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sexta-feira, abril 29, 2016

Dinossauros num dia pela vida

Dinossauros na luta contra o cancro? Exacto! Num evento para angariação de fundos para a Liga Portuguesa contra o Cancro há uma palestra "Em Busca dos Dinossauros" no próximo Domingo.

A Comunidade da Lourinhã e a Liga Portuguesa Contra o Cancro – Núcleo Regional do Sul estão a desenvolver o projeto Um Dia Pela Vida no concelho da Lourinhã, coordenado por uma Comissão Local constituída para o efeito.

Trata-se de um evento desenvolvido no âmbito do programa internacional da American Cancer Society, Relay For Life, e tem como principais objetivos informar e educar a comunidade sobre a prevenção do cancro e angariar fundos para os serviços de apoio ao doente oncológico, investigação oncológica, programas de prevenção e rastreios da Liga Portuguesa Contra o Cancro.

Em resumo, Um Dia Pela Vida incluirá Prevenção, Comunidade, Angariação de fundos e muito divertimento. Representa a esperança de que os que foram levados pelo cancro não serão esquecidos, que aqueles que estão a lutar contra o cancro serão apoiados e que um dia o Cancro será vencido.

É um projeto de comunidade que teve o seu início no dia 16 de março e culmina com uma grande festa de encerramento com a duração de 24 horas, agendada para dia 18 de junho, sendo que nesse dia o ambiente será de festa, com espetáculos, música, jogos e outras atividades paralelas.
No decorrer destes 3 meses de projecto vamos ter dezenas de eventos, tais como, caminhadas, passeios de motos e Bicicletas, festivais de comida, espectáculos, Palestras, etc.

 Neste âmbito a Comissão Local do projeto Um Dia Pela Vida da Lourinhã e a Liga Portuguesa Contra o Cancro, têm o prazer de o convidar para assistir a uma  Palestra denominada "Em busca dos Dinossauros" com o Professor Doutor Octávio Mateus, no dia 1 de maio pelas 16 horas, no auditório da AMAL na Lourinhã.




quinta-feira, abril 14, 2016

Mini-simpósio sobre dinossauros ornitísquios: próxima segunda-feira, 18 de Abril

Na próxima segunda-feira, 18 de Abril decorre um mini-simpósio sobre dinossauros ornitísquios na FCT-UNL com os convidados especiais James Kirkland, paleontólogo do Utah Geological Survey (UGS) e  Mark Loewen professor na Universidade de Utah (UU).

Os dinossauros ornitísquios blindados, os tireóforos, são o foco deste mini-simpósio que decorre no Auditório da Biblioteca no campus da Faculdade de Ciências e Tecnologia, FCT, Universidade Nova de Lisboa, na Caparica, a partir das 15:00 com entrada livre.

Mini-Symposium on Ornithischian Dinosaurs
James Kirkland (UGS): Ankylosaur dinosaurs and Dinosaurs of Utah
Mark Loewen (UU): Ankylosaur Europelta
Octávio Mateus (FCT_UNL): Ornithischians in Portugal

Organizado pelo Departamento de Ciências da Terra da FCT, com apoio do American Corner e do Museu da Lourinhã.

http://www.dct.fct.unl.pt/noticias/2016/04/mini-simposio-sobre-dinossauros-ornitisquios-proxima-segunda-feira-18-de-abril

terça-feira, abril 12, 2016

Diplodocus revalidado com D. carnegii como espécie-tipo

O saurópode Diplodocus é um dos dinossauros mais famosos e populares, sendo alegadamente muito conhecido também do ponto de vista científico. Contudo, o espécime original, o holótipo, no qual se baseou a primeira espécie deste género Diplodocus longus, é um exemplar muito incompleto e pouco distintivo, de tal forma que não se consegue distinguir de outros diplodocídeos. Isto oferece um problema porque significa que a espécie não pode ser considerada válida, e como esta é a espécie-guia para o género Diplodocus, este corre o risco de também não ser válido, e perderíamos assim um dos géneros mais carismáticos e conhecidos de dinossauros.
Esta situação pode ser resolvida sugerindo que a espécie-tipo seja outra espécie Diplodocus que não o D. longus. É precisamente isso que é proposto pelos paleontólogos Emanuel Tschopp e Octávio Mateus à Comissão de Nomenclatura Zoológica e à comunidade científica. A escolha alternativa recai sobre o Diplodocus carnegii, um exemplar quase completo e com réplicas em vários museus do mundo.
O propósito da aplicação, nos termos dos artigos 78.1 e 81.1 do código de nomenclatura zoológica, é substituir Diplodocus longus Marsh 1878 como a espécie-tipo do género de dinossauro saurópode Diplodocus pela espécie D. carnegii Hatcher, 1901 que é muito mais completo e conhecido. O estado pouco diagnosticável do holótipo de D. longus (YPM 1920, uma cauda parcial e uma hemapófise) contrasta com o holótipo de D. carnegii CM 84, um exemplar bem conservado e principalmente articulado. Réplicas deste espécime estão em exposição em vários museus pelo mundo (incluindo Paris, Madrid, Londres e Milão), e a espécie já tem sido usado como a principal referência em estudos de anatomia comparada ou filogenia.

Réplica de holótipo de Diplodocus carnegii no MNHN Paris (Photo OM2016) 

Ambas as espécies são do Jurássico Superior das Formação de Morrison nos Estados Unidos. O género Diplodocus é a base para os taxa superiores Diplodocidae Marsh, 1884, Diplodocomorpha Marsh, 1884 (Calvo & Salgado, 1995) e Diplodocoidea Marsh, 1884 (Upchurch, 1995). É também um especificador de pelo menos 10 clados filogenéticos. Com a substituição de D. longus por D. carnegii como espécie-tipo, Diplodocus poderia ser preservado como um nome taxonómico com o conteúdo geralmente aceite. A estabilidade taxonômica do clado  Diplodocoidea e as definições propostas para diversos clados de saurópodes podem ser mantida.


Tschopp, E., Mateus O. (2016).  Diplodocus Marsh, 1878 (Dinosauria, Sauropoda): proposed designation of D. carnegii Hatcher, 1901 as the type species. Bulletin of Zoological Nomenclature. 73(1), 17-24.

Abstract. The purpose of this application, under Articles 78.1 and 81.1 of the Code, is to replace Diplodocus longus Marsh, 1878 as the type species of the sauropod dinosaur genus Diplodocus by the much better represented D. carnegii Hatcher, 1901, due to the undiagnosable state of the holotype of D. longus (YPM 1920, a partial tail and a chevron). The holotype of D. carnegii, CM 84, is a well-preserved and mostly articulated specimen. Casts of it are on display in various museums around the world, and the species has generally been used as the main reference for studies of comparative anatomy or phylogeny of the genus. Both species are known from the Upper Jurassic Morrison Formation of the western United States. The genus Diplodocus is the basis for the family-level taxa diplodocinae Marsh, 1884, diplodocidae Marsh, 1884, dip- lodocimorpha Marsh, 1884 (Calvo & Salgado, 1995) and diplodocoidea Marsh, 1884 (Upchurch, 1995). It is also a specifier of at least 10 phylogenetic clades. With the replace
ment of D. longus by D. carnegii as type species, Diplodocuscould be preserved as a taxonomic name with generally accepted content. Taxonomic stability of the entire clade diplodocoidea, and the proposed definitions of several clades within Sauropoda, could be maintained.


Holótipo de Diplodocus longus YPM: vértebra caudal
Holótipo de Diplodocus longus YPM: vértebra caudal

Espécimes-tipos: holótipos, parátipos e sintipos na taxonomia

Na sistemática e taxonomia, uma espécie ou um género são conceitos abstractos. Não existe algo tangível e palpável que seja "a espécie". Por outro lado, esse conceito tem como base animais ou plantas individuais que podem ficar conservados em museus ou universidades como espécimes e amostras reais e palpáveis. Os espécimes usados para fins taxonómicos, como a designação de uma nova espécie, são denominados de espécimes-tipo. Todos tipos devem estar num repositório de acesso científico (museu ou universidade) e disponível para estudo por outros investigadores. Existem vários espécimes tipo:

Holótipo: Amostra ou espécime único que serve como referência base da primeira descrição e nomeação de uma espécie de organismo vivo.
Por exemplo, o holótipo do  saurópode diplodocídeo Kaatedocus siberi Tschopp & Mateus 2013 é o espécime SMA 0004 que inclui parte de crânio e vértebras cervicais de um único indivíduo, exposto no Saurier Museum Aathal, na Suíça .
Holótipo de Kaatedocus siberi SMA 0004

Parátipo: Amostras ou espécimes adicionais (que não o holótipo) que servem como apoio na primeira descrição e nomeação de uma espécie de organismo vivo.
Exemplo: O parátipo do terópode Torvosaurus gurneyi Hendrickx & Mateus 2014 inclui o fémur esquerdo ML632, exposto no Museu da Lourinhã.

Neótipo: Amostra ou espécime de referência para a espécie, mas designado após a descrição original, devido ao holótipo original nunca ter sido designado ou ter sido perdido ou destruído.

Sintipo: Qualquer um dos vários espécimes que está listado numa descrição da espécie onde vários espécimes mas nenhum holótipo foi designado.

Lectótipo: Espécime escolhido para servir como espécime-tipo único selecionado a posteriori a partir de um conjunto de síntipos, quando o holótipo não foi designado.



Emanuel Tschopp & Octávio Mateus (2013) The skull and neck of a new flagellicaudatan sauropod from the Morrison Formation and its implication for the evolution and ontogeny of diplodocid dinosaurs, Journal of Systematic Palaeontology, 11:7, 853-888, DOI: 10.1080/14772019.2012.746589

terça-feira, abril 05, 2016

Palestras sobre dinossauros

Amanhã, quarta-feira, 6 de Abril, temos uma palestra de divulgação sobre dinossauros "Quando os dinossauros dominavam a Península Ibérica" integrado na Expo FCT, pelas 11:30 no Auditório CGD da Universidade Nova de Lisboa, campus da Caparica.




                 Próximas palestras:
8 de Abril, 12:45 - Palestra no Congresso da Ordem dos Biólogos -Universidade de Évora.
18 de Abril, 14:30: Mini-simpósio sobre Dinossauros, Biblioteca da FCT-UNL- Faculdade de Ciências e Tecnologia da Universidade Nova de Lisboa. Com James Kirkland, Mark Loewen, Octávio Mateus, e Miguel Moreno Azanza.
1 de Maio, 16:00: Em Busca dos Dinossauros, Auditório AMAL na Lourinhã (integrado no Dia pela Vida, da Liga contra o Cancro)
13 de Maio: NOVApaleo, simpósio de paleontologia na FCT-UNL.
17 de Maio: Escola Secundária da Lourinhã.
19 de Maio: Algarve no tempo dos dinossauros. Câmara Municipal de Loulé.
20 de Maio: Palestra por Nuno Ferrand, na FCT-UNL.
27 de Maio: III Fórum sobre Património Natural, Etnográfico e Arqueológico. Batalha.

segunda-feira, março 28, 2016

200 anos sobre a vida de Charles Bonnet (1816-1867), fundador da Comissão Geológica

Mapa geográfico do Alentejo e Algarve
por Charles Jonnet 1850
Faz hoje exactamente 200 anos sobre o nascimento de um dos fundadores da geologia Portuguesa, Charles Bonnet (1816-1867).
Charles Jean Baptiste Bonnet (n. Vesoul , França, a 28 de Março de 1816, - m. Loulé, a 8 de Abril de 1867) era filho do sapateiro François Bonnet e de Jeanne Françoise Zominy, doméstica, ambos de origem humilde. Fez os seus estudos em engenharia civil na especialidade de geologia e mineralogia em França. Emigrou para Portugal entre 1844 e 1846.  Membro da Academia das Ciências de Lisboa desde 1849.

Foi casado com Octávia Henriqueta Isaura Pernot, e teve um filho, Carlos Octávio Bonnet,
Frontspício de Bonnet, C. 1950. Algarve (Portugal). Description géographique et géologique de cette Province
Viveu na rua de S. Francisco, n. 40-12, em Lisboa, e, depois em Loulé.  Em 1846, Bonnet estava a estudar uma mina de cobre no Algarve. Nessa altura deparou-se com a necessidade de corrigir e melhorar a cartografia geológica da região.  Em 1847, fez a sua segunda viagem ao Algarve, desta vez para percorrer toda a região, procedendo a numerosas observações de carácter topográfico, geográfico e geológico. A partir de 1849 Bonnet dirige a Comissão Geológica do reino, criada no ano anterior, em 1848, por parecer da Academia das Ciências. Essa comissão foi criada para dar “princípio à exploração geológica e mineralógica do Reino” (segundo a Acta da Câmara dos Deputados, de 16 de Abril de 1849), precursora da Comissão organizada na Direcção-Geral dos Trabalhos Geodésicos em 1857. Recebeu o grau de Cavaleiro da Ordem de Cristo em 8 de Novembro de 1847. Charles Bonnet fez recolhas de espécimens e dados orográficos, corográficos, botânicos, e geológicos. Recolheu fósseis e amostras de minerais no Algarve. Ofereceu uma colecção de 140 rochas e minerais ao Museu de História Natural da Academia Real das Ciências de Lisboa.
Relativamente à paleontologia, Bonnet teve um papel secundário, sendo o principal trabalho a cartografia geológica e geográfica. Contudo, refere a existência de amonites e belemnites na Serra de Alfeição, Nexe, perto de Loulé, e conchas miocénicas em Lagos, Vila Nova de Portimão, Ferragudo, Mexilhoeirinha e Albufeira. Cita mesmo a existência de fósseis “Cardium edule” e Mytilus em Albufeira e entre Lagos e Porto de Moz (Bonnet, 1850: p. 142).
Residência de Charles Bonnet, em Loulé.

Jaz em Loulé. Não se conheçem imagens de Charles Bonnet.


Publicou:
Mappa Geographico da Provincia do Alentejo e do Reino do Algarve(ca. 1:800 000, 1851) disponível em http://purl.pt/1968
Bonnet, C. 1850. Mémoire sur le Royaume de l’Algarve (Province du Portugal), contenent la description des montagnes, des sources, des cours d’eau, des villes, etc., du climat, de la végétation, des animaux, de l’industrie, du commerce, etc., ainsi qu’une esquisse historique de cette contrée. Memórias da Academia das Ciências de Lisboa, 2ª série, tomo II.
Bonnet, C. 1950. Algarve (Portugal). Description géographique et géologique de cette Province. Acad. Roy. Scienc. Lisbonne, 186 p.






Fontes e Biografias:
Dias, M.H., Charles Bonnet (1816-1867). Em http://cvc.instituto-camoes.pt/ciencia/p67.html
Mesquita, J.C.V., 1985. Charles Bonnet, a reedição de uma obra e a urgência dum Jardim Botânico em Loulé. Al-Gharbe-Estudos Regionais, 2, pp.33-61.

Não confundir com o homónimo naturalista e filósofo suíço Charles Bonnet (1720-1793).

sexta-feira, março 18, 2016

NOVApaleo - Simpósio de Paleontologia (FCT-Nova, 13 de Maio)

Vai decorrer o simpósio de paleontologia NOVA-Paleo, dia 13 de Maio na FCT-UNL. Este evento destina-se a promover e divulgar a paleontologia feita por estudantes e jovens investigadores estando aberto a todos os interessados.



No decurso da 4ª edição do Mestrado em Paleontologia (NOVA, UÉ), a Comissão de Curso, o Departamento de Ciências da Terra da FCT-NOVA e o Departamento de Geociências da ECT-Universidade de Évora, entenderam oportuno promover o Simpósio NOVApaleo 2016, a realizar nos dias 13 de maio de 2016, com o intuito de reunir jovens investigadores em Paleontologia, partilhar experiências e colocar em destaque a investigação científica que tem vindo a ser desenvolvida em Portugal neste domínio do saber. O evento incluirá duas Conferências por convite e um workshop.

O NOVApaleo 2016 é particularmente destinado à apresentação oral ou em poster de trabalhos resultantes de dissertações de doutoramento e de mestrado ou de trabalhos científicos no âmbito de projetos e bolsas de iniciação à investigação científica, em Paleontologia e áreas afins, incluindo o património paleontológico. Aceitam-se ainda trabalhos sobre paleontologia de estudantes do ensino secundário, devidamente enquadrados pelos seus professores, para apresentação em poster. As línguas de trabalho serão o Português, Espanhol e Inglês.

O dia 14 de Maio conta ainda com um dia de curso workshop sobre o Software R.




sexta-feira, fevereiro 26, 2016

Evolução dos golfinhos e baleias em palestra a 3 de Março

A evolução dos cetáceos, a partir de mamíferos de hábitos anfíbios pequenos e quadrúpedes até às baleias gigantes de hoje, é das histórias naturais mais fascinantes. Esse será o tema da palestra pelo paleontólogo Olivier Lambert na próxima quinta-feira, 3 de Março, pelas 15:00, na FCT-UNL (Auditório da Biblioteca).



Olivier Lambert
Olivier Lambert é paleontólogo do Instituto Real Belga de Ciências Naturais tendo trabalhado na evolução dos mamíferos marinhos, suas adaptações à vida aquática, diversidade e disparidade, e suas interações com organismos marinhos. A sua pesquisa foca-se em diferentes clados de odontocetes (baleias de dentes) do Oligocénico ao Pliocénico, nomeadamente ao lidar com a sistemática, filogenia, anatomia funcional, paleoecologia, e histologia óssea. Trabalha sobre baleias-de-bico (Ziphiidae), cachalotes (Physeteridae), golfinhos longirostros (Eurhinodelphinidae e Platanistoidea) semelhantes aos do rio Amazonas golfinho e La Plata, delfinóides arcaicos, e taxa extintos parentes da beluga e narval (Monodontidae). Também colabora com colegas para o estudo das baleias de barbas e sirénios (parentes do dugongo moderno e peixe-boi).

Baptizou três géneros de cetáceos fósseis de Portugal TagicetusImocetus, e Globicetus.

Fontes:
https://naturalsciences-be.academia.edu/OlivierLambert
https://www.naturalsciences.be/en/science/do/545/staff/member/328





quarta-feira, fevereiro 24, 2016

Palestra em Lisboa: O que dinossauros nos dizem sobre evolução?

O que nos ensinam sobre evolução os fósseis de dinossauros e de outros animais? Esta pergunta é o mote da palestra do dia 17 de Março no Museu Nacional de História Natural e da Ciência, em Lisboa.




Quando: Quinta, 17 Março, 2016 - 18:45 a 19:45
Onde: Sala Vandelli | Museu Nacional de História Natural e da Ciência
Os que os dinossauros e outros fósseis nos podem ensinar sobre evolução?
Octávio Mateus - UNL
Ciclo de conversas "60 Minutos de Ciência"
Num formato informal e descontraído, 60 minutos de Ciência pretende ser um fórum de discussão entre especialistas e cidadãos sobre temas atuais de Ciência. Com lugar na Sala Vandelli do MUHNAC, este programa decorrerá nas terceiras quintas feiras de cada mês, pelas 18h45.

sexta-feira, fevereiro 19, 2016

João Pais (1949-2016)

Faleceu esta manhã, dia 19 de Fevereiro de 2016, aos 66 anos, o Prof. João Pais, após complicações renais e cardíacas. A academia portuguesa perdeu uma das suas estrelas mais brilhantes, um excelente paleontólogo e exímio estratígrafo. Além das inquestionáveis qualidades profissionais, era uma pessoa com elevadas qualidades humanas: afável, prestável e sensível.
João José Cardoso Pais (1949-2016) OM

O paleontólogo e estratígrafo, Prof. João José Cardoso Pais nasceu em Cabeção, no concelho de Mora a 14 de Outubro de 1949. Era professor catedrático aposentado no Departamento de Ciências da Terra da FCT- Universidade Nova de Lisboa. 

 Prestou provas de Doutoramento primeiro sobre a orientação do Professor Carlos Teixeira e após a entrada para a UNL, sob a orientação do Professor Miguel Telles Antunes, terminando em 1982 com distinção e louvor.

1972 - Licenciatura (Geologia), Faculdade de Ciências, Universidade de Lisboa
1982 - Doutoramento (Estratigrafia e Paleobiologia), Faculdade de Ciências e Tecnologia, Universidade Nova de Lisboa, com a tese "Contribuição para o conhecimento da Vegetação Miocénica da Parte Ocidental da Bacia do Tejo".
1991 - Agregação (Estratigrafia e Paleontologia), Faculdade de Ciências e Tecnologia, Universidade Nova de Lisboa

Segundo o seu CV no Degóis:
João Pais, Miguel Ramalho, Moitinho de Almeida
e António Ribeiro.
Foto por O.M. 2007
 "João José Cardoso Pais, aposentado desde Maio de 2013. Foi Professor da Universidade Nova de Lisboa. Concluiu a Agregação em 1991. Publicou 100 artigos em revistas especializadas e 60 trabalhos em actas de eventos, possui 16 capítulos de livros e 10 livros publicados. Possui 481 itens de produção técnica. Participou em 46 eventos no estrangeiro e 48 em Portugal. Orientou 4 teses de doutoramento, orientou 3 dissertações de mestrado e co-orientou 2 nas áreas de Ciências da Terra e do Ambiente e História e Arqueologia. Recebeu 3 prémios e/ou homenagens. Entre 2000 e 2015 participou em 4 projectos de investigação, sendo que coordenou 2 destes. Actua na área de Ciências Naturais com ênfase em Ciências da Terra e do Ambiente. Nas suas actividades profissionais interagiu com 376 colaboradores em co-autorias de trabalhos científicos. No seu curriculum DeGóis os termos mais frequentes na contextualização da produção científica, tecnológica e artístico-cultural são: Geologia, Estratigrafia, Cartografia geológica, Engenharia Geológica, Paleoambientes, Paleobotânica, Ecologia, Paleontologia, Arqueobotânica e Arqueozoologia."

Descreveu as seguintes espécies de plantas fósseis:
Annonxylon teixeirae sp. nov.
Brachyphyllum lusitanicum n. sp.
Frenelopsis teixeirae sp. nov. (colaboração K. L. Alvin)
Ischyosporites teixeirae n. sp. (colaboração Y. Reyre)
Pinus fluvimajoricus n. sp.
Pterophyllum mondeguensis n. sp.
Todites falciformis n. sp.
Erdtmanispermum juncalense n. sp. (colaboração M. Mendes & E. Friis)
Raunsgaardispermum lusitanicum n. gen. n. sp. (colaboração M. Mendes & E. Friis)
Erdtmanitheca portucalensis n. sp. (colaboração com M. Mendes, E. Friis & R. Pedersen)

E foram-lhe dedicadas duas espécies:
Xestoleberis paisi Nascimento, 1989 - Ostracodo do Aquitaniano da Bacia do Baixo Tejo
Microparamys paisi Estravís, 1994 - Roedor, Ischyromyidae do Eocénico de Silveirinha

À data de hoje, conta com 1600 citações nos seus 100 trabalhos.

Selecção de obras:
2013
Mendes, M. M., Dinis, J., Pais, J., & Friis, E. M. (2013). Vegetational composition of the Early Cretaceous Chicalhão flora (Lusitanian Basin, western Portugal) based on palynological and mesofossil assemblages. Review of Palaeobotany and Palynology.
2012
Pais, J. (ed., autor), Cunha, P.P., Pereira, D., Legoinha, P., Dias, R., Moura, D., Silveira, A.B., Kullberg, J.C. & González-Delgado, J.A. (2012) - The Paleogene and Neogene of Western Iberia (Portugal) A Cenozoic record in the European Atlantic domain. Springer. 158p. DOI: 10.1007/978-3-642-22401-0
Kullberg, J. C., Pais J., Almeida J. A., & Mateus O. (2012). Contributo do património geológico e geomorfológico na candidatura da Arrábida (Portugal) a Património Mundial Misto. 46º Cong. Brasileiro Geologia / 1º Cong. Geologia Países Língua Portuguesa. , Set-Oct 2012, Santos (Brazil)
2011
Mendes, M. M., Dinis, J., Pais, J.; Friis, E. M. (2011) - Early Cretaceous flora from Vale Painho (Lusitanian Basin, western Portugal): An integrated palynological and mesofossil study. Review of Palaeobotany and Palynology. doi: 10.1016/j.revpalbo.2011.04.003
Vieira, M., Poças, E., Pais, J., Pereira, P.(2011) - Pliocene flora from S. Pedro da Torre deposits (Minho, NW Portugal). Geodiversitas, 13(1): 71-85. DOI:10.5252/g2011n1a5
2010
Barrón, E., Rivas-Carballo, R., Postigo-Mijarra, J.M., Alcalde-Olivares, C., Vieira, M., Castro, L., PAIS, J., Valle-Hernández, M. (2010) – The Cenozoic vegetation of the Iberian Peninsula. A synthesis. Rev. Palaeob. Palynology, 162: 382-402 . doi: 10.1016/j.revpalbo.2009.11.007.
2009
Cunha, P. P.; PAIS, J.; Legoinha, P. (2009) - Evolução geológica de Portugal continental durante o Cenozóico – sedimentação aluvial e marinha numa margem continental passiva (Ibéria ocidental). Proc. 6th Symposium on the Atlantic Iberian Margin, December, 1-5, Univ. Oviedo, pp. xi- xx.
Dias, R. &; PAIS, J. (2009) – Homogeneização da cartografia geológica do Cenozóico da Área Metropolitana de Lisboa. Com. Geol., Lisboa, 96: 39-50. ISSN 1647-581X
2008
Manuppella, G.; Zbyszewski, G.; Choffat, P.; Almeida, F.M. (levantamentos). Rey, J.; Dias, R.P.; Rebelo, L.; PAIS, J.; Ornelas, F.; Moniz, C.; Cabral, J. (novos levantamentos). Ramalho, M.; Dinis, J.; Ribeiro, L.; Clavijo, E.; Cunha, T. A. & Caldeira, R. (colaboração). Moniz, C.; Dias, R. P. & PAIS, J. (adaptação e revisões). Baptista, R.; Moniz, C. (corte geológico). Baptista, R. (interpretação sísmica). Moniz, C. (colunas litostratigráficas). PAIS, J & Dinis, J. (revisão coluna litostratigráfica) (2008) – Carta geológica de Portugal na escala 1:50 000. Folha 34-B Loures. 3ª edição. INETI, Departamento de Geologia.

Links:



Prestamos-lhe a devida homenagem.

Testemunho pessoal: O Prof. João Pais teve uma enorme influência em mim. Ele fez parte do júri do meu doutoramento; foi durante o seu cargo, como Presidente de Departamento de Ciências da Terra na FCT- NOVA que fui integrado neste departamento como professor; e partilhei, até hoje, o gabinete com este grande cientista.

Obrigado Prof. João Pais.

Condolências à família.

OM

terça-feira, janeiro 26, 2016

Curso de filogenia para paleontologia (Março na FCT-NOVA)

"Filogenia para Paleontologia" é o curso/formação de introdução à análise filogenética com base em parcimónia para estudos de paleontologia e de morfologia ministrado no fim de semana de 12 e 13 de Março pela Universidade Nova de Lisboa (link) e aberto a todos os interessados. 

Segue aqui os detalhes do curso:

Training course: Phylogeny for Paleontology (March 12-13, 2016)

This is a two day introductory course on parsimony-based phylogenetic analysis in paleontology and morphological studies, for students and proffesionals, to be held at the Departamento de Ciências da Terra, Universidade de Nova Lisboa.
Aim of the course: Phylogenetic analyses are a key tool for paleontologists. The aim of this course is to provide the participants the basic skills need to perform a morphological phylogenetic analysis and publish their  results. The basics of parsimony analysis and character optimisation will be covered.
Target public and credits: Open to anyone but targeted to students and professionals in evolutionary biology and paleontology. Diploma will be provided by FCT-UNL. This training can be included as supplement to the graduation or master diploma (accreditation still pending).
Instructors: Miguel Moreno Azanza and Octávio Mateus (FCT- University NOVA of Lisbon)
Requirements: All participants are required to bring their own laptop. Windows strongly recommended (MacOS versions of the software available but without user interface).
Dates and contents: The course will have three sessions, each with theoretical and practical lessons, plus and an additional optional workshop session to provide assistance with the attendees’ datasets. Total Hours of Training: 16h.
1st Day (March 12th)
Session 1: Introduction to cladistic analysis using parsimony-based methods.
Introduction to systematics, basic concepts, how to build a matrix and best practices.
Session 2: Introduction to parsimony-based software.
Introduction to TNT: Editing your matrix. Basic Searches. Consensus trees. Branch support. Getting trees ready to publish.
2nd day (March 13th)
Session 3: Intermediate-level use of parsimony-based software.
Continuous characters and mixed matrices. Weighting characters. New technology searchers.  Constrained searches. Basic scripts. Other stuff TNT can do.
Session 4: Workshop: bring your matrix to the lab (optional).
Participants will be allowed to bring their matrices to the lab, to be examined in a collaborative approach by the class.
Language: English (translation into Portuguese is available if necessary)
Place: Departamento de Ciências da Terra, Building IX, Universidade Nova de Lisboa, 2829-516 Caparica, Portugal
GPS Coordinates: 38.660734, -9.207075
Registration fees: Non student: 150 euros. Students of Universidade Nova de Lisboa (Mestrado de Paleontologia and others): free. Other student: 30 euros. (student card is required). Payment is done at the beginning of the course.  

Registration: Send an email to: Miguel Moreno-Azanza (mmazanza@fct.unl.pt) including your name, email, professional situation, institution and where you learn about this course, until March, 1st.
Questions can be addressed to: mmazanza@fct.unl.pt

quinta-feira, janeiro 14, 2016

Equinodermes do Mesozóico de Portugal em doutoramento por Bruno Pereira

Os equinodermes são um grupo fascinante, com enorme expressão actual e milhares de fósseis conhecidos. Actualmente incluem os ouriços-do-mar, estrelas-do-mar, ofiuróides, holotúrias e crinóides. Os equinodermes do Mesozóico de Portugal têm sido pouco abordados desde do trabalho de Perceval de Loriol no século XIX e precisamente por isso é que Bruno Pereira decidiu dedicar-se a eles.
Bruno Pereira segurando a sua tese de doutoramento
de 726 páginas.
Bruno Miguel Claro Pereira, de 31 anos, é licenciado em Geologia e tese de Mestrado sobre Ossículos de Equinodermes do Miocénico da Península de Setúbal (UL em 2010). É autor de uma dezena de títulos, tal como a diversidade de ouriços do mar na Bacia Lusitânica já abordados neste blog e têm trabalhado na defesa dos equinodermes do Cabeço da Ladeira. É voluntário do Museu da Lourinhã desde 2004, colaborador do centro de investigação GeoBioTec (FCT-UNL), participou numa das expedições científicas PaleoAngola ao Namibe.

A sua investigação levou-o a fazer o doutoramento pela Universidade de Bristol sob orientação principal de Michael Benton co-orientado por Andrew Smith, Marcello Ruta e Octávio Mateus, com o título Portuguese Mesozoic echinoderms: systematics, stratigraphy, palaeoecology and palaeobiogeography numa enorme tese de mais de 726 páginas onde trata as 249 espécies de equinodermes no Mesozóico de Portugal.


O Bruno fez as suas provas de Doutoramento em Bristol, dia 14 de Janeiro de 2016, pelo que está de parabéns!

Links:
Página Bruno Pereira na Univ- Bristol.
Bruno Pereira no ResearchGate.

Algumas publicações:
Equinodermes do Cabeço da Ladeira: um caso de preservação do património geológico
B. Pereira · S. Machado · J. M. F. Carvalho · L. Mergulhão · P. Pereira · M. Duarte · J. Anacleto
Comunicações Geológicas 05/2015; 101 (2014)(Especial III):1339-1343.

Mesozoic echinoid diversity in Portugal: Investigating fossil record quality and environmental constraints on a regional scale
Bruno Claro Pereira · Michael J. Benton · Marcello Ruta · Octávio Mateus
Palaeogeography Palaeoclimatology Palaeoecology 02/2015; 424

A new echinoderm Lagerstätten in Portugal: preliminary results
Bruno Claro Pereira · Pedro Pereira · Susana Machado · Jorge Carvalho · Lia Mergulhão
4th International Palaeontological Congress, Mendoza, Argentina; 09/2014

Estrela do Mar no Mesozóico de Portugal.
Cretaceous amniotes from Angola: dinosaurs, pterosaurs, mosasaurs, plesiosaurs, and turtles
Octavio Mateus · Michael J. Polcyn · L. L. Jacobs · Ricardo Araújo · A. S. Schulp · João Marinheiro · Bruno Claro Pereira · D. Vineyard

Exceptional Tortonian Echinoderm Palaeodiversity at Lagoa de Albufeira (Setúbal Peninsula, Portugal).
Bruno Pereira · Pedro Pereira · Mário Cachão
7th European Conference on Echinoderms, Göttingen; 10/2010






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domingo, janeiro 10, 2016

Cinco novas espécies de frangos-de-água fósseis da Madeira e Açores


Os Frangos-de-água são aves aquáticas do género Rallus com numerosas espécies e distribuição alargada. Um novo estudo publica agora a existência de cinco novas espécies provenientes de fósseis da Madeira e Açores:
Rallus lowei n. sp., viveu na Ilha da Madeira 
Rallus adolfocaesaris n. sp.,  em Porto Santo,
Rallus montivagorum n. sp, Ilha do Pico, Açores
Rallus carvaoensis n. sp. em São Miguel
Rallus minutus n. sp.de São Jorge
Da Terceira vem ainda um espécime fabuloso articulado e praticamente mumificado.
O artigo é assinado por Josep Antoni Alcover , Harald Pieper , Fernando Pereira e Juan Carlos Rando e foi publicado na revista Zootaxa.


Espécime de Rallus sp. do Algar do Carvão, Terceira.  

Alcover, Josep A., Harald Pieper, Fernando Pereira & Juan C. Rando. 2015. Five New Extinct Species of Rails (Aves: Gruiformes: Rallidae) from the Macaronesian Islands (North Atlantic Ocean). Zootaxa.  4057(2): 151–200. DOI: 10.11646/zootaxa.4057.2.1
http://www.mapress.com/zootaxa/2015/f/z04057p190f.pdf

Resumo: São descritas como novas para a ciência cinco espécies de Frangos-de-água recentemente extintas da Macaronésia. Todas estas espécies são mais pequenas do que o seu presumível antepassado o Frango-de-água Europeu Rallus aquaticus. Duas destas espécies novas ocorrem no arquipélago da Madeira. Rallus lowei n. sp., viveu na Ilha da Madeira sendo de todas as cinco espécies aqui descritas a mais robusta, tratando-se de uma espécie sem capacidade de voo com tarsometatarso curto e robusto e asas reduzidas. Rallus adolfocaesaris n. sp., viveu em Porto Santo, também sem capacidade de voo é uma espécie mais pequena do que a espécie da Madeira. Seis ilhas dos Açores foram até agora investigadas em termos paleontológicos e em todas elas encontrámos fósseis de Frangos-de-água. Em três das ilhas encontrámos material suficiente para uma descrição adequada das suas espécies de Frango-de-água actualmente extinctos. Rallus montivagorum n. sp., com reduzida capacidade de voo, mais pequeno que Rallus aquaticus, viveu na ilha do Pico. Rallus carvaoensis n. sp., foi uma espécie pequena sem capacidade de voo com pernas curtas e grossas e um bico aparentemente mais curto do que em Rallus aquaticus, viveu em São Miguel. Rallus minutus n. sp., uma espécie muito pequena (tamanho parecido com Atlantisia rogersi) também sem capacidade de voo e com tarsometatarso curto e robusto, viveu em São Jorge. O material encontrado nas ilhas Terceira, Graciosa e Santa Maria foi insuficiente para a descrição das suas espécies. Em adição, descrevomos um fossil notável de um Rallus encontrado no Algar do Carvão na ilha Terceira.

quinta-feira, janeiro 07, 2016

Espinossauros de Marrocos: estudo confirma a existência de duas espécies


O dinossauro predador Spinosaurus engolia peixes como os actuais pelicanos fazem. Esta é uma das conclusões de um estudo pela Universidade Nova de Lisboa. Ossos da mandíbula destes grandes dinossauros se alimentam de peixes conhecidos como espinossauros mostram que mandíbula destes animais abria lateralmente para melhor abranger a presa, de acordo com um artigo publicado na revista PLOS ONE, por Christophe Hendrickx e Octávio Mateus da Universidade Nova de Lisboa e Museu da Lourinhã, e Eric Buffetaut, de CNRS de Paris.
Two spinosaur species feeding of fish in the Kem Kem environment of Southeastern Morocco around 100 million years ago. Artwork by Sergey Krasovskiy (http://atrox1.deviantart.com/gallery/), advised by Christophe Hendrickx, Serjoscha Evers, Andrea Cau and Scott Hartman.
O estudo revela que o alargamento lateral da mandíbula inferior foi possível em Spinosaurus graças a uma articulação solta e móvel entre as partes esquerda e direita da mandíbula. "Os Spinosaurus eram animais piscívoros muito estranhos com um crânio semelhante ao de um crocodilo com um focinho longo e estreito e dentes cónicos", explicou Octávio Mateus. "Evidências diretas indicam que estes dinossauros eram comedores de peixe, e nosso estudo mostra, pela primeira vez, que eles eram capazes de engolir grandes presas, de uma forma semelhante como nossos pelicanos que vivem", acrescentou Hendrickx.
Os cientistas dizem que os ossos de vários crânios também mostram a presença de duas espécies de espinossauros no Cretácico de Marrocos, há cerca de cem milhões de anos atrás. A primeira espécie foi identificada pelos paleontólogos como Spinosaurus aegyptiacus, um dinossauro semi-aquático e um dos maiores predadores terrestres. "Esta linhagem de dinossauros predadores que levou ao Spinosaurus pode ser rastreada até ao período Jurássico, tendo, gradualmente, adaptado-se a um novo estilo de vida semi-aquático", disse Eric Buffetaut, um co-autor da publicação do CNRS em França.

Spinosaurus foi recentemente considerado como um animal quadrúpede com ossos densos e pernas curtas adaptadas à natação, com base em novos materiais fósseis da mesma região de Marrocos. Hendrickx e colegas, no entanto, mostram a presença de mais de uma espécie de espinossauros nesses depósitos e lançam dúvidas sobre a precisão da reconstrução de um Spinosaurus quadrúpede de pernas curtas, o que pode ter sido baseada em elementos de vários animais distintos. "Só a descoberta de fósseis adicionais de Marrocos poderá confirmar a nossa hipótese de a presença de mais de uma espécie de espinossauros no Cretácico Superior do Norte de África", concluiu Hendrickx.


Morphology of the upper jaw bone belonging to two species of spinosaurs. Reconstruction by Christophe Hendrickx.


Publication reference: Hendrickx, C., Mateus, O. and Buffetaut, E. 2016. Morphofunctional analysis of the quadrate of Spinosauridae (Dinosauria: Theropoda) and the presence of Spinosaurus and a second spinosaurine taxon in the Cenomanian of North Africa. PLOS ONE.
http://journals.plos.org/plosone/article?id=10.1371/journal.pone.0144695


Supplementary information, including illustrations, are available at https://drive.google.com/open?id=0B2-1jKWHZywJeVZ5RjR2MVBFMXM

The Belgian paleontologist Dr. Christophe Hendrickx, leading author of the study. Photo taken by Octávio Mateus.