Terça-feira, Novembro 10, 2009

(Dis)Entangling Darwin


(Dis)Entangling Darwin:Cross-Disciplinary Reflections on the Man and his Legacy

University of Porto, Portugal, 4 - 5 December 2009

Laura Russell, 1869

REGISTRATION NOW OPEN.
For registration form and payment, please click here.


CALL FOR PAPERS

2009 marks the bicentenary of Charles Darwin's birth (12 February 1809) and the 150th anniversary of the publication of his groundbreaking On the Origin of Species (24 November 1859).
The University of Porto CETAPS (Centre for English, Translation and Anglo-Portuguese Studies) is holding a special conference to honour Charles Darwin's enduring legacy, and examine how his ideas remain central to contemporary research, within and beyond the biological sciences, echoing the global celebrations of his life and work, and his impact across the disciplines.

Keynote Speakers:

David Amigoni (Keele University, UK)
http://www.keele.ac.uk/depts/en/staff/d_amigoni.html

John Van Wyhe (Cambridge University, UK)
http://darwin-online.org.uk/people/van_wyhe.html


Special Guest Speakers:

Ana Leonor Pereira - Historian. History and Sociology of Science and Culture/Specialist in the History of Darwinism in Portugal (UC).

João Cabral - Historian and Botanist. Specialist in Darwin's contributions to nineteenth-century botanical studies (FCUP).

Jorge Vieira - Biologist/Molecular Evolution/IBMC (Institute for Molecular and Cell Biology).

Nuno Ferrand - Biologist. CIBIO coordinator (Research Center in Biodiversity and Genetic Resources - UP).

Octávio Mateus - Biologist and Paleontologist (specialist in Dinosaurs. FCT-UNL/Museum of Lourinhã).

Paulo Gama Mota - Biologist, specialist in behavioural ecology. Director of the Museum of Science (Coimbra) and Vice-President of the Portuguese Ethological Society. Responsible for various scientific projects, including collaborations with the National Geographic Society (FCT-UC/ IMAR/ CIBIO).


The conference title draws inspiration from the notable conclusion of Darwin's On the Origin of Species. In it he writes:

It is interesting to contemplate an entangled bank, clothed with many plants of many kinds, with birds singing on the bushes, with various insects flitting about, and with worms crawling through the damp earth, and to reflect that these elaborately constructed forms, so different from each other, and dependent on each other in so complex a manner, have all been produced by laws acting around us [...] There is grandeur in this view of life, with its several powers, having been originally breathed into a few forms or into one; and that, whilst this planet has gone cycling on according to the fixed law of gravity, from so simple a beginning endless forms most beautiful and most wonderful have been, and are being, evolved.

Darwin's descriptions rely on the formulation of incredibly complex and visual pictures, often portrayed in a series of "imaginary illustrations" which combine colourful arrangements of both facts and suppositions. The reader is constantly involved in a visual perceptual chaos of entanglements and webbed relationships, performances and theatricalities, exhibiting the way in which the human, animal and natural worlds are mutually imbricated. This conference wishes to contribute to the ongoing disentanglement of Darwin's legacy, which remains as controversial to twenty-first century critics as it was to Darwin's contemporaries. There are still many missing links and inherent contradictions that continue to attract growing, interdisciplinary attention from a wide range of specialisms. All in all, the re-drawing of physical and psychological frontiers demanded by evolutionary theory in an attempt to define what is meant by human nature is still very much in progress, validating at the same time extraordinary opportunities for further research.

We welcome 20-minute papers in English dealing with all aspects of Darwin's legacy, from science to literature and the social sciences, the visual arts, religion, philosophy, politics and cultural relations.

Please include the following information with your proposal: the full title of your paper; a 250-300 word abstract; your name, postal address and e-mail address; your institutional affiliation and position; any audiovisual requirements you may have.

The deadline for proposals is 31 October 2009. Participants will be notified of acceptance no later than 8 November 2009.

Inquiries and proposals should be sent to the following e-mail: darwinporto2009@letras.up.pt

Conference fee: 60,00 € (includes coffee breaks and Friday lunch). Attendance is free for UP students.

OPTIONAL - Conference Dinner (Friday): 20 €

Please check the Porto Faculty of Letters/Sigarra website for updates.

Additional Information
Porto http://www.travel-in-portugal.com/Porto/
Airport http://www.ana.pt/portal/page/portal/ANA/AEROPORTO_PORTO/

Organising Committee
Fátima Vieira
Jorge Bastos da Silva
Sara Graça da Silva

Sábado, Novembro 07, 2009

Regresse ao tempo dos Dinossauros!

Artigo na revista "Expresso":

Ócio: Regresse ao tempo dos Dinossauros!

Tenha um sábado jurássico e emocionante no Pavilhão do Conhecimento - Ciência Viva. E saiba como é viver no limite...


Ócio: Regresse ao tempo dos Dinossauros!

Sabia que existiam dinossauros com penas e bicos de pato? E que as galinhas são primas afastadas destes animais? Que razão terá levado à extinção destes gigantes no Cretácico, há 65 milhões de anos?

Se é curioso(a) e o mundo jurássico é um tema que o (a) faz arregalar os olhos, então isto é feito a pensar em si. E, claro, nos seus filhos. Os oradores que vão debater e responder a estas e outras perguntas serão Henrique Pereira, do Centro de Biologia Ambiental da Faculdade de Ciências da Universidade de Lisboa e Octávio Mateus, do Museu da Lourinhã e da Universidade Nova de Lisboa. Uma conversa que vai arrancar este sábado, às 16h30, com entrada gratuita.

Aliás, eles partirão de uma pergunta principal que definirá a rota deste colóquio "jurássico" (e que dá início ao ciclo Expedições Extremas): Quem tramou os dinossauros? A pensar nos mais pequenos, o tempo geológico no Pavilhão do Conhecimento vai ser acelerado: entre as 11h30 e as 13h vão poder construir um fóssil em poucos minutos, contrariando a lógica dos verdadeiros, que demoram milhares ou milhões de anos para se formar.

Das 15h às 17h o desafio é vestir a pele de um paleontólogo e participar numa escavação onde podem encontrar dinossauros. Antes ou depois destas actividades, não deixem de visitar a exposição "Extremos - Viver no limite" e descubram como mesmo nos locais mais inóspitos do planeta há seres vivos que subsistem em condições de calor intenso, frio gélido, falta de água, escassez de oxigénio ou escuridão permanente. Desafios extremos à existência de vida.

Quinta-feira, Novembro 05, 2009

Quem tramou os dinossauros? (Palestra 7 Nov., Lisboa)

A partir de Novembro, o Pavilhão do Conhecimento-Ciência Viva dá início ao ciclo de colóquios Expedições Extremas, que tem por base a exposição interactiva EXTREMOS Viver no Limite. Os colóquios têm lugar uma vez por mês, aos sábados, a partir das 16h30, no auditório do Pavilhão do Conhecimento-Ciência Viva. A entrada é gratuita.

7 de Novembro
Quem tramou os dinossauros?
Adaptações e extinções ao longo dos tempos

Sabia que existiram dinossauros com penas e bicos de pato? E que as galinhas são primas distantes destes animais? Que razão terá levado à extinção destes gigantes no Cretácico, há 65 milhões de anos? A vida na Terra está repleta de histórias de espécies que se adaptaram e extinguiram ao longo dos tempos e até aos dias de hoje. Venha conhecê-las neste colóquio.

Octávio Mateus - Museu da Lourinhã e Universidade Nova de Lisboa
Henrique Pereira - Centro de Biologia Ambiental, Faculdade de Ciências da Universidade de Lisboa

ACTIVIDADES PARA CRIANÇAS:

Vem fazer o teu próprio fóssil!

Os fósseis de verdade levam milhares ou milhões de anos para se formar. Mas hoje podes usar gesso para fazer um fóssil em poucos minutos. Descobre como!

Das 11.30 às 13h, Espaço Exterior

Vem escavar um dinossauro!

Vem experimentar ser paleontólogo por uma tarde e participa numa escavação onde poderás encontrar dinossauros! Estás preparado?

Das 15h às 17h, Espaço Exterior

http://www.pavconhecimento.pt/destaques/index.asp?accao=shownot&id_noticia=448

Dinossauro da Mongólia, Yamaceratops, com "nova" geologia

Durante a expedição ao deserto de Gobi, na Mongólia, em 1997 descobrimos numerosos ossos e novas jazidas. Um dos achados foram os dinossauros ceratopsianos Yamaceratops, o que nos levou a compreender melhor a geologia da região. A mistura de conceitos geológicos levou a muitas confusões na região de Shine Us Khudag, no Gobi oriental, e o artigo publicado este ano, liderado pelo geólogo David Eberth com a nossa participação ajuda a esclarecer o idade e formação exacta do Yamaceratops.

D. A. Eberth, Y. Kobayashi, Y.-N. Lee, O. Mateus, F. Therrien, D.K. Zelenitsky, M.A. Norell. 2009. Assignment of Yamaceratops dorngobiensis and Associated Redbeds at Shine Us Khudag (Eastern Gobi, Dorngobi Province, Mongolia) to the Redescribed Javkhlant Formation (Upper Cretaceous) . Journal of Vertebrate Paleontology 29(1):295–302, March 2009
http://www.bioone.org/doi/abs/10.1671/039.029.0105
Print ISSN: 0272-4634 PDF


Paleogeografia de Africa durante o Cretácico

A paleontologia de vertebrados pode dar bons contributos à paleogeografia. No artigo publicado no Buletim da Sociedade Geológica de França, usamos os nossos conhecimentos adquiridos no trabalho desenvolvido em Angola para melhor compreender o ambiente e geografia de África durante o Cretácico Superior.


L L Jacobs, O Mateus, M J Polcyn, A S Schulp, C R Scotese, A Goswami, K M Ferguson (2009) Cretaceous paleogeography, paleoclimatology, and amniote biogeography of the low and mid-latitude SouthAtlantic Ocean Bull. Soc. géol. Fr. 180: 4. 333-341.


Key-words. – Paleobiogeography, Angola, South Atlantic, Cretaceous, Mosasaur, Angolasaurus, Turtles, Chelonians, Squamates.

Abstract. – The Cretaceous tropical Atlantic Ocean was the setting for an initial tectonically controlled late Aptian shallow water ( 300 m) connection between the northern and southern portions of the Atlantic, followed by a deep-water connection by the Turonian. Ocean currents changed with deepening of the South Atlantic and progressive widening of the Equatorial Atlantic Gateway. Aptian evaporite deposition came to a halt. The Albian-Turonian interval includes atrend toward increasing sea level and was characterized by globally warm sea surface temperatures. Productive areas of coastal upwelling led to the deposition of organic-rich sediments varying in position along the African coast with time, culminating in the Benguela Upwelling that commenced in the Miocene. The drift of Africa in the Late Cretaceous indicatesthat throughout most of this period, the coastal area around the fossil locality of Iembe, north of Luanda, Angola, lay in arid latitudes (15o S to 30o S), which are generally characterized by sparse vegetation. This presumption is consistent with the utter lack of macroscopic terrestrial plant debris washed into near shore sedimentary environments and indicates that organic rich marine shales have a minimal terrestrial carbon component. The connection of the North and South Atlantic oceans severed a direct terrestrial dispersal route between South America and Africa, but opened a north-south dispersal route for marine amniotes. This seaway was used by late Turonian mosasaurs and sea turtles as evidenced by Angolasaurus and a new turtle taxon close to Sandownia, both found at Iembe and derived from northern clades. The presence of a sauropod in late Turonian sediments, also from Iembe, suggests that this animal was tolerant of warm, arid conditions as the desert elephants of Namibia are today. Further, it suggests that the waning terrestrial dispersal route between South America and Africa was situated in a region where high temperature, low rainfall, and sparse vegetation would be expected to restrict the movement of more mesic and ecologically sensitive species..

Diversidade de pegadas do Jurássico Superior de Portugal

Portugal tem uma incrível diversidade de pegadas de dinossauro. Neste artigo publicado na revista Lethaia, divulgamos mais umas pegadas, que incluem várias de saurópode, terópode, estegossauro. Algumas têm marcas da pele ou mesmo da inserção da garra no dedo.
A de terópode é enorme, sendo uma das maiores pegadas de um dinossauro carnívoro do Jurássico.

O Mateus, J Milàn (2009) A diverse Upper Jurassic dinosaur ichnofauna from central-west Portugal Lethaia 10.1111/j.1502-3931.2009.00190.x:
Abstract: A newly discovered dinosaur track-assemblage from the Upper Jurassic Lourinhã Formation (Lusitanian Basin, central-west Portugal), comprises medium- to large-sized sauropod tracks with well-preserved impressions of soft tissue anatomy, stegosaur tracks and tracks from medium- to large-sized theropods. The 400-m-thick Lourinhã Formation consists of mostly aluvial sediments, deposited during the early rifting of the Atlantic Ocean in the Kimmeridgian and Tithonian. The stratigraphic succession shows several shifts between flood-plain mud and fluvial sands that favour preservation and fossilization of tracks. The studied track-assemblage is found preserved as natural casts on the underside of a thin bivalve-rich carbonate bed near the Tithonian–Kimmeridgian boundary. The diversity of the tracks from the new track assemblage is compared with similar faunas from the Upper Jurassic of Asturias, Spain and the Middle Jurassic Yorkshire Coast of England. The Portuguese record of Upper Jurassic dinosaur body fossils show close similarity to the track fauna from the Lourinhã Formation.


Quarta-feira, Novembro 04, 2009

Extinção

Documentário espectacular: HOME

O documentário intitulado "Home" é seguramente o documentário com a melhor fotografia que eu já vi. Tem fantásticas imagens de geologia . Conta-nos sobre a nossa casa, o planeta Terra, mostrando bem o nosso papel no globo.

É um filme a não perder e está integralmente disponível no Youtube em: http://www.youtube.com/watch?v=jqxENMKaeCU (cerca de 1h30min.)

O trailer, de apenas de 2:27 min., dá um resumo:




Terça-feira, Novembro 03, 2009

Teia de aranha do Cretáceo chegou aos nossos dias

Teia de aranha do Cretáceo chegou aos nossos dias


Cientistas da Universidade de Oxford publicam artigo no «Journal of the Geological Society»

2009-11-02

Fios da teia de aranha do Cretáceo
Fios da teia de aranha do Cretáceo
Foi identificada a teia de aranha mais antiga até agora encontrada. Cientistas da Universidade de Oxford tiveram a sorte de lhes ir cair nas mãos esta preciosidade encontrada por um grupo de «caçadores de fósseis».

Na zona de Sussex, muito propícia a revelar vestígios de dinossauros, o grupo deparou-se com um estranho âmbar que entregou ao investigador Martin Brasier. Do início do Cretáceo, este raro âmbar continha, além dos fios da teia, excrementos de insectos, micróbios e matéria vegetal. O estudo foi agora publicado «Journal of the Geological Society».

No Cretáceo inferior o planeta era um lugar muito mais quente do que hoje e os dinossauros ainda dominavam. No entanto, assegura Brasier, as aranhas desta época são familiares directas das actuais e comuns aranhas de jardim: “Distinguem-se por deixarem poucas gotas de cola ao longo dos fios da teia para poderem capturar as suas presas”.

A teia chegou até aos nossos dias porque ficou presa em resina de árvores. Provavelmente devido a danos causados por um incêndio. O âmbar acabou por se ir afundar num grande lago e só agora, depois de muitos anos de erosão e de elevação do terreno, regressou à superfície.

Até ao momento, apenas uma parte do depósito foi analisado. Os cientistas de Oxford acreditam que ainda podem encontrar elementos muito interessantes, até porque estão a utilizar novas técnicas de imagem utilizadas na paleontologia.

Artigo: First report of amber with spider webs and microbial inclusions from the earliest Cretaceous (c. 140 Ma) of Hastings, Sussex

Fonte: Ciência Hoje

Sábado, Outubro 24, 2009

Maior concentração de pegadas de dinossauros descoberta em França

PUBLICO.PT - Maior concentração de pegadas de dinossauros descoberta em França


Na região de Jura

Maior concentração de pegadas de dinossauros descoberta em França

06.10.2009 - 16:57 Por PÚBLICO, com agências


A maior concentração de pegadas de dinossauros conhecida até hoje, correspondendo a animais pesando 30 ou 40 toneladas, foi descoberta na região de Jura, em França, por paleontólogos de Lyon, anunciou o Centro Nacional de Investigação Científica - CNRS.

Hubert Raguet/CNRS Photothèque

Algumas das pegadas descobertas em Plagne

Descobertas em Abril, em Plagne, por dois naturalistas amadores, as pegadas "são de um tamanho muito grande, podendo chegar a 1,20, 1,50 m de diâmetro", segundo o CNRS. As marcas foram conservadas numa camada calcária, com 150 milhões de anos, "período durante o qual a zona estava coberta por um mar quente e pouco profundo", segundo Jean-Pierre Mazin e Pierre Hantzpergue, do laboratório Paléoenvironnements e Paléobiosphères da Universidade de Lyon 1, que avaliaram o site.

“A descoberta destas pegadas mostra que os saurópodes (grandes dinossauros quadrúpedes e herbívoros) habitaram esta região durante uma fase de descida do nível do mar”, afirmam os especialistas. “Segundo a primeira avaliação dos investigadores, estes vestígios de dinossauro são os maiores conhecidos até hoje”, diz o CNRS. “Além disso, os trilhos formados por estas pegadas estendem-se sobre dezenas ou centenas de metros. As escavações mais importantes serão conduzidas nos próximos anos e poderão revelar o sítio de Plagne como um dos mais vastos e conhecidos do mundo", refere ainda o CNRS.

«Maravilhas» da geologia portuguesa em exposição

«Maravilhas» da geologia portuguesa em exposição

(fonte: Ciência Hoje, 2009-10-21)


De 27 de Outubro a 30 de Abril de 2010


de anos na actual zona de Chelas estará em exposição" align="right" style="padding-top: 0px; padding-right: 0px; padding-bottom: 0px; padding-left: 0px; margin-top: 0px; margin-right: 0px; margin-bottom: 0px; margin-left: 0px; border-top-width: 0px; border-right-width: 0px; border-bottom-width: 0px; border-left-width: 0px; border-style: initial; border-color: initial; border-style: initial; border-color: initial; border-style: initial; border-color: initial; ">
O crânio de um super-crocodilo que viveu há 12 milhões
de anos na actual zona de Chelas estará em exposição
As mais notáveis peças das colecções portuguesas de paleontologia, de arqueologia pré-histórica e de mineralogia vão estar expostas ao público no Museu Geológico de Portugal, em Lisboa, de 27 de Outubro a 30 de Abril de 2010.

Intitulada “As 27 primeiras maravilhas do Museu Geológico de Portugal”, esta exposição pretende dar a conhecer excepcionais testemunhos da história do território português e dos antepassados, animais e plantas que nele viveram ao longo de milhões de anos.

“Quando já tanto se falou das maravilhas do Mundo e de Portugal, julgamos oportuno trazer a público outro tipo de “maravilhas” cuja dificuldade esteve em escolher 27 por entre tantas”, sublinhou a organização da exposição.

Entre as relíquias expostas, os visitantes poderão admirar o Meteorito do Monte das Fortes (caído em Portugal em 1950), a Bacia de um Omosaurus lennieri (dinossauro herbívoro encontrado na zona de Lourinhã-Peniche-Caldas da Rainha) e o crânio de um super-crocodilo que viveu há 12 milhões de anos na actual zona de Chelas.

Estarão também patentes uma árvore com cinco milhões de anos, uma flor com 470 milhões de anos, o fóssil de cão que viveu há seis mil anos e objectos de há cinco mil anos a.C, descobertas que resultaram do trabalho de sucessivas gerações de investigadores e técnicos, que começou há mais de 150 anos.

Sexta-feira, Outubro 23, 2009

Tabela cronológica 2009


A nova escala temporal (ou cronoestratigráfica) das eras geológicas publicada regularmente pela Geological Society of America já saiu. É um instrumento útil a todos os geólogos.

Cá vai (2009 Geological Time Scale):


E aproveito também para deixar dois outros exemplos curiosos de esquemas cronológicos:


Infelizmente tinha as imagens no meu PC há já algum tempo e não registei a fonte nem autoria. Que me desculpem os autores.


Quarta-feira, Outubro 21, 2009

Os Eurodeputados que temos! Demita-se Sr. Mário David

Estou chocado com a posição do Eurodeputado do PSD, Mário David, em resposta aos comentários de José Saramago. Escreve Mário David no seu blog: "José Saramago, há uns anos, fez a ameaça de renunciar à cidadania portuguesa. Na altura, pensei quão ignóbil era esta atitude. Hoje, peço-lhe que a concretize... E depressa! Tenho vergonha de o ter como compatriota!"
Sr. Eurodeputado Mário David... tal afirmação mostra uma inaceitável intolerância vinda de alguém que tem responsabilidades de representar os Portugueses, e revela uma mentalidade controladora e pequena. Tenho vergonha de o ter como meu representante. Devia demitir-se... e depressa!

Mas eu até compreendo a perspectiva do Sr. Eurodeputado, porque diz a Bíblia: "Aquele que proferir blasfémias contra o nome do Senhor, será punido com a morte e toda a comunidade o apedrejará" (Bíblia, Levítico 25)
ou ainda
"Eu, o Senhor, teu deus, sou um deus zeloso, que castigo o pecado dos pais nos filhos até à terceira e à quarta geração, para aqueles que me odeiam" (Bília, Êxodo 20).

Segundo o "Livro Sagrado", deveremos todos apedrejar Saramago.
Mas não terá razão José Saramago no que diz sobre a Bíblia?
O deus do Antigo Testamento diz claramente: "Qualquer homem ou mulher que evocar os espíritos ou fizer adivinhações, será morto" (Bíblia, Levítico 20) ou "Quando um homem for surpreendido a dormir com uma mulher casada, ambos deverão morrer" (Bíblia, Deutrónimo 22). Estas frases em qualquer outro documento seriam consideradas execráveis. Mas estão na Bíblia que a maioria acha um manual de bons costumes. Sr. Eurodeputado, leia a bíblia e veja se é essa a moral que defende mesmo.


Quinta-feira, Outubro 15, 2009

Visitas guiadas do Museu da Lourinhã

Informação sobre as visitas guiadas organizadas pelo Museu da Lourinhã ao museu e ao campo, dedicadas às escolas (texto da responsabilidade do Museu da Lourinhã www.museulourinha.org)


Visitas de estudo
O Concelho da Lourinhã, o mais a norte do Distrito de Lisboa, é um local privilegiado para a compreensão e aquisição de conhecimentos sobre a história da Terra.
A era geológica dos terrenos em que se situa, a existência de praias com arribas, verdadeiras “janelas” para o passado, faz dele o concelho mais produtivo em fósseis do Jurássico Superior da Europa. No Museu da Lourinhã procuramos oferecer aos visitantes uma experiência mais rica, que não se limite à simples exposição de peças de interesse cultural, histórico e científico.
Para tal efectuamos pesquisa, investigação e preparação, partilhando com o público o conhecimento daí resultante e, em alguns casos, também o processo, de modo a revelar de uma forma clara e intuitiva o que está por detrás de cada objecto. O Museu possui o único laboratório
de preparação de fósseis que, em Portugal, se dedica a tempo inteiro a essa tarefa, e que pode ser visto em laboração. Com o mesmo objectivo de divulgação e compreensão, também promovemos visitas guiadas a locais seleccionados no campo para que os nossos visitantes se apercebam de como se chega ao conhecimento que se tem sobre os dinossauros ou outros fósseis.
A relevância deste “serviço educativo” tem vindo a consolidar-se ao longo dos últimos anos, verificando-se que durante o ano lectivo de 2008-2009 foram mais de uma centena as escolas que a ele recorreram, proporcionando a visita a um universo de alunos que ultrapassou os oito milhares.

Visita ao Museu da Lourinhã
O Museu da Lourinhã é a principal realização do GEAL – Grupo de Etnologia e Arqueologia da Lourinhã, uma associação sem fins lucrativos, cujos objectivos incluem três áreas temáticas principais: a Etnografia, a Arqueologia e a Paleontologia. O Museu proporciona visitas guiadas que vão ao encontro da temática da visita de estudo e se adaptam ao nível de conhecimento dos visitantes.
Arqueologia
Na secção de arqueologia mostram-se alguns dos instrumentos trabalhados pelo Homem, desde o paleolítico, e evidenciam-se as principais alterações que o Homem tem vindo a sofrer desde então.
Etnografia
A etnografia oferece a oportunidade de examinar ferramentas e métodos de trabalho de várias profissões, algumas já desaparecidas, permitindo assim reviver um passado recente, em diversas áreas da vida quotidiana.
Paleontologia
O pavilhão da paleontologia, onde se encontram os dinossauros, é um dos pontos preferidos dos visitantes. No conjunto dos seus dois pisos é, em Portugal, o local com maior número de dinossauros expostos, permitindo apercebermo-nos da grandeza e diversidade destes animais.

Visita ao Campo
A maior parte das jazidas de dinossauros situam-se na costa do Concelho da Lourinhã, nas arribas, nas falésias junto ao mar, por vezes inacessíveis por carro, e só facilmente visitáveis com boas condições climatéricas.
Por isso o Museu da Lourinhã selecciona os locais das visitas de estudo ao campo, preparando-as de modo a serem mais que uma visita aos locais de escavação dos dinossauros.
As visitas privilegiam as praias onde foram encontrados registos fósseis de dinossauros, com fácil acesso e estacionamento para automóveis e autocarros.
Entre estas contam-se as praias de Caniçal, Paimogo e Consolação.
Praias de Caniçal e Paimogo
Nestas praias há evidências de vários processos geológicos.
Por exemplo, uma arriba estratificada onde foram encontrados fósseis de dinossauro, agora
expostos no Museu. São visíveis fenómenos de formação do relevo, tais como dobras e pendor,
inclinação de camadas primitivamente horizontais, e ainda falhas de continuidade, designadamente, um dique magmático.
A norte de Paimogo foi descoberto, em 1993, um ninho de ovos de dinossauro, que é o maior ninho jurássico do mundo e o único da Europa que contém ossos de embrião.
Praia da Consolação
Na praia da Consolação, já no Concelho de Peniche, pode observar-se uma arriba com plataforma de abrasão, onde se encontram milhares de fósseis de invertebrados, predominando os bivalves e as colónias de corais.




Entrada (marcações):
Secretaria:
Fax:
261 414 003
261 413 995
261 423 887
www.museulourinha.org
geral@museulourinha.org
Horário
Manhã: 10:00 às 13:00
Tarde: 14:30 às 18:00
Última entrada 30 minutos antes de encerrar
Encerrado à segunda-feira para o público em geral e nos
feriados da época baixa (Outubro a Maio)
Preçário de Visitas Simples Guiada *
> 12 anos € 4,00 € 5,00
6 aos 12 anos e > 65
Grupos
€ 2,00 € 3,00
Cartão jovem
Cartão de estudante
€ 3,00 €4,00
<>
Professores e Jornalistas
Gratuito € 1,00

Sexta-feira, Setembro 18, 2009

Etimologia dos dinossauros portugueses

Etimologia (origem e significado do nome) dos dinossauros portugueses:



Allosaurus europaeus: Largarto diferente, europeu
Alocodon kuehnei: Dente com ranhuras; dedicado a Kühne
Apatosaurus: lagarto enganador
Archaeopteryx: Asa primitiva
Aviatyrannis jurassica: Do latim, Avia = avó; tyrannis forma do genitivo tyrannus, tirano; jurassica refere a idade
Ceratosaurus: Lagarto de cornos
Compsognathus: Mandíbula elegante
Dacentrurus armatus: Cauda de muitos espinhos, armada
Dinheirosaurus lourinhanensis: Lagarto de [Praia de Porto] Dinheiro, Lourinhã
Draconyx loureiroi: Dragão de garras; [dedicado a João de] Loureiro
Dracopelta zbyszewskii: Dragão com escudo; [dedicado a Georges] Zbyszewski
Euronychodon portucalensis: "Paronychodon" europeu, português
Hypsilophodon: Dente de Hypsilophus
Iguanodon: Dente de Iguana
Lourinhanosaurus antunesi: Lagarto da Lourinhã [antiga Lourinhan]; dedicado a [Miguel Telles] Antunes
Lourinhasaurus alenquerensis: Lagarto da Lourinhã, e de Alenquer
Lusitanosaurus liasicus: Lagarto lusitano, do Liásico [Jurássico Inferior]
Lusotitan atalaiensis: Titã lusitano, da Atalaia [Lourinhã]
Miragaia longicollum: Miragaia [aldeia do concelho da Lourinhã, onde foi descoberto], mas também significa "bela Gaia" [deusa da Terra], de pescoço longo.
Paronychodon: Dente quase em forma de garra
Phyllodon henkeli: Dente como folha; dedicado a [Siegfried] Henkel
Pleurocoelus: pleuro= lateral, costela + coelus = abertura, orifício, buraco
Stegosaurus: telhas + lagarto
Taveirosaurus costai: Lagarto de Taveiro; dedicado a [J. Carrington da] Costa
Torvosaurus tanneri: Lagarto selvagem, [dedicado a] Tanner.
Trimucrodon cuneatus: Dente de três pontas, triangular

Quarta-feira, Setembro 09, 2009

2009 Darwin Annus Mirabilis






2009 é um ano especial para os estudiosos da obra de Charles Darwin. Comemora-se o bicentenário do seu nascimento (12 de Fevereiro 1809) e os cento e cinquenta anos da publicação da sua obra seminal “A Origem das Espécies” (24 Novembro 1859). Contudo, antes de me debruçar sobre estas efemérides, gostaria de assinalar que 2009 também marca o bicentenário de outras figuras dignas de enaltecimento, como Alfred Tennyson, Abraham Lincoln (nascido, curiosamente, no mesmo dia de Darwin), Edgar Allan Poe, Louis Braille, William Gladstone, entre muitos outros. Em relação a Darwin, são de louvar as inúmeras iniciativas nacionais e internacionais de grande mérito destinadas a estimular a curiosidade científica e a celebrar o legado deste sagaz naturalista inglês, cuja inquietude intelectual ainda hoje atravessa as fronteiras dos domínios científicos. Este post pretende divulgar mais um desses eventos, organizado pela Faculdade de Letras da Universidade do Porto/CETAPS, e que tem por objectivo facilitar um diálogo inter e multi disciplinar sobre o impacto Darwiniano e as suas repercussões, mais ou menos controversas. Decorrerá no Porto, entre 4 e 5 de Dezembro, e contará com participantes de renome nacional e internacional. Destaco aqui as contribuições dos seguintes convidados:

- Ana Leonor Pereira (UC): Historiadora e investigadora especializada na história das ideias, história e sociologia da cultura, história da cultura científica, história da medicina, da farmácia e das ciências da vida. Autora de diversos trabalhos científicos sobre o Darwinismo em Portugal, entre os quais Darwin em Portugal: Filosofia. História. Engenharia Social 1865-1914 (2001).
- David Amigoni (Keele, UK): Professor de Literatura Vitoriana com especial interesse na relação entre literatura e ciência, neo-Darwinismo e genética. Editor de Charles Darwin's Origin of Species: New Interdisciplinary Essays (1995) e mais recentemente Colonies, Cults and Evolution: Literature, Science and Culture in Nineteenth-Century Writing (2007).
- Filipe Furtado (FCSH-UNL): Especialista em estudos culturais ingleses, pensamento político, estético, filosófico e científico Vitoriano, ciência política e relações internacionais. Autor de inúmeros trabalhos científicos sobre Darwin.
- João Cabral (FCUP): Historiador e Botânico, especialista nas contribuições de Darwin na botânica do séc. XIX.
- John Van Wyhe (Cambridge, UK): Historiador da Ciência, fundador e director do site “The Complete Works of Charles Darwin Online”, o maior recurso sobre Darwin existente, com cerca de 78,000 páginas de texto de 188,000 imagens de todas as obras de Darwin publicadas. Membro da Sociedade Britânica para a História da Ciência. Recentemente, desafiou a ideia de que Darwin optou por adiar a publicação da Origem das Espécies por mais de 20 anos.
- Jorge Vieira (IBMC): Biólogo e investigador principal do grupo de Evolução Molecular no Instituto de Biologia Molecular e Celular, no Porto.
- Maria Teresa Malafaia (UL): Professora de Literatura Inglesa, especializada em estudos Vitorianos e Darwinismo Social. Autora de diversos trabalhos científicos sobre Darwin.
- Nuno Ferrand (CIBIO – UP): Biólogo, investigador e coordenador do Centro de Investigação em Biodiversidade e Recursos Genéticos, no Porto.
- Octávio Mateus (FCT-UNL/Museu da Lourinhã): Biólogo e Paleontólogo, especialista em dinossauros. Autor de vários artigos científicos nas revistas nacionais e internacionais da especialidade, incluindo na prestigiada revista Nature.

A cfp pode ser acedida no seguinte link: http://sigarra.up.pt/flup/noticias_geral.ver_noticia?p_nr=2711 Todos os interessados são convidados a participar, com ou sem apresentação de comunicação. Aceitam-se propostas nos mais variados campos de investigação, desde ciências naturais, sociais, literatura, artes visuais, religião, filosofia, política, relações culturais, etc. O prazo para entrega de propostas é 15 de Outubro.

O texto acima é da nossa convidada especial Sara Silva, organizadora do encontro.



Sexta-feira, Setembro 04, 2009

PaleoAngola

O Projecto PaleoAngola na BBC!
Agora estou encarregado dos plesiossauros de Angola. Preparem-se!

Domingo, Agosto 16, 2009

7º Mini Simpósio de Paleontologia no Museu da Lourinhã

Na segunda-feira temos uma séria de palestras de paleontologia, no Museu da Lourinhã, organizados num mini-simpósio, informal e aberto ao público... apareçam!


7º Mini Simpósio de Paleontologia
Segunda-feira, 17 de Agosto de 2009, pelas 14:30

Local: Museu da Lourinhã
Palestras:
Plesiosaurs, Mesozoic marine monsters
Adam Smith, National Museum, Ireland

Spinosaurids, fish eating dinosaurs
Christophe Hendrickx, Bristol University, United Kingdom

Dinosaur tracks from Portugal
Octávio Mateus,Universidade Nova de Lisboa e Museu da Lourinhã, Portugal

Sauropod feeding biomechanics
Matt Larvan, Think Thank Science Museum, United Kingdom

Fossil vertebrates from Mozambique
Rui Castanhinha e Ricardo Araújo, Universidade Nova de Lisboa e Museu da Lourinhã, Portugal

Portuguese Miocene Echinoderms
Bruno Pereira, Museu da Lourinhã e Faculdade de Ciências da Universidade de Lisboa, Portugal

Preparação de fósseis no Museu da Lourinhã
Alexandra Tomás, Museu da Lourinhã, Portugal



Museu da Lourinhã, www.museulourinha.org

O Museu está fechado na Segunda-feira, pelo que a entrada é pela porta lateral, na Rua Prof. Miguel Telles Antunes.

Terça-feira, Agosto 04, 2009

Fotos Moçambique - Projecto PalNiassa 2009


Moçambique é uma "terra de boa gente", disse Vasco da Gama - tinha razão! Pessoas afáveis, generosas, humildes e alegres... o que é que podíamos querer mais. Só mesmo fósseis... e bom, só para "chatear" até encontrámos e não foi pouco. Quando se está num país em que é notícia comum nos jornais "hipopótmamos destroem machambas", a proximidade com a natureza não podia ser mais evidente... Desde calaus vermelhos até aos comuns babuínos, Moçambique pulsa de uma natureza farta. Saí de lá e já tenho vontade de regressar!

Sábado, Julho 25, 2009

Fotos de Angola II

Mais umas fotografias de Angola:


Bico-de-serra vermelho (Tockus erythrhynchus)


Colhereiro africano (Platalea alba)


Amonite cretácica (tal como foi descoberta)


Camião em chamas na estrada Sumbe-Luanda.


Garça-real (Ardea cinerea) na Praia da Caota

A linda Praia da Caota


Ambriz (antiga Câmara Municipal)

Fotos de Angola I

Ponho aqui algumas fotos (não paleontológicas) da expedição a Angola:


Bico-de-serra amarelo (Tockus flavirostris)


Embondeiro, uma árvore emblemática de África sub-sahariana


Crianças na aldeia de Iembe

Como procurar fósseis?

Uma das perguntas mais frequentes que me fazem é "como sabem onde procurar?" ou "como procurar fósseis?". A escolha do local prende-se com o conhecimento da geologia da região. Dependendo do que se procura, escolhe-se o tipo e idade das rochas. Por exemplo, se quisermos dinossauros, procuram-se rochas sedimentares do Mesozóico (Triásico, Jurássico ou Cretácico) formadas em ambientes continentais, mas se quisermos encontrar baleias fósseis procuramos terrenos marinhos do Cenozóico.
Uma vez localizada a área, é preciso prospectar, cobrindo vastas áreas à procura dos primeiros vestígios que justifiquem uma recolha ou escavação.

Este vídeo, feito por mim, mostra a imensidão dos afloramentos cretácicos durante a procura de fósseis em Angola:


Nova rotunda com dinossauros na Lourinhã

Réplica da notícia do Jornal Alvorada:


Nova obra resulta do entendimento de três entidades do concelho da Lourinhã: Rotunda assinala Capital dos Dinossauros

Última alteração dia
2009-07-25 às 00:00:00


Imprimir NotíciaNova obra resulta do entendimento de três entidades do concelho da Lourinhã: Rotunda assinala Capital dos Dinossauros

Esta rotunda surge porque há Museu na Lourinhã”, justificou publicamente o presidente da direcção do GEAL, Hernâni Mergulhão, na breve cerimónia de inauguração da Rotunda dos Dinossauros, localizada na entrada da sede do concelho e defronte do Centro Coordenador Rodoviário.


Foi a consonância dos interesses entre o GEAL e a Câmara Municipal, materializada pela empresa lourinhanense Louritex, que permitiu a construção da representação de um espaço público que contribui no reforço da Lourinhã como a “Capital dos Dinossauros”. No mesmo dia em que se assinalava o feriado municipal, o dirigente associativo destacou a riqueza paleontológica existente no concelho e enalteceu as “pessoas que são capazes de os descobrir (os dinossauros) e desenvolver conhecimento científico em torno disso”. Hernâni Mergulhão acredita que esta rotunda evitará que, quem passar pela Lourinhã, não se aperceba que “esta é a terra dos dinossauros”.

Também José Manuel Custódio destacou a colaboração com o GEAL, num dia em que assinalou o 25º aniversário do Museu da Lourinhã. “É sinal de que nos entendemos e sabemos o quão necessário é dar valor ao movimento associativo”, sublinhou o autarca, tendo destacado o trabalho desenvolvido pelo casal Mateus em defesa da actividade do GEAL.

Visivelmente orgulhoso por inaugurar a nova imagem da principal rotunda do concelho, o edil destacou o facto de ter sido uma empresa lourinhanense a responsável pela sua concretização, a Louritex, após a utilização dos desenhos técnicos da autoria do paleontólogo Octávio Mateus. “A Louritex é uma empresa familiar que tem suportado as crises e conseguido ser inovadora, e muito tem feito pela Lourinhã em termos da criação de emprego”, elogiou José Manuel Custódio. E prometeu que o processo que levará à construção do Parque Jurássico “não está adormecido mas bem vivo”.

Pelo reconhecimento internacional que o concelho tem merecido, e que muito deve ao trabalho desenvolvido pelo GEAL, o presidente do município elogiou publicamente o trabalho desenvolvido por Octávio Mateus ao longo dos anos. “Tem sido um elemento preponderante nisto tudo”, destacando o trabalho além fronteiras desenvolvido pelo jovem investigador e que, desta forma, leva o nome do concelho a muitos recantos do mundo. E prometeu continuar de “mãos dadas” com o GEAL. Ao acto inaugural da nova Rotunda dos Dinossauros, ocorrido no passado dia 24 de Junho, associou-se o secretário de Estado da Ciência, do Ensino Superior e da Tecnologia, que representou o ministro Mariano Gago, que neste dia estava nos Açores. Manuel Heitor sublinhou o reconhecimento público que o nosso concelho tem tido por parte das comunidades científicas e, concretamente, do turismo científico em torno da riqueza paleontológica do concelho. “Estamos aqui para demonstrar o apoio do Governo em fazer da Lourinhã um pólo de atracção de cientistas sobretudo daqueles que trabalham na paleontologia, assim como na divulgação da cultura científica”, frisou o representante governamental, numa alusão à construção quer do Parque Jurássico, quer do Museu da Ciência e da Tecnologia. Em nome do ministro Mariano Gago, elogiou igualmente o trabalho científico desenvolvido por Octávio Mateus.

Paleo Angola


De regresso a Portugal, vindo de Angola, cheio de aventuras paleontológicas para contar.

Mas para já, deixo apenas uma foto do espectacular Miradouro da Lua.

Domingo, Junho 28, 2009

Investigadores do Museu da Lourinhã em peso em África

Ricardo Araújo e Rui Castanhinha vão para Moçambique; Octávio Mateus para Angola... parece que aprendemos bem a lição de Louis Jacobs no seu livro "In the Quest for African Dinosaurs". De facto, a paleontologia africana é um mundo por descobrir e há mais de meio século que algumas formações não são olhadas com o olho "clínico" de paleontólogos. Alea jacta est! Aqui vamos nós!

Sexta-feira, Junho 26, 2009

O tamanho dos dinossauros


Saiu na comunicação social, vários os comentários sobre um estudo liderado por G. Packard "Allometric equations for predicting body mass of dinosaurs" publicado no Journal of Zoology, alegando que os cientistas se tinham enganado redondamente e exagerado o peso dos dinossauros.
Seguramente tem havido exageros na indicação da massa e comprimentos dos dinossauros, sobretudo na comunicação social. Contudo, o caso muda de figura se olharmos para os artigos científicos. Estes variam muito entre si mas alguns apontam valores que, nalguns casos, abrangem os apresentados por Packard et al (2009).

Replico aqui as respostas às perguntas feitas pelo jornalista Mário Gil, do Correio da Manhã, que deverão sair amanhã, sábado.
1- O modelo estatístico utilizado desde há 25 anos para calcular o peso dos dinossauros é agora considerado defeituoso. Concorda?

O modelo agora proposto é complexo e teria de o estudar em detalhe para o testar devidamente. Contudo, a estimativa do peso dos dinossauros sempre foi muito complexa e abordada de diferentes maneiras. Há trabalhos realizados nas últimas décadas nos quais os investigadores usam estimativas matemáticas, outros usam versões corporais em computador, outros ainda estimam o volume através de modelos plásticos à escala, e até digitalizações a laser dos esqueletos fósseis, o que resulta em valores muito díspares.
O dinossauro Apatosaurus já tinha sido estimado de 22 a 44 toneladas de peso, valor acima das 18 toneladas que este novo estudo indica, mas no caso do dinossauro Opisthocoelicaudia tinha sido sugerido num estudo de 1997 o peso de 10,5 toneladas, enquanto que este novo estudo sugere 13 toneladas. Como se vê, o modelo estatístico agora sugerido vem apresentar resultados médios inferiores aos habituais, mas não criticamente diferentes.
2 - Os cientistas têm consciência que exageraram no peso dos dinossauros?

A estimativa do peso dos animais fósseis a partir de ossos é difícil. Sobretudo nos maiores dinossauro, os saurópodes, que hoje sabemos que tinham as vértebras e o corpo recheado de sacos de ar que lhe reduziam o peso, mas mantinham o grande volume. Isso dificulta as estimativas de peso corporal.
Eu suspeito que, em alguns caso, as dimensões dos maiores dinossauros têm sido exageradas, sobretudo quando não temos os esqueletos completos, e talvez instigados pela comunicação social que procura sempre pelo maior e o mais pesado. Contudo, a maior parte dos estudos têm sido fidedignos.


3 - Um modelo corrigido vai ter importantes implicações na biologia dos dinossauros, como formas de locomoção ou necessidades alimentares?

Qualquer que seja a massa corporal dos dinossauros, isso terá implicações na sua biologia, pois altera o que pensamos ser a necessidade alimentar, metabolismo, mecânica da locomoção e até temperatura corporal.

Quinta-feira, Junho 25, 2009

Menções Honrosas de Ilustrações, CIID 2009






Este post vale pelas imagens, que são as vencedoras de Menções Honrosas do Concurso Internacional de Ilustração de Dinossauros (CIID) 2009.

Prémio de Ilustração de Dinossauros CIID 2009 vai para Itália

O 1º prémio do Concurso Internacional de Ilustração de Dinossauros (CIID), organizado pelo Museu da Lourinhã, vai para Itália.

Esta sexta edição do CIID foi a mais concorrida de todas: 140 obras de 71 artistas de 22 países.

O Júri era composto por:

Fernando Correia
Biólogo, ilustrador científico
José Projecto
Pintor
Miguel Telles Antunes
Paleontólogo
Nuno Farinha
Biólogo, ilustrador científico
Octávio Mateus
Paleontólogo, organização
Simão Mateus
Ilustrador, organização

E os vencedores foram:

1º prémio:
Fabio Pastori, Itália

2º prémio
Dino Pulerà, Canadá

3º Prémio:
Davide Bonadonna, Itália

Menções honrosas
Andrew Atuchin, Rússia
Manuel Morgado, Portugal
Ville Veikko Sinkkonen, Finlândia
Rodolfo Ribeiro, Brasil
Filipe Elias, Brasil

Os vencedores recebem 1000€, 500€ e 250 € para o 1º, 2º e 3º prémio, respectivamente.


Segunda-feira, Junho 22, 2009

Concurso Internacional de Ilustração de Dinossauros: resultados a dia 24 de Junho




No 25º aniversário do Museu da Lourinhã (quarta-feira, 24 de Junho de 2009), haverá a divulgação dos resultados e entrega dos prémios do 6º Concurso Internacional de Ilustração de Dinossauros, que este ano foi um sucesso: 140 Ilustrações recebidas de 71 autores de 22 países.
Uma boa maioria das imagens são de excelente qualidade, tal como demonstram os exemplos aqui apresentados.

As ilustrações estarão em exposição até dia 28 de Junho no Centro Cultural da Lourinhã.

Pelas 16h00 de quarta-feira, 24 de Junho de 2009, será a entrega dos prémios, e por volta das 18h00 haverá uma palestra sobre ilustração científica de dinossauros pelo vencedor do concurso. Os amantes da ilustração científica não podem perder esta palestra.



As ilustrações deste post foram objecto do concurso e são da autoria de:
Davide Bonadonna, Fabio Pastori e Filipe Elias, respectivamente.

Património Paleontológico do Museu da Lourinhã


Aproveito o 25º aniversário do Museu da Lourinhã para replicar o meu resumo apresentado na Conferência de Geocolecções, e publicado no Journal of Paleontological Techniques:

O Museu da Lourinhã, situado na Vila da Lourinhã (Portugal), é gerido por uma associação sem fins lucrativos de utilidade pública, o GEAL-Grupo de Etnologia e Arqueologia da Lourinhã. Possui uma rica colecção de paleontologia, sobretudo de dinossauros do Jurássico superior da Formação da Lourinhã (Kimmeridgiano-Titoniano). A colecção de paleontologia começou a formar-se em 1979-80, mesmo antes do início legal da associação GEAL. Destacam-se os seguintes espécimes: ML433, parte anterior de um esqueleto, incluindo parte do crânio, que corresponde ao holótipo do estegossauro Miragaia longicollum Mateus, Maidment e Christiansen 2009; ML370, esqueleto parcial (membros posteriores e vértebras) que corresponde ao holótipo do terópode Lourinhanosaurus antunesiMateus 1998; ML414, vértebras e costelas cervicais e dorsais do saurópode Dinheirosaurus lourinhanensis Bonaparte e Mateus 1999 (holótipo); ML357, (holótipo) dentes, vértebras, partes de membros anteriores e posteriores de ornitópode camptossaurídeo Draconyx loureiroi Mateus e Antunes 2003; ML415, crânio (holótipo) de Allosaurus europaeus Mateus, Antunes e Walen 2007; ML368, membro anterior de saurópode Turiasaurus riodevensis Royo-Torres, Cobos e Alcalá 2006; ML351, perónio, sacro e cauda de cf.Lourinhasaurus alenquerensis (Lapparent e Zbyszewski, 1957); ML565, ninho como ovos e embriões de Lourinhanosaurus; ML1100, maxilar esquerdo de terópode Torvosaurus tanneri; e ML1357, hemimandíbula (holótipo) mamífero Kuehneodon hahniAntunes, 1998.

A destacar, a colecção engloba ainda: i) um conjunto de pegadas de dinossauros terópodes, saurópodes, ornitópodes e estegossauros, ii) colecção de referência de bivalves e outros invertebrados; dentes e material ósseo de seláceos, osteiíctios, albanerptontídeos, anuros, crocodilomorfos, lagartos, plesiossauros, pterossauros e mamíferos do Jurássico Superior de Portugal, iii) fósseis de outras idades e proveniências.


Referência: Mateus, O. (2009). COLECÇÕES PALEONTOLÓGICAS DO MUSEU DA LOURINHÃ (PORTUGAL). Journal of Paleontological Techniques, 6: 18-19.

Museu da Lourinhã faz 25 anos


O Museu da Lourinhã comemora o seu 25º aniversário na próxima quarta-feira, dia 24 de Junho de 2009. Esta data é assinalável para um pequeno museu local, iniciado por um conjunto de amadores e aficionados pela cultura e ciência, e que agora é uma referência nacional no que respeita a paleontologia de dinossauros, com cerca de 20.000 visitantes por ano.

O Museu da Lourinhã compreende um espólio de paleontologia, etnografia e arquelogia de importância internacional, nacional e local, respectivamente. Na paleontologia destacam-se os ovos e embriões e os holótipos de estegossauro Miragaia longicollum, do terópode Lourinhanosaurus antunesi, do saurópode Dinheirosaurus lourinhanensis, do ornitópode camptossaurídeo Draconyx loureiroi , e do terópode Allosaurus europaeus.

Para celebrar o evento, haverá uma programa preenchido:

11h30

Inauguração de uma estátuta na rotunda mais movimentada da vila, alusiva aos dinossauros e de minha própria autoria.

15h30:

As individualidades históricas do Museu serão homenageadas.

Divulgação dos resultados e entrega dos prémios do 6º Concurso Internacional de Ilustração de Dinossauros 2009.

Será inaugurada um novo topónimo: Rua Professor Miguel Telles Antunes, na rua adjacente ao Museu da Lourinhã.

Palestra sobre ilustração de dinossauros pelo vencedor do concurso.


Parabéns Museu da Lourinhã

Segunda-feira, Junho 15, 2009

Fotografia Paleontológica: Introdução

Geralmente, é sempre preferível a ilustração científica à fotografia, mas, quando não se pode ilustrar (ou não se tem esse talento), há que dar o melhor uso possível à máquina fotográfica. Para tirar boas fotos o modo “Automático” não é suficiente… é necessário dominar alguns conceitos fundamentais da fotografia genérica e ter muita paciência. Alguns dos conceitos que têm de ser entendidos são: abertura do obturador, velocidade de exposição, exposição da fotografia, distância focal, sensibilidade do sensor, profundidade de campo, balanço de brancos... e pronto, acho que são esses os mais importantes! É verdade (!), a fotografia é uma tarefa complexa e cheia de variáveis que precisam de ser testadas, mas por isso mesmo representa um desafio interessante. Eu ainda sou um leigo na matéria, mas o pouco que sei pretendo, assim, transmitir a outros leigos. Antes de imergirmos nos conceitos fotográficos, há que pensar naquilo que pretendemos com a fotografia. Será uma fotografia para publicação? Será uma fotografia para rapidamente se fazer um levantamento fotográfico das colecções de um museu? Será uma fotografia que pretende ser artística? Será uma fotografia que irá registar o decurso de uma escavação ou da preparação de um espécime? Todas as fotografias têm os seus propósitos específicos, e, o tempo e qualidade dos materiais que despendemos nelas são directamente
proporcionais à qualidade final da fotografia. Ao longo de uma série de artigos focar-nos-emos principalmente na fotografia para publicação. É, talvez, a mais exigente mas também a que mais permite explorar as potencialidades infinitas de uma máquina fotográfica.Apesar da fotografia de fósseis ter especificidades aracterísticas não é, na sua essência, em nada diferente da fotografia dita genérica. Depende - como é claro - das dimensões dos fósseis; se são mandíbulas de
salamandras com dois milímetros de tamanho ou se são fémures de saurópodes com dois metros de comprimento. Em qualquer um dos casos podem ser usadas máquinas vulgares compactas ou máquinas que custam vários milhares de euros. A fotografia de fósseis é, graças à tecnologia actual, acessível a todos! O que falta é meter mãos à obra!

Publicado concomitantemente no Boletim do Museu da Lourinhã.

Darwin, Sexo e Dinossauros


Sendo 2009 o ano Darwin muito já se tem dito sobre o que o próprio escreveu acerca de imensa coisa, mas sobre dinossauros é muito escaço o material existente.
Aqui vos deixamos uma passagem do livro The Descent of Man, and Selection in Relation to Sex publicado em 1971. Esta obra teve felizmente uma novissima edição em Português que foi traduzida pela nossa colega Susana Varela. É um excelente livro histórico que vale a pena conhecer. Foi precisamente em 1971 que Darwin apresentou uma outra ideia absolutamente revolucionária: a Selecção Sexual. Pensar-se que as escolhas sexuais dos seres vivos poderiam desempenhar um papel fulcral na evolução de estruturas complexas ou extremamente bizarras era, sem sombra de dúvidas, algum de novo e mais uma vez foi um um choque tremendo. Lembem-se que o sexo foi (quase) sempre um tema tabu nas nossas sociedades ocidentais. A Inglaterra victoriana não era excepção, e vir dizer que quem tem o papel mais importante na escolha sexual é a fêmea... era, no mínimo, complicado. Charles Darwin sempre foi um homem do seu tempo nos costumes, mas quanto às suas ideias ciêntíficas esteve quase sempre à frente de todos os outros, é o melhor exemplo que conhecemos para provar que não é necessário ser-se excêntrico para se ser genial. E como qualquer cientista do seu tempo tambem se interessou por dinossauros, reparem então no que ele escreveu:

« Sabe-se que existiram, ou que ainda existem, grupos de animais que servem para ligar, com maior ou menor intensidade, várias das grandes classes de vertebrados. Vimos, por exemplo, que o ornitorrinco passa gradualmente para o lado dos répteis; e o Professor Huxley descobriu que os dinossauros estão, em muitas características importantes, numa posição intermédia entre certos répteis e certas aves – facto que foi confirmado pelo Sr. Cope e outros –, as quais pertencem à tribo das avestruzes (que evidentemente também são o último vestígio amplamente difundido de um grupo outrora mais vasto) e ao arqueoptérix, estranha ave secundária, com uma longa cauda semelhante à de um lagarto. Além disso, e de acordo com o Professor Owen, os ictiossauros – grandes répteis marinhos providos de barbatanas – apresentavam várias afinidades com os peixes, ou melhor, segundo Huxley, com os anfíbios; que são uma classe que, por incluir na sua divisão mais avançada as rãs e os sapos, é manifestamente aparentada com os peixes ganóides. Estes últimos abundavam durante os primeiros períodos geológicos, e eram formados segundo aquilo a que chamamos modelo generalizado, isto é, apresentavam diversas afinidades com outros grupos de organismos. O Lepidosiren, por exemplo, está tão intimamente ligado aos anfíbios e aos peixes que os naturalistas debateram longamente para decidir em qual destas classes o colocar; tanto ele como alguns peixes ganóides foram preservados de uma completa extinção por habitarem em rios que funcionam como pequenos portos de refúgio, visto que estão ligados às grandes águas dos oceanos da mesma maneira que as ilhas estão ligadas aos continentes. » Citação do livro "A Origem do Homem e a Selecção Sexual" de Charles Darwin, cap. 6, página 182.



É reconhecido todo o mérito aos paleontólogos Richard Owen e Edward D. Cope o facto de já se considerar a hipótese de que as aves e os dinossauros estavam mais realicionados do que à primeira vista se poderia pensar. A ideia não era de Darwin, mas é de facto muito engraçado pensarmos que tamanha beleza e complexidade nas formas possa ser tão semelhante na sua origem.

Charles Darwin aborda pouco a temática dos dinossauros, mas certamente estava consciente das descobertas feitas na paleontologia, sobretudo porque algumas eram realizadas por amigos, como Thomas Huxley, ou por colegas contemporâneos como Richard Owen, Othniel Marsh ou Edward Cope.

Em 1809, ano de nascimento de Charles Darwin, não havia sido descrita nenhuma espécie de dinossauro, mas esse cenário mudou bastante durante a sua vida. No ano da publicação da Origem das Espécies, 1859, já se conheciam 91 espécies, e em 1882, ano da morte de Darwin, já se tinham dado nome a 360 dinossauros!

Apesar de Darwin nunca ter lidado directamente com dinossauros, ele estava no local e ambiente certo para o fazer e certamente que tinha acesso às últimas notícias sobre o assunto



Obrigado à Susana Varela por nos ter alertado para esta passagem.

Rui Castanhinha e Octávio Mateus

Segunda-feira, Junho 08, 2009

Cadernos do subterrâneo


Não, este artigo não é sobre um dos livros obscuros do Dostoiévski, é sobre uma das mais fantásticas grutas de Portugal. A Gruta do Frade encerra em si uma das mais fantásticas associações de espeleotemas – uma estalactite é um espeleotema, por exemplo. No entanto, uma estalactite é em geral um espeleotema banal. No que a Gruta do Frade é especialista é em surpreender-nos em cada canto recôndito, com formas que lembram vagamente cogumelos, fósforos, cotonetes... mas em calcite. A calcite (carbonato de cálcio) é o principal componente dos calcários que, quando cristalizado secundariamente tende a tomar formas diversas, quando as condições assim o proporcionam. O contexto geológico/estrutural da Gruta do Frade, inserido na cadeia da Arrábida, permitiu que ao longo de 340m se estendesse uma gruta em ambiente controlado – as temperaturas no interior da gruta não oscilam muito além dos 19ºC e a humidade ronda os 97%. Um dos factores que certamente permitiu uma diversidade e concentração de espeleotemas foi a influência da água do mar e das marés, carreando iões usualmente raros em grutas típicas. O processo mais comum de formação das grutas consiste na dissolução dos calcários por águas meteóricas acídicas (i.e. águas da chuva que se combinam com o dióxido de carbono atmosférico), contudo, aliado a este processo, a influência marinha e das marés definem a singularidade da gruta, materializado pelos seus espeleotemas únicos.
Estas grutas têm vindo a ser estudadas, topografadas e inventariadas por vários elementos do NECA (Núcleo de Espeleologia da Costa Azul), que a descobriram em 1996 ao longo da costa de Sesimbra. Agora, pretendemos sumarizar o conhecimento actual e publicá-lo sob o formato de artigo científico, de modo a dar a conhecer este património espeleológico à comunidade científica. Já anteriormente os aracnídeos haviam sido estudados e também foi publicado um livro que a deu pela primeira vez a conhecer.
Na região da Lourinhã também existem grutas importantes na qual o GEAL participou na sua exploração e recolha de espólio espeleológico. Quer as rochas que compõem a Gruta da Feteira quer as da Gruta do Frade são, geologicamente falando, síncronas (i.e. formaram-se ao mesmo tempo)
Explorar a gruta do Frade é entrar numa paisagem surreal, não tanto ao jeito de Dostoiévski talvez, que era demasiado realista…

Ricardo Araújo & Francisco Rasteiro

Fotos de: Francisco Rasteiro

Domingo, Junho 07, 2009

Conferência Geocolecções: o desfecho de um sucesso!


Sem dúvida que sim, foi um sucesso! Mais de cem participantes, muitas comunicações, houve até quem atravessasse o Atlântico para vir até cá, foram estreitadas colaborações científicas, conferências históricas (nomeadamente a de Miguel Telles Antunes e de Ferreira Soares), o Museu da Lourinhã em peso, um livro de resumos (online e impresso), um apoio e diligência incondicionais dos anfitriões... enfim, não serão precisas mais palavras para substanciar a conclusão! A organização está de parabéns e que venham mais assim. Sem dúvida que ficar-me-ao para sempre na memória as pungentes palavras de Ferreira Soares sobre a história da geologia portuguesa em jeito de inaltecimento dos seus grandes protagonistas; mas também o olhar profundo (e com conhecimento de causa) sobre a pesquisa de paleontologia de vertebrados do Cenozóico português pelo Professor Telles Antunes, um dos muitos resultados de uma vida dedicada à Paleontologia. Mas também não me esquecerei tão cedo de muitas outras boas palestras proferidas num ambiente tão honorífico, que contém o peso de um legado tão importante onde, por exemplo, António Domingos Vandelli deu as suas aulas no século XVIII.

Sábado, Maio 30, 2009

Nova Publicação: Técnicas de preparação de fósseis de vertebrados



Uma nova publicação no Journal of Preparation Techniques acabou de sair neste mês. Esta publicação revela os bastidores que estão por detrás de um artigo descritivo de uma nova espécie, por exemplo. Desde a recolha e escavação dos fósseis até à sua descrição anatómica existe um grande número de passos que têm de ser dados, e, infelizmente essas metodologias são raramente alvo do escrutínio nos artigos. Não obstante, a importância que estas técnicas têm é de tal modo grande que sem elas os próprios fósseis não podem ser estudados convenientemente. Demoram imenso tempo! São horas e horas de trabalho intenso com pequenos instrumentos pneumáticos ou com rebarbadores. A rocha tem de ser desgastada progressivamente sem que haja o mínimo de risco para os ossos que vêm finalmente a luz do dia ao fim de mais de 150 milhões de anos. Já tudo passou por eles: a Segunda Guerra Mundial, o Homo neanderthalensis, as Glaciações, a Megafauna de Mamíferos Cenozóica, a abertura dos continentes por força da tectónica de placas, a grande extinção no final do Mesozóico provocada por um meteorito...

Neste artigo exploramos novas aproximações e técnicas usadas pela primeira vez no Museu da Lourinhã. Fizémos recurso das mais desenvolvidas tecnologias de ponta: scanning 3D, por exemplo. Com essa tecnologia conseguimos visualizar a três dimensões ossos que, numa ilustração estariam inevitavelmente a duas dimensões. É uma maneira de se poder trocar informação anatómica entre especialistas sem se ter de estar fisicamente diante dos espécimes.

Descarreguem o artigo daqui!

Imagem da esquerda - vértebra cervical do Miragaia digitalizada usando tecnologia 3D scanning. Imagem por Blizzard.

Fotografia da direita - Montagem do esqueleto do Miragaia em posição de vida. As réplicas e modelos compreendem também uma série de técnicas e materiais específicos. Foto Octávio Mateus.

Domingo, Maio 17, 2009

Entrevista a Phil Mannion, PhD Student

RA: How can we assess diversity from 65M.y old creatures?

PM: We can do simple things like counting the number of genera or species through time. This gives us a rough idea of fluctuations in diversity. However, this can be affected by various processes in the geological record, so, we need to consider where the amount of terrestrial rock varies through time, for instance. Maybe if we have an increase of rock exposure and an increase in diversity, so that increase cannot be genuine. So we can plot diversity against rock record and various proxies like that. We can also correct phylogenies. We know phylogenies are hypothesis of relationships, so we can use those lineages against time and we get another view and explore taxic diversity.

RA: OK, but that has an underlying assumption which is valid. How can this affect your work?

PM: Yes, a phylogeny is only a hypothesis and there is space for mistake in there. We hope that most of the space is small, so it won’t make much difference. Perhaps if a group is in a completely wrong place we will get very long ghost-lineages and the reason why we haven’t look at any taxon there is not because there is a ghost-lineage, but that we just got things wrong. However if you do things like phylogenetic diversity estimate and you do it to various proxies, such as the rock record, than hopefully you can compare them all and you start seeing certain points where you get the same results again and again.

RA: What are the next steps on your research?

PM: The real next step is to finish my thesis! [laughs] I should finish it in the next four to five months.

RA: No… but I mean in scientific terms?...

PM: Well, yeah… Carry on the diversity work. Trying to resolve where the taxic diversity is genuine or logically predicted from the fluctuations of the rock record. And that is sort of near an end. But I also want to go on broader macroevolutionary questions, look at what happened at the K-T boundary. And also use the methodologies I have used for my PhD to other groups like lissamphibians and sharks.

RA: This is a broad question that I have also made to Paul. What is lacking in the Vertebrate Paleontology community?

PM: mmmhh.. We need sauropods to be feathered! [laughs] I think it is getting better, people are applying better methodologies and using things like statistics… more and more people are getting more rigorous with their analysis. Nevertheless, I think people shoud be more rigorous in terms of ages of formations, there are lots of problems in places in China for example. But I think there is still a lot of scope for many avenues in paleontology…

RA: What is a typical day for you as a paleontologist?

PM: A typical day will, at the moment, largely involves me processing large amounts of data through my database of sauropod occurrences and testing it from various criteria to do things like environmental associations, and gradually – somewhat groovenly – writing up my thesis. When I am not doing something directly related with my thesis I am writing descriptive papers, or sometimes coming to Museums like Lourinhã to study specimens.

Sexta-feira, Maio 15, 2009

Entrevistas aos bochechos: 10ª pergunta ao Paul Upchurch

RA: A random question now, but I think it is interesting to think about this sort of things, can vertebrate paleontology be a profitable science?

PU: I think you can argue it already is in some ways. It is quite clear that the general public are interested in dinosaurs in particular, but paleontology in general. So I think there are a number of roots through which paleontology can be economically viable. There is obviously museum work, educational work, work with the media, or, manufacturing casts for museums. In the States, for example, people actually pay in order to dig dinosaurs. There are a number of ways in which the subject canearn money… and I’ve just mentioned a few of them, there are things like writing books and so on. But I think it is absolutely crucial that governments continue to fund paleontology because it is a fragile science. It is one that we do out of interest, rather than something that is going to cure cancer. It has two important contributions that mean the government should want to fund it: the first one is educational, particularly if we can attract children to science… they don’t have to become paleontologist, they can become doctors or engineers. But, if we can inspire them to be interested in science in first place, I think that paleontology and particularly dinosaurs are good ambassadors.

Entrevistas aos bochechos: 8ª pergunta ao Paul Upchurch

RA: Now, just a general broad question: what would you change in the Vertebrate Paleontology community? What do we need? What is still lacking in our community?

PU: Across the community as a whole we’re pursuing very interesting lines of research, but my personal view is that there are two or three things that we could change a little bit. One is there is still a tendency to think that the final goal of a publication is to produce a cladogram, and I think that is a good starting point… but you have to use it to investigate macroevolutionary issues. The second thing is that we need to become more quantitative in our approaches, we still tend to be viewed by non-paleontologists – perhaps quite unfairly – as a hand-waiving area…one that has a lot of speculation and not does not rely very much on facts or analysis. We actually have the ability to analyze data in a quantitive/statistical fashion, we need more of that… and some of our invertebrate paleontology colleagues are leading the way. The final thing that I think we need to change, which is much closer to my particular interests, is that nearly all the papers that discuss biogeography are essentially speculative. They look at the fossil record, they see the various organisms at various places and various points in time, and they build a story around them. This is not adequate testing of the hypothesis. My view is that we need move from, what is called in philosophical terms, the narrative/story-telling phase. What we need to move into is a more analytical phase, where we actually reject hypothesis or verify them by getting large amounts of data and analyze it quantitatively. The same reasoning holds true for all aspects of paleobiology: we need to become more quantitative in diversity, evolution and things like that.

Quarta-feira, Maio 13, 2009

Entrevistas aos bochechos: 7ª pergunta ao Paul Upchurch

RA: Going back a little bit on the sequence of questions, I think that your work on area cladograms and biogeography gives very interesting support where to look for dinosaurs and pursue new taxa. First of all, do you agree with this? And second, if you would have to use this data, where would you work for new taxa?

PU: The biogeographic approach I use, they provide some explanation why some types of dinosaur appear or do not appear in certain places and certain points in time. But of course, that can always be falsified by new discoveries. What I think that is more relevant to directly finding or targeting new localities is the work that my student and in conjunction with me is doing, we’ve built an almost comprehensive database of sauropod occurrences. So what that allows is an analysis like: do sauropod appears in certain types of sediments more often than others; are there areas of the earth that have produced poor quality sauropod material or good quality sauropod material? So I think large scale database are probably the future to a scientific approach to know where to go to collect new material.

Terça-feira, Maio 12, 2009

Conferência sobre Evolução (Hoje, 14h, na Univ. Lusófona)


Vai decorrer hoje, quarta-feira, dia 13 de Maio, pelas 14 horas no Auditório Pessoa Vaz da Universidade Lusófona de Humanidades e Técnologias, a conferência:

Evolução em Debate: De Darwin à actualidade

Vamos contar com presença de 3 oradores, Doutor Frederico Almada, Doutor Octávio Mateus e Doutor André Levy, no que será um debate entre os 3 e o público, sobre a Evolução na perspectiva de 3 mentes diferentes, desde Richard Owen e Charles Darwin, até aos dias de hoje e aos Evolucionistas modernos.

A conferência terá uma duração de apróximadamente 2 horas, com um ligeiro coffee brake pelo meio.




Domingo, Maio 10, 2009

Curso de verão de paleontologia em La Rioja (Espanha



Informação sobre curso de verão de paleontologia em La Rioja (Espanha):

Huellas de dinosaurios en los cursos de verano de la Universidad de la Rioja


En julio y agosto de 2009 tendrán lugar los cursos de verano de la Universidad de la Rioja. Bajo el nombre Huellas de Dinosaurio se celebrarán campos de trabajo, cursos y conferencias relacionadas con los yacimientos de huellas de dinosaurio y su conservación y restauración.

Los campos de trabajo se celebrarán en Igea, Enciso y Hornillos de Cameros (La Rioja) y Tabant (Marruecos), en julio y la primera quincena de agosto, mientras que el 30 de julio tendrá lugar en Enciso un ciclo de conferencias a cargo de un grupo de expertos.

Más información en:

http://fundacion.unirioja.es/cursosdeverano/campos_trabajo.shtml
http://www.icog.es/_portal/noticias/noticias.asp?bid=1101&ini=1

Sábado, Maio 09, 2009

Entrevistas aos bochechos: 6ª pergunta ao Paul Upchurch

RA: So, the other area of your research is to look specifically at the evolution of sauropods. Could you outline in broad terms the evolution of the group?

PU: Essentially, they appeared in the Late Triassic; at that stage we call them sauropodomorphs. They are generally small animals, 1-2meters long, they are bipedal… but they still show one or two key features of the sauropodomorphs: relatively long neck, a small head on that neck and some changes to the jaws and teeth, which is suggesting that they are changing from carnivores to omnivores or omnivores to herbivores. Then in the Jurassic, those small forms disappear and we see a trend towards a larger and larger body size, quadrupedality, elongation of the neck and further modifications of the skull. So we get a radiation of the true sauropods, which by the Jurassic have achieved gigantic body size (20-25m). We also see a radiation of many types of sauropods: diplodocoids, early titanosaurs, brachiosaurs, and so on… Then, at the Jurassic/Cretaceous boundary there seems to be a crisis, about 80% of the sauropods go extinct, mainly the ones with the very large spoon-shape teeth. In the Late Cretaceous, sauropod faunas are dominated by the titanosaurs. There are other types like the rebbachisaurs – that were unusual types of diplodocoids – but they radiate again, the also become very diverse. By the end of the Cretaceous there were about 50 or 60 titanosaur genera, which is about one third of sauropod diversity. At the K-T boundary all of those disappear.

Sexta-feira, Maio 08, 2009

Encontrada proteína em fóssil de dinossauro pela segunda vez

Replicação de uma notícia do Jornal Público: 

Encontrada proteína em fóssil de dinossauro pela segunda vez
2009-04-30 22:40:00 PÚBLICO

Confirma-se, é possível recolher proteínas conservadas de fósseis tão antigos como os dos dinossauros. Os resultados são publicados hoje na revista Science.

A primeira vez que isto aconteceu foi em 2007 a partir de um fóssil de T-rex com 68 milhões de anos. A comunidade científica na altura ficou desconfiada sobre estes resultados, por isso a equipa da investigadora Mary Schweitzer da Universidade Estatadual da Carolina do Norte, EUA, foi à procura de fósseis que estivessem em locais onde o ambiente daria as condições perfeitas para manter as proteínas conservadas.

A equipa procurou numa formação geológica em Montana e encontrou o fóssil de um fémur de uma espécie de hadrossauro com 80 milhões de anos, que tinha preservado colagénio - uma proteína importante para a coesão dos tecidos. Ao analisarem a molécula, viram ainda que estava mais próxima do colagénio das aves do que dos crocodilos.


Entrevistas aos bochechos: 5ª pergunta ao Paul Upchurch

RA: In which sense are dinosaurs the best clade to test this sort of tools?

PU: I don’t think they are the best clade, but they are one of the best clades. They are a good place to start because they have a relatively rich fossil record, they have a long fossil record – that spans several geographical events –, they have a virtually global distribution; so they can pick up episodes like the break-up of the continents, changes in sea level. And, of course, relative to other groups they are intensively studied; there are far more people working with dinosaurs in the Mesozoic than there are, say, on crocodiles or lizards. But, I think, the best way to analyze biogeographic history is to take multiple groups, ideally groups that have different groups that have different body sizes and different physiologies. If we show that flowering plants, insects, small mammals and dinosaurs are all showing the same patterns, that reinforces the evidence that, despite differences, in the way they live these groups are all affected to the same geographic events. So, I started with dinosaurs because that is my strength, that is my area of interest… but I am interested expanding the work to other groups as well, or, encourage my colleagues to apply the same methods.

Quinta-feira, Maio 07, 2009

Entrevistas aos bochechos: 4ª pergunta ao Paul Upchurch

RA: Yeah, one of the methodological tools that came out from this sort of ideas were area cladograms, wasn’t it?

PU: Area cladograms are an older idea, they go back to the original work done in the 1970’s. But, there is a fundamental problem with an area cladogram which is that by definition a cladogram shows branching structure. And that is fine when you are dealing with organisms that have a nice branching structure phylogeny. The problem is that an area cladogram isn’t describing the evolution of organisms, it is describing the relationships between geographic areas. And geographic areas do not have to obey a branching pattern. They can break up from each other, but they can also collide…they can reconnect. That means that the history of geographic areas is a complext network and not a simple branching pattern. So, the area cladogram by itself is a good idea, but not sufficient to describe biogeographic history. Where the time slicing idea comes in is that you continue to produce area cladograms, but each area cladogram is different for each point in time. By looking how each area cladograms change from each point in time, to the next, to the next, to the next…those changes tell you about the network-like history
Between the areas. So, to give you an example, in the Early Cretaceous we find that South America and Africa cluster together in the area cladogram, we’d say Australia would be more distant – as it was – and then in the Late Cretaceous we find actually that South America and Australia are clustering together with Africa being further away. What we see is a change in the area cladogram structure and, what that means is that between the Early Creataceous and Late Cretaceous that has been some change in biogeography, that cannot be expressed by one area cladogram but by two in sequence. And so, what we are really doing is trying to express this really complex network of area relationships as a series of area cladograms, rather than one area cladogram

Terça-feira, Maio 05, 2009

Entrevistas aos bochechos: 3ª pergunta ao Paul Upchurch

RA: But isn’t it somehow stratocladistics… isn’t it the same?

PU: No, because in stratocladistics what you do is, when you are building your evolutionary tree you add information on the stratigraphic positions of the organisms and that has an influence on the tree. What I propose is that you keep building evolutionary trees in a conventional manner – using morphological characters or molecular characters if you are working with living organisms. Now, once you have that evolutionary tree you should is analyze biogeography within a certain defined time window. So if I’ve built an evolutionary tree of all dinosaurs in the Early Cretaceous, what I should do is then remove any dinosaurs that are not from the Early Cretaceous. And although that sounds like a bad idea – it sounds like you are throwing away data – the good thing about it is that it helps us focusing on the patterns that happen in the Early Cretaceous. If I can give you an analogy: if I listen to a music and ask you to describe that piece of music in mathematical terms; for one piece of music that might be relatively easy… if I play two pieces of music at the same time it starts to get a little bit confusing, if I play a thousand pieces of music it is almost impossible to understand anything… the problem is if you take a very large dataset. Let’s say all vertebrates from the Triassic up to the present, there are so many different patterns that are so different from each other, they conflict. The idea is to slice in narrow chunks of time, and analyze each of those for biogeographic patterns.

Domingo, Maio 03, 2009

Cientistas negam a teoria de extinção por queda de meteoro


Replicação do post via Dinossauros ! O Blog do Ikesaurus ! by Ikessauro on 4/27/09


No fim do Cretáceo, há cerca de 65 milhões de anos houve uma enorme extinção em massa, que dizimou diversos grupos de animais e plantas. A teoria mais aceita para explicar isto é a queda de um asteróide na península de Yucatán no México, que formou uma cratera de 180 quilômetros de diâmetro, nomeada de Cratera de Chicxulub, correto? Não a partir de hoje! Pesquisadores começam a duvidar que o meteoro tenha causado isto.

Para contrariar a teoria que há anos é a mais aceita, os pesquisadores publicaram um artigo no Journal of the Geological Society, afirmando que o asteróide caiu pelo menos 300 mil anos antes da extinção.
Gerta Keller, da Universidade Princeton - Estados Unidos, é uma das principais opositoras da teoria do meteoro, então usando análises das rochas, mais precisamente das camadas sedimentares, ela e seus colegas reuniram informações sobre as camadas do local em questão, para tentar provar que a extinção não coincide com o meteoro. Os dois eventos podem não ter qualquer relação", disse Richard Lane, diretor da Divisão de Ciências da Terra da National Science Foundation (NSF), que apoiou o estudo.

"Verificamos que entre 4 e 9 metros de sedimentos foram depositados a cerca de 2 ou 3 centímetros a cada mil anos após o impacto. O nível da extinção em massa pode ser observado em sedimentos bem acima desse intervalo", disse Gerta.

Os estudiosos que defendem a teoria do impacto de Chicxulub dizem que o evento de extinção, conhecido como Evento K-T (Cretáceo - Terciário), e a queda do corpo celeste no golfo do México não estão próximos no registro sedimentar porque os terremotos e tsunamis causados no impacto alteraram a posição das camadas sedimentares do local, deixando um "espaço" de tempo entre os eventos.

No entanto, Keller diz que se isto realmente houvesse ocorrido, existiriam indícios, pois o arenito das camadas não foi depositado como está hoje em apenas algumas horas, mas sim durante milhões de anos. O estudo verificou que os sedimentos que separam os dois eventos são característicos de sedimentação normal, sem evidência de distúrbios estruturais.

Outro indício de que o meteoro não causou tanto estrago, foi a diversidade de espécies existentes antes e depois do impacto. Fósseis encontrados que datam de antes da queda do meteoro somam pelo menos 52 espécies diferentes. Análises nas camadas que se formaram depois da queda, demonstraram que elas também contém as mesmas 52 espécies de animais, ou seja, o meteoro não extinguiu quase nada.

Segundo a pesquisadora Gerta, não há indícios de que o impacto causou extinção de uma espécie e que a extinção pode ser resultado de erupções vulcânicas contínuas onde hoje é a Índia, o que teria liberado muitos gases e poeira que impediam a luz solar de penetrar na crosta terrestre, causando um efeito estufa devastador.



Entrevistas aos bochechos: 2ª pergunta ao Paul Upchurch

RA: Another thing I would like to know a little more about is that in 2005 you’ve published a paper proposing a new paradigm. What does that paper entail?

PU: You are talking about the new biogeographic paradigm… Well, the initial idea was published in 2001, but I’ve published a series of papers since then. Essentially the idea is that amongst biologist working in animals, over the last 30 years or so, there was a growing tendency to analyze biogeography in a more statistical fashion. The information that is required to understand that are evolutionary relationships and the geographic localities of the organisms. Essentially it is cladistics plus biogeography. The problem that I and my colleague Craig Hunt proposed originally in 2001, is that it doesn’t take time into account… I think the reason why we haven’t taken the temporal or stratigraphic distribution of organisms into consideration previously is precisely because these methods used previously were only used by people working on living animals, and therefore they only have one time to worry about, which is: now! But as soon as you look at paleontology, you should ask the question: Should I take data from all the Mesozoic? Or just from the Jurassic, or Cretaceous and so on… What we realized was that the geographic distribution of organisms change through time. The patters we get in the Jurassic are not necessarily the patterns we get on the Cretaceous and so on…We realized that paleontology actually played a key role in historic biogeography, whether you are working on living animals or extinct animals. You need to take into account the time of the events, because otherwise you end up with serious problems…

Sexta-feira, Maio 01, 2009

Entrevistas aos bochechos: 1ª pergunta ao Paul Upchurch

Lamento estar em Inglês, assim que fôr possível traduzirei para Português.

RA: As a first question I would like you to describe a little bit your work… Ongoing projects… and so on…
PU: My two main interests are essentially: the evolution of sauropods and the biogeography of particular dinosaurs, but also of other terrestrial animals in the Mesozoic. Of course, the two go together very nicely because by working in dinosaurs I gain data for other animals. The kinds of things I’ve been working on lately include coming to Portugal to collect data and that is part of a wide project. I’ve received some funds either from Banco Santander and also from the British Paleontological Association, and that money will allow myself and my students to go to Portugal, Spain, Germany and North America to collect data on sauropods, partially for taxonomic work but for my particular case to draw a very large phylogeny on sauropods, probably about 120 to 130 species, which is about two thirds of the current known diversity. That is the bigger picture, and once I have that evolutionary tree I will be using it to biogeography, diversity, issues to do with body size evolution…

Quarta-feira, Abril 29, 2009

Evolução dos Saurópodes: algumas ideias


Algumas ideias que derivaram da apresentação do Paul Upchurch no Museu da Lourinhã. A maior parte destas ideias já estão publicadas, pelo que não estou a dizer nada de novo, é simplesmente um resumo de ideias interessantes:

- Os saurópodes são animais mais diversos do que geralmente se tem pensado, principalmente quando se olha para características craniana (ex: comparar Shunosaurus com Nigerasaurus);
- A anatomia complexa da vértebras dos saurópodes pode significar que a evolução foi seleccionando indivíduos que tornassem as vértebras em entidades anatómicas progressivamente mais leves, mas mais resistentes sob o ponto de vista mecânico;
- Uma das maneiras para distinguir pegadas de titanossaurídeos e não-titanossaurídeos é pela postura dos seus membros em andamento. Os titanossauros têm uma postura mais ampla (que está associada a modificações importantes em determinadas características dos ossos como a expansão do processo olécrone no úmero), ao passo que a maioria de todos os outros saurópodes tendem a ter uma postura mais fechada (e logo a deixar pistas também menos amplas);
- Os saurópodes são essencialmente "bulk processors", enquanto que os ornitísquios por exemplo são essencialmente "mouth processors". O aparato mastigatório dos saurópodes é essencialmente construído de maneira a extrair folhas que são processadas depois no estômago.
- Um dos major trends existentes no aparato mastigatório dos saurópodes é a perda ou redução da preponderância dos músculos bucinadores, geralmente utilizados para a mastigação; isto tem evidência osteológica clara desde os prossaurópodes;
- Uma metodologia usada para aferir a congruência paleobiogeográfica e hipóteses filogenéticas é consistente com os modelos de tectónica de placas e pelo conhecimento geológico actual; a metodologia chama-se "area cladograms";
- Um evento maior de extinção nos saurópodes ocorreu efectivamente na transição do Jurássico superior para o Cretácico inferior. A par de uma diminuição abrupta do número de taxa do JS para o EK, a área de formações expostas aumenta do JS para o EK. O que elimina o possível enviesamento dos dados por motivos de erros metodológicos de preservação.

Sábado, Abril 25, 2009

Palestra "Origem e Evolução de Dinossauros Saurópodes"


Divulgação de Palestra sobre Dinossauros saurópodes

Palestra "Origem e Evolução de Dinossauros Saurópodes", por Paul Upchurch (Univ. College of London, Inglaterra), no Museu da Lourinhã, 28 de Abril de 2009, terça-feira, às 18:30.
Precedida de uma curta (15 min.) palestra por Phil Mannion sobre "Diversidade de Dinossauros saurópodes ao longo do tempo"


Próximos eventos (ver Calendário Google):
27 Abril Palestra “Evolução na perspectiva da Paleontologia” por O. Mateus, na Universidade Lusófona (link)
28 Abril (18:30) Palestra “Evolution of Sauropods” Paul Upchurch, no Museu da Lourinhã
30 Abril Colóquio "Darwin, Animals and God", na Universidade do Porto com palestra “Evolution and Creationism: - a Portuguese perspective” por O. Mateus (link)
5-6 Junho Conferência sobre Geocolecções "Colecções e museus de Geociências", Coimbra (link)
8-9 Junho Simpósio sobre Estegossauros, Aathal, Suíça (link)
30 Julho Jornadas que sobre Patrimonio Paleontológico, Enciso, La Rioja, Spain,
com palestra “Pegadas de Dinossauros em Portugal”, O. Mateus, La Rioja, Espanha (link)

Resumo os interesses científicos de Paul Upchurch de acordo com o seu site:
Research Interests
Dinosaur Systematics, Evolution and Biogeography. Research aims Investigation of the palaeobiology and evolution of dinosaurs, with an emphasis on the gigantic long-necked sauropods (Upchurch, 1995, 1998, 1999). Development and application of new phylogenetic techniques (Wilkinson et al., 1998). The use of palaeontological data in studies of macroevolutionary patterns and processes.



Transmissão directa online ainda está por confirmar. Esteja atento a www.museulourinha.org.





Bibliografia de seláceos (tubarões e raias) fósseis de Angola


Contribuição para a bibliografia sobre seláceos (tubarões e raias) fósseis de Angola:

Antunes, M., 1970. Paleontologia de Angola. In Curso de Geologia do Ultramar. Junta de Investigações do Ultramar, 2.

Antunes, M.T. & Cappetta, H., 2002 Sélaciens du Crétacé (Albién-Maastrichtien) d’Angola: Palaeontographica. Abtheilung A, 264, 85-146.

Antunes, M.T. & Sornay, J., 1969. Contributions a la connaissance du Crétacé Supérieur de Barra do Dande, Angola. Revista da Facudade de Ciências, Universidade de Lisboa. Ciências Naturais, 16, 65-103.

Antunes, M.T. 1970. Paleontologia de Angola. In Curso de Geologia do Ultramar.. Junta de Investigações do Ultramar. 2.

Antunes, M.T., 1961. Sur la faune de vertébrés du Crétacé de Iembe (Angola). Comptes rendus hebdomadaires des séances de l’Académie des sciences, 253(3), 513-514.

Antunes, M.T., 1964. Sur quelques requins de la faune Néogène de Farol das Lagostas (Luanda, Angola). Leurs relations avec les formes récentes. Memoire Institut Français dAfrique Noir, Melanges Ichthyology, 47-64.

Antunes, M.T., 1966. Contribuição para o conhecimento dos nautilóides fóssies de Angola. Conclusões estratigráficas sobre o Cretácico terminal da Bacia de Moçâmede, a propósito dos cefalópodes de S. Nicolau. Garcia de Orta (Lisboa), 14, 109-138.

Antunes, M.T., 1966. Sur la faune de vertèbres du Pleistocène de Leba, Humpata (Angola). Proc. 5th Pan Afr. Congr, 5, 127-128.

Antunes, M.T., 1967. Sur Lamna cattica ssp. totuserrata. Un cas de distribution antiéquatoriale. Revista da Faculdade de Ciências, 2. ser. A. 16 (1): 37-62.

Antunes, M.T., 2008. Faunes ichthyologiques du Néogène supérieur d’Angola, leur âge, remarques sur le Pliocène marin en Afrique australe.

Antunes, M.T., 1964 O Neocretácico eo Cenozóico do litoral de Angola; I-Estratigrafia. Repteis., Junta de Investigacôes do Ultramar, Lisboa (1964, 257 p).

Antunes, T.M., 1978. Faunes ichthyologiques du Neogene superieur d’Angola, leur age, remarques sur le Pliocene marin en Afrique australe. Cienc. Terra, Univ. Lisboa, 4, 59-90.

Antunes, M. & Cappetta, H., 2006. Angolabatis nom. nov., a replacement name for the Cretaceous genus Angolaia Antunes & Cappetta, 2002(Chondrichthyes: Rajiformes), a preoccupied name. Palaeovertebrata, 34(1-2), 27-28.

Antunes, M. T.; Maisey, J.G.; Marques, M.M.; Schaeffer, B. & Thomson, K.S 1990. Triassic Fishes from the Cassange depression (R.P. de Angola).. Ciências da Terra. , :1-64.

Balbino, A.C. & Antunes, M.T., 2007. Pathologic tooth deformities in fossil and modern sharks related to jaw injuries. Comptes rendus-Palevol, 6(3), 197-209.

Jacobs, L.L., O Mateus, M J Polcyn, A S Schulp, M T Antunes, M L Morais, T S Tavares, 2006. The occurrence and geological setting of Cretaceous dinosaurs, mosasaurs, plesiosaurs, and turtles from Angola. Journal-Paleontological Society Of Korea, 22(1), 91.

Sexta-feira, Abril 24, 2009

Ginkgo biloba, uma árvore jurássica?

O Ginkgo biloba é uma árvore que ornamenta tantas alamedas e jardins em todo o mundo e também em Portugal, e originária do Norte da China. É uma árvore de grande porte de folhas caducas com dois lóbulos que lhe conferem o epíteto específico.

É considerada um fóssil vivo por ser uma espécie relíquia que representa um grupo de plantas já extintas e outrora foram abundantes. Podemos dizer que o Ginkgo biloba é uma árvore jurássica? Bem… a espécie G. biloba é mais recente e ainda não tinha surgido no jurássico, mas o género Ginkgo é o mesmo, sob a forma de uma espécie distinta no Jurássico, o Ginkgo yimaensis, com folha multi-lobadas, e com cachos com mais, mas menores, frutos. Portanto podemos dizer que o Ginkgo é uma árvore jurássica, mas já não o podemos dizer da espécie actual G. biloba. O Ginkgo é tão único que tem o seu grupo próprio, as Ginkgophyta. O representante deste grupo do Jurássico superior de Portugal é Baiera viannae (ver Pais, 1998, sobre a vegetação do deste período em Portugal).

O facto de ser dióica faz com que exista separação sexual por indivíduos, ou seja, há árvores masculinas e árvores femininas. À porta do Departamento de Paleontologia do Museu Nacional de História Natural de Paris existe um esplendoroso Ginkgo que possui os dois sexos no mesmo indivíduo através de enxertos artificiais. Foi uma semente dessa mesma árvore que coloquei num vaso, brotou, que plantei à porta de minha casa e agora é uma bela árvore com uma altura considerável.

Foi também um Ginkgo biloba que os paleontólogos Miguel Telles Antunes e Philip Currie plantaram nas ruas da Lourinhã.

  

Pais, J. 1998. Jurassic plant macroremains from Portugal. Memórias da Academia de Ciências de Lisboa. 37: 25-47

Mateus, O. 2008  Fósseis de transição, elos perdidos, fósseis vivos e espécies estáveis   In: Evolução: História e Argumentos Edited by:Levy et al.. 77-96 Lisboa: Esfera do Caos, ISBN: 978-989-8025-55-5. 

Zheng and Z. Zhou, 2004. A new Mesozoic Ginkgo from western Liaoning, China and its evolutionary significance. Review of Palaeobotany and Palynology,  131(1-2): 91-103.

 


Evolução do “fóssil vivo” Ginkgo: embora apenas a nível específico ocorre evolução do género Ginkgo desde o Jurássico (de Mateus, 2008, modificado, com permissão, a partir de Zhou & Zheng, 2004).

 


As folhas de Ginkgo biloba no Outono adquirem uma cor amarela antes de caírem.



Quinta-feira, Abril 23, 2009

Book Review em Palaeontologia Electronica


Uma book review é um instrumento ao dispor da Ciência que visa criticar a literatura recente. A palavra crítica encerra em si não só o apontar dos defeitos, mas também o enaltecimento das qualidades. Em Ciência, felizmente, tudo é discutido no vácuo e nada pode ser encarado pessoalmente, já desde o Iluminismo se reconhecia esta propriedade da retórica. Isto faz com que o debate científico se torne mais rico e da dialética nascem visões cada vez mais esclarecidas. Lembro-me, por exemplo que agora em Março um artigo publicado por Emily Rayfield e co-autores criticava abertamente os Faunachrons de Lucas e co-autores. A bem da ciência que haja debate!

Uma book review aqui.

Quarta-feira, Abril 22, 2009

Onde estão os fósseis de Alfred Leeds?


Findava o século XIX e, certamente, um dos mais acesos tópicos de discussão no meio científico era a Paleontologia, essa nova ciência. Nesta altura ainda estava muita coisa por descobrir na paleontologia dos vertebrados: já se conheciam vários espécimes de Archaeopteryx (o ‘elo perdido’ entre as aves e os répteis). Já então se conhecia o Megalosaurus (o primeiro dinossauro, que foi assim chamado antes de o termo Dinosauria ter sido cunhado por Owen). Foi precisamente em Novembro de 1892, que Alfred Leeds, um reputado coleccionador privado de fósseis vende uma parte da sua colecção ao National Museum of Ireland – Natural History. Esta compra compreendia plesiossauros, ictiossauros e crocodilomorfos da 'Oxford Clay’ Jurássico Médio), que custaram ao Museu setenta libras. Relembro que uns anos antes se dera a venda do ‘London specimen’ (o primeiro Archaeopteryx a ser descoberto em Solhofen, Alemanha) que foi vendido por setecentas libras ao, então, British Museum of Natural History, batendo valores recordes para a venda de um pedaço de rocha ... ou, se calhar, um pouco mais do que isso. Alfred Leeds explorava, à altura, um barreiro em Peterborough, Inglaterra, mas acontece que nesse barreiro também abundavam os fósseis. Durante os vinte anos em que o barreiro foi explorado, foram concomitantemente retirados imensos fósseis, que vão desde o Leedsichthys aos tais plesiossauros da colecção por todo o mundo e, hoje em dia, apesar de os melhores espécimes estarem no Natural History Museum, London, e uma boa parte da colecção no Hunterian Museum, o resto encontra-se… não se sabe muito bem onde … EUA, Suécia, Alemanha … e crocodilomorfos de que falei. Infelizmente esta venda ao National Museum of Ireland foi o derradeiro evento que levaria à completa dispersão da colecção por todo o mundo e, hoje em dia, apesar de os melhores espécimes estarem no Natural History Museum, London, e uma boa parte da colecção no Hunterian Museum, o resto encontra-se… não se sabe muito bem onde … EUA, Suécia, Alemanha …

Publicado também no Boletim do Museu da Lourinhã.

A Evolução e a Paleontologia: o Caso dos Dinossauros e Outros Vertebrados

"A Evolução e a Paleontologia: o Caso dos Dinossauros e Outros Vertebrados" é o tema da minha palestra amanhã (23 de Maio de 2009), no Museu da Ciência em Coimbra, e também depoletou a seguinte entrevista para a Ciência Hoje, que aqui incluo na íntegra: 


Revelação sobre a evolução dos «lagartos terríveis»

Paleontólogo Octávio Mateus no Museu da Ciência da UC

:: 2009-04-20

Octávio Mateus desdobra-se para dar nome aos dinossauros

Do Lourinhanosaurus ao Miragaia, passando pelo Dinheirosauros, o paleontólogo Octávio Mateus tem-se desdobrado para dar nome aos dinossauros que descobre. Mas que segredos guarda a evolução dos "lagartos terríveis"? 

Na quinta-feira, às 15h, o cientista português vai estar no Museu da Ciência da Universidade de Coimbra (UC) para revelar algumas das suas descobertas sobre a evolução dos dinossauros e explicar por que se considera um "grande fã" de Darwin.


A conferência "A Evolução e a Paleontologia: o Caso dos Dinossauros e Outros Vertebrados" é a segunda do ciclo de conferências «Darwin e a Evoluçã»", que até ao fim do ano vai trazer a Coimbra alguns dos mais reputados cientistas evolutivos da actualidade em Portugal. O evento está integrado nas comemorações do bicentenário do nascimento de Charles Darwin e dos 150 anos da publicação da sua obra mais famosa, «A Origem das Espécies». A entrada é gratuita. 

"Como paleontólogo, sou obviamente um grande adepto e fã de Darwin. Os dinossauros são um óptimo testemunho da evolução. Por exemplo, tenho descoberto novas espécies de dinossauros que permitem compreender, um pouco mais além, a evolução destes animais", avança o paleontólogo Octávio Mateus. 

Portugal tem, de resto, um papel de grande importância a desempenhar no conhecimento da evolução das espécies, defende o investigador da Universidade Nova de Lisboa. "Portugal tem um registo fóssil riquíssimo, um dos melhores do mundo", garante. 

Até porque, para o investigador, a Paleontologia (a ciência que estuda os fósseis) é, das várias disciplinas científicas, uma das que melhor ilustra a teoria de Charles Darwin. "A vida actual, ou seja, não-extinta, estudada pelos 'neo-biológos' é uma minúscula fracção da perspectiva da evolução da vida. A Paleontologia tem oferecido exemplos de inúmeros estádios intermédios da evolução dos animais e plantas que são dos mais evidentes testemunhos da evolução darwiniana", sublinha. 

Perguntas sem resposta 

No Museu da Ciência da UC, Octávio Mateus vai mostrar como este ramo tem confirmado as ideias de Darwin. Em análise vão estar sete exemplos da evolução: a origem das aves a partir de dinossauros terópodes e ainda a origem dos peixes assimétricos, dos cetáceos, dos mamíferos, dos cavalos, dos tetrápodes (animais que apoiam os quatro membros no solo) e do próprio Homem. 

Ainda que para a maioria dos cientistas a existência da evolução darwiniana seja indiscutível, certo é que são muitas as perguntas que permanecem ainda sem resposta, reconhece Octávio Mateus. 

O paleontólogo elenca algumas delas: "Qual é a unidade sobre a qual a evolução actua: o gene, o organismo, a espécie ou o grupo? Como e porquê os humanos evoluíram um cérebro tão desenvolvido? Qual o papel da selecção sexual na evolução? Como apareceu a Vida? A evolução ocorre essencialmente por saltos (equilíbrio pontuado) ou de forma gradual? Qual é o ancestral de cada grupo de animais e plantas? Qual o papel dos vírus na evolução dos animais e humanos? Qual o papel da transferência de ADN entre grupos distintos? Como é a árvore da Vida?" 

Primeiro dinossauro em Angola 

Licenciado em Biologia pela Universidade de Évora e doutorado em Paleontologia pela Universidade Nova de Lisboa, Octávio Mateus é investigador no Museu da Lourinhã, instituição que possui uma importante colecção de dinossauros. 

Especialista no estudo destes animais, tem publicado vários artigos científicos em Portugal e no estrangeiro, incluindo na prestigiada revista Nature. O seu interesse por dinossauros já o levou a países tão longínquos como os Estados Unidos e a Mongólia. Foi, de resto, o responsável pela descoberta do primeiro dinossauro em Angola. 

Depois da conferência com Octávio Mateus, o colóquio «Darwin e a Evolução» prossegue a 14 de Maio com a bióloga do desenvolvimento Patrícia Beldade, do Instituto Gulbenkian de Ciência, que explicará o que é a «Evo-devo», uma nova disciplina científica que pode revelar-se fulcral para a compreensão da evolução.


Terça-feira, Abril 21, 2009

Base de dados colecção Museu Geológico

Parabéns ao Museu Geológico por ter colocado online uma boa parte das suas colecções online! Bem-vindos à era do conhecimento livre e acessível a todos!

Ver o link aqui.

Segunda-feira, Abril 20, 2009

Voz e talento

Este post não é sobre dinossauros, nem sequer sobre ciência, mas não resisto em fazê-lo.

Normalmente, eu não ligo nada àqueles programa dos "ídolos" que procuram novos talentos, mas este chamou a atenção e dá-nos uma lição. Mostra-nos uma senhora, Susan Boyle de 47 anos que, digamos, não é propriamente bonita, mas que canta mil vezes melhor que tantas cantoras extremamente bem sucedidas, que escondem a sua péssima voz com o seu corpo escultural. 





Domingo, Abril 19, 2009

Regras Básicas do pensamento crítico

Como o pensamento crítico nunca é demais, aqui vão os princípios essenciais:


Regras Básicas do pensamento crítico  

Sempre que possível deve haver uma confirmação independente dos 'factos' 

Promova uma discussão abrangente sobre as evidências com defensores (bem informados) de todos os pontos de vista 

Argumentos oriundos de “autoridades” têm pouca importância - 'Autoridades' cometeram erros no passado e o farão de novo no futuro. Em outras palavras, na ciência não existem autoridades, existem, no máximo, especialistas. 

Crie mais de uma teoria. Pense em todas as formas pelas quais o facto em questão pode ser explicado. Então pense em formas de derrubar sistematicamente cada uma das alternativas. A teoria que sobreviver a esta 'selecção natural' tem maiores possibilidades de ser a correcta. 

Não se apegue demais à sua própria teoria. Busque razões para rejeitá-la. Se você não fizer isto, outros o farão. 

Quantifique sempre que possível. Aquilo que é vago e qualitativo é aberto a muitas explicações.

Se existe uma cadeia de argumentos, cada elo da cadeia deve ser válido - não apenas alguns deles. 

A lâmina de Ockham - Se duas teorias explicam um fato igualmente bem, escolha a mais simples.

Sempre verifique se a teoria pode ser testada. Teorias que não podem ser testadas têm pouco valor. 

Texto não é de minha autoria, vem daqui e a foto daqui.

Sábado, Abril 18, 2009

Conferência internacional debate Darwin em Lisboa

Artigo no Expresso

Conferência internacional debate Darwin em Lisboa

100 especialistas discutem a 23 e 24 de Abril o tema "Evolução hoje e amanhã" na Faculdade de Ciências da Universidade de Lisboa.

Virgílio Azevedo
12:56 Sexta-feira, 17 de Abr de 2009





Conferência internacional debate Darwin em Lisboa

A actualidade do naturalista britânico Charles Darwin vai estar em foco na conferência internacional que o Centro de Filosofia das Ciências da Universidade de Lisboa organiza nos dias 23 e 24 de Abril na Faculdade de Ciências desta universidade.

"Evolução hoje e amanhã, Darwin avaliado pelas ideias evolucionistas e filosóficas contemporâneas" é o tema do evento, que reúne especialistas nacionais e estrangeiros das áreas da biologia e da filosofia.

Os oradores estrangeiros serão Anthony Dean, James Steele, Jan Sapp, John Wilkins, Nathalie Gontier e Sven Steinmo, e os oradores nacionais Teresa Avelar, Eugénia Cunha, António Bracinha Vieira, Olga Pombo, António Frias Martins, Margarida Matos, Élio Sucena, Francisco Carrapiço, Luísa Pereira, Luís Correia, Filipe Costa, André Levy, Hélder Coelho, Augusta Gaspar e Maria Manuel Jorge.

Olga Pombo, coordenadora do Centro de Filosofia das Ciências da Universidade de Lisboa , afirmou ao Expresso que os conferencistas "irão analisar a Teoria da Selecção Natural à luz das modernas teorias da Simbiogénese e do Equilíbrio Pontuado". Será também debatida "a aplicação actual do pensamento neodarwinista às ciências sociais e humanas, bem como as suas implicações filosóficas".

Conferência internacional debate Darwin em Lisboa


Em 2009 celebram-se não só os 200 anos do nascimento de Darwin e os 150 anos da publicação do seu livro "A Origem das Espécies através da Selecção Natural", como também os 100 anos da publicação do primeiro artigo sobre a Simbiogénese do biólogo russo Constatin Mereschkowsky.

A Simbiogénese é uma teoria evolucionista onde indivíduos de diferentes espécies se unem para formar um novo indivíduo. Esta teoria dá mais importância às inter-relações entre indivíduos do que à sobrevivência e reprodução dos mais aptos.

O Equilíbrio Pontuado é uma teoria evolutiva proposta pelos paleontólogos americanos Niles Eldredge e Stephen Jay Gould em 1972, que defende que a maior parte das populações de organismos de reprodução sexuada experimentam poucas mudanças ao longo do tempo geológico. Eldredge, director do Museu Americano de História Natural em Nova Iorque, deu a 13 de Fevereiro uma conferência na Fundação Gulbenkian, em Lisboa, sobre o tema " Darwin : À Descoberta da Árvore da Vida".

Darwin e a ilustração científica no Pavilhão do Conhecimento

O Centro de Filosofia das Ciências organiza também nos dias 21 e 22 de Abril em Lisboa, no Pavilhão do Conhecimento (Parque das Nações), o workshop e colóquio internacional sobre " Darwin e a Ilustração Científica", no âmbito do projecto "A Imagem na Ciência e na Arte", da Faculdade de Ciências da Universidade de Lisboa. E a 29 de Abril será a vez de uma conferência de Hernâni Maia na mesma faculdade sobre "A Vida na Terra. Origem Endógena vs Origem Exógena".

Conferência internacional debate Darwin em Lisboa


As iniciativas destinadas a assinalar o ano de Darwin desdobram-se, entretanto, em várias frentes. Assim, o Teatro A Barraca está a exibir na Fundação Gulbenkian a peça "O Professor de Darwin ", encenada por Hélder Costa. As próximas sessões terão lugar nos dias 18 de Abril e 9 de Maio. "O Professor de Darwin " apresenta ao público, com poesia, música e humor, o professor John Henslow, que teve uma importância decisiva na formação do naturalista britânico.

Entretanto, o Museu da Ciência da Universidade de Coimbra , está também a realizar um ciclo de conferências sobre "Darwin e a Evolução" no Laboratorio Chimico. Esta semana (16 de Abril) foi a vez da antropóloga Eugénia Cunha falar sobre o tema "Como nos tornámos humanos?". A 23 de Abril será Octávio Mateus, paleontólogo, a abordar "A evolução e a paleontologia: o caso dos dinossáurios e outros vertebrados".

Seguem-se a bióloga do desenvolvimento Patrícia Beldade a 14 de Maio, com o tema "Evo-devo, uma nova disciplina que explica a diversificação evolutiva", e a bióloga Helena Freitas a 4 de Junho, que dissertará sobre "A evolução humana e o ambiente".

A Universidade do Minho, por sua vez, no âmbito das Jornadas de Biologia Aplicada, realiza de 22 a 25 de Abril a exposição de cartoons "Darwin 2009: Odisseia da Evolução" no Campus de Gualtar (Braga). Marcada por uma perspectiva humorística, a iniciativa é feita em colaboração com a FecoPortugal - Associação de Cartoonistas, e envolve cartoonistas de todo o mundo.

Quarta-feira, Abril 01, 2009

Revista "Ciências da Terra"


A revista científica Ciências da Terra tem agora um domínio próprio em www.cienciasdaterra.com com dezenas de artigos científicos em PDF gratuitos que se debruçam sobre geologia estrutural, estratigrafia, paleontologia, etc.

Esta revista é mantida pelo mantida pelo Departamento de Ciências da Terra da Faculdade de Ciências e Tecnologia da Universidade Nova de Lisboa.

Novos manuscritos são bem-vindos. Veja instruções aqui.




Domingo, Março 29, 2009

"O ateísmo é o flagelo do género humano"

Decorreu, de forma muito interessante, o debate “ Darwin: o impacto da herança de Darwin na Ciência e na Sociedade, o papel e o lugar do Homem na Natureza, as relações entre Ciência, Ética e Religião” que teve lugar na Sertã no passado dia 26 de Março de 2009. O balanço foi muito positivo e saúdo a organização (Instituto Vaz Serra).

Teve como participantes/oradores o Professor Daniel Serrão, o Professor Paulo Gama da Mota, Padre Manuel da Costa Freitas e eu próprio (Octávio Mateus).

As intervenções foram muito interessantes, mas houve uma que me chamou a atenção pela falta de sintonia com as restantes.

O Padre Manuel da Costa Freitas,  membro da Ordem Franciscana, docente da Universidade Católica Portuguesa e o coordenador da edição portuguesa da “Enciclopédia Interdisciplinar de Ciência e Fé” (Ed. Verbo) proferiu frases que eu não podia discordar mais.

Entre elas: “O ateísmo é irracional, prejudicial ao homem, prejudicial à sociedade, o flagelo do género humano”, “faz das pessoas animais ferozes”, até “canibais” e ainda “Duvidar é uma demência”. 

Apesar destas provocações carregadas de ódio pelos ateus, ninguém no debate (excepto eu) pediu explicações. Isto mostra a postura da nossa sociedade relativamente ao meio clerical em que podemos criticar todos excepto os clérigos.

Todos criticariam se fosse um político a dizer isto da oposição, um cientista a dizer de um colega, ou qualquer outra pessoa que proferisse tais palavras. Mas não se critica por ser um padre a tratar de religião. Porquê? Ninguém está acima da crítica, seja ele cientista, político, ou claro, clérigo. Mostra quão real é o cartoon que foi motivo de post no dia anterior.

No debate comentou ainda que Voltaire (1694 –1778) criticava Charles Darwin (1809—1882) e que havia estudos científicos que punham em causa a evolução darwiniana.

Acabei por fazer-lhe 4 perguntas: 1) Como é que Voltaire tinha criticado Darwin se viveu um século antes?; 2) Que enunciasse um estudo científico que  punha em causa a evolução darwiniana; 3) que justificasse a frase “duvidar é uma demência”; e 4) que enunciasse as provas de existência de deus (referidas na entrevista no Jornal Voz da Verdade). A sua resposta cingiu-se a um mero “É preciso termos mais tolerância”. Ainda bem que é o coordenador da edição portuguesa da “Enciclopédia Interdisciplinar de Ciência e Fé” ...

Quarta-feira, Março 25, 2009

Cartoon ateu


Cartoon por Don Addis sobre a assimetria tão frequente na (des)conversa entre crentes e ateus. 

Pervertosaurus

Uma sátira sobre a descoberta de um novo dinossauro na Argentina, o Pervertosaurus:




Paleontologists Discover Skeleton Of Nature’s First Sexual Predator

Obrigado ao André Levy por ter enviado o link.

Terça-feira, Março 24, 2009

Podcast da palestra "Dinossauros e outros fósseis como testemunhos de evolução"

Palestra "Dinossauros e outros fósseis como testemunhos de evolução" por Octávio Mateus  (DCT, FCT-UNL; Museu da Lourinhã) tem transmissão em Podcast a partir da página Darwin 2009 do site da Faculdades de Ciências e Tecnologia da UNL

Transmissão em podcast:  
(http://elearning.fct.unl.pt/eventos.html)

Segunda-feira, Março 23, 2009

Ciclo de Conferências na Lusófona



Nos dias 27 de Abril, 5 e 19 de Maio irá comemorar-se os 200 anos de Charles Darwin e os 150 anos da publicação de "A origem das espécies" com um ciclo de conferências na Universidade Lusófona (Auditórios Agostinho da Silva e Victor de Sá).

No dia 27 de Abril o painel vai contar com os seguintes conferencistas cada um a falar acerca da sua experiência como investigadores:
Teresa Avelar
Octávio Mateus
Carlos Bettencourt

RESUMOS:
Octávio Mateus

Museu da Lourinhã/Universidade Nova de Lisboa

http://www.museulourinha.org/ 


RESUMO: "A Evolução na perspectiva da paleontologia"

     Os fósseis são um dos melhores testemunhos da evolução pois frequentemente mostram exemplos de organismos já extintos que foram uma etapa no processo de transformação lenta e gradual, cumulativa e adaptativa, não aleatória, a que chamamos evolução.

     Excelentes exemplos são dados pelos vertebrados fósseis e pelos dinossauros. A evolução gradual destes animais de corpo reptiliano e sangue frio até às aves de sangue quente que hoje dominam tantos habitats terrestres é exemplificada por milhares de fósseis. É hoje claro que os dinossauros carnívoros terópodes deram origem às aves o que é patenteado por vários fósseis de dinossauros com penas. A origem de outros grupos de vertebrados como os cetáceos, os anfíbios e até os humanos está hoje bem suportada pelo registo fóssil.

 

Carlos Manuel Varela Bettencourt

 Licenciado em Medicina Veterinária pela Escola Superior de Medicina Veterinária de Lisboa, Mestre em Fisiologia da Reprodução pela Universidade do Utah, Logan, EUA e Doutor em Fisiologia da Reprodução pela Universidade do Missouri, Columbia, Mo., EUA. É, entre outros, Responsável pela Gestão do Centro de Experimentação do Baixo Alentejo, Técnico Superior da Direcção Regional de Agricultura e Pescas do Alentejo, Professor convidado de Fisiologia Animal e de Reprodução, Ginecologia e Obstetrícia da Faculdade de Medicina Veterinária da ULHT e Professor Auxiliar (30%) do Instituto de Ciências Biomédicas Abel Salazar – Medicina Veterinária (Teriogenologia). Está envolvido em diversos projectos de melhoramento e conservação genética (ex situ e in situ) de raças autóctones das espécies bovinas, ovinas, suínos e caprinos e autor de numerosas publicações na área da produção e fisiologia da reprodução de raças autóctones de espécies pecuárias. 

RESUMO: O que Darwin não sabia sobre as espécies pecuárias portuguesas

     "One species does change into another"- Darwin, 1837

“It is a truly wonderful fact... that all animals and all plants throughout all time and space should be related to each other.... I can see no explanation of this great fact in the classification of all organic beings; but to the best of my judgment, it is explained through inheritance and the complex action of natural selection." - Darwin, 1859

     “I soon perceived that selection was the keystone of man's success in making useful races of animals and plants. But how selection could be applied to organisms living in a state of nature remained for some time a mystery to me.”- Darwin, 1887

     Quando Charles Darwin em 1859 publicou pela primeira vez “On the Origin of Species”, assumiu que este trabalho era só o início: "In the distant future I see open fields for far more important researches,". O tempo veio a provar que estava certo e que, embora passados 150 anos, o conteúdo científico da sua obra se mantém relevante. Se atendermos ao facto que o termo “genética” só surge em 1905, 23 anos depois da sua morte, compreendemos a importância do “evolucionismo” na interpretação da biodiversidade fenotípica que caracterizava, à data, as populações animais existentes. Portugal, em termos de animais domésticos, mantém uma diversidade genética considerável, representada por 15 raças de ovinos, 5 de caprinos, 15 de bovinos, 3 de suínos, 4 de equinos, e 3 de galináceos. Estas raças constituem um património único desenvolvido ao longo de séculos. No entanto, e segundo os critérios da FAO, mais de metade das raças nacionais encontra-se actualmente em risco de extinção. À luz do “Darwinismo” a evolução destas espécies seria previsível se não houvesse intervenção do homem: “Man thus closely imitates Natural Selection”. A selecção “humana”, em muitos casos, sobrepõe-se á natural conduzindo ao “abismo” muitos recursos naturais. Inúmeros exemplos se aplicam à realidade portuguesa. Exemplos da responsabilidade do homem na quase extinção de raças bovinas autóctones tais como a Cachena, a Algarvia ou a Garvoneza, ou ovinas como a Campaniça e Merina Preta, ou a da suína Bísara e Malhado de Alcobaça ou das caprinas Algarvia e Serpentina são ilustrativos da teoria preconizada há 150 anos por Charles Darwin.

      “Analogy would lead me one step further, namely, to the belief that all animals and plants have descended from someone prototype. But analogy may be a deceitful guide. Nevertheless all living things have much in common” Darwin, 1839. 

     “That methodical selection has done wonders within a recent period in modifying our cattle, no one doubts”. Darwin, 1868.

     As semelhanças fenotípicas que se verificam entre algumas espécies pecuárias da América Latina e da Península Ibérica têm levado a comunidade científica a questionar-se sobre a sua origem. Curiosamente, raças sul americanas tais como a cabra Moxotó, o bovino Caracu, e o porco Nilo, embora apresentem características morfológicas comuns a congéneres ibéricas, esta proximidade, quando medida por com marcadores genéticos, até nem é muito grande. As diferenças poderão ser enquadradas numa teoria “evolucionista”? Terão resultado de um processo de selecção natural e/ou artificial durante 500 anos? Será que a selecção natural/artificial as foi afastando do material de origem? Terá sido um processo de deriva genética, em que uma pequena amostra levada originalmente já não estará representada hoje em dia? As novas biotecnologias actuais permitem responder a algumas das questões deixadas em aberto por Darwin em 1839 na “Voyage of the Beagle”. Muitas no entanto ficam ainda por responder! 

 

Teresa Avelar

     Teresa Avelar (n. 1957) obteve em 1979 a Licenciatura em Biologia na Universidade de Norwich, Reino Unido, mas, por não lhe ter sido concedida equivalência em Portugal, tornou a licenciar-se em 1983 na Universidade de Lisboa. Em 1991 obteve o Doutoramento em Biologia na Universidade de Lisboa. Desde então leccionou no Instituto Superior de Psicologia Aplicada (Lisboa) e na Universidade Lusófona. As suas publicações incluem os livros Ecologia das populações e comunidades (1996, Edições Gulbenkian, em colaboração com M.T. Rocha Pité), Quem tem medo de Charles Darwin (2004, Relógio d’Água, em colaboração com M. Matos e C. Rego) e Evolução e Criacionismo – uma relação impossível (2007, Quasi Edições, em colaboração com A. Gaspar, O. Mateus e F. Almada), eEvolução a duas vozes: Darwin e a Evolução, (2009,  Bertrand Editora). Ao nível de investigação, colaborou com Margarida Matos em aspectos teóricos relacionados com a adaptação ao laboratório emDrosophila. Os seus interesses são principalmente na área da Evolução e História da Biologia Evolutiva.  

RESUMO: Selecção natural e microevolução

     Quando Darwin publicou A Origem das Espécies e propôs a selecção natural como principal mecanismo evolutivo, não havia dados empíricos demonstrando directamente a acção da selecção na Natureza. Hoje os exemplos são inúmeros – não só nos casos microorganismos que nós seleccionámos inadvertidamente para maior resistência a antibióticos, como em animais e plantas na Natureza. Iremos detalhar apenas alguns exemplos, escolhidos de modo a ilustrar a importância das contingências na selecção e a diversidade de espécies em que podemos demonstrar a sua acção. 
 


 



Outras actividades:

Ciclo de Conferências na Lusófona sobre Charles Darwin

via Bio Conselho de Estudantes da Lusófona by BioCEL - Bio Conselho de alunos da Lusófona 


Nos dias 27 de Abril, 5 e 19 de Maio irá comemorar-se os 200 anos de Charles Darwin e os 150 anos da publicação de "A origem das espécies" com um ciclo de conferências.

No dia 27 de Abril o painel vai contar com os seguintes conferencistas cada um a falar acerca da sua experiência como investigadores:
Teresa Avelar

Octávio Mateus

Carlos Bettencourt

Augusta Gaspar


As conferências serão nos Auditórios Agostinho da Silva e Victor de Sá, sendo a entrada livre.

Debate na Sertã: Herança de Darwin na Ciência e na Sociedade

No próximo dia 26 de Março, na Casa da Cultura da Sertã, pelas 17h45, vai haver um debate sobre a herança de Darwin na Ciência e na Sociedade, o papel e o lugar do Homem na Natureza e as relações entre Ciência, Ética e Religião.

São os participantes:
Daniel Serrão, Professor Catedrático jubilado na área das Ciências Médicas
Paulo Gama Mota, Professor Associado da Universidade de Coimbra
Octávio Mateus, Paleontólogo do Museu da Lourinhã e Universidade Nova de Lisboa (CICEGe)
Padre Manuel Costa Freitas, membro da Ordem Franciscana, docente da Universidade Católica Portuguesa


Reproduzo as notícias da Rádio Contestável e Pinhal Digital sobre este assunto:

CERNACHE DO BONJARDIM - “O mundo depois de Darwin – uma reflexão sobre Ciência, Ética e Religião” PDF Imprimir e-mail
22-Mar-2009

É este o tema de uma mesa redonda que o Instituto Vaz Serra vai levar a efeito, no próximo dia 26 de Março, na Casa da Cultura da Sertã, pelas 17h45.
Esta iniciativa visa assinalar o bicentenário do nascimento de Charles Darwin, pretendendo-se discutir algumas das questões e controvérsias associadas à obra do cientista, como sendo o impacto da herança de Darwin na Ciência e na Sociedade, o papel e o lugar do Homem na Natureza e as relações entre Ciência, Ética e Religião.
Esta mesa redonda insere-se na Semana Cultural do Instituto Vaz Serra e terá como participantes Daniel Serrão, Professor Catedrático jubilado na área das Ciências Médicas, membro de organismos nacionais e internacionais ligados à Bioética, Paulo Gama Mota, Professor Associado da Universidade de Coimbra, nas áreas da Evolução e da Etologia, e director do Museu da Ciência da Universidade de Coimbra, Octávio Mateus, responsável pela Paleontologia do Museu da Lourinhã e especialista em Dinossauros e Padre Manuel Costa Freitas, membro da Ordem Franciscana, docente da Universidade Católica Portuguesa, colaborador, desde a sua fundação, da Enciclopédia Luso-Brasileira de Cultura e da Enciclopédia Verbo Século XXI.
Numa região afastada dos centros académicos e dos grandes fóruns de discussão, a Direcção do Instituto Vaz Serra considera assim “fundamental a organização de encontros deste tipo, como forma de aproximar a comunidade, e os jovens, em particular, da cultura científica e da reflexão sobre os grandes temas da actualidade”.
A sessão será aberta toda a população interessada.

Sexta-feira, Março 20, 2009

Ode ao Morphbank



Há coisas transversais em toda a ciência, não é só o empirismo, a reproducibilidade, a universalidade e essas coisas... o cientista é também um ser territorial. Quem já não ouviu falar das disputas de autoria de certos teoremas matemáticos? Quem já não ouviu falar do espanto que Darwin sentiu quando recebeu a carta de Wallace, alegando que tinha tido uma ideia semelhante? Na paleontologia passa-se o mesmo... quem descreveu primeiro o espécime, quem teve primeiro uma dada ideia, tudo isso conta; e até certo ponto com uma certa razão de ser. No entanto, há alturas em que isto se torna absolutamente ridículo. Por exemplo, se formos às reservas do Natural History Museum em Londres e se fotografarmos os espécimes temos de previamente assinar uma declaração de forma e não usamos as fotografias para mais nada a não ser uso próprio para fins científicos... Ora, isto tem algum cabimento? Teria se os fósseis ainda não tivessem sido publicados, mas acontece que muitos deles não foram tocados desde quase do tempo de Darwin, ainda nem a Teoria da Relatividade tinha sido inventada, nem a bomba atómica, nem existia Internet, nem computadores sequer. O que acontece actualmente é que o acesso aos espécimes é actualmente extremamente difícil. E depois há outra questão, é que muitas vezes quando os paleontólogos não publicam (ou demoram a publicar - dizem eles) ficam como que detentores dos espécimes e não deixam que ninguém lhes toque... Existe um episódio
engraçado que nos foi contado pelo nosso colega Jesper Milàn: havia um qualquer paleontólogo na Dinamarca que tinha a seu cargo o estudo de uma colecção de peixes. Mas a colecção tardava a ser estudada e o tal senhor mantinha religiosamente guardados os seus peixinhos trancados num armário... ai de alguém que ousasse só pensar em olhar para o armário!! E bom, o tempo foi passando... e passando... até que o homem morreu e os peixinhos nunca viram a luz da ciência porque se mantiveram bem arrumadinhos e empacotadinhos no armário. Como é que isto é possível? Não sei até que ponto o direito ao estudo pode substituir o direito ao conhecimento universal!

Há solução para este problema? Claro que sim. Basta pensarmos um pouquinho para podermos encontrar várias soluções. E parece por demais óbvio, que não devia ser necessário fazer uma longa viagem à China com uma pessada máquina fotográfica e tripé às costas, para podermos ter acesso, a fotografias de qualidade de fósseis que estejam nos museus do Império do Meio. No século das novas tecnologias e da Internet todos nós partinhamos informação e imagens apenas através de um clique. São milhões e milhões os jovens que partilham imagens e textos sobre si mesmos descrevendo os mais ínfimos detalhes pessoais. Quem não conhece os Hi5, os Orkut e os Facebooks por aí fora...?
Naturalmente, surge uma questão, não podemos fazer a mesma coisa com espécimes de animais importantes? E a resposta é um rotundo sim! Não é preciso ser um génio para o fazer, mas a ideia é de facto genial e ao construirmos bancos de dados online com informação morfológica vamos poder trocar dados muito rapidamente e todos os especialistas terão a vida extremamente facilitada. Lembrem-se que quem faz anatomia comparada necessita de, como é óbvio... comparar! A ideia deve ter começado com o bancos de genes online. Ou seja quem mapeava uma parte do genoma de um organismo colocava essa informação (depois de devidamente publicada numa revista da especialidade) online, para todos saberem o que tinha sido descoberto e não perderem tempo a mapear as mesmas partes do genoma dos mesmos organismos... há outras vantagens como permitir que se estudem centenas de genes de centenas de organismos simultâneamente. Já pensaram no poder de análise que conseguimos se todos partinharem os seus resultados? É um pequeno passo para o homem... mas um enorme salto para a Ciência. Nasceu assim o genebank! Nunca, em toda a história do planeta, tivemos tantas mentes brilhantes a fazer ciência e simultâneamente! E ainda por cima com as melhores ferramentas informáticas e tecnológicas de sempre. O meios nunca foram tão poderosos e nunca tivemos tantos humanos a utilizar esses recursos para conhecermos o mundo.

Por isso, apoiamos com total firmeza iniciativas como o Morphbank ou o Morphobank (sic!). Explorem-nos, usem e abusem deles!
E que o conhecimento científico não permaneça arrumadinho em armários, mas sim livre a todos os que o queiram conhecer e estudar. Cresça floresça e caminhe esta nova ferramenta ao dispor dos sábios do nosso tão precioso mundo.

http://www.morphbank.net/

Autoria partilhada do post com: Rui Castanhinha

Quinta-feira, Março 19, 2009

Pseudofósseis: Dendrites


A fotografia acima mostra cristais de dendrites em calcário. Embora tenham o aspecto e sejam vulgarmente confundidas com plantas ou fungos, as dendrites não têm qualquer origem biológica e tratam-se de impregnação lenta de cristais de óxidos de manganêse ferro nos interstícios do calcário.
Há dendrites famosas e comuns em calcários litográficos como os de Solnhofen que preservaram famosos fósseis de Archaeopteryx, a primeira ave fóssil. Em Portugal ocorre vulgarmente em pedras de calcário do Jurássico médio.

Quarta-feira, Março 18, 2009

Freeware: Safe Taxonomic Reduction



Não sei até que ponto este post poderá ser útil aos leitores deste blog, mas gostava de partilhar um software que costumo usar para análises filogenéticas: é o TAXEQ3. Este pequeno programa permite retirar com segurança táxones de uma matriz caracteres versus taxa sem que a informação que estes encerram comprometam a resolução da árvore e, ao mesmo tempo, se possa estar a eliminar informação filogenética relevante. O programa pode ser descarregado daqui.

Imagem daqui.

Sábado, Março 14, 2009

Darwin na FCT/UNL: 2ª Conferência-debate 11 Março


logo

Ciclo de Conferências-Debate

Sessões às quartas-feiras, às 14h, no Auditório da Biblioteca, incluindo intervenções de 2 a 3 oradores convidados, com um moderador por tema. Cada sessão será seguida de debate com a audiência dirigido pelo moderador.




18 de Março: “A evolução de facto” (mais info)

Moderador: José Moura (DQ, FCT-UNL)

Conferências:

"Dinossauros e outros fósseis como testemunhos de evolução"

Octávio Mateus (DCT, FCT-UNL; Museu da Lourinhã)

"O sonho de Darwin: a árvore da vida"

Álvaro Fonseca (DCV, FCT-UNL)

"Evolução agora"

André Levy (Unidade de Investigação Eco-Etologia, ISPA)


Transmissão em directo:



(http://elearning.fct.unl.pt/eventos.html)

Segunda-feira, Março 09, 2009

À conversa com...

Vale a pena ver as declarações de um padre católico sobre a Evolução.
Num ano em que se discute tanto a teoria proposta por Darwin e Wallace em 1958, não poderia estar mais de acordo com todas as frase proferidas por este Jesuíta.
Uma lição de humildade e sabedoria comum à ciência e ao cristianismo.



Enormes são as críticas que se podem fazer, mas neste aspecto, somos usualmente muito ignorantes sobre a posição da Igreja. O resultado é, normalmente, colocar todos os religiosos no mesmo saco. Infelizmente somos assim...
Por favor, não percam o resto da entrevista que está disponível no youtube!





Publicado simultaneamente no Conjurado

Domingo, Março 08, 2009

Conferência Geocolecções

Conferência Internacional Colecções e museus de Geociências: missão e gestão  
Coimbra, 5 e 6 de Junho de 2009   

CALL FOR PAPERS

 

Auditório do Museu de Ciência da Universidade de Coimbra

 

Data limite para entrega de resumos – 30 de Março

 

Destinatários:

Gestores de colecções de museus na esfera das Universidades e Administração Central, Regional e Local

Técnicos dos Centros de Ciência / Centros de Interpretação

Profissionais e estudantes de Geociências, Museologia e Comunicação de Ciência

 

Desafios:

Documentação e conservação de materiais geológicos

Novas formas de comunicar em Geociências

História das colecções e dos museus

 

Mais informações: http://sites.google.com/site/geocoleccoes

 

geocoleccoes@gmail.com

Fotografias do dia

Duas fotografias "geoartísticas" da geologia do Jurássico Superior da região Oeste:
Acima está o marmoreado criado pelo arenito (a cinzento), por presença de enxofre (a amarelo) e carvão (a negro).

Abaixo são nódulos de pirite.

Posted by Picasa

Sexta-feira, Março 06, 2009

Vamos à Acção: não à venda de fósseis!


Se há coisa que não gosto particularmente de fazer é andar a ler leis, decretos e despachos... mas são estes os moldes em que a nossa sociedade foi erguida e como tal há que usá-los para nosso benifício.
A minha ideia foi averiguar o que se tinha legislado na arqueologia sobre a questão de venda e alienação de património arqueológico e verificar de que maneira a ponte se pode estabelecer com a paleontologia. Isto porque o lobby da arqueologia é claramente superior ao punhado de paleontólogos desgostosos que existe.
Devo desde já dizer que fiquei surpreendido pelo número de coisas que consegui apanhar e com a facilidade com que as obtive: daqui a legislação sobre a defesa do património geológico e daqui a legislação sobre a defesa do património arqueológico.
Daquilo que fui lendo, há claramente uma conclusão que me deixou estupefacto: a lei é omissa em relação à venda de património quer arqueológico quer paleontológico. Por outro lado, o património paleontológico está abrangido pela mesma esfera que o património arqueológico, se bem que se vê claramente que as leis foram escritas por influência de arqueólogos e não de paleontólogos uma vez que a adequação e a profundidade das matérias aboradadas reclinam claramente sobre a arqueologia.


Fotografia: Octávio Mateus, dente dental de Tenontosaurus dossi.

Quinta-feira, Março 05, 2009

XIII ENEB (Encontro Nacional de Estudantes de Biologia)

XIII ENEB
Depois de treze anos de ENEB, este volta a Évora com a temática
"De Volta às Origens". 
O XIII ENEB (13º Encontro Nacional de Estudantes de Biologia) decorrerá na "Cidade Museu" entre os dias 4 e 7 de Abril 2009, nas instalações da Universidade de Évora. Este encontro visa promover a troca de ideias e experiências entre estudantes de ciências biológicas provenientes de todo o país, além de complementar a formação dos estudantes, pelo acesso a várias
palestras e workshops no âmbito da Biologia. 

A inscrição inclui a entrada em todas as palestras, debate e festas do ENEB, direito a participação num workshop, alimentação durante o evento, Certificado de Participação e kit ENEB. Já se encontra disponível o site oficial do XIII ENEB (www.xiiieneb.org). 

Esperamos-vos na "Mui Nobre e Sempre Leal Cidade de Évora".

Nós estaremos presentes no domingo, dia 5 de Abril com a palestra "Explorando a paleontologia de dinossauros em Portugal e no mundo" por O. Mateus.


Top 10 (+1) da Paleontologia de Vertebrados


Existem alguns centros de investigação à volta do mundo que são determinantes e extremamente influentes. Muitos deles estão nos Estados Unidos, se bem que também em Inglaterra e Alemanha se produz muita e boa informação científica. Nas economias emergentes, ao ritmo de crescimento económico, também existe um forte potencial de desenvolvimento científico. Nomeadamente a China, o Brasil e a África do Sul (um de cada continente) têm dado provas de qualidade com os seus investigadores publicando nas melhores revistas. Escolhi 10 universidades ou instituições que me parece que tenham desenvolvido trabalho influente nos anos recentes para as próximas décadas. Corro o risco, contudo, de omitir grandes instituições que também elas têm contribuído para o progresso da paleontologia de vertebrados.

University of Bristol (http://palaeo.gly.bris.ac.uk/). O seu departamento encabeçado por Mike Benton tem desenvolvido trabalho nas mais diversas áreas da paleontologia de vertebrados desde morfologia funcional e biomecânica, até grandes questões como eventos de extinção em massa e diversidade. Também têm um grupo que lidera a construção das chamadas 'supertrees', que estabelecem as relações de 'parentesco' entre grupos de animais requerendo vastos recursos informáticos dada a quantidade de informação processada.

The Natural History Museum (http://www.nhm.ac.uk/). As suas magníficas e lendárias instalações fazem jus à qualidade da ciência que lá se produz. São fomentores da revista Paleontologica Electronica que disponibiliza artigos científicos grátis na internet (http://palaeo-electronica.org/).  Têm um projecto colossal de inventariação de todos os Tetrápodes fósseis usando tecnologia SIG (sistemas de informação geográfica).

Ohio State University (http://www.oucom.ohiou.edu/dbms-witmer/lab.htm). Em particular o Witmer's Lab tem desenvolvido um trabalho muito amplo de aplicações e de importância extrema, nomeadamente: a morfologia e anatomia dos cérebros dos arcossauros (que incluem crocodilos, dinossauros e pterossauros). Isto tem requerido tecnologia de ponta como tomografias de alta resolução. Isto permite ver nos fósseis coisas como as estruturas timpânicas, que tem sido o principal motivo de estudo deste grupo. Também têm promovido expedições a África principalmente em Madagáscar.

University of Chicago (http://geosci.uchicago.edu/research/paleo_evo.shtml). Para além do lendário David Jablonski que deu contributos fundamentais para a compreensão da macroevolução fazendo uso da paleontologia; no mesmo departamento Paul Sereno percorre o Níger, Marrocos e outros países para recolher dinossauros. Mas também é promovida investigação em tetrápodes primitivos tentando-se concomitantemente compreender a aquisição de caracteres morfológicos no decurso da evolução.

University of Alberta (http://www.biology.ualberta.ca/wilson.hp/UALVP.html). O trabalho de investigação desta instituição tem sido potenciada pelas inúmeras  descobertas de vertebrados fósseis que se têm feito na região. Phil Currie é um dos nomes sonantes que já passou pelo Laboratory of Vertebrate Paleontology, que tem trabalhado principalmente com dinossauros terópodes (carnívoros bípedes). Michael Caldwell também tem desenvolvido um trabalho fundamental na compreensão da origem de certos grupos dos Squamata (tudo o que seja lagartos e serpentes), nomeadamente no surgimento e evolução das serpentes e dos mosassauros (répteis marinhos que existirão durante o período Cretácico). Os seus recursos são impressionantes com vários aparelhos de tomografia de alta resolução e microscópios electrónicos de ponta.

American Museum of Natural History (http://paleo.amnh.org/). O AMNH, como é geralmente comnhecido, é uma instituição com uma longa e vasta influência nos meandros da paleontologia de vertebrados, tendo sido a casa de um dos mais míticos caçadores de dinossauros Barnum Brown. O seu legado é hoje carregado aos ombros de também eles grandes paleontólogos como Mark Norrell, John Flynn e Michael Novaceck. Eles têm desenvolvido expedições em Madagáscar e Mongólia, por exemplo.

University of California, Berkeley (http://www.ucmp.berkeley.edu/people/padian/home.php). É aqui que Kevin Padian e o seu laboratório tem desvendado os segredos sobre a origem dos dinossauros, incidindo sobretudo numa época que se pensa ter sido fulcral: a fronteira entre o Triásico e o Jurássico. Mas Padian e os seus estudantes também estão preocupados com grandes problemas da evolução, como a origem do voo nas aves. Só sobre este tópico muita tinta tem corrido nas principais revistas científicas nos últimos tempos e o conhecimento produzido nesta área marcará, sem dúvida, as próximas gerações de paleontólogos.

Institute of Vertebrate Paleontology and Paleoanthropology (http://www.ivpp.ac.cn/cn/). Esta instituição científica deve, ao todo, ter mais paleontológos do que os que existem em toda a Ibéria multiplicada duas vezes. Só entre 1999 e 2005 foram publicados cerca de 45 artigos na Nature e Science, que são duas revistas científicas de elevadíssimo grau de exigência. A quantidade de material fossilífero de relevo produzido na China é proporcional à dimensão do estatuto do IVPP.

Montana State University e Museum of the Rockies (http://www.museumoftherockies.org/). No estado de Montana têm sido feitas inúmeras descobertas principalmente no Jurássico superior (e.g. Formação de Hell Creek) e Cretácico superior (e.g. Formação de Cloverly). E nestas formações geológicas não só veveram dinossauros mas também – à sua sombra – pequenos mamíferos, lagartos, anfíbios, etc.. Jack Horner, o mais preeminente paleontólogo daquele estado, dedica-se essencialmente à evolução e ecologia dos dinossauros. Mas os seus estudantes dedicam-se também a aspectos mais vastos como microvertebrados e histologia.

Universität  Bonn (http://www.sauropod-dinosaurs.uni-bonn.de/). Este grupo de investigação interdisciplinar tem o propósito pouco ambicioso de: "saber tudo sobre saurópodes". Neste grupo se inclui por exemplo Martin Sander, especialista em histologia (estudo dos tecidos, que na paleontologia se resumem geralmente aos ossos).

Museu da Lourinhã (http://www.museulourinha.org/). É óbvio que ainda estamos longe de ter a excelência dos centros de investigação acima citados, mas, à nossa escala temos tido um impacto extremamente positivo no mundo da paleontologia… O nosso lugar feito por avaliadores independentes não estaria com certeza nos dez lugares mais cimeiros. Por enquanto não temos aparelhos de tomografia sofisticados nem laboratórios com equipas de dez preparadores, mas temos, isso sim, a ambição de um dia lá poder chegar!



Publicado também no Boletim do Museu da Lourinhã nº 13.

O que é, realmente, um fóssil?


Começo por dizer que assumo desde já a minha "douta ignorância" e, talvez, em de esta ser uma “pergunta a quem sabe” seja, isso sim, a quem sabe mais um bocadinho ou a quem pensou um bocadito mais sobre um determinado assunto. Estas questões de definições são muitas vezes meros exercícios académicos mas, sem dúvida que pensar sobre eles pode gerar conclusões engraçadas. As definições são, como é claro, importantes mas restringem a um número finito de palavras aquilo que é inefável: uma determinada realidade. Mas, por outro lado, criam limites mais objectivos a um conceito abstracto. Neste caso o conceito que queremos definir é: fóssil. É um conceito e não uma realidade. Passo a explicar: geralmente quando se pensa em fósseis
imaginam-se calhaus com a forma de osso, ou dentes muito preservados, duros que nem pedra. Mas, não é nestes casos que incide o problema da definição. Sabemos que não é nos vestígios de organismos mineralizados (i.e. transformados em pedra) que incide o nosso problema, mas sim nos casos limite: será um mamute siberiano congelado um fóssil? Será uma múmia egípcia um fóssil? Serão fósseis os vestígios ósseos de cadáveres de elefantes no Serengueti? Não deixa de ser difícil estabelecer uma fronteira clara.Para contornar esta questão alguns paleontólogos erigiram uma
barreira arbitrária aos 10.000 anos, que é a fronteira do Holocénico e, além disso, coincide com o aparecimento do Homo sapiens e uma glaciação. Ou seja, a partir do momento em que o Homem começou a ter impacto substancial na alteração do meio ambiente (sim! porque não foi só a partir da Revolução Industrial, já há 10.000 anos
eventos de extinção tem sido atribuídos à caça feita pelos homens; por exemplo, a extinção das megafaunas Norte-Americana e Australiana). Mas repare-se que esta definição não é inerente ao fóssil em si, mas sim a uma realidade que lhe é paralela e, de certo modo, independente: é uma definição antropocêntrica, em vez de ser
relativa ao fóssil em si. Isto é, que raio tem o aparecimento do Homem a ver com o estado de fossilização de um mamute, suponhamos? Não me parece correcto! Repare-se ainda que podemos encontrar vestígios com 8.000 anos muito mais diageneticamente alterados que vestígios com 14.000 anos (chama-se diagénese ao conjunto de processos de transformação dos sedimentos em rochas, nos quais se podem incluir os sedimentos orgânicos que darão origem aos fósseis). Portanto, a questão do Homem e dos 10.000 anos parece passar um pouco ao lado deste assunto. Isto leva-nos a crer que a nossa
definição tem de ser intrínseca aos próprios vestígios e tem de abranger estas situações limite. Parece-me então que uma boa definição seria: "todos os vestígios
somáticos de organismos afectados por um qualquer processo diagenético". Somático, porque exclui os chamados trace fossils, mas também pegadas e afins. De organismos e não orgânicos, porque a evidência tem de ser directa, e isto exclui os coprólitos
(defecações fossilizadas), ou sinais orgânicos peculiares tais como alterações dos níveis de isótopos estáveis de oxigénio – ao contrário dos isótopos radioactivos, que se desintegram, há alguns isótopos que não variam as suas concentrações ao longo do tempo. Contudo, esta definição exclui, por exemplo os mamutes siberianos...
porque eles estão simplesmente dessecados e congelados, e não diageneticamente alterados. Pelo que, ao abrigo desta definição, mamutes congelados não são fósseis.
Mas poderíamos tentar incluir também os mamutes, e poderíamos alterar a nossa definição para algo do género: "todos os vestígios somáticos de organismos cujo decaimento biológico esteja inibido". Ou seja, não são permitidas alterações por
bactérias aos vestígios dos organismos. Mas isto é um bocado estranho, porque então qual é a legitimidade que teríamos para dizer que o mamute é fóssil mas o frango que temos no congelador não é? Apesar de ser mais exclusiva, a primeira definição parece ser a mais adequada.

Fotografia: Ricardo Araújo

Publicado concomitantemente no Boletim do Museu da Lourinhã nº 13.

Quarta-feira, Março 04, 2009

Miragaia longicollum: ilustração



Esta é a imagem do holótipo (espécime de referência) do dinossauro estegossauro Miragaia longicollum da aldeia de Miragaia, perto da Lourinhã. A branco estão os ossos que foram descobertos no local. A figura humana segura uma escala com 2 metros.

Ilustração por O. Mateus.

Gertie, the dinosaur



"Gertie, the dinosaur" foi o primeiro cartoon e animação sobre dinossauros a ser feito. Era um saurópode simpático em que o seu autor, Winsor McCay, parodiava com o seu tamanho gigantesco. Girtie era um dinossauro amestrado que obedecia respeitosamente às ordens de um senhor vestido de maestro.

Segunda-feira, Março 02, 2009

Calendário de eventos paleontológicos

Aqui vai um calendário de eventos paleontológicos: congressos, palestras e afins.




Colegas interessado em participar e contribuir para este calendário são bem vindos.

Palestras na Academia de Ciências de Lisboa sobre Darwin

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ACADEMIA DAS CIÊNCIAS DE LISBOA 

      Por ocasião do bicentenário do nascimento de Charles Darwin, o Presidente da Academia das Ciências de Lisboa tem a honra de convidar V.Exª para o ciclo de sessões “O Darwinismo duzentos anos depois” que prossegue com “A Evolução Biológica e as Ciências Naturais”, no dia 5 de Março de 2009, quinta-feira, na Sala das Sessões desta Academia, a partir das 14:30 horas. 

      Apresentam comunicações os Académicos Senhores João Pais (Darwin e a Evolução das plantas), Miguel Telles Antunes (Darwin e a Paleontologia – alguns aspectos) e Artur Torres Pereira (Evolução: Grandeza de uma teoria científica, e o desafio da Educação).

 
 
05 Março

14:30

O DARWINISMO DUZENTOS ANOS DEPOIS III: A Evolução Biológica e as Ciências Naturais (M. Telles Antunes, coord.)
1.João PaisDarwin e a Evolução das plantas
2.Miguel Telles AntunesDarwin e a Paleontologia – alguns aspectos
3.Artur Torres PereiraEvolução: Grandeza de uma teoria científica, e o desafio da Educação

Via Academia de Ciências de Lisboa.

Ilustração: Miragaia longicollum


O novo estegossauro Miragaia longicollum tem dado que falar, quer na comunicação social, quer na comunidade científica, tanto que ontem dei comigo a “rabiscar” uma possível reconstituição deste animal. Aqui vai o resultado final! ©Carlos Marques

Miragaia longicollum na SIC

O novo dinossauro Miragaia longicollum mereceu hoje (1.3.2009) uma reportagem no canal SIC:




http://sic.aeiou.pt/online/video/informacao/Jornal+da+Noite/2009/3/dinossauromiragaia.htm

Domingo, Março 01, 2009

Sonic hedgehog


Isto é a Evo-Devo em acção! "Evolutionary developmental biology" é um ramo da biologia em franca expansão (mas que já se começa a falar no seu fim...) e com dados absolutamente fascinantes; um dos seus maiores protagonistas é Sean Carroll da Universidade de Wisconsin.
Uma das maiores conclusões descobertas por esta nova ciência são os genes Hox, que partilhamos com todos os animais com plano corporal. Outro gene muito importante é o Sonic Hadgehog que regula o eixo de simetria nos crânios de vertebrados. Diminiuindo a expressão do gene resulta em holoprosencefalia (ou seja ficamos com ciclopes), que não é adequado mostrar neste blog (quem tiver curiosidade pode fazer uma pesquisa no Google em "holoprosencephaly"). Contudo aumentando a expressão do gene Sonic Hadgehog provoca uma duplicação do eixo de simetria. Como podem ver pela fotografia do gatinho, aparentemente funcional e saudável. Afinal, a genética funciona mesmo!

Fonte: a minha amiga Kim Lum, por isso não temos a fonte das imagens.

Miragaia longicollum, II



Breve historial (10 anos) do holótipo de Miragaia longicollum (ML433):
1999: Descoberta e primeira escavação.
2001: Segunda escavação.
2002-2005: Preparação laboratorial
2006: Execução de moldes e réplicas
2006-2008: Estudo
2006: O esqueleto integra uma exposição no Japão.
2007.5.26: Apresentação da réplica do
 esqueleto no Museu da Lourinhã.
2009: Publicação científica que o reconhece como uma espécie nova:
  Miragaia longicollum.

Inicialmente pensava-se tratar-se de um Dacentrurus armatus, mas o estudo publicado na revista inglesa Proceedings of the Royal Society of London B (disponível aqui e PDF aqui) mostra que se trata de um novo taxon.

 

Sábado, Fevereiro 28, 2009

Estudar nos EUA: como fazer?


Se estás a pensar em estudar nos Estados Unidos, fazes bem! É, em muitas áreas, entre as quais a paleontologia, a Grécia dos tempos modernos. Contudo estudar do outro lado do Atlântico apresenta um desafio por si só! Alguns conselhos e processo normal:

1) Aumentas as possibilidades de seres colocado na Grad School (mestrados e doutoramentos) se já tiveres alguma forma de financiamento cá (e.g. Fulbright, FCT, etc.)

2) Convém começar todo o processo pelo menos um ano antes! E isto é a sério! A burocracia de que é preciso tratar é absolutamente avassaladora e como muitas Universidades Portuguesas ainda não estão habituadas à ideia de mobilidade isso pode desencadear obstruções graves.

3) Um ano antes deves ter um "personal statement" escrito (um texto de índole muito pessoal que explica as razões mais profundas que sustentam uma candidatura), um "studies objectives" escrito (ensaio de carácter mais académico que deve incidir na temática em causa, objecto de estudo e metodologias).

4) Deves fazer uma investigação pormenorizada sobre os programas a que te queres candidatar: se se adequam ao teu currículo, se são aquilo que queres, qual é o professor que queres que seja o teu orientador durante dois anos (mestrado) ou cinco anos (doutoramento), qual o currículo do professor, qual a taxa de empregabilidade dos ex-alunos desse professor.

5)Em Setembro/Outubro tens de ter o GRE (Graduate Register Examination) e o TOEFL feitos! Isto são dois exames rídiculos que se têm de fazer para entrar na Gradschool. O TOEFL testa o teu nível de proficiência de Inglês, o GRE avalia... não sei muito bem o quê... segundo eles avalia as valências adquiridas ao longo do teu percurso escolar e académico (ao contrário de um teste de QI que testa qualidades inatas). No final de contas, o meu estudo para o GRE resumiu-se a decorar o significado de mais de 5000 palavras eruditas e recambulescas em inglês e a a aprender a fazer contas de cabeça mais rápido... foi tudo... Se acreditam que até sabem falar inglês e tal, o GRE vai disprovar isso mesmo. Caso contrário digam-me de cabeça o que quer dizer: "lackadaisical" ou "plutocratic"!

6) Lá para Dezembro já devem ter submetido as vossas candidaturas às diferentes universidades (5 é o nº ideal de universidades a que se devem candidatar, podem assim manter um espectro amplo de tipos de universidades diferentes e não gastar muito dinheiro... porque cada candidatura são para aí uns 100$).

7) Depois é aguardar... de Fevereiro até Abril deverão saber o resultado das vossas candidaturas. Geralmente o ano académico começa de Julho a Setembro. Podem entretanto ir pedindo o Visto e as declarações médicas (sim, porque eles não querem gastar muito dinheiro contigo!).


Alguns sites para mais informação:

About.com
Admissions.com (Monster)
Gettingingradschool.com
GradSchools.com
Gradschooltips.com
Gradview.com (Hobsons)
Kaplan
Offtocollege.com
Petersons
PhDs.org
Princeton Review
Studenttools.com
Masterstudies.com
StudyPlaces.com

Bom trabalho!

Fotografia: Ricardo Araújo, dente de mastodonte.

Miragaia longicollum: um novo dinossauro português



Um novo dinossauro apresentado pelo Museu da Lourinhã desafia a visão tradicional dos estegossauros


O Museu da Lourinhã apresenta um novo género e nova espécie de dinossauro do Jurássico publicado na conceituada revista Proceedings of the Royal Society e que baptizou como Miragaia longicollum.


Os dinossauros estegossauros são normalmente identificados pelas suas placas no dorso, espinho na cauda, membros pequenos e pescoço curto. Contudo, um novo estegossauro com 150 milhões de anos, descoberto perto da Lourinhã, surpreendeu os paleontólogos do Museu da Lourinhã, Universidade Nova de Lisboa e Universidade de Cambridge pelo seu pescoço comprido.


Ainda que o pescoço de cerca de metro e meio do Miragaia longicollum possa parecer pequeno quando comparado com o dos gigantes saurópodes, as 17 vértebras cervicais representam mais cinco do que as do Stegosaurus e mais dez do que a girafa - sendo o mesmo número mais alto entre todos os dinossauros não-avianos.

O alongamento do pescoço ocorreu por dois processos evolutivos: pela adição de mais vértebras do pescoço e pela cervicalização, isto é, a transformação de vértebras do dorso em pescoço.


O aumento no comprimento do pescoço deste dinossauro demonstra a evolutiva flexibilidade dos dinossauros e sua capacidade de se adaptar às mudanças.

Mas o que levou este estegossauro a evoluir para um pescoço comprido? Os paleontólogos levantam duas hipóteses: a competição com outros dinossauros leva a explorar áreas de alimentação menos usadas por outros herbívoros, ou a selecção sexual, em que os indivíduos de pescoço maior seriam mais facilmente seleccionados pelos parceiros.

O nome Miragaia longicollum tem duplo significado: se por um lado Miragaia é a povoação perto da Lourinhã, onde foi descoberto, também significa "bela Gaia" (deusa da Terra), de pescoço longo.

O estudo baseia-se na parte da frente de um esqueleto e inclui o único conhecido craniano de um estegossauro na Europa, em exposição no Museu da Lourinhã.

Neste estudo identificou-se não só uma nova espécie e género, mas também um novo grupo (equivalente a uma sub-família) de dinossauros: os Dacentrurinae.

 

Artigo científico: Mateus, O., Maidment, S.C.R., and N.A. Christiansen. 2009. A new long-necked ‘sauropod-mimic’ stegosaur and the evolution of the plated dinosaurs. Proceedings of the Royal Society B, first online. DOI 10.1098/rspb.2008.1909.

 
 


Sexta-feira, Fevereiro 13, 2009

Exposição de Darwin na Gulbenkian (inauguração)

A  exposição de Darwin na Gulbenkian inaugurada ontem (12.2.2009) no 200º aniversário do nascimento de Charles R. Darwin está espectacular.
A inauguração estava cheia de gente: centenas de pessoas acotovelaram-se para entrar na exposição.  O elenco de visitantes parecia uma reunião de evolucionistas de Portugal pois estavam lá todos os "cromos" da nossa praça: todos aqueles"clássicos"  professores universitários, autores de livros de evolução, biólogos evolucionistas, jovens e menos jovens investigadores, etc. É com grande agrado que vejo o entusiasmo à volta desta  festa da evolução.
Parabéns aos organizadores!

A foto acima é o modelo em tamanho real de C. Darwin enquanto jovem (tirada ontem na exposição).


Quinta-feira, Fevereiro 12, 2009

Projectos da FCT: a maior enchaqueca intelectual do mundo!


Se há desafio intelectual complicado creio que a escrita e estruturação de projectos e pedidos de fundos para investigação é decerto um deles... Creio mesmo que é mais difícil escrever um projecto que escrever um artigo científico. É que ou se ganha, ou se perde. Ou é agora, ou nunca... ou melhor, só daqui a dois anos. Portanto, tudo tem de estar bem feito, tudo perfeito! Por outro lado escrever um artigo é bem mais simples porque mesmo que haja ideias soltas ou inconclusivas elas podem ser motivo de escrutínio por parte dos avaliadores durante o processo de revisão. O mesmo não se passa com a atribuição de dinheiros públicos para fins de investigação: se não estava claro, que estivesse! Os contribuintes são muito exigentes. Realmente este processo competitivo é de elevada exigência e só os melhores projectos podem ser escolhidos (isto não pensando naquela lógica de que existem conluios e convénios por entre os meandros da FCT). Acho que para pensar nos termos que nos exigem existe um conceito fundamental: equilíbrio! Não podemos ser demasiado ambiciosos nem demasiado pessimistas. Não podemos requerer mais nem menos dinheiro que o adequado. Não podemos escolher nem os melhores nem os piores equipamentos. Enfim, tudo tem de ser na proporção certa e isso obriga-nos, e de que maneira, a pensar. Durante o mês anterior, aliás como pode ficar bem patente pelo registo de posts do nosso blog, não fizémos outra coisa senão pensar nos projectos da FCT... Tudo tinha de estar pensado até ao mais ínfimo pormenor: a estruturação conceptual do projecto, as ideias fundamentais que lhe subjazem, de que maneira elas se articulam, de que maneira as tarefas necessárias exigiriam dinheiro, métodos alternativos, parceiros e os seus respectivos inputs... É muita coisa! Agora, é só fazer figas e que Deus nosso senhor esteja connosco!

Fotografia: Octávio Mateus

Obrigado!

Nascia há precisamente 200 anos em Inglaterra.

Como homenagem aqui fica o "Eu penso" mais importante da História.


























Publicado simultaneamente no Conjurado

Quarta-feira, Fevereiro 11, 2009

Darwin2009.pt

Novo site português dedicado a Darwin: www.darwin2009.pt

Parabéns Darwin!

 

A Rede de Centros Ciência Viva vai "cantar os parabéns" a um dos mais importantes cientistas de todos os tempos no campo da Biologia.

Pode juntar-se à festa em um dos centros Ciência Viva espalhados pelo país e provar um dos bolos favoritos de Darwin – Bolo de Whisky, feito de acordo com a receita de Emma, esposa de Darwin.
Se quiser festejar em casa pode encontrar a receita do bolo no website Darwin2009, mas não se esqueça das 200 velas!


Durante todo o ano de 2009 vamos celebrar a vida e obra de Charles Darwin, assim como discutir a Teoria da Evolução e as visões contemporâneas sobre os mecanismos de evolução biológica.

Em Darwin2009 pode consultar a lista de eventos a decorrer, conhecer melhor Charles Darwin, aprender evolução experimentando e, através de uma série de entrevistas, conhecer cientistas portugueses que estudam evolução.

 

Celebre Darwin investigando, descobrindo, aprendendo!

 

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Para receber mais informação consulte o site http://www.darwin2009.up.pt

Uma iniciativa conjunta: Ciência Viva e IBMC.INEB