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terça-feira, Agosto 12, 2014

Tectónica de Placas

Abertura do atlântico
(Fonte: Wikipedia, domínio público)
A Tectónica de Placas é uma das teorias mais unificadoras da Geologia moderna mas curiosamente a sua aceitação é relativamente recente, começando a ser frequentemente aceite nos anos 70 e 80 (do séc. XX). Trata-se da teoria que explica a posição dos continentes através da unificação de dois conhecimentos: o movimento da massas continentais (também conhecida por Deriva Continental, proposta por Alfred Wegener em 1912) e a expansão dos fundos oceânicos.
Apesar de ser conhecida como "teoria" hoje está bem comprovada e é factual. A tectónica de placas explica porque é que animais semelhantes aparecem em regiões muito diferentes (como na Índia, Austrália e América do Sul), algo que confundiu os geólogos e paleontólogos, incluindo Charles Darwin durante muitos anos. A tectónica de placas permite redesenhar o globo conforme a sua paleogeografia.



Tipos de limites das placas
(Fonte: Jose F. Vigil, Wikipedia, domínio público)


Mapa publicado em Portugal em 1959 com tentativa de explicar a paleogeografia do Jurássico antes do advento da teoria da tectónica de placas,  (Moore, 1959). Note-se que a Índia, Austrália, África e América do Sul mantêm a posição actual, mas com uma alegada massa continental que as unia. Portugal aparecia associado à América do Norte. Hoje sabe-se que a paleogeografia do Jurássico seria bem diferente.

 Moore, P. 1959. História da Terra. Livraria Civilização ed., Porto, 188 pp.

sábado, Agosto 02, 2014

Primeiro fitossauro da península Ibérica descoberto no Algarve

Os fitossauros eram répteis que evoluíram para formas semelhantes aos crocodilos, apesar de estes não serem aparentados e eram dos principais predadores nesta altura do período Triásico, entre os 237 e os 208 milhões de anos. Este grupo de animais era conhecido de numerosos locais do globo, mas desconhecido em Portugal e Espanha. O achado compreende apenas dentes e uma mandíbula, mas suficiente para classificar o único registo da Ibéria deste grupo de répteis predadores. O fóssil foi descoberto durante as escavações em 2012 no Concelho de Loulé, no Algarve e agora publicado na revista científica de paleontologia de vertebrados, Journal of Vertebrate Paleontology, por uma equipa internacional de paleontólogos que inclui Octávio Mateus, da Faculdade de Ciências e Tecnologia da Universidade Nova de Lisboa e colaborador do Museu da Lourinhã, que liderou o artigo científico, e que inclui ainda Richard Butler, da Universidade de Birmingham (Reino Unido), Stephen Brusatte da Universidade de Edinburgh (Reino Unido), Jessica Whitesite da Universidae de Brown (EUA) e  Sebastien Steyer do Museu de História Natural de Paris.

O nome fitossauro significa literalmente "lagarto planta" pois inicialmente pensava-se que estes répteis eram herbívoros mas rapidamente se descobriu que eram carnívoros e piscívoros. Este fitossauro em particular tinha os dentes serrilhados semelhantes aos dos dinossauros carnívoros e alimentava-se possivelmente de Metoposaurus, anfíbios gigantes primitivos que também foram descobertos no mesmo local. A principal diferença relativamente aos crocodilos é a narina retraída, perto das órbitas nos fitossauros, e na extremidade anterior do focinho nos crocodilos.

Recorde-se que em 2012 descobrimos o primeiro fitossauro da Gronelândia.

Esqueleto de fitossauro, com mandíbula descoberta em Portugal (Mateus et al., 2014)

Mandíbula de fitossauro (Mateus et al., 2014)
Este estudo foi o resultado de um projecto envolvendo várias instituições internacionais, com financiamento internacional entre os quais: DFG (grant BU 2587/1-1), Jurassic Foundation, Lamont-Doherty Earth Institute Climate Center (Columbia University), Chevron Student Initiative Fund (Columbia University), American Museum of Natural History e CNRS. 

Referência:
Mateus, O., Butler R. J., Brusatte S. L., Whiteside J. H., & Steyer S. J. (2014).  The first phytosaur (Diapsida, Archosauriformes) from the Late Triassic of the Iberian Peninsula . Journal of Vertebrate Paleontology. 34(4), 970-975. (LINK)

Encontro da Associação Europeia de Paleontologia de Vertebrados, em Turim


Decorreu recentemente o encontro da Associação Europeia de Paleontologia de Vertebrados, em Turim, Itália, de 24 a 28 de Junho de 2014: XII Annual Meeting of the European Association of Vertebrate Palaeontologists.

A paleontologia feita por investigadores com afiliação portuguesa esteve bem representada com cinco comunicações:

Comparison of modern and fossil Crocodylomorpha eggs and contribution to the oophylogeny of Amniota. por Marzola, M., Mateus O., Russo J., & Milàn J. (LINK)

The dentition of megalosaurid theropods, with a proposed terminology on theropod teeth. 
por Hendrickx, C., Mateus O., & Araújo R.. (LINK)

Sauropod body fossils in Europe: overview and current issues. 
por Holwerda, F., Tschopp E., & Mateus O. (LINK)

Coelurosaurian theropods from the Andrés Quarry (Late Jurassic. Lusitanian basin, Portugal). 
por Malafaia et al.

The Forgotten Crocodilians From Monte Bolca: revision of the Turin specimen originally referred to Crocodilus vicetinus Lioy, 1856, 
por Seghetti et al.

Falsos fósseis: nódulos cerebróide de calcário


Por vezes a geologia faz formas que podem parecer fósseis, como já abordado no post "Concreções... os falsos ovos" deste blog Lusodinos.

Uma estrutura geológica que frequentemente é confundida com fósseis são os chérticos vulgarmente conhecidos por nódulos cerebróides, ou cerebelos. Apesar da superfície "convoluta" que faz lembrar um cérebro, o que lhe justifica o nome, estas rochas são estruturas geológicas calcárias, que não são fósseis nem têm origem biológica. Encontram-se no Jurássico Médio das Serras d'Aire e Candeeiros e Sicó, sendo mesmo usadas como indicador estratigráfico. Ocorrem após a erosão do calcário, ligeiramente mais brando, que circunda estes nódulos.


Chértico, Nódulo cerebróide (espécime FCT-UNL)

Ao contrário das concreções, estes chérticos têm uma estrutura interna por camadas cumulativas, vista em corte, e habitualmente não têm toda a superfície com este aspecto, pois têm um "pé" que os une a outra estrutura.

Este tipo de estruturas são frequentemente chamados de "pseusofósseis" ou falsos-fósseis, pois é frequente confundirem os observadores mais incautos


Mais informações:
http://mesozoico.wordpress.com/2011/05/30/nodulos-de-cherte-estratigrafia-e-genese-de-amostras-do-museu-municipal-de-porto-de-mos

sábado, Julho 19, 2014

Cathetosaurus como um género válido de dinossauro saurópode

O ano passado reportámos um espécime de Cathetosaurus do Jurássico Superior de Wyoming, Estados Unidos. Este espécime SMA002, previamente classificado como Camarasaurus, é agora visto como Cathetosaurus lewisi e permitiu finalmente uma clara distinção entre estes dois géneros de dinosssauros saurópodes.


The sauropod Cathetosaurus lewisi SMA 002. Poster by Mateus and Tschopp (2013)


Referência:
Mateus, O., & Tschopp E. (2013). Cathetosaurus as a valid sauropod genus and comparisons with Camarasaurus. Journal of Vertebrate Paleontology, Program and Abstracts, 2013. 173.
PDF

Abstract:
Here we report a nearly complete camarasaurid sauropod from Wyoming (Howe-Stephens Quarry, Upper Morrison Formation), which shares three character states with Camarasaurus lewisi that was originally described as its own genus, Cathetosaurus. The shared states are the following, and are not present to the same degree in other Camarasaurus species: i) the pelvis is rotated anteriorly, such that the pubis projects posteroventrally, and the ischium projects posteriorly, ii) lateroventrally projecting spurs in the neural spines of the last dorsals; iii) posterior cervical and anterior dorsal diapophyses bearing an anterior projection lateral to the prezygapophysis.
Given the lack of a skull in the holotype specimen of Cathetosaurus lewisi, the new specimen (Sauriermuseum Aathal specimen SMA 0002) adds considerable information, which allows the recognition of several additional differences to known skulls. The number of autapomorphies is herein considered enough to revive Cathetosaurus as a genus distinct from Camarasaurus. Additional skull autapomorphies of Cathetosaurus are: i) frontals with anterior midline projection into the nasals; ii) trapezoidal supraoccipital (more expanded dorsally than ventrally), iii) lateral spur on the dorsal part of the lacrimal, iv) fenestrated pterygoid; and v) the large pineal foramen between the frontals.
Cathetosaurus shares with Camarasaurus (as camarasaurid synapomorphies) the following characters: broad robust teeth, lacrimal with long axis directed anterodorsally, anterior cervical neural spines bifid, twelve cervical vertebrae, quadratojugal with short anterior ramus that does not extend anterior to the laterotemporal fenestra, posterior cervical and anterior dorsal neural spines bifid, and scapular blade with rounded expansion on the acromial side.
The genus Camarasaurus remains, at least, with the following autapomorphies: conspicuous groove passing anteroventrally from the surangular foramen to the ventral margin of the dentary, and anterior caudal neural spines broad transversely.
The body proportions of the new specimen are peculiar: the head is large, the limbs are short when compared with the presacral vertebral column, the ribs are long, such that the lower part of the ribcage is well below the knee level. These characters, and the rotation of the pelvis provided larger gut volume to this taxon.

Evidências das plantas fósseis welwitchóides no Cretácico de Portugal


A paleontóloga sueca Else Marie Friis e colegas publicaram mais um artigo sobre a flora fóssil do Cretácico de Portugal, desta vez sobre uma planta próxima da famosa e bizarra Welwitschia mirabilis, com a descrição de um novo género e novas espécie: Bicatia costata e B. juncalensis são as nova espécies de Welwitschoidea (em Português: welwitchóide) de Juncal e Famalicão.





Abstract:
Bicatia gen. et sp. nov. from the Early Cretaceous of the Northern Hemisphere is described based on three species of dispersed seeds: Bicatia costata from the Juncal and Famalicão localities (western Portugal) and the Kenilworth locality (eastern North America), B. juncalensis from the Juncal locality, and B. rugosa from the Puddledock locality (eastern North America). Seeds of B. costata and B. rugosa are known from both lignitised (Juncal, Kenilworth, Puddledock) and charcoalified specimens (Famalicão, Puddledock), whereas seeds of B. juncalensis are known only from lignitised material (Juncal). All three species have the same characteristic chlamydospermous organisation seen in the wide range of other Early Cretaceous seeds that have been assigned to the Bennettitales-Erdtmanithecales-Gnetales (BEG) group. However, the species of Bicatia differ from all previously described BEG seeds in having a disymmetrical and flattened seed envelope
with more or less distinct lateral wings. All three species are also closely associated with polyplicate pollen grains that have a prominent distal colpus. Pollen grains of this kind are very similar to those of extant Welwitschia. The combination of seed and pollen features seen in Bicatia provides the strongest documentation so far of Welwitschia-like plants in the Northern Hemisphere during the Early Cretaceous.

Referência:
Else Marie Friis, Kaj Raunsgaard Pedersen & Peter R. Crane (2014): Welwitschioid diversity in the Early Cretaceous: evidence from fossil seeds with pollen from Portugal and eastern North America, Grana, DOI: 10.1080/00173134.2014.915980

sexta-feira, Junho 27, 2014

"Dinossauros a Metro" no Porto

Enquadrado no IX Congresso Nacional de Geologia a decorrer no Porto de 18 a 24 de julho de 2014, iremos participar numa atividade de divulgação científica com a palestra sobe dinossauros aberta à população e com entrada gratuita.

"Dinossauros a Metro"
Palestra "Dinossauros a Metro"
22 de Julho de 2014, terça feira às 18:30
Por Prof. Octávio Mateus (Faculdade de Ciências e Tecnologia da Universidade Nova de Lisboa e Museu da Lourinhã)
Na Estação de Metro 24 de Agosto (Google Maps) no contexto dos vestígios arqueológicos da Mãe d'Água.


Vestígios da Mãe d'Água na Estação de Metro 24 de Agosto, no Porto. 




quinta-feira, Maio 29, 2014

Osteologia de Lourinhasaurus e Ceratosaurus


Foram recentemente publicados dois novos artigos sobre dinossauros em Portugal, sobre o saurópode Lourinhasaurus alenquerensis com a redescrição anatómica e sobre o terópode Ceratosaurus.


Phylogenetic reassessment of Lourinhasaurus alenquerensis, a basal Macronaria (Sauropoda) from the Upper Jurassic of Portugal
P Mocho, R Royo‐Torres, F Ortega - Zoological Journal of the Linnean Society, 2014

Abstract:
Lourinhasaurus alenquerensis is a Portuguese Upper Jurassic dinosaur whose lectotype is one of the most complete sauropod specimens from the Portuguese fossil record and from the Upper Jurassic of Europe. It was recovered from sediments of the Sobral Formation (upper Kimmeridgian to lower Tithonian) at Moinho do Carmo (Alenquer, Portugal). The lectotype of Lourinhasaurus was first related to Apatosaurus and then tentatively related to Camarasaurus. Finally, it was established as a new taxon, Lourinhasaurus, including the Moinho do Carmo specimen. At the time of writing, Lourinhasaurus had a poor diagnosis and an unstable phylogenetic position. Revision of the Moinho do Carmo specimen has led to a detailed description and a new and more complete codification for several morphological characters. The phylogenetic analyses proposed herein considered Lourinhasaurus as a Camarasauromorpha Macronaria. This study also recovered a Camarasauridae clade incorporating LourinhasaurusCamarasaurusand, putatively, Tehuelchesaurus and that implies the presence of Camarasauridae in the European Upper Jurassic. Besides the strong similarity to CamarasaurusLourinhasaurus alenquerensis is here considered a valid taxon with 13 putative autapomorphies such as a sagittal keel on the dorsal margin of sacral neural spines, circular and deep spinoprezygapophyseal fossa on proximal caudal vertebrae, marked crest and groove bordering the lateral margin of the acetabulum in the ischium, and a marked deflection of the entire femoral shaft without lateral bulge. The apparently high number of taxa among the sauropod fauna from the Iberian Peninsula during the Late Jurassic is similar to the palaeobiodiversity recorded in formations of the same age, i.e. Morrison and Tendaguru, and does not support the hypothesis of a connection between the North America and Iberian Peninsula faunas during the later part of the Late Jurassic reflected by other faunal and floral groups.

New evidence of Ceratosaurus (Dinosauria: Theropoda) from the Late Jurassic of the Lusitanian Basin, Portugal
E Malafaia, F Ortega, F Escaso, B Silva - Historical Biology, 2014

Abstract:
A theropod assigned to Ceratosaurus was previously reported from the Portuguese Lusitanian Basin based on a limited number of elements of a single individual. Here, we describe newly discovered elements that likely pertain to same, earlier described, specimen. The new elements provide additional evidence that the range of Ceratosaurus spanned from what is now North America into Europe. Previously, some differences were noted between the Portuguese specimens and the North American Ceratosaurus. We consider these differences to be trivial and attribute them to individual variation and/or ontogeny. The following set of features (lesser trochanter positioned low on the femur; crista tibiofibularis obliquely oriented with respect to the axis of the femoral shaft; infrapopliteal ridge present posteriorly on the femur; large cnemial crest; and medial condyle of the tibia continuous with proximal end) indicate that the Portuguese specimen is assignable to Ceratosaurus. This record constitutes one of the scarce evidence of basal ceratosaurian theropods in the Late Jurassic of Europe. Despite the abundance, diversity and wide geographical distribution of ceratosaurs during the Late Cretaceous, its early evolutionary history remains poorly understood. The Portuguese specimens constitute an important evidence for the knowledge of the paleobiogeographic evolution of the clade during the Late Jurassic.

Ceratosaurus fémur e tíbia (Mateus et al., 2006)

Livros que marcam a Paleontologia de Dinossauros e Evolução em Portugal

Há livros que marcam disciplinas científicas e a Paleontologia de dinossauros em Portugal não foge à regra. Aqui estão alguns exemplos:






Quadro Elementar da Historia Natural dos Animaes, Cuvier 1815

Esta obra de George Cuvier, é publicada em 1815 em dois tomos traduzidos em Português por Antonio D'Almeida, "Cavalleiro da Ordem de Christo, Cirurgiaõ da Real Camara, Lente d'Operaçoens no Hospital Real de S. Joze de Lisboa, e Membro Effectivo do Real Collegio dos Cirurgioens de Londres".
Título original "Tableau élémentaire de l'histoire naturelle des animaux" publicada em 1797-1798, o que demorou apenas 17 anos a ter edição portuguesa.

Quadro Elementar da Historia Natural dos Animaes, Cuvier 1815


Vertébrés fossiles du Portugal, Sauvage 1897-98

O título completo desta obra de Henri Émile Sauvage é "Vertébrés fossiles du Portugal: contributions à l'étude des poissons et des reptiles du jurassique et du crétacique" publicada em 1897-98 pela Direction des Travaux Géologiques du Portugal (título original em Francês) e impressão da Académie royale des Sciences, 1898). Esta obra ilustra, pela primeira vez, dinossauros em Portugal, mas também refere peixes, serpentes, crocodilos, plesiossauros e ictiossauros.

Vertébrés fossiles du Portugal, Sauvage 1897-98


Origem das Espécies, Darwin 1913 (1ª edição portuguesa)

A primeira edição portuguesa da Origem das Espécies de Charles Darwin é de 1913 e chega-nos pela Livraria Chardron de Lello & Irmão, Lda., do Porto e foi traduzida por Joaquim Dá Mesquita Paúl. É curioso que tão importante livro tenha demorado 54 anos a ser publicado em Portugal.
Origem das Espécies, Darwin 1913 (1ª edição portuguesa)
Imagem de Darwin na edição Portuguesa de 1913







Les dinosauriens du Portugal, Lapparent e Zbyszewski 1957

Albert F. de Lapparent e Georges Zbyszewski. Direction Générale des Mines et Services Géologiques, No. 2.
Este livro é uma importante marco da paleontologia de dinossauros em Portugal, pois descreve importantes fósseis de dinossauros, entre os quais o Brachiosaurus atalaiensis, Apatosaurus alenquerensis, Megalosaurus pombali, Astrodon pusillus, entre muitos outros.
Les dinosauriens du Portugal, Lapparent e Zbyszewski 1957

Todos estes exemplares originais pertencem colecção de Octávio Mateus e podem ser vistos na actividade Dinossauros às Quintas, na FCT-UNL.


quarta-feira, Maio 28, 2014

Blogue 'Lusodinos' com novo logotipo, mais de 10 anos e 250.000 visualizações

O blogue LUSODINOS www.lusodinos.blogspot.pt lança hoje o seu logotipo. O bloque Lusodinos tem mais de 10 anos e 250.000 visualizações mas não tinha logotipo próprio
O blogue tem agora um logotipo criado pela artista Joana Bruno (www.joanabruno.com) que concluiu recentemente os mestrado sobre Ilustração Científica de Fósseis de Angola.

Logotipo do blogue Lusodinos
Obrigado, Joana Bruno, pelo logotipo.

Sobre o Blogue LUSODINOS:
O bloque Lusodinos tem quase 11 anos, tendo o seu primeiro post em Outubro de 2003. À data de hoje, 28 de Maio de 2014, o blogue tem 611 posts, 251.510 visualizações. O post mais visto é sobre sistemática lineana versus cladística com mais de 9150 visualizações. A pesquisa que mais deu acessos ao Lusodinos é feita com as palavras "dinossauros em portugal" e o motor de busca mas usado é o Google Brasil www.google.com.br o que se justifica pela origem da maioria dos nossos leitores: Brasil. As etiquetas mais usadas são "Museu da Lourinhã" e "Evolução".
Principal autor: Octávio Mateus.

Estatísticas dos acessos do blogue Lusodinos.

Obrigado também a todos que de alguma forma contribuíram para o blog.

Sugestões, perguntas, críticas e comunicação sobre este bloque pode ser dirigida a omateus @ fct . unl . pt.

sábado, Maio 24, 2014

Mestrado em Paleontologia: inscrições abertas 2014

As inscrições para o Mestrado em Paleontologia (FCT-UNL + UÉ) estão abertas desde dia 15 de Maio.


Inscrições aqui:



Outros Links:
Mestrado de Paleontologia no Site do Departamento de Ciências da Terra em português e inglês.
Mestrado de Paleontologia no site da Univ. de Évora

Pontes fortes apontados de forma independente e isenta pela A3ES (Agência de Avaliação e Acreditação do Ensino Superior ) na Acreditação do Mestrado em Paleontologia pela A3ES:

  • Corpo docente qualificado, maioritariamente em regime de dedicação plena, com experiência relevante.
  • Impacte potencial que as formações ministradas podem ter em Portugal e estrangeiro
  • Indiscutível interesse institucional em tirar partido da existência de infra-estruturas existentes em ambas das universidades (UNL e UÉ), assim como de equipas qualificadas em vários domínios do conhecimento (nomeadamente em Paleontologia e Estratigrafia e áreas de interface com grande potencial de crescimento). 
  • Bom inter-relacionamento entre os contributos de cada disciplina, concorrendo para os objectivos gerais do curso; tal é especialmente notório para o conjunto nuclear (obrigatório) de disciplinas. 
  • Balanço fidedigno entre os conteúdos programáticos enunciados e o tempo realmente disponível para a sua leccionação. 
  • Recurso comum a métodos promotores de e-learning. Corpo docente qualificado, largamente em regime de dedicação plena e exclusivamente constituído por doutores com experiência significativa nos vários domínios do conhecimento abarcados pelos percursos curriculares indicados para o curso. 
  • Diversidade e qualidade de infra-estruturas e recursos instrumentais/materiais necessários ao cumprimento dos objectivos. Forte dinâmica científica em algumas das áreas científicas abrangidas pelo curso, bem como em vários domínios de interface. 
  • Participação em redes internacionais de cooperação científica nos domínios abrangidos pelo curso. 
  • Experiência acumulada e relativamente bem-sucedida por parte das entidades promotoras do curso. 
  • Muito pequena sobreposição com algumas das formações de 2º ciclo oferecidas em Portugal. Visão moderna da Paleontologia (e suas aplicações), dando especial atenção a aspectos tecnológicos e interacções com diversos ramos do conhecimento.

  Página no Facebook Mestrado Paleontologia PT 

Posts sobre o Mestrado de Paleontologia no Blog Lusodinos


segunda-feira, Maio 19, 2014

Dinossauros às Quintas, na FCT-UNL

Os dinossauros e outros fósseis são destaque num atelier e exposição na sala de reuniões da Biblioteca da Faculdade de Ciências e Tecnologia - Universidade Nova de Lisboa, no Campus da Caparica, todas as quintas-feiras até ao final de julho.




Esta actividade consiste na exposição de fósseis, ossos de dinossauros e outros animais, na pintura de réplicas de dinossauros da Mongólia, cedidos pelo American Museum of Natural History (EUA) e na preparação laboratorial de fósseis reais de dinossauros. Entre os dinossauros expostos destacam-se ossos originais de um tirreóforo do Jurássico Superior de Portugal e réplicas de Sinornithosaurus, Velociraptor, Citipati e Oviraptor do deserto de Gobi, da Mongólia e China. A curadoria desta actividade é do paleontólogo Prof. Octávio Mateus, do Departamento de Ciências da Terra da FCT-UNL, com a participação, todas as quintas-feiras, de Francisco Costa que fará várias demonstrações, entre as quais pintura de réplicas e preparação de fósseis.


Organização: Departamento de Ciências da Terra | Divisão de Documentação e Biblioteca Faculdade de Ciências e Tecnologia - Universidade Nova de Lisboa

Apoio: American Corner | American Museum of Natural History | Museu da Lourinhã


Acesso ao Campus da FCT/NOVA
http://www.fct.unl.pt/faculdade/como-chegar-fct
GPS 38º 39' 36'' N/ 9º 12' 11'' W
http://www.biblioteca.fct.unl.pt/
http://www.facebook.com/Biblioteca_Fct
Blog: http://bibliotecaunl.blogspot.pt/
Evento no Facebook

Acesso livre e Entrada Gratuita 

Agradecimento


Muito obrigado à ADL- Associação de Desenvolvimento da Lourinhã pela distinção de PERSONALIDADE DO ANO 2013 que me foi atribuída sábado (17.5.2014). Este prémio é de todos os que contribuem para a Capital dos Dinossauros.



É altura de agradecer a todos os que têm trabalhado comigo ou ajudado de alguma forma. Sem querer, nem poder, ser exaustivo, destaco:
  • Os meus pais, Horácio e Isabel Mateus (co-fundadores do Museu da Lourinhã) e irmãos, Simão e Marta. 
  • As sucessivas Direcções do GEAL- Museu da Lourinhã que, de forma, voluntária e não remunerada, ajudam a criar um Museu e a promover a paleontologia, e à equipa da Faculdade de Ciências e Tecnologia da Universidade Nova de Lisboa (Dept. Ciências da Terra).
  • O meu ex-orientador Prof. Miguel Telles Antunes.
  • Os descobridores de fósseis que doam os seus achados à Ciência.
  • Estudantes para quem trabalhamos e que é um prazer vê-los crescer profissionalmente.
  • Os voluntários que afincadamente ajudam a preparar os importantes fósseis.
  • Todos os meus amigos. 

Bem Hajam!
                                Octávio Mateus (19.5.2014)


quarta-feira, Maio 14, 2014

Zby atlanticus em imagens

Zby atlanticus em exposição na Assembleia da República.
Na fotografia vê-se Mota Amaral, Octávio Mateus, José Manuel Custódio,
David Justino, João Duarte,  Nuno Sampaio e Horácio Mateus.

Zby atlanticus (réplica) em exposição na Assembleia da República.
Na foto estão Maria Helena Máximo e Nuno Sampaio.
Réplica de Zby atlanticus na fachada do Museu, com o seu descobridor, Octávio Mateus
Zby atlanticus (réplica) em exposição em Bristol
Zby atlanticus: ossos (desenho por Simão Mateus)
Zby atlanticus: úmero
Zby atlanticus: metacarpos
Zby atlanticus: falanges

Zby atlanticus: escápula e coracóide



Zby atlanticus: dente
Zby atlanticus: cúbito e rádio

Zby atlanticus: escavação


Reconstituição artística de Zby atlanticus

Reconstituição artística (desenho de vida) do novo saurópode Zby atlanticus, por Eloy Manzanero http://eloymanzanero.deviantart.com/art/Zby-atlanticus-453210917, replicada aqui com permissão do autor.


Zby atlanticus, por Eloy Manzanero


Alguns dos meios de comunicação social que cobriram a notícia:

terça-feira, Maio 13, 2014

Zby atlanticus é a nova espécie de dinossauro saurópode de Portugal

Zby atlanticus é a nova espécie de dinossauro saurópode de Portugal


Zby atlanticus é o nome da nova espécie de dinossauro do Jurássico Superior com 150 milhões de anos descoberto na Lourinhã.
Zby atlanticus, ossos recolhidos
Este dinossauro que foi descoberto em 1996  pelo paleontólogo Octávio Mateus da Faculdade de Ciências e Tecnologia da Universidade Nova de Lisboa e também colaborador do Museu da Lourinhã é agora reconhecido como um novo género e espécie para a Ciência.
Deste dinossauro saurópode foi escavada uma pata dianteira (braço), um dente e um osso da cauda, em 1996, 2000 e 2002, na localidade de Paimogo, a norte da Lourinhã, perto do local de onde também foram escavados ovos. Este é um saurópode de grandes dimensões e se estivesse completo estima-se que teria 18 a 19 metros de comprimento.  
Escavação de Zby atlanticus (Mateus et al., 2014)
O Zby é classificado como parte do grupo dos saurópodes turiassauros, inicialmente descobertos em Espanha ao contrário de outros dinossauros de Portugal que têm afinidades com espécies dos Estados Unidos. Os turiassauros, que foram originários na Ibéria que na altura era uma ilha, eram dinossauros herbívoro de pescoço longo, mas de dentes mais largos que a maioria dos outros saurópodes.
Na primeira identificação destes ossos pensou-se que se tratava de um género existente em Teruel, Espanha, um Turiasaurus, mas agora verifica-se que é uma espécie e um género distinto com base em diferenças anatómicas nos ossos dos membros recebendo, por isso, um novo nome: Zby atlanticus. O nome de género é em honra do paleontólogo Georges Zbyszewski (1909 - 1999) que trabalhou muitos anos em Portugal. Este cientista de origem russa, naturalizado francês, dedicou toda a sua carreira ao estudo da geologia de Portugal e marcou a paleontologia nacional. Foi o autor da importante obra “Os Dinossauros de Portugal”  publicada em 1957 em conjunto com Albert de Lapparent. O nome do dinossauro é o diminutivo pelo qual este cientista era muitas vezes tratado e tem a particularidade de ser um dos nomes mais curtos de dinossauros, com apenas três letras e nenhuma vogal: Zby. O epíteto específico, atlanticus, é devido à localidade de Paimogo que tem uma vista cénica para o Oceano Atlântico e porque foi a formação deste oceano que influenciou a existência de tantos dinossauros em Portugal.
Georges Zbyszewski (1909-1999). Imagem: LNEG

O estudo foi publicado na prestigiada revista científica Journal of Vertebrate Paleontology por Octávio Mateus com os paleontólogos ingleses Philip Mannion e Paul Upchurch, do Imperial College e do University College of London, respectivamente. Os ossos originais estão no Museu da Lourinhã e uma réplica encontra-se na fachada deste museu, o que o torna este espécime muito fotografado.

Recorde-se que em março passado, este paleontólogo anunciou uma outra nova espécie de dinossauro, mas carnívoro, o Torvosaurus gurneyi com Christophe Hendrickx, também da  Faculdade de Ciências e Tecnologia da Universidade Nova de Lisboa.
Zby atlanticus, réplica na fachada do Museu da Lourinhã


Referência:

Octávio Mateus, Philip D. Mannion & Paul Upchurch (2014) Zby atlanticus, a new turiasaurian sauropod (Dinosauria, Eusauropoda) from the Late Jurassic of Portugal. Journal of Vertebrate Paleontology 34(3): 618-634  DOI:10.1080/02724634.2013.822875

http://www.tandfonline.com/doi/full/10.1080/02724634.2013.822875#.U2lVhPldXeI

terça-feira, Maio 06, 2014

Estranhas pegadas em 3D das patas de saurópodes

As pegadas são obviamente uma depressão no substrato causada pela compressão do solo devido ao peso de um animal. Portanto é normal que imaginemos pegadas de dinossauros como depressões mais ou menos côncavas na rocha. Contudo, nos terrenos de rochas de ambientes continentais do Jurássico Superior de Portugal nem sempre é assim. As pegadas de dinossauros mais comuns são conservadas como preenchimento arenítico da pegada formando um molde natural do icnito, ou um contra-molde do pé.

Os saurópodes foram os maiores animais que já caminharam sobre a terra, e evoluíram com várias especializações nos seus membros a fim de apoiarem a sua enorme massa corporal. Os membros de saurópodes derivados tornaram-se colunares e seus dedos dos membros anteriores (mãos) simplificaram-se reduzindo o número de falanges e encapsularam-se num tecido para formar um apoio único que suporte o peso.


No Jurássico Superior da Lourinhã, têm sido recolhidas preenchimento de pegadas das patas anteriores preservadas em três-dimensões (Milàn et al., 2005) num formato cilíndrico de arenito que assenta no substrato original que foi pisado: um argilito. Estas pegadas mostram não só a forma, mas também os movimentos reais da pata do saurópode ao fazer a pegada. Num dos caso, aqui figurado, o icnito tem 32 cm de profundidade, numa forma cilíndrica e sem quaisquer impressões de dedos individuais, com exceção do dígito I, o polegar. Vêm-se ainda estrias verticais bem preservadas de pele nas paredes laterais da pegada que mostram que a pata estava coberta de pele áspera, tuberculosa, constituída por escamas. A largura da pegada é consistente de cima a baixo, demonstrando que a pata desceu e subiu verticalmente sem sinais qualquer movimento horizontal. Isto implica que o membro superior teria de dobrar as suas articulações de forma eficiente.


Referência:
Milan, J, Christiansen P, Mateus O. 2005. A three-dimensionally preserved sauropod manus impression from the Upper Jurassic of Portugal: Implications for sauropod manus shape and locomotor mechanics. Kaupia. 14:47-52. PDF

Abstract: Sauropods were the largest animals ever to walk the earth, and evolved several specializations in their limbs in order to support their body mass. Their legs became columnar and their manual digits became reduced and encapsulated in tissue to form a single weight-bearing unit in the derived sauropods. A new three-dimensionally preserved cast of a sauropod manus, found in the Upper Jurassic Lourinhã Formation, Portugal, demonstrates not only the shape, but also the actual movements of the sauropod manus during the stride. The manus cast is 32 cm deep, and show the manus to be hoof-shaped and lacking any impressions of individual digits, except for digit I, the pollex. Well preserved striations from skin on the sides of the cast show that the manus was covered in rough, tubercular skin. The width of the manus cast is consistent from top to bottom, demonstrating that the manus was brought down and lifted vertically before any parasagittal movement of the upper limb took place.

sexta-feira, Maio 02, 2014

Sítios para ver dinossauros em Portugal

Em Portugal existem vários sítios para visitar com ossos ou pegadas de dinossauros. Para facilitar o turismo científico, aqui seguem coordenadas geográficas das variadas localidades a visitar;


Jazidas de Pegadas visitáveis em Portugal, com coordenadas GPS

Pedra da Nau, Buarcos: 40.182861, -8.908111
Praia dos Olhos de Água:   39.416171, -9.252589
Serra de Mangues:   39.534409, -9.123377
Praia dos Salgados:   39.539376, -9.121534
Pedreira do Galinha: 39.570423, -8.588761
Vale de Meios: 39.457797, -8.821044
Serrada Pescaria: 39.545212, -9.088333
Serra de Bouro: 39.489556, -9.180975
Salir do Porto: 39.494186, -9.174887
Praia Grande: 38.809739, -9.479955
Cabo Espichel - Pedra da Mua: 38.421483, -9.216838
Lagosteiros: 38.427737, -9.216430
Pedreira do Avelino: 38.454010, -9.123312
Zambujal: 38.456125, -9.121623
Praia da Salema: 37.064332, -8.826848
Mapa de jazidas de dinossauros em Portugal (Antunes & Mateus, 2003)

Mapa de jazidas de dinossauros em Portugal (Lapparent & Zbyszewski, 1957)

Museus 

Museu Geológico, Lisboa
Rua Academia das Ciências 19, Lisboa, Portugal, 38.713215, -9.149867
Museu da Lourinhã
Rua João Luis de Moura 95. 2530-158 Lourinhã, museulourinha.org  39.242002, -9.313247
Museu Nacional de História Natural
Rua da Escola Politécnica 56, 1250-102 Lisboa ,  38.717649, -9.150850


Referências:
Antunes, M. T., & Mateus, O. (2003). Dinosaurs of Portugal. Comptes Rendus Palevol2(1), 77-95.

de Lapparent, A. F., & Zbyszewski, G. (1957). Les dinosauriens du Portugal(No. 2). Direction Générale des Mines et Services Géologiques.