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segunda-feira, agosto 31, 2015

Vitrais paleontológicos e megafauna brasileira


Vitrais e paleontologia formam uma combinação tão bonita quanto rara. Durante a construção do Grande Hotel de Araxá, em Minas Gerais no Brasil, foram descobertos numerosos vertebrados representantes da megafauna pleistocénica (60 a 55.000 anos) da América do Sul.
Aqui foram recolhidos cavalos Amerhippus neogaeus, preguiça gigante Eremotherium laurillardi, macrauquenídeo Xenorhinotherium bahiense, gonfotério Notiomastodon platensis recolhidos por Llwellyn Ivor Price e Ruben da Silva Santos (Price, 1944) e mais tarde estudados por Simpson e Paula Couto (1957).

Essa jazida formava um barreiro com águas sulfurosas e radioactivas(!) que deram o motivo para um enorme e opulento hotel e termas associadas construídos de 1938 a 1944, que inicialmente estava previsto para albergar um casino antes do jogo ser restrito no Brasil. Por essa razão este luxuoso complexo turístico tem breves alusões a paleontologia de vertebrados. No exterior, perto da fonte, a calçada de estilo português mostra um cavalo, um Xenorhinotherium, uma preguiça e mastodonte. Um expositor apresenta réplicas dos ossos destes animais num recinto forrado a azulejos onde figuram vértebras.

No interior um fabuloso conjunto de vitrais composto de nove painéis de vários metros que contam a história do local. Começa com uma cena pré-histórica com dois Xenorhinotherium, um Toxodon, e três Glyptodon, rodeados de vegetação do Cerrado. O vitral é assinado por Frank Urban. Este é, porventura, um dos poucos e mais impressionantes vitrais paleontológicos da época.

Os ossos originais, sobretudo o material craniano, recolhidos pelo Price estão no Rio de Janeiro. No hotel mantém-se várias caixas com ossos originais, sobretudo pós-craniano, mas não acessíveis ao público.

Vitral paleontológico no Grande Hotel de Araxá (circa 1940-1944) com Toxodon, Xenorhinotherium e Glyptodon.
Na bibliografia aparece com frequência Águas de Araxá, mas esse topónimo não existe, e deveria ser apenas Araxá ou Barreiro.

Pormenores do Grande Hotel de Araxá, no Brasil.

Calçada com megafauna pleistocénica: cavalo, preguiça, macrauquenídeo e gonfotério.



Fontes: https://pt.wikipedia.org/wiki/Grande_Hotel_de_Arax%C3%A1
http://www.abequa.org.br/trabalhos/0018_abequamelo.pdf
http://www.dpnet.com.br/anteriores/1998/03/04/viagem2_1.html

Price LI, 1944. O Depósito de Vertebrados Pleistocênicos de Águas do Araxá (Minas Gerais). An. Acad. Bras. Cienc., 16: 193-196.
Simpson, G. G., & Couto, C. D. P. (1957). The mastodonts of Brazil. Bulletin of the AMNH; v. 112, article 2.

quinta-feira, agosto 27, 2015

Bolsas FCT de doutoramento Ciências da Terra mantêm descida


A Fundação para a Ciência e Tecnologia, que atribui as bolsas de investigação de Doutoramento e Pós-Doutoramento em Portugal anunciou os resultados do concurso deste ano.
As candidaturas decorreram em Fevereiro tendo sido aprovadas oito bolsas de doutoramento e quinze de pós-doutoramento em 60 candidaturas em cada um dos concursos (120 no total).

Evolução de atribuição de bolsas de doutoramento em Ciências da Terra nos últimos 4 anos.

O resultado demonstra continua a tendência de decréscimo nas bolsas de Ciências da Terra: 16, 5, 9 e 8 bolsas atribuídas de 2012 a 2015.

Em resumo das bolsas 2015:
BD: 60 candidatos (46 candidaturas validadas): 8 candidaturas aprovadas (13%), para 4 universidades
BPD: 60 candidatos: 15 candidaturas aprovadas (25%)
Dados dos anos anteriores (sem contar com recursos) para Bolsas de Doutoramento (BD):
2014: 53 candidaturas, 9 bolsas aprovadas; 17% de aprovação
2013: 41 candidaturas ; 5 bolsas aprovadas*; 12% de aprovação; para 2 universidades
2012: 59 candidaturas, 16 bolsas aprovadas; 27% de aprovação; para 8 universidades 

Escavações paleontológicas no Jurássico da Lourinhã

No final de Junho e início de Julho de 2015 decorreram as escavações paleontológicas no Jurássico Superior da Lourinhã, na clássica Campanha de Verão organizada pelo Museu da Lourinhã, com a participação de docentes do Departamento de Ciências da Terra da FCT- Universidade Nova de Lisboa e estudantes do Mestrado em Paleontologia da FCT+UÉ. As actividades decorreram no concelho lourinhanense, sobretudo na costa da Peralta.
Recolheram-se microfósseis, ossos de saurópode e numerosas pegadas, tanto de saurópodes, como de estegossauros e pterossauros.

Preparação de fósseis no Laboratório do Museu da Lourinhã (foto: F. Costa).

Escavação e recolha de pegadas (foto: F. Costa).
Parte da equipa de escavação.

E, como sempre, há muito trabalho a realizar no laboratório, pelo que apelamos à participação de voluntários.

quarta-feira, agosto 26, 2015

Expedição 2015 no Triângulo Mineiro, Brasil

Este ano estamos a participar nos trabalhos de campo da Universidade Federal de Uberlândia (UFU), na cidade de Uberlândia, no Triângulo Mineiro, no estado de Minas Gerais, Brasil, a convite do paleontólogo Douglas Riff (UFU).

Prospectámos e escavámos na Formação Adamantina e Formação Marília, membro Echaporã, do Cretácico Superior (Campaniano-Maastrichtiano), onde recolhemos ossos de saurópodes titanossauros, um crânio de crocodilo baurussuquídeo Pissarrachampsa sera e ovos de Bauroolithus.

O bioma desta região é chamado de Cerrado sendo o equivalente sul-americano à savana africana. Vimos arara-canindé, tucano, seriema, maracanã, tamanduá-bandeira, bugio e mais fauna típica deste ecossistema.
Mapa dos locais visitados e escavados (fonte: Google Maps).

Paisagem do Cerrado, perto de Prata (Foto: OM).

Equipa da Universidade Federal de Uberlândia na escavação de saurópode de Campina Verde.
Equipa da Universidade Federal de Uberlândia na escavação de saurópode de Prata, localidade tipo de Maxakalisaurus topai. O Paleontólogo Douglas Riff, está em pé, à esquerda (foto: OM).

Expedição 2015 a Angola


Este ano (2 a 12 de Agosto de 2015) o Projecto PaleoAngola contou com mais uma expedição de campo. Os trabalhos de campo concentraram-se no N'Zeto (província de Zaire), Barra do Cuanza, Miradouro da Lua e Cabinda.
Todo o esforço foi concentrado em afloramentos do Oligocénico, Miocénico e Pliocénico, com recolha de fósseis de peixes e mamíferos marinhos e com a localização de novas jazidas.
Participaram Louis Jacobs (SMU), Octávio Mateus (FCT-Nova), Cirilo Cauxeiro (UAN), Ana Soraya Marques (UÉ) e Isabel Gria (FCT+UÉ). Como sempre, com a colaboração da Universidade Agostinho Neto, em Luanda.
Fotografias da visita de campo de 2015: Cirilo Cauxeiro explicando a geologia do Miradouro da Lua (canto superior esquerdo e abaixo); Mateus, Cauxeiro e Jacobs (acima, no centro), Mateus, Soraya Marques, Isabel Gria e Louis Jacobs (canto superior direito).

O Projecto tem agora também uma página Facebook que convidamos a seguir: https://www.facebook.com/paleoangola


sábado, julho 11, 2015

8º Concurso Internacional de Ilustração de Dinossauros

O vencedor do 8º Concurso Internacional de Ilustração de Dinossauros (CIID) é Davide Bonadonna. Este concurso, organizado pelo Museu da Lourinhã, visa premiar ilustrações de dinossauros e outros animais extintos e já vai na 8ª edição do concurso, e coincidentemente acumula exactamente 500 obras de numerosos autores dos 6 continentes habitados.
   Já é a segunda vez que o paleoartista italiano Davide Bonadonna ganha o CIID.




1º LugarDavide BonadonnaItáliaThe Kem Kem RiversThe Kem Kem Rivers
2º LugarSergey KrasovskiyUcrâniaEpidexipteryx hui and Nephila jurassicaEpidexipteryx hui and Nephila jurassica
3º LugarBalbino Rosado EscovalPortugalHypsilophodon - SkullHypsilophodon - Skull
Menção HonrosaDavide BonadonnaItáliaLife in the MesozoicLife in the Mesozoic
Menção HonrosaFabio PastoriItáliaCitipati osmolskae with Byronosaurus eggCitipati osmolskae with Byronosaurus egg
Menção HonrosaJoana BrunoPortugalTartarugas fósseis de Angola, Representação em vida e Paleoambiente (euclastes)Tartarugas fósseis de Angola, Representação em vida e Paleoambiente (euclastes)
Menção HonrosaLuis V. ReyPortugal
Menção HonrosaSergey KrasovskiyUcrâniaTorvosaurus gurneyi


The Kem Kem Rivers por Davide Bonadonna, 1º prémio do 8º CIID.

2º Lugar Sergey Krasovskiy  (Ucrânia) Epidexipteryx hui and Nephila jurassica
3º Lugar Balbino Rosado Escoval Portugal Hypsilophodon - Skull

Menção Honrosa Sergey Krasovskiy  (Ucrânia) Torvosaurus gurneyi

Menção Honrosa Davide Bonadonna Itália Life in the Mesozoic

Menção Honrosa Joana Bruno Portugal Tartarugas fósseis de Angola, Representação em vida e Paleoambiente (Euclastes)

Menção Honrosa Luis V. Rey Portugal


Menção Honrosa: Fabio Pastori (Itália): Citipati osmolskae with Byronosaurus egg

Livro "Dinossauros de Portugal & Friends"

Hoje, 11 de Julho, é lançado o livro "Dinossauros de Portugal & Friends" de Simão Mateus, na Junta de Freguesia da Lourinhã, pelas 16:00.

Este é o quarto livro do autor, sempre de carácter de divulgação juvenil. Os dinossauros são um tópico que fascina todas as gerações e condições, sendo esse interesse ainda mais evidente junto de crianças e jovens até aos 14 anos de idade. A verdade é que os dinossauros são um excelente tema-estandarte para a divulgação de ciência pois adquiriram uma capacidade de atração que fazem da paleontologia um excelente tópico que é a porta de entrada para outras disciplinas como a biologia, geologia, ciências naturais, evolução, etc. Os dinossauros são, portanto, verdadeiros embaixadores da ciência.

Este livro de Simão Mateus mostra isso de forma magistral, ilustrando os bons exemplos da paleontologia portuguesa contribuindo para a divulgação de um património de importância global que honra e responsabiliza Portugal. Nesta obra dá-se uma visão cientificamente actualizada de alguns dos mais icónicos dinossauros e outros vertebrados fósseis de Portugal, sobretudo do Jurássico Superior com 150 Milhões de anos. Aqui é contada uma história local com relevância global, numa linguagem simples e acessível falando de dinossauros menos conhecidos como o Lourinhanosaurus ou o Draconyx.

Título: Dinossauros de Portugal & Friends
Autor: Simão Mateus 
Edição de autor
ISBN 978-989-20-5791-0
Tiragem: 1000 exemplares
Data: Julho 2015
A cores, 48 páginas
Preço: 9€


quinta-feira, junho 04, 2015

Abertas Inscrições para Mestrado em Paleontologia


Abertas as inscrições para o MESTRADO EM PALEONTOLOGIA. Para candidatos estrangeiros, foi recentemente criado o estatuto de "ESTUDANTE INTERNACIONAL", ao abrigo do qual estudantes não portugueses poderão candidatar-se a mestrados em Portugal. Estão disponíveis 7 vagas no Mestrado em Paleontologia (FCT-UNL/UÉ). Candidaturas online: https://clip.unl.pt/candidatura/segundo_ciclo_internacional.

Veja mais informação aqui: http://www.fct.unl.pt/ensino/mestrados   e aqui http://www.studyinportugal.edu.pt/index.php/courses/2nd-cycle.

segunda-feira, maio 25, 2015

Projecto PaleoAngola faz 10 anos


O Projecto PaleoAngola faz 10 anos e precisamente hoje marca-se os 10 anos da descoberta do Angolatitan adamastor, o primeiro dinossauro de Angola, aos 25 de Maio de 2005, que coincidentemente é o dia de África.
Mosassauro Prognathodon kianda no terreno em 2005
O primeiro encontro dos membros estrangeiros do Projecto PaleoAngola tinha ocorrido antes, em Denver, Colorado, entre Louis Jacobs, Mike Polcyn, Octávio Mateus e Anne Schulp em Novembro de 2004, com a decisão de fazer uma visita preliminar a Angola no ano seguinte. Nessa visita de poucos dias, em Maio de 2005, participaram Louis Jacobs da Southern Methodist University e eu (OM) da FCT-Universidade Nova de Lisboa, com a tentativa de localizar antigas jazida e novos locais, assim como criar e nutrir as importantes parcerias institucionais, nomeadamente  com a Universidade Agostinho Neto (UAG), em Luanda. Munidos da obra de Miguel Telles Antunes (1964), com a descrição detalhada da geologia e paleontologia de vertebrados de Angola, a tarefa era desafiante pois o país tinha mudado muito em 40 anos.
Os contactos iniciais em Luanda foram feitos com Maria Luísa Morais, Professora de Geologia da UAG e partimos para o terreno assim que possível com o destino de revisitar a localidade tipo dos mosassauro Angolasaurus bocagei Antunes 1964 e Tylosaurus iembeensis (Antunes 1964), em Iembe, a norte de Luanda, Província do Bengo. O sítio exacto demorou a localizar nessa viagem de um só dia, mas uma vez feito, a abundância de vestígios de vertebrados era muito evidente. Nesse mesmo dia foi recolhido um crânio de Angolasaurus praticamente completo e muitos outros ossos mosassauros e dentes de tubarões.
Tartaruga Angolachelys mbaxi no terreno em 2005
A saída de campo seguinte já foi mais longa, para o sul do país, pois requereu um voo doméstico para o Namibe e uma longa viagem de carro até Bentiaba. Aí descobrimos de imediato uma enorme quantidade de ossos, sobretudo de mossassauro e plesiossauros.
Os dias passaram e Louis Jacobs teve de regressar aos Estados Unidos. Eu voltei a Bentiaba e foi feita a recolha do crânio de mosassauro que viria a ser o holótipo de Prognathodon kianda Schulp et al. 2008. Voltei a Luanda para voltar aos contactos e conversas institucionais, mas nessa quarta-feira era feriado, Dia de África, e as intituições estavam fechadas. De forma a optimizar o tempo, fui a Iembe de novo à procura de novas localidades. Nesse dia extraordinário foi feito o achado do primeiro dinossauro de Angola, o Angolatitan adamastor Mateus et al. 2011 e da tartaruga marinha Angolachelys mbaxi Mateus et al. 2009 além de numerosos outros ossos. 25 de Maio de 2005 foi um dia em cheio.
Ossos de dinossauro Angolatitan adamastor no
terreno em 25 de Maio de 2005
Desde então o Projecto PaleoAngola contou com muitas parcerias, descobertas e alegrias.


Principais artigo científicos:
Araújo et al. (2015). New aristonectine elasmosaurid plesiosaur specimens from the Early Maastrichtian of Angola and comments on paedomorphism in plesiosaurs. Netherlands Journal of Geosciences-Geologie en Mijnbouw, 94(01), 93-108.
Jacobs et al. (2006). The occurrence and geological setting of Cretaceous dinosaurs, mosasaurs, plesiosaurs, and turtles from Angola. Paleont. Soc. Korea, 22(1).
Jacobs et al (2009). Cretaceous paleogeography, paleoclimatology, and amniote biogeography of the low and mid-latitude South Atlantic Ocean. Bulletin de la Société géologique de France, 180(4), 333-341.
Mateus e al. (2009). The oldest African eucryptodiran turtle from the Cretaceous of Angola. Acta Palaeontologica Polonica, 54(4), 581-588.
Mateus et al  (2011). Angolatitan adamastor, a new sauropod dinosaur and the first record from Angola. Anais da Academia Brasileira de Ciências, 83(1), 221-233.
Mateus et al. (2012). Cretaceous amniotes from Angola: dinosaurs, pterosaurs, mosasaurs, plesiosaurs, and turtles. V Jornadas Internacionales sobre Paleontología de Dinosaurios y su Entorno.
Polcyn et al (2010). The North African Mosasaur Globidens phosphaticus from the Maastrichtian of Angola.Historical Biology, 22(1-3), 175-185.
Polcyn et al. (2014). Physical drivers of mosasaur evolution. Palaeogeography, Palaeoclimatology, Palaeoecology, 400, 17-27.
Schulp et al. (2013). Two rare mosasaurs from the Maastrichtian of Angola and the Netherlands. Netherlands Journal of Geosciences, 92(01), 3-10.
Schulp et al. (2008). A new species of Prognathodon (Squamata, Mosasauridae) from the Maastrichtian of Angola, and the affinities of the mosasaur genus Liodon. In Proceedings of the Second Mosasaur Meeting, Fort Hays Studies Special Issue (Vol. 3, pp. 1-12).

Strganac et al. (2015). Stable oxygen isotope chemostratigraphy and paleotemperature regime of mosasaurs at Bentiaba, Angola. Netherlands Journal of Geosciences-Geologie en Mijnbouw, 94(01), 137-143.



Mosassauro Angolasaurus bocagei no terreno em 2005

Octávio Mateus e Louis Jacobs (Maio de 2005)

quinta-feira, maio 21, 2015

Palestra em Loulé "Algarve no Tempo dos Dinossauros"

Em resultado das últimas descobertas no Triásico do Algarve a Câmara Municipal de Loulé organiza a palestra/conferência "Algarve no tempo dos dinossauros" no próximo sábado, dia 23 de Maio, pelas 16:00, no Museu Municipal de Loulé, no Algarve. Apareça!


Notícia na Região SUL e Sul Informação, conforme o site da C.M.Loulé:

Loulé: Conferência aborda descoberta de anfíbio que viveu há 200 milhões de anos
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O museu municipal de Loulé acolhe no sábado, 23, às 16:00 horas, a conferência «Algarve no tempo dos dinossauros», sobre a recente descoberta, em Salir, no concelho louletano, de um anfíbio que viveu há 200 milhões de anos. 

Na iniciativa, apresentada pelo paleontólogo Octávio Mateus, será abordado o estudo recentemente publicado sobre a descoberta dessa nova espécie de anfíbio (metoposaurus algarvensis) que viveu no Período Triásico, há cerca de 200 milhões de anos, altura em que viveram alguns dos primeiros dinossauros.
 

Além daquele paleontólogo da Faculdade de Ciências e Tecnologia da Universidade Nova de Lisboa e do colaborador do Museu da Lourinhã, o estudo inclui ainda investigadores das Universidades de Edimburgo, Birmingham e Museu de História Natural de Paris.
 

Octávio Mateus é professor no Departamento de Ciências da Terra, Faculdade de Ciências e Tecnologia, da Universidade Nova de Lisboa.
 
Entrada Livre.

domingo, maio 17, 2015

Portugal tem os mais antigos ovos de crocodilomorfos do mundo


Novo estudo confirma a existência em Portugal dos mais antigos ovos de crocodilomorfos no mundo. Assinado por João Russo, Octávio Mateus, Ausenda Balbino e Marco Marzola, este artigo é resultado da tese de Mestrado em Paleontologia FCT+UÉ de João Russo sobre ovos de crocodilomorfos, e publicado nas Comunicações Geológicas (saiu para o público esta semana embora a data indicada seja de 2014).

Ovos e cascas de crocodilomorfos de Portugal



Estes ovos das colecções do Museu da Lourinhã e da Universidade Nova (FCT-UNL), foram recolhidos nos afloramentos do Jurássico Superior (com cerca de 152 milhões de anos).
Apresentam-se cascas de ovos fósseis de Crocodylomorpha da Formação da Lourinhã do Jurássico Superior de Portugal, recolhidas em cinco locais: um ninho de Cambelas com 13 ovos, e três ovos parciais e vários fragmentos de Paimogo N (I), Paimogo S (II), Casal da Rola, e Peralta. Todos os espécimes excepto o ninho foram encontrados em associação com material de ovos de dinossauro. A nossa investigação revela que, numa análise micro- e ultraestrutural, todas as amostras apresentam caracteres típicos consistentes com o morfótipo crocodilóide de casca de ovo, como a forma das unidades de casca, a organização das camadas da casca, e a extinção triangular em blocos observável com nicóis cruzados. Atribuímos este material à oofamília Krokolithidae, sendo os ovos de crocodilomorfos mais antigos conhecidos até agora e também o melhor registo para ovos de crocodilomorfos não crocodilianos. Além disso, o nosso estudo indica que a estrutura básica da casca de ovos crocodilóides se mantém estável pelo menos desde o Jurássico Superior.

Russo, J., Mateus O., Balbino A., & Marzola M. (2014). Crocodylomorph eggs and eggshells from the Lourinhã Fm. (Upper Jurassic), Portugal. Comunicações Geológicas. 101, Especial I, 563-566.

Palavras-chave: Cascas de ovo, Crocodilóide, Crocodylomorpha; Jurássico Superior, Krokolithidae.

quinta-feira, maio 14, 2015

Elefantes fósseis de Marrocos escavados por equipa marroquino-portuguesa


No novo volume das Comunicações Geológicas é descrito parte do resultado do trabalho marroquino-português no Médio Atlas, e que foi tema da tese de mestrado de João Marinheiro integrado no Mestrado em Paleontologia FCT-UNL + UÉ. A descoberta mais importante são vários esqueletos de elefante fóssil e extinto, o Elephas recki.


Localização das jazidas e mapa geológico de Anchrif (no fundo à esquerda). Direita: Coluna estratigráfica de Anchrif., Marrocos (Marinheiro et al., 2014)

A riqueza paleontológica do Marrocos é conhecida pelo menos desde o início do século XX. A região do Médio Atlas, mais especificamente a área de Boulemane, foi todavia pouco estudada desde a década de 1960, quando foram descobertos fósseis de vertebrados do Jurássico Médio. Em Setembro de 2013, uma expedição marroquino-portuguesa a Taghrout, Boulemane, fez recolhas numa jazida fossilífera do Plistocénico que foi outrora uma pequena bacia sedimentar de elevada altitude, não cartografada em mapas geológicos anteriores. A escavação recolheu ossos e dentes de mamíferos de grande porte, sendo os achados mais comuns atribuídos a elefantes do género Elephas, tendo sido também recolhidos artiodáctilos, tartarugas e ferramentas acheulenses. Esta jazida representa um novo e importante sítio paleontológico e arqueológico. Além das descobertas em Taghrout, a expedição também recolheu vertebrados quaternários de uma gruta nas proximidades e encontrou novas localidades jurássicas, com ossos de arcossauros e pegadas de dinossauros, em El Mers.


A equipa portuguesa contou com Octávio Mateus. João Marinheiro, João Russo e Marco Marzola, da Universidade Nova (FCT-UNL) e do Museu da Lourinhã.

Marinheiro, J., Mateus O., Alaoui A., Amani F., Nami M., & Ribeiro C. (2014). New Quaternary fossil sites from the Middle Atlas of Morocco. Comunicações Geológicas. 101, Especial I, 485-488.

PDF: http://www.lneg.pt/download/9594/96_2911_ART_CG14_ESPECIAL_I.pdf 

Marinheiro, J., Mateus O., Alaoui A., Amani F., Nami M., & Ribeiro C. (2014). Elephas and other vertebrate fossils near Taghrout, Morocco. Journal of Vertebrate Paleontology. Program and Abstracts, 2014,178.

quarta-feira, maio 13, 2015

Dinossauros terópodes de Portugal em selos


Três dinossauros terópodes jurássicos de Portugal (Torvosaurus gurneyi, Ceratosaurus Allosaurus europaeus) são agora representados numa emissão filatélica dos CTT, com ilustrações das etiquetas, do biólogo e ilustrador científico Fernando Correia.
Ceratosaurus em selo e postal máximo

Esta emissão, em etiquetas autocolantes, pretende destacar os achados fósseis portugueses do Jurássico, visto serem de uma enorme importância científica, revelando uma grande riqueza e uma grande diversidade de espécies, em comparação com a maioria dos países europeus. Todos os achados podem ser vistos no Museu da Lourinhã.
Torvosaurus gurneyi é o maior predador terrestre que viveu em Portugal e em toda a Europa.  Apesar do seu tamanho colossal, entre 4 a 5 toneladas, conhecem-se também os seus embriões, raríssimos achados que podem ser vistos no Museu da Lourinhã.
Ceratosaurus, por sua vez, existiu há cerca de 150 milhões de anos, no Jurássico Superior, em Portugal e nos Estados Unidos. Era um dinossauro que teria cerca de 5 a 7 metros, no entanto, no nosso país, não se conhece nenhum elemento do seu crânio. Ainda assim, sabe-se que a anatomia de vários elementos dos membros são muito semelhantes aos conhecidos na América do Norte.
Por último, um dos grandes predadores mais conhecidos em Portugal: o Allosaurus europaeus. Conhece-se o crânio, dentes, vértebras e muitos outros elementos do seu esqueleto. 
Torvosaurus gurneyi em selo e postal máximo
Esta emissão filatélica é então uma excelente forma de divulgação internacional da ciência e arte científica lusas, projetando com qualidade o nome dos CTT, bem como o da paleontologia e da ilustração paleontológica que se fazem em Portugal.


Allosaurus europaeus em selo e postal máximo


Texto alterado e baseado no Jornal Público (13.5.2015) e CTT

segunda-feira, abril 27, 2015

Universidade Nova de Lisboa (FCT) com aulas práticas no Jurássico da Lourinhã

Três turmas de alunos da Faculdade de Ciências e Tecnologia da Universidade Nova de Lisboa (FCT-UNL) estiveram a aprender geologia e paleontologia este fim de semana com aulas práticas nas arribas do Jurássico da Formação da Lourinhã e Consolação. Além da visita ao Museu da Lourinhã, as atividades contaram com saídas ao campo a Paimogo, Porto Batel e Porto das Barcas. 
Estas turmas incluem alunos de licenciatura e mestrado, nomeadamente Licenciatura em Engenharia Geológica (disciplinas de Estratigrafia e Paleontologia), Mestrado em Paleontologia (disciplinas de Paleontologia e Vertebrados e Estratigrafia e Processos Sedimentares), e Mestrado em Educação (Complementos de Geologia para Ensino II). Todos os anos deslocam-se turmas da FCT-UNL e alguns estudantes de mestrado e doutoramento optaram mesmo por fixar residência na capital dos dinossauros.