homem no nosso solo em tempos mui remotos provada pelo estudo das cavernas: noticia ácerca das Grutas de Cesareda.
França, J. C., Roche, J., & Ferreira, O. V. (1961). Sur I'existence probable d'un niveau solutréen dans les couches de Ia grotte de Casa da Moura (Cesareda).Comunicaçõesdos Serviços Geológicos de Portugal, 365-370.
Klingel, M. (1991). Das Plateau von Cesaredas (Mittelportugal).-104 pp., unpublished thesis (Diplomarbeit), Institut für Geologie und Paläontologie. Univ. Stuttgart.
Lambert, J. (1913). Echinides calloviens du plateau de Cesareda (Portugal). impr. da Universidade.
Reboleira, A. S., Borges, P. A., Gonçalves, F., Serrano, A. R., & Oromí, P. (2011). The subterranean fauna of a biodiversity hotspot region-Portugal: an overview and its conservation.
Sauvage, H. E. (1898).Vertébrés fossiles du Portugal: contributions à l'étude des poissons et des reptiles du jurassique et du crétacique. Impr. de l'Académie royale des Sciences.
Vasconcelos, JL. 1920. Estudos sôbre a época do bronze em Portugal. O Archeólogo português, 24, p. 193-197, disponível aqui: http://www.patrimoniocultural.pt/static/data/publicacoes/o_arqueologo_portugues/serie_1/volume_24/193_epoca_bronze.pdf
Vasconcelos, JL. 1920. Estudos sôbre a época do bronze em Portugal. O Archeólogo português, 24, p. 215-237.http://www.patrimoniocultural.pt/static/data/publicacoes/o_arqueologo_portugues/serie_1/volume_24/215_coisas_velhas.pdf

Links úteis:




Como citar este texto:
Mateus, O. (2015). Sobre o Planalto das Cesaredas. Blog Lusodinos http://lusodinos.blogspot.pt/2015/04/sobre-o-planalto-das-cesaredas.html

segunda-feira, abril 20, 2015

Brontosaurus superstar


 Sabemos que os dinossauros são populares e que o Brontosaurus sempre foi um dos mais emblemáticos. Por isso, quando anunciámos que o nome Brontosaurus está de volta, o impacto foi mundial. Foi interessante ver também o aproveitar da história pelos cartoonistas e o desejo do regresso de Plutão como planeta.
Source: DogHouseDiaries


Alguns links internacionais:

Source: http://gaffamondo.deviantart.com/

http://www.independent.co.uk/news/science/the-brontosaurus-has-been-officially-classed-as-a-dinosaur-again-10160454.html
Source: https://www.facebook.com/CHartoons
Source: http://teecraze.com/wp-content/uploads/brontosaurusonpluto.jpg


Source: https://twitter.com/fishbiscuit2000


Notícias em Portugal
http://www.tvi24.iol.pt/tecnologia/dinossauro/saiba-quem-e-o-brontosaurus

Illustration by Michael E. Kelly/for WHYY. Source: http://www.newsworks.org/index.php/thepulse/item/80397-brontosaurus-stages-giant-comeback

Update 1: